The last game
4 O primeiro ancião morre
New York
George tinha um sério problema de insônia, mas por incrível que pareça conseguiu ter um bom sonho nessa última noite.
Mas para azar de George um alto barulho estremeceu a terra, um som criado por algum instrumento ainda não identificado o acordou de seu sono profundo. Assustado e aturdido deu um pulo da cama achando ser um terremoto e saiu correndo para do fora apartamento que morava. Do lado de fora a maioria dos seus vizinhos já se encontravam distantes do prédio com animais pequenos e ainda vestidos com roupas de dormir.
O som parou.
O tremor havia terminado como se nada houvesse ocorrido.
—O que foi isso? —perguntou George pra ninguém em particular.
—Só pode ter sido um terremoto, e um dos bons. —disse seu vizinho Jonas.
Neste momento a mão de George se ascendeu como se estivesse em chamas, mas a cor das chamas tinha uma vida azulada como se fosse algo ilusório e artificial. A dor o impregnou a carne, mas não lhe causava nenhum dano aparente.
Quando em fim as chamas se cessaram uma voz gritava agressivamente em sua mente uma única palavra repetidas vezes.
UNIÃO.
UNIÃO.
UNIÃO...
Quando a voz em sua mente silenciou-se achou estar imaginado coisas, mas para seu espanto todos os seus vizinho que estavam ali o observavam curiosos e de olhos arregalados tentando entender o que com ele acontecia.
A voz em sua mente retornou “representará a UNIÃO neste último jogo, siga os princípios que ela representa e lute até que desvaneça seu coração.” A voz calou-se novamente e não mais voltou.
Olhando para a mão direita, a qual tinha pegado fogo logo mais, notou um estranho símbolo tatuado em suas costas. Foi quando se lembrou do sonho que teve ainda nesta madrugada “Quando for tocada a primeira trombeta será hora de o jogo começar...”
George não acreditava no que estava acontecendo, não podia isso ser verdade.
Assustado com esses últimos acontecimentos voltou correndo para seu apartamento e se trancou em seu lar. Já vestido com roupas casuais observou a marca desenhada em sua mão e tentou limpa-la de todas as formas, mas não manchava, era realmente uma tatuagem.
Pensou um pouco nas possibilidades de estar ficando louco, mas isso não era possível, estava na melhor fase de sua vida. Tinha trinta anos, era um dos melhores corretores de New York, estava começando a sair com uma bela e inteligente mulher, em sua última visita ao médico descobriu que sua saúde não poderia estar melhor. Se estava de bem com a vida, então o que estava acontecendo?
Antes que se aprofundasse na loucura de descobrir como aquela tatuagem surgiu em sua mão, já que não acreditava que um sonho deva tê-lo feito, pegou sua maleta e saiu para trabalhar.
O transito estava infernal como qualquer outro dia. Preso no terrível congestionamento em que se encontrava sentiu seu carro começar a tremer e como ocorrera mais cedo, um terrível e alto som impregnou o seus ouvidos como se tocassem com uma trombeta. O som era tão alto que as janelas dos carros se quebraram, os vidros que permeavam todos os arranha-céus se racharam e se despedaçaram. Por fim o som parou da mesma forma que começou.
O que estava acontecendo?
Nesse momento George sentiu a tatuagem em sua mão se ascender com um brilho azul, não era doloroso, mas formigava como uma câimbra. Sem entender muito daquilo saiu de dentro do carro cheio de cacos de vidro e observou a agitação em que se encontravam as pessoas.
Observando a marca que brilhava intensamente sentiu a câimbra aumentar, foi quando escutou em sua mente “siga para onde aponta sua marca”, sem saber o que fazer pegou sua maleta de dentro do carro e seguiu a pé para seu escritório que não estava muito longe. Durante o percurso notou o desespero preencher as ruas, observando em alguns televisores notou que esses estranhos sons agonizantes foram ouvidos em todo o mundo, relatos estavam sendo contados por vários entrevistados.
George começou a ficar incomodado com a câimbra que aumentava a intensidade cada vez que andava.
Já estressado e com o rosto um pouco arranhado por conta dos cacos de vidros das janelas do seu carro, teve que parar de andar quando se deparou com uma multidão impedido a passagem de qualquer um. “Mas o que droga está acontecendo?” se perguntava, “apresentação de rua em uma hora dessas”.
Tentando passar pelas pessoas escutou um pouco do que notou não ser uma simples apresentação de rua “a mão dela pegou fogo”, “eu vi, mas nunca vi fogo verde”, diziam as pessoas pelas quais George ultrapassava.
Foi nesse momento que a mão de George antes em câimbra se iluminou de tal forma que parece ter entrado em combustão como lhe ocorrerá mais cedo.
As chamas azuis assustaram as pessoas que começaram a abrir uma roda em sua volta como se ele fosse um macaquinho de rua pedindo dinheiro. Com o espaço agora em que se encontrava pode ver claramente o que despertara a curiosidade das pessoas.
Ali perto dele viu uma mulher com a mão direita em chamas da mesma forma que a sua, mas não chamas azuis e sim esverdeadas. Da forma que ela começou a encara-lo curiosa ele a olhava aturdido sem entender o que se passava.
“O que está acontecendo?”, “Que diabos é isso?”, “Será propaganda para um novo filme?”, se questionavam as pessoas curiosas.
George se aproximou da mulher que notou estar tão abismada quanto ele e assim que ficaram perto o suficiente ambos escutaram em suas mentes “dois anciões se encontram, combate formado, que vença o melhor.”
Arregalando os olhos George então passou a acreditar que seu sonho não era assim tão surreal e antes que pudesse fazer qualquer coisa sentiu um golpe não tão forte atingi-lo o peito.
A mulher o havia lhe dado um soco.
—O que está fazendo? —Questionou-a George.
—Só tentando não morrer. —disse ela já preparando outro soco.
O golpe dessa vez atingiu o rosto do George, e para uma mulher até que ela batia bem. Os dois começaram uma estranha luta onde ela batia e ele defendia.
As pessoas não sabiam o que fazer, a maioria pensava que se tratava de algo publicitário.
—O que você representa? —perguntou a mulher usando a bolsa como arma.
—O que, não entendo?
—Idiota, não percebeu que o sonho não era sonho.—disse ela retirando os saltos que usava.
—Quer dizer que o mundo...
—Sim vai acabar e nós somos as últimas peças no quebra cabeça do universo. —disse ela tentando atingi-lo com a bolsa.
George não podia mais duvidar dessa verdade e então começou a pensar em uma forma de contra atacar a mulher, mas não podia ataca-la na frente de todas aquelas testemunhas. O único jeito era fugir, se é que fosse conseguir.
Observando para os lados tentando encontrar uma rota de fuga, não observou a mulher vasculhar algo dentro de sua bolsa.
Por fim achando um espaço entre a multidão pela qual poderia passar George se viu livre de sua oponente. Infelizmente estava enganado.
—Parado ai executivo. —disse ela apontando uma pistola para ele.
—O que, mas de onde...
—Em uma cidade perigosa como esta andar desprevenida é um crime. —falou a mulher se aproximando dele.
—Por favor, não faça isso. —implorou George.
—Sinto muito, mas esse jogo me parece ser bem promissor para quem vencer, você será um a menos no meu caminho. —ela parecia determinada.
—Se vai me matar me diga pelo menos quem é. —falou ele tentando atrasa-la.
—Sou Britney e represento o AMOR. —disse ela convicta.
—O AMOR, não me parece. —falou ele.
—Todos acham que o amor é algo simples e carinhoso, mas sua maior virtude é a verdade e por isso não sou tola de desperdiça-lo com qualquer um. —disse ela com toda autoridade e firmeza.
—Mas achei que o amor era compartilhar com próximo. —falava George tentando distrai-la.
—Bom, esse é um achar seu, mas acredite quando digo que o amor é o sentimento mais libertador que existe, porém o mais tolo e desprezível —Ela abaixou a arma e ficou pensativa por um tempo—falo não só por experiência própria como pelo que sei da vida, e agora sinto que o Amor que devo mostrar ao mundo é matando cada um dos anciões que me impedem de encontrar o verdadeiro sentido de amar.
Depois desse discurso todo, a mulher voltou a apontar a arma para George e prestes a atirar sentiu as chamas esverdeadas de sua mão esquerda se apoderar da pistola e transforma-la em uma espada com uma lamina de quase dois metros, seu brilho tinha a cor das estrelas e com certeza uma única perfurada com sua lamina afiada mataria qualquer um.
As pessoas que assistiam a tudo pareciam chocadas com o que viam, seus suspiros e exclamações eram notáveis.
Britney a representante do amor estava admirada pela transformação de sua pistola na admirável espada. Cheia de amor para dar cabo da vida de seu companheiro não se esqueceu de antes questiona-lo.
—Quem é você a final?
—Sou George representante da UNIÃO. —falou George assustado e temeroso.
Erguendo a espada para enfiar em seu oponente fraco e vulnerável correu em sua direção para mata-lo. George ergueu a mão direita para frente com medo e o brilho azulado que surgiu nela fez algo surpreendente.
Todas as pessoas que estavam ali assistindo tomaram a frente de George formando uma parede humana para protegê-lo. Britney foi forçada a parar para não machucar inocentes e se viu com um problema.
George observando o que ocorrera pensou “eu sou a união, então posso unir as pessoas e ordena-las” foi então que usou sua autoridade e gritou em alto e bom som.
—Estraçalhem-na.
Como se estivessem sendo controladas por controle remoto todas as pessoas que ali se encontravam avançaram sobre a representante do AMOR. Começaram a arranha-la, puxar seu cabelo loiro e espanca-la. Ela por sua vez usou a espada para tentar se livrar da multidão enfurecida e sem piedade cortava as pessoas sem a quem.
Sangue era jorrado, pessoas caíam no chão mortas ou com membros arrancados e a luta perdurava, mas a multidão era enorme Britney não escaparia. Com um descuido ao escorregar nas entranhas de alguém se viu de bruços sobre o chão, a multidão então a dilacerou por inteiro, seus gritos eram dolorosos de escutar, seus olhos arrancados de suas orbitas foram visivelmente devorados, sua língua cortada de sua boca foi jogada em um bueiro e por fim seu coração arrancado de seu peito de forma canibal parara de pulsar.
O AMOR morrerá.
Com a morte do AMOR ocorreu uma grande desgraça na terra, uma chuva de sangue e fogo rompeu dos céus devastando uma parte da terra, a ilha Galápagos foi destruída e lançada nas profundezas do mar para toda a eternidade.
Nó exato momento da morte da anciã Britney, todos os seus demais companheiros de luta sentiram que um deles havia desfalecido na morte.
Um a menos, agora restam 23
Fale com o autor