Hero Swinton


Termino de beber mais uma garrafa de cerveja enquanto observo Samuel parado à minha frente, tragando um cigarro eletrônico. A fumaça se espalha lentamente pelo ar.



— Cara, estou exausto de tudo isso — desabafo, soltando um suspiro pesado.



— De tudo o quê? Da festa? — Samuel pergunta, levantando as sobrancelhas.



— Não, não é da festa. Estou cansado do que está acontecendo na minha vida, sabe? — respondo, revirando os olhos. — Preciso realmente arrumar um emprego e colocar minha vida nos eixos.



— Mas por que você precisa de um emprego? Você já tem dinheiro suficiente pra fazer o que quiser. Ainda tem a herança, lembra? — ele diz, tragando novamente o cigarro e me encarando.



— Pois é, eu também penso assim. Mas minha mãe não vê da mesma forma — explico, balançando a cabeça. — Ela é totalmente contra essa ideia de eu viver só da herança.



— E o que vai fazer então? — pergunta ele.



— Vou pedir uma vaga na empresa do Cooper Barnes.



— Pelo que ouvi, essa empresa é a melhor que existe. — Ele faz um gesto para o DJ. — Ei, coloca outra música aí!



O DJ atende ao pedido e começa a tocar uma batida animada.



— Vamos esquecer isso e nos divertir — digo, indo para onde as pessoas estão dançando, acompanhado por Samuel. Apesar de me sentir um pouco tonto, isso não vai me impedir de curtir a noite. Estou aqui pra me divertir, e é exatamente isso que pretendo fazer. Com a música alta vibrando nos meus ouvidos, sinto o sangue pulsar nas veias e deixo as preocupações de lado. Me perco na batida e começo a dançar com várias garotas.




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Havan Swinton



Só tem três pessoas em casa. A Rielle saiu, o Hero também, e o Isahias. Avan e Thomas foram para a casa deles e só voltam mais tarde. Estou no meu quarto ouvindo música. Tiro os fones e desço as escadas. Faço sinal pro Bruce ficar onde está dormindo. Preciso tomar um copo de leite pra conseguir dormir.



Quando chego na cozinha, vejo a Inanna sentada à mesa tomando leite com chocolate. Amandla está ao lado dela, e as duas conversam em voz baixa, como se quisessem manter segredo. Volto alguns passos e decido me sentar num dos degraus da escada, tentando não fazer barulho.



Ouço Inanna falar, com o tom um pouco mais alto:



— Eu não quero acreditar que o Swen esteja envolvido nisso, mas... a polícia encontrou a pulseira dele no mesmo lugar onde minha avó foi assassinada. Não sei mais o que pensar.



Sinto meu coração acelerar. Elas estão falando sobre o caso da vovó.



— Bem... — Amandla pausa, refletindo. — Talvez ele não esteja envolvido. Quem sabe isso não seja só uma coincidência?



— Eu fui até a casa dele depois de tudo isso.



— E aí?



— Ele agiu de forma bem estranha quando questionei sobre a pulseira. E acho que a polícia já foi lá, mas até agora não sei o que descobriram.



Entendi. A polícia encontrou uma pista, e a Inanna está escondendo isso de todos. É sério. Preciso agir rápido. Me levanto, mas escuto o barulho de um carro chegando lá fora. Corro de volta para meu quarto, tentando não ser vista. Vou até a janela e olho para fora: são só os garotos voltando. Pego meu celular e ligo para meu amigo — preciso da ajuda dele para investigar isso.




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Rielle Swinton



O garoto tirou um chiclete do bolso — era de hortelã — e me ofereceu, mas recusei. Então, ele ligou o rádio e colocou uma música alta e irritante, preenchendo o carro com aquele som insuportável. Ele batucava os dedos no volante, todo empolgado. Tentei desligar o rádio, mas ele me impediu.



— Você não gosta de música? — perguntou, com uma expressão despretensiosa.



— Está muito alto! — respondi, tentando deixar claro o quanto aquilo me incomodava. — Só quero um pouco de silêncio.



Depois de um momento, ele abaixou o volume, o que já foi um alívio.



— Podemos conversar como duas pessoas civilizadas — sugeriu ele, me olhando.



— Como assim? O que você quer dizer com isso? — retruquei, confusa. Por acaso estava me achando mal-educada?



— Quero dizer que podemos ter uma conversa normal, como qualquer pessoa — disse ele, dando de ombros, como se fosse óbvio.



— Olha, só quero chegar em casa. Fim de papo.



— Tudo bem. Mas ainda estamos longe, pelo que vi no seu endereço.



— Então começa você.



— Qual é o seu nome?



— Rielle Swinton.



— Swinton? — Ele me olhou com um ar intrigado, tão concentrado que quase bateu o carro. — Já vi esse sobrenome em algum lugar... Onde foi?



Ele parou o carro, abriu o porta-luvas e pegou um celular.



— Por que você parou?



— Preciso checar uma coisa — respondeu, enquanto mastigava o chiclete de forma provocante.



Depois pegou um jornal, desdobrou e usou a lanterna do celular para examinar algo.



— Achei!



— O quê?



— Você é a neta da Tilda Swinton! Caramba!



— Sim, sou neta dela — respondi, dando de ombros.



— Estou diante da neta de uma das mulheres mais famosas da América!



— Será que pode parar com isso e dirigir logo esse carro? — disse, impaciente.



— Calma, gatinha, só queria lembrar de onde te conhecia. — Ele piscou, e eu revirei os olhos. Ele voltou a dirigir.



— E você, qual é seu nome? — perguntei, mudando de assunto.



— Jace Norman — respondeu, sorrindo.



— E o que você estava fazendo por aqui?



— Estava indo pra casa. Termino meu trabalho essa hora.



— E trabalha com o quê?



— Você é curiosa, hein? — ele riu. — Trabalho numa loja de objetos.



— Ah, tá. E esse carro é seu?



— É do meu pai, mas ele sabe que estou usando. — Ele piscou de novo. — E você, por que estava andando sozinha?



— Ah, eu... — hesitei. — Saí com um garoto, fomos a um restaurante, mas... deu tudo errado.



— Ele fez algo com você?



— Não, foi só que as coisas não saíram como esperado.



Queria que ele mudasse de assunto, não queria pensar mais nisso.



— Se eu jantasse com você, faria de tudo pra ser uma noite romântica — ele soltou.



— Pois é, mas isso nunca vai acontecer.



— Cuidado com o que diz, princesa.



— Meu nome é Rielle.



— Princesa soa muito melhor. — Ele deu uma risada sincera.



Meu celular vibrou. Era mensagem da Inanna, perguntando se eu estava bem. Respondi que sim e guardei o celular.



Jace voltou a batucar no volante, animado, e começou a cantar:



— Baby... Baby...



— Para! — interrompi.



— Eu nem desafinei!



— Claro que sim. Você não sabe cantar. Então, por favor, não cante.



— Eu sou de uma banda, sabia? Sei cantar sim!



— Não sabe. E não cante até me deixar em casa.



— Calma, princesa...



— Rielle!



Ele se apressou a desviar de uma moto que apareceu do nada.



— Fica tranquila, Rielle. Não canto mais.



— É melhor assim.



O silêncio tomou conta. O tempo parecia se arrastar. Esse garoto era insuportável.



Finalmente, ele parou em frente ao casarão.



— Uau! Quando você disse "casa", eu imaginei uma grande, mas isso aqui é um verdadeiro casarão!



— Sim, é um casarão mesmo.



— Espera... não vai me dar um beijinho de agradecimento pela carona?



— Óbvio que não. Mas obrigada pela carona!



Saí rapidamente do carro. Ele mandou um beijo no ar, mas ignorei e entrei.



Inanna estava dormindo no sofá. Ela ficou me esperando... a noite toda? Não acredito. Me aproximei, puxei a coberta pra cobri-la melhor e beijei sua testa com carinho. Depois, subi as escadas devagar, exausta. Tudo o que eu queria agora era descansar.