Decidi procurar pela minha família logo após do café da manhã. Eu não aguentava mais esperar, estava sentindo uma dor lancinante que apertava o meu coração e o quebrava em pedaços. Não estou pronta para ouvir o pior, mas tenho que procurá-los. Então, assim que termino de comer, me dirijo ao ''balcão de informações'' do abrigo. É um lugar pequeno, com um grande mapa pendurado na parede logo atrás do balcão, onde se encontra um computador branco. Atrás do computador está uma mulher que parece estar entediada e cansada de tudo aquilo. Respiro fundo, me preparando para ouvir o pior e me aproximo do balcão.

– Com licença, a senhora pode me informar se Sara, Derek e Henry Hastings conseguiram entrar no abrigo? — Perguntei, tentando controlar todo o medo e ansiedade que eu estava sentindo.

– Só um minuto. — Respondeu a mulher, com a mesma cara de tédio e cansaço. — Henry e Derek estão no abrigo. Agora, Sara Hastings não conseguiu entrar. São sua família?

– S-Sim. — Sentimentos confusos tomaram conta de mim. Eu estava aliviada por Henry e meu pai terem conseguido entrar, mas estava tomada por uma dor excruciante por saber que minha mãe está morta agora.

– Eu... eu sinto muito. — O rosto da mulher passou de tedioso para pesaroso.

– A senhora pode me dizer onde eles estão?

– Bom, Henry está na ala hospitalar e não tenho a localização do Derek.

– Obrigada.

SaÍ correndo do balcão de informações. Mas havia uma coisa em que eu não havia pensado: quem procurar primeiro? Meu pai ou Henry? Seria melhor procurar por Henry, talvez papai estivesse junto com ele. E assim fiz. Fui correndo direto para a ala hospitalar e, chegando lá, perguntei por Henry Hastings. Saí correndo de novo, na medida do possível, assim que me indicaram a localização de Henry. Ele estava em um quarto junto com outras crianças. Quando entrei, me surpreendi ao ver que papai não estava lá junto dele. Mais uma vez sentimentos confusos tomaram conta de mim. Não sabia se sentia alívio por ter encontrado Henry ou se sentia raiva por papai não estar lá. Procurei ser otimista, pensar que talvez ele tivesse saído para comer alguma coisa ou tomar um banho. Afastei logo esses pensamentos, porque o que mais importava era ver meu irmão. Me aproximei do leito e logo caí em prantos. Chorei de felicidade e também pelo choque de ver Henry naquele estado. Ele estava pálido, com um olhar triste e parecia que estava em outro lugar.

– Henry? Henry, sou eu, Sophie.

– Sophie? Você está viva!

– Sim, Henry, estou viva e papai também está. Ele estava aqui com você, não estava?

– Papai? Não, papai não estava comigo. Eu nem sabia que vocês estavam vivos. Fiquei sozinho o tempo todo. Sozinho desde...

– Desde o que?

– Desde que mamãe me colocou no abrigo e as portas de fecharam. Não deixaram ela entrar, Sophie. Não deixaram!

Henry não estava chorando, porém não deixava de demonstrar tristeza. Isso me assustou um pouco. Que criança não choraria ao perder a mãe e ficar sozinho em um hospital, sem saber notícias do resto da família? Por um momento imaginei que, talvez, ele já tivesse chorado todas as lágrimas que tinha para chorar. E, ao pensar nisso, a raiva que eu estava sentindo aumentou. Como meu pai entrou no abrigo e não procurou por sua família? Será que ele é tão frio a ponto de não querer saber se estávamos vivos? Pelo menos saber se Henry estava vivo! Mas, não. Procurei ser otimista mais uma vez. Não deveria pensar essas coisas, não deveria me precipitar. Talvez ele tenha procurado por nós. Talvez... talvez... não sei.