Havan Swinton


Sinto algo pontudo e afiado se enterrando no meu braço. Tento me afastar, mas não consigo, e a coisa parece se enfiar ainda com mais força.



— Ai! — exalo um pequeno grito de dor e abro os olhos, ainda atordoada. Assim que recobro a consciência, volto minha atenção para o meu amigo ao lado, que estava me cutucando com uma caneta.



— Cuidado, você está dormindo na aula da bruxa! — brinca, sabendo que a professora poderia ficar brava e aplicar alguma punição.



— Ah, tá bom... — respondo, preguiçosa. Então desvio o olhar para a frente e vejo a professora, com sua postura autoritária, escrevendo rapidamente as instruções do exercício de matemática no quadro negro.



Quando olho para o meu relógio de pulso, percebo que já se passaram trinta minutos desde o início da aula. Olho novamente para o quadro: ela já cobriu dois quadros inteiros com equações e problemas, e eu mal consegui acompanhar.



— Até que horas vamos ficar aqui mofando? — desabafo, sentindo o tédio crescer. Então me lembro de algo. — Você se lembra do que eu te falei? — cochicho para meu amigo, tentando chamar sua atenção.



— Do que você está falando? — ele responde, um pouco confuso.



— Do plano de investigarmos aquele cara.



— Isso é perigoso! Nós não somos nenhuma equipe de detetives — ele diz, preocupado.



— Mas isso tudo é por causa da minha avó! Se você não quiser me ajudar, eu faço isso sozinha. Ou então, peço ajuda aos meus outros amigos! — afirmo, determinada, enquanto olho para os outros amigos que estavam por perto. Luca solta um bufado.



— Tudo bem, eu vou te ajudar... mas só porque sou seu amigo — ele cede, e não consigo conter um sorriso de satisfação.



A professora finalmente encerra a explicação e, entediada, aproveito para copiar o restante das anotações. Essa aula está tão monótona que a ideia de simplesmente desaparecer parece cada vez mais tentadora.



Por fim, o sinal do intervalo soa, e eu respiro aliviada, guardando apressadamente meus materiais na mochila. Saio apressada com meus amigos, atravessando a multidão de alunos no corredor.



Subitamente, sinto um empurrão nas costas. Viro-me rapidamente e reconheço a metida da Sophie atrás de mim.



— E aí, esquisita, foi mal — diz ela com um sorriso debochado no rosto.



As palavras dela me irritam profundamente, e uma onda de raiva sobe pela minha cabeça. Já estava prestes a arrancar uns fios daquele cabelo, mas minha amiga Dana me segura pelo braço, me impedindo.



— Você não está pensando em passar horas na diretoria, está? Então deixa isso de lado — diz ela, com razão. Encontrar o suspeito é mais importante do que dar atenção à bruxa.



Volto-me para os meus amigos.



— Vamos lá, pessoal. Não temos tempo a perder aqui. — Com isso, saímos juntos.



Paramos no pátio da escola. Os três ao meu redor exibem expressões de preocupação visíveis. Eles já sabiam do meu plano.



— Não precisam ficar com medo — digo, tentando tranquilizá-los.



Luca quebra o silêncio.



— Você sabe onde esse cara mora?



— Não, mas deve haver um jeito de descobrir — respondo com calma. — Preciso saber; é a única maneira de chegar até o assassino da minha avó.



— Já pensou em perguntar pra sua irmã? — pergunta Terrence.



— Acho que ela iria estranhar, com certeza não me diria nada — respondo, frustrada.



— Já sei! É só você perguntar onde ele trabalha. Assim, você consegue mais informações sobre ele — sugere Dana, com um brilho esperto nos olhos.



— Isso mesmo!



Nesse momento, vejo o carro da Inanna se aproximando.



— Agora preciso ir — digo, me despedindo deles e entrando no carro.



Fico em silêncio o tempo todo. Minha mente está a mil, pensando em como poderia começar a conversa. Sabia que não seria fácil; era óbvio que ela iria desconfiar.



— Inanna... — chamo. Ela me olha por um momento, mas logo desvia o olhar, focando na estrada à frente. — É… onde aquele tal de Swen mora?



— Por que você quer saber disso? E como sabe o nome dele? — indaga, com uma expressão que mistura curiosidade e suspeita.



— Ah, sei lá, só curiosidade mesmo… Não importa como sei o nome — tento responder de forma casual.



— Vamos evitar falar sobre isso, certo? — diz ela.



Eu apenas aceno, enquanto ela continua dirigindo. Só preciso saber onde ele trabalha.



— Só mais uma pergunta… Em que lugar ele trabalha?



— Por que esse interesse todo no Swen? — ela questiona.



— É só curiosidade, vai, conta! — insisto.



— Ele trabalha no mesmo restaurante onde eu estou agora — responde, e isso me surpreende. Então quer dizer que ela voltou a trabalhar lá? Lembro que, há algum tempo, ela havia sido demitida.



— Você voltou para o restaurante?



— Sim — ela responde, sorrindo.



Eu também sorrio. Agora vai ser mais fácil encontrar informações sobre aquele cara.