The edge of the death
4 Capítulo 4
De repente, enquanto me revistavam e me ''preparavam'' — entregavam instruções e coisas assim- ouvimos gritos. Claro que todos já estavam gritando, mas eram gritos de desespero, pânico. Esses eram diferentes. Esses eram gritos de dor. Já sabia o que estava acontecendo. Desci correndo. Muitas pessoas fizeram o mesmo, mas já não dava mais tempo. Só ouvi as ''portas'' se fechando. A multidão gritava. Gritava muito. Todos estavam desesperados. E eu, claro, estava desesperada também. Não sei se desespero é a palavra certa. Acho que eu estava mais angustiada. Angustiada por todas aquelas pessoas que não conseguiram entrar e morreriam , sem poder receber nenhuma ajuda. Também estava angustiada pela minha família. Eu estava torcendo para que eles já estivessem lá dentro. Mas eu ainda estava me esforçando para afastar pensamentos como esse.
Fomos todos conduzidos por um enorme corredor branco. Estávamos indo em direção ao elevador e desceríamos em grupo. Eu estava sentindo tanta coisa ao mesmo tempo, que nem sabia mais o que estava sentindo. Eu só pensava na minha família, embora estivesse tentando afastar esse tipo de pensamento. Mas é impossível não pensar na pessoas que você mais ama numa situação dessas. E... Annie! Oh, meu Deus! A Annie. Será que ela conseguiu se salvar? Será que ela já estava na sala de aula quando tudo aconteceu? Agora, além da minha família, eu estava pensando na Annie também. Mais uma preocupação. Mais uma dor.
Eu estava imersa nos meus pensamentos, quando ouvi um estrondo. Algumas dezenas de pessoas conseguiram, de alguma forma, abrir a entrada para o abrigo. Rapidamente, guardas foram ao encontro dessas pessoas. Ou melhor, encontro não é a palavra certa. Fica parecendo que era um encontro amigável. Mas não era. As pessoas estavam enfurecidas, com medo, em pânico. E, o mais assustador de tudo: essas pessoas estavam ''infectadas''. Em uma qualquer outra história com um final feliz, essas pessoas se transformariam em super heróis depois de alguns dias. Mas como você, caro leitor, deve ter lido, essa não é esse tipo de história. Essas pessoas entraram sim. Entraram porque em meio a uma tragédia tão grande, o que nos restava era ajudar.
A vez do meu grupo entrar no elevador havia chegado, e eu estava super aflita. Pelo que eu sabia, aquelas pessoas que ficaram expostas à radiação nuclear poderiam adquirir queimaduras, distúrbios gastrointestinais, síndrome cerebral, doenças do sangue (como leucemia) e infertilidade. Se fossem sortudas, morreriam. Ou ficariam inférteis. Sei que pode parecer um pouco cruel, mas a última coisa que eu ia querer era ter um filho. Todos os meus planos maternais futuros foram por água a baixo depois de tudo o que aconteceu.
Descemos pelo elevador, e não havia nenhuma musiquinha, não. Havia tensão. Todos nós éramos sobreviventes. Mas sobreviventes daquele acidente. Será que conseguiríamos sobreviver a tudo o que estava por vir? Porque não era só porque conseguimos chegar no abrigo, que estávamos salvos. E a comida? E água? Era óbvio que uma hora tudo ia acabar. Onde conseguiríamos comida no subsolo?
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