The edge of the death
5 Capítulo 5
O elevador parou em um corredor cheio de portas. Era o andar do alojamento. Entrei em um quarto. Dois beliches e duas cômodas o preenchiam. Um minuto depois, outras meninas entraram. Não as cumprimentei. Elas também não fizeram nenhum esforço para serem simpáticas muito menos educadas. Escolhi a cama de cima de uma dos beliches e fiquei sentada. Esse era o meu novo lar? Sairíamos de lá vivos? Eu não parava de pensar. Os pensamentos inundavam a minha mente. Eu precisava tomar um ar. Mas para onde eu iria? Não tinha para onde ir. Mas eu não podia ficar parada. Então, ouvimos uma voz dos alto-falantes do corredor. Ela mandou que nos dirigíssemos até o pátio. Espera, que pátio? Só aí fui perceber que estava segurando uma sacola e um mapa, e estava segurando firmemente. Como se minha vida dependesse daquilo.
Consegui chegar ao pátio, que não era bem um pátio. Estava mais para um campo de futebol. Uma multidão falava sem parar. Mesmo aquele ruído incessante não abafava os meus pensamentos. Eu olhava em volta, por cima das cabeças, à procura da minha família ou de algum conhecido. Mas foi em vão. Não encontrei ninguém.
Estávamos ali para ouvir um pronunciamento do prefeito. Sim, o digníssimo estava vivo. Claro que estava.
- Boa noite, sobreviventes. Como vocês já devem saber, uma usina próxima daqui explodiu. Não sabemos ainda o estado da cidade. Também não sabemos quanto tempo permaneceremos aqui. Mas não se desesperem! Temos uma ótima estrutura para abrigá-los. Mais uma vez, boa noite.
Ele disse tudo o que já sabíamos. Tudo que qualquer um diria se perguntássemos. Ele só estava ali só por estar. Acho que nem se preocupava tanto com o povo. Voltamos para o alojamento. Avisaram nos alto-falantes que as luzes seriam apagadas às 21h00min. Então, me preparei e deitei. Logo depois, as luzes se apagaram. Não consegui dormir. Parecia que tudo aquilo demorou séculos para acontecer. Mas foi tudo em um dia! Um dia aparentemente normal.
Passei quase toda a noite em claro pensando na minha família. Será que eles estariam no abrigo? Às 07h00min, uma espécie de alarme tocou, para nos despertar. Eu tinha acabado de pegar no sono quando ele tocou. No preparamos, e fomos para o refeitório às 07h30min, como estava escrito em um papel colado na parece do quarto. Depois do café, todos iriam para o ''pátio''. Talvez falariam o que seria feito durante a nossa estadia no abrigo.
No café da manhã, me sentei sozinha. Não comi muito. Apenas comi uma maçã e bebi um suco de pêssego. Depois de comer, observei as pessoas. Todos estavam com o mesmo semblante: tristeza, preocupação, dor. Podia ouvir as conversas das outras pessoas ao meu redor. Minha mãe sempre me dizia para não prestar atenção na conversa dos outros. Mas mesmo assim o fiz. As pessoas contavam onde estavam, o que faziam e como conseguiram chegar até o abrigo. Também contavam o que viram pelo caminho: pessoas desesperadas, correndo em busca da sobrevivência, atropelamentos, suicídios, batidas de carro. Todas essas histórias eram de doer o coração. Mas deveríamos esperar por isso. Aconteceram coisas muito piores. E as pessoas que morreram e não vimos? Perguntas. Tudo o que eu era capaz de fazer naquele momento eram perguntas.
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