The last game

9 Poderes estranhos


Londres
Peter estava de frente para a TV assistindo sobre o terrível e estranho congelamento de um hospital na França onde uma enorme quantidade de pessoas morreu de hipotermia, sacos e mais sacos de mortos era tirado do ambiente incrivelmente petrificado pelo frio e cheio de estalactites, as autoridades obviamente estavam tendo dificuldades de retirar os corpos. Não podendo entrar no local apenas com roupas comuns todos tiveram que se agasalhar rigorosamente para poderem trabalhar.


A aglomeração ao redor do hospital era grandiosa, populares e autoridades brigavam por espaço naquele lugar que já se tornava um evento sobrenatural e mundial.


O jovem Peter tinha certeza que ali houve uma batalha entre anciões, à proporção do incidente que ninguém tinha uma resposta lógica pra dar, só o deixava ainda mais temeroso em se envolver numa luta. O ancião que tem uma habilidade como essa, era de fato poderoso.


Desligando a TV correu para o banheiro e se olhou no espelho enorme acima da pia, olhos negros, fios castanhos claros e uma pele esbranquiçada era o que via diante de si.


—O que tenho que fazer?—perguntou para seu reflexo.


—Criar uma estratégia. —respondeu seu reflexo de dentro do espelho.


—Mas não sei que estratégia fazer.


—Deixa de ser burro, use sua habilidade, você pode estar em qualquer lugar que quiser.


—Desde que em qualquer lugar tenha um espelho.

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—Preste atenção, três deles formaram uma equipe e estão tentando reunir mais membros—o reflexo apesar de idêntico ao Peter verdadeiro possuía um semblante calculista e esbanjava inteligência— obviamente é uma estratégia boa, porem perigosa, se juntar com outros para juntos eliminarem os fracos, mas e depois quando tiverem matados todos os que não estiverem com eles?


—Um banho de sangue. —Peter podia não ser muito inteligente, mas era cauteloso.


—Troque de lugar comigo e deixe que faça o que você não consegue, apenas diga a palavra— o reflexo parecia implorar.


—Ainda não sabedoria, você pode estar certo, mas preciso consultar os outros também.


Peter juntou as pálpebras e sussurrou algo ininteligível, ao abrir novamente os olhos voltou a falar com seu reflexo.


—Bravo, o que eu acha que devo fazer, sabedoria diz ter uma estratégia, mas ainda me sinto inseguro. —falou Peter ao espelho.


—Creio que deva lutar, os fracos não tem vez nessa guerra e se continuar parado logo se tornará um alvo destruído. —o reflexo agora tinha algumas mudanças na face apesar de ainda ser o mesmo Peter, as sobrancelhas estavam arqueadas, e tinha um olhar assustador.


—Não sei lutar, e esse poder comparado ao dos outros anciões não deve ser uma ameaça. —Peter parecia temeroso.


—Não adianta ficar se rebaixando, deixe de ser fraco e inútil, lute agora, diga a palavra e deixe que eu faça o que temeroso não é capaz.


Antes que o reflexo falasse mais alguma coisa Peter saiu do banheiro e foi para seu quarto, se jogando na cama fechou os olhos e disse algo que não podia ser inglês nem qualquer outra língua falada atualmente. Perdido em pensamentos seu semblante antes apavorado demonstrava agora normalidade, o ar de loucura que rondava seu ser se esvaiu tão logo que ele só podia ser bipolar ou ter algum problema de personalidade.


Levantando-se da cama coçou a cabeça em um misto de duvida e incerteza, olhou em volta para ter certeza de onde estava e respirou fundo aliviado.


—Voltei!


O Peter que dominava o corpo daquele jovem belo era agora o Peter normal, com todas as suas personalidades misturadas na humanidade normal de um homem, insegurança, inteligência, cautela, braveza, medo e todas as outras características internas que torna a raça humana, humana.


Depois de tomar um banho e trocar de roupa, pegou as chaves do seu carro e desceu do apartamento para ir beber, estava querendo esquecer um pouco dos seus problemas. Vestindo sua jaqueta de couro preta, colocando um perfume devastador saiu desejando encontrar alguém para uma boa noite de sexo, Peter era bissexual assumido, e acha que consegue dormir com qualquer homem que se diga macho de verdade. Belo e atraente não podia ser outro ancião se não a ATRAÇÃO, sexy e carismático conseguia seduzir tanto homens quanto mulheres.


O único problema que tinha com sua habilidade era o fato de suas características se separarem, uma totalmente divergente a outra vivia no mundo dos espelhos, se quisesse ser bravo era só deixar esse seu lado o dominar, caso preferisse ser inteligente dava lugar a esse seu outro lado. Para tal era só assim como quem escolhe uma roupa num guarda-roupa, escolher qual personalidade desejava usar e dizer uma palavra que nem ele entendia, mas sempre aparecia na sua cabeça. Outro beneficio dessa habilidade era a de que esses seus outros “eus” podiam estar em qualquer lugar onde houvesse um espelho, o que era ótimo pra saber se havia algum ancião por perto, por isso até agora estava seguro.


A caminho de um pub para beber se sentiu perseguido, temeroso, acelerou os passos e continuou andando, apesar da rua estar bem movimentada, temia ser um ancião.


Quando ouviu passos atrás de si se virou num impulso de coragem e deu de cara com um homem da sua altura, ele tinha um sorriso largo na cara e por pouco não se esbarrou em Peter por parar bruscamente.


—Você. —Peter se recordava dele, mas não lembrava o nome.


—Se lembra de mim, Connor. —ele estendeu a mão.


—Como me esquecer, salvou minha vida. —falou Peter se recordando do cavalheiro que Connor foi com ele na noite em que quase foi espancado por um trio de skinheads e depois quase tranzarem, mas Peter percebeu que ele era muito apaixonante e estava com medo de se apaixonar.


—Você sumiu do meu apartamento enquanto estava tomando banho.—Connor era muito atraente, um homem simples, mas cativante.


—Desculpe por aquilo, é que eu...


—Tudo bem, não precisa dizer nada, mas está me devendo uma bebida. —falou ele.


Em um papo descontraído os dois foram para um bar conhecido na área, se sentaram no balcão e pediram dois chopes.


A conversa se desenrolava naturalmente, como se já tivessem ensaiado o dialogo antes, obviamente formavam uma bela dupla, ambos atraentes esbanjavam certo carisma, tinham uma química clara.


Depois de beberem bastante decidiram ir para um lugar mais reservado, Peter não queria admitir para si mesmo, mas esse homem o deixava nervosamente excitado, não de uma forma normal, mas estranhamente doido. Será que estava apaixonado?


Em uma viela estreita e bastante obscura se instalaram para expressarem melhor o que sentiam, o que desejavam.


—Não sou muito de falar isso com homens, mas você é muito lindo. —falou Connor passando a mão no rosto de Peter.


—Obrigado, mas talvez seja apenas a bebida alterando seus sentidos.


—Com certeza estou embriagado, mas não de cerveja e sim de paixão por você. —Connor tinha uma voz máscula de locutor que deixava Peter com as pernas bambas de tesão.


—Então prove essa paixão.


Foi à deixa para Connor enfiar sua língua úmida de prazer na boca de Peter e lhe transmitir muita excitação, foi o beijo mais longo que um dia já deram na vida, tanto que se lambuzaram de saliva. Seus corpos estavam em combustão, se o calor da paixão pudesse ser visto obviamente duas enormes labaredas estariam a iluminar a noite escura.


Connor estava tão exposto à radiação do momento que se abaixou ficando de joelhos e deu uma ótima chupada em Peter que nunca experimentou sexo oral mais gostoso que esse, em pouco menos de um minuto gozou como nunca antes. Depois de mais alguns beijos quentes se limparam e retornaram a caminhar com destino a casa de Peter que era a mais perto.


—Estou apaixonado por você. —disse Peter sem medo.


—E eu ainda mais por você.


—Esse foi o motivo de eu ir embora da sua casa, medo de se apaixonar por você. —confessou Peter.


—Agora é tarde, vou te fazer ficar comigo pra sempre...


Antes que Connor pudesse concluir a frase ele se calou estranhamente e um gemido se seguiu do seu silêncio, Peter sem entender nada o observava curioso.


—O que foi?


Connor não parecia conseguir respirar, Peter tentou entender se algo o havia atingido, mas nada havia perto deles. Ele não se movia.


—Mas o que diabos está acontecendo com você? —Peter estava nervoso.
—Ele está paralisado. —disse uma voz atrás deles.


Peter olhou para trás e deu de cara com um homem alto, com uma barriga avantajada, calvície na cabeça redonda e um olhar assustador. Tremeu quando notou sua mão se ascender em chamas amarelas e ouvir na sua mente “Dois anciões se encontram, combate duplo formado que vença o melhor”.


Peter queria correr, mas não podia deixar Connor daquele jeito, o coitado não tinha nada haver com isso.


—O que fez com ele?


—Marionete. —disse o homem.


—O que?


—Meu dom é controlar as pessoas como marionetes, cordas invisíveis saem dos meus dedos—o homem falava se aproximando cada vez mais de Peter—então fique quieto para minhas linhas te pegarem.


Peter pegou a carteira do bolso e se olhou em um pedaço de espelho que carregava consigo para situações como estas, falou a palavra e trocou de lugar com uma personalidade diferente.


—Até que em fim, vamos acabar com essa bola de carne humana. —disse Peter com um tom provocativo.


—Veremos quem é a bola de carne quando você estiver estraçalhado no chão. — disse o homem parrudo que se chamava Shelby.


Peter possuía um olhar assassino, uma vontade insaciável lhe preenchia o coração, naquele momento matar seu oponente era seu maior objetivo.


—Será que eu poderia saber quem vou matar. —disse Peter com uma voz diferente.


—Se vai morrer, porque não saber quem foi seu ceifador—falava Shelby—sou CRENÇA.


—Então minha ATRAÇÃO será mais forte que a sua crença na vitória desta luta.


Peter correu em direção ao seu oponente e tentou esmurrar sua cara gorda, mas este se esquivava com certa flexibilidade estranha, o que lhe beneficiava, estava apenas ligando suas linhas em Peter para poder controla-lo a sua vontade.


Peter sentiu pontadas em certas partes do corpo como se agulhas o furassem, não era doloroso, mais incomodante. Em pouco tempo Shelby conseguiu colocar linhas o suficiente em seu oponente, ele começou então a controlar Peter como um boneco.


—O que é isso? —Peter não conseguia se mexer.


—Vai fazer o que eu quiser a partir de agora. —Shelby tinha um olhar psicótico na face.


—Me liberte seu louco. —Peter parecia raivoso.


—Que tal você matar seu namoradinho. —Shelby começou a comandar Peter para perto de Connor.


—Não, ele não tem nada haver com isso. —Peter pediu.


Sem escutar o pedido da ATRAÇÃO, CRENÇA fez com que as mãos de Peter apertassem o pescoço de Connor que se mantinha parado onde estava. A sensação de estrangular aquele que amava iniciou em Peter um ataque de raiva tremenda e sua cólera era observada através do seu olhar assassino e sanguinário. Em pouco tempo ouviu-se um estalo e escorregando pelas mãos controladas de Peter fluiu o corpo morto de Connor.


—Até que formavam um belo casal, quem era a mulher da relação, suponho que você?! —Shelby riu em desespero.


—Quando eu me soltar...


—Vai fazer o que, me matar? Não terá tempo pra isso já que estará morto.


Erguendo uma das mãos para o alto Shelby pretendia forçar Peter a socar o próprio rosto, mas antes que concluísse o que pretendia sua mão caiu no chão, isso mesmo, caiu no chão para espanto dele, e depois de passado os segundos de questionamentos seus gritos de dor preenchiam a rua deserta banhando a noite com seu sangue podre.


Peter sem entender nada se viu livre das amarras que o prendia à manipulação de Shelby e sem perder tempo correu em sua direção para mata-lo. Porem se viu impedido por uma sombra que surgiu de lugar nenhum, uma sombra feminina.


—Não, ele é meu. —disse a voz da sombra que se colocara entre um Peter cheio de cólera e um Shelby ajoelhado chorando a dor por ter perdido misteriosamente a mão.


“Três anciões se encontram, batalha tripla formada, que vença o melhor.” As três pessoas ali escutaram tal frase na mente entorpecida de poder.


—Você matou meu noivo e agora vai morrer por tê-lo feito. —disse a voz feminina que se escondia debaixo de um capuz negro.


—Svek você...


Antes que Shelby pronunciasse mais uma palavra sua cabeça foi arrancada de seu corpo logo após uma lamina manuseada pela mulher das sombras ter feito uma linha vertical em seu pescoço.


CRENÇA morrera.


O Peter normal parece ter voltado a si, pois a sensação de raiva se esvaiu da sua face agora domada por medo.


—Quem é você? — a mulher se aproximou do amedrontado Peter.


—Por favor, não me mate.


—Não pretendo matar ninguém. —disse a voz fermina retirando o capuz que cobria sua cabeça revelando longos cabelos avermelhados.


—Acabou de matar a CRENÇA.


—Ele matou meu noivo dois dias atrás.


—Mas...


—Vamos embora daqui, logo logo vão encontrar o corpo—Svek encarou Peter por um segundo—vem comigo, conheço um restaurante legal pra conversamos.


E assim nasce mais uma dupla de amizades improváveis, entre pessoas que não deveriam cometer tal erro, pois deveriam estar se matando.


Um grande mal atingiu a terra, batalhas de religião contra religião gerou subversões para com o mundo, o caos dentro e fora dos templos eram de pura tensão e uma pré-guerra se iniciara, o povo estava alarmado, pois uma quarta guerra mundial estava prestes a estourar e essa com certeza seria devastadora, pois membros da igreja já se infiltravam na politica ofuscando por muitas ocasiões o poder do governo. O mal por vezes vem disfarçado de um bom pastor.


CRENÇA morrerá, agora restam 17.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.