The beginner teenager

12 Capítulo 11 - Conversas II


Notas iniciais
Lembrando que os capítulos "Conversas" são como "extras", ou algo do gênero, com mais diálogos que narrativa em si. Boa leitura ♥

Descemos a trilha antes de amanhecer e logo arrumamo-nos dentro do carro, havia sido tudo muito cansativo, chegar em casa e poder descansar seria algo muito bom. Fui no banco de trás com Eva e o mesmo não viu problema em deixar-me deitar em seu colo quente e macio, onde mexia no meu cabelo para tentar me fazer dormir.

Sentia-me como uma criança que havia acabado de ter o dia mais feliz de toda a sua vida, queria apenas deitar em minha cama, fechar os olhos e lembrar de tudo aquilo como uma das melhores memórias de todas. Owen dormia no banco do carona enquanto Allyson dirigia -quase que descontroladamente- pela estrada escura, onde as árvores pareciam monstros à luz da lua. Acho que consegui adormecer um pouco antes de chegarmos a cidade e eu realmente havia esquecido novamente de ligar para o meu pai, algo que com certeza deveria ter deixado o mesmo uma fera. Nunca havia ficado longe deles por tanto tempo assim e acho que iria gostar de abraçar o velho senhor Frankie, mesmo que ele me olhasse com cara de desgosto. Iria… Tentar reconciliar-me com o senhor loiro também e precisava saber como fazer isso.

—Domi Domi — O moreno cutucou minha testa de leve na tentativa de acordar-me, algo que pouco resultou porque meu sono estava forte demais — Chegamos na sua casa.

—Hm… — Cocei meus olhos e logo sai do colo de Eva, procurando meus óculos sob a superfície do banco — Cadê…

—Aqui — Owen (que havia acordado, obviamente) tirou-os da frente dos seus olhos e me entregou calmamente para não deixar cair- Você é cego ou o que?

—O-obrigado — Arrumei meus cabelos e sorri, tentando não parecer ter medo de ele ficar bravo comigo de novo — Então…

—Tchau! Temos que combinar de sair de novo um dia desses! — Animado como sempre, o senhor matraca me abraçou sorrindo e bagunçou um pouco mais meu cabelo antes de eu abrir a porta. Peguei minha mochila e a térmica vazia de comida, saindo para a calçada e olhando-os pela janela.

—Sim! Foi muito legal! — A menina bateu no volante de leve, totalmente animada.

Owen fez um sinal para eu me aproximar e abriu o vidro ao máximo, não demorei para obedecer, talvez fosse algo interessante mas… Ele apenas grudou rapidamente seus lábios nos meus em um movimento repentino e sem demora, sorrindo e virando-se para frente novamente, completando: — Até amanhã.

—UUUUUHHH — Eva e Allyson vibraram ao ver tal cena, deixando-me imediatamente vermelho e fazendo minhas sardas desaparecerem.

—Caham.

Sim, esse “caham” fez meu sangue gelar, não era apenas um limpar de garganta normal e … O senhor Frankie Oliver de braços cruzados na frente da porta foi, com certeza, a cena mais assustadora já vista por meus olhos. Ele olhava fixamente para mim com o celular em uma das mãos, seus olhos liberavam chamas e suas narinas esbravejavam fumaça negra de puro ódio e decepção, queria me esconder debaixo da cama e nunca mais sair.

—Bem, já vamos indo! — A de cabelo colorido foi dando ré no carro até chegar na posição de partida — Tchauzinho!

—TCHAU NAMORADO — Owen gritou, fazendo-me suar e deixando o senhor meu pai ainda mais estático na frente da porta. Fui aproximando-me devagar como um coelho cercado de predadores saindo de sua toca, aproximei-me dele bem encolhido e totalmente intimidado, esperando que me deixasse logo entrar em casa, até porque estava muito frio.

—Namorado — Consegui sentir sua voz entrar em minha alma e a dissolver, mas logo ele deu espaço para que eu passasse para dentro — Isso foi rápido.

—F-foi… Uma brincadeira senhor — Tudo que eu mais queria era ser ator apenas para disfarçar meu nervosismo e medo daquele homem, queria apenas ir para o meu quarto e dormir- J-juro.

—Por que está nervoso? — Eu andava até as escadas, mas isso me interrompeu, ele estava curioso sobre o que Owen disse?-

—E-eu…

Não consegui completar a frase, ele apenas me ultrapassou e foi subindo as escadas devagar, sem olhar-me e sem falar nada, sua seriedade estava me assustando demais. Deixei a bolsa térmica ao lado do primeiro degrau e subi atrás dele, observando-o dar passos mais lentos que os outros, sentia que a qualquer momento ele iria se virar e me bater. Foi até meu quarto e lá sentou em minha cama, parecia estar sendo um pouco paciente demais como se controlasse e poderia perguntar qualquer coisa a qualquer momento, eu realmente não estava preparado para aquilo e já queria começar a chorar novamente.

—Como foi de viagem? — O senhor Frankie Oliver deslizou sua mão sobre a superfície da coberta e deu batidinhas indicando-me a sentar.

—F-foi… Boa — Obviamente, hesitei um pouco em sentar, mas acabei obedecendo.

Ficamos em silêncio por um bom tempo até que ele foi virando seu rosto para mim devagar, ainda sereno e como se quisesse mesmo ficar pacífico daquele jeito. Me assustava demais…

—Quer me contar algo? — Perguntou suspirando, ele parecia querer falar comigo sobre alguma coisa, mas ao mesmo tempo muito enfurecido. Não queria ser ruim e acabar deixando-o ainda mais furioso. Hesitei muito em respondê-lo, aquele seu olhar me intimidava e eu simplesmente sentia que ia urinar em minhas próprias calças.

—A-ahn…

—Eu sei que aconteceu algo — O senhor sorriu levemente, como se ameaçasse abrir seu largo e tenebroso sorriso inteiro — Não quero segredo entre nós Dominic Oliver.

—V-você…- Suspirei. Já não conseguia o olhar nos olhos por causa da tanta pressão que ele impunha sobre mim, desviei minha visão até os meus próprios pés que estavam totalmente inquietos, batendo incessantemente no piso de carpete — C-com todo o respeito, já… Sentiu algo...

—Algo? — Frankie Oliver estava concentrado demais na conversa e sentia-me totalmente desconfortável. Queria que ele mal estivesse ouvindo, como mamãe fazia as vezes — Não tenho a noite toda, filho.

—V-você já sentiu algo por outro homem? — Saiu como um espirro inesperado. Cobri rapidamente meu rosto esperando um tapa ou uma atitude violenta contra mim, mas ele apenas ficou quieto filosofando sobre o que eu havia acabado de dizer.

—Que eu reconheça… Acho que apenas admiração — Realmente não tinha entendido a minha pergunta e começou a pensar em diversos outros sentimentos humanos normais que não envolvessem amor romântico… Estava basicamente me obrigando a especificar o que eu queria dizer por “sentir algo por outro homem” — Pelo seu avô, principalmente.

—N-não sobre esse tipo de “sentir” — Ajeitei meu óculos. Eu realmente não sabia como falar e aquilo já estava me dando nos nervos.

—É sobre que tipo então? Reformule para que eu possa entender.

—Você… Já sentiu algo como amor romântico por outro homem…? — Perguntei novamente com toda firmeza robótica e impecável da minha voz, tapando minha boca em seguida. Fazia tempo que eu não respondia com tanto medo da autoridade do senhor Frankie assim… Novamente o silêncio veio. Era possível ouvir o barulho das folhas secas recém caídas pairando sob a grama debaixo da minha janela, tal barulho que começou a apavorar-me depois de algum tempo. Estava demorando mais para responder que o normal e aquilo me preocupava, chorar não era uma opção, mas estava quase acontecendo.

—Não, Dominic — Disse completamente seco depois de bons momentos de reflexão. Olhava-me fixamente e aquilo era tudo que eu menos queria — Por que me perguntou algo assim?

—O senhor… Me deu revistas no dia que eu “virei um adolescente completo — Mesmo com medo, continuei. Queria enfrentá-lo de frente, apontar meus fatos e obter respostas — Dentre todas elas, apenas uma mostrava homens de diferentes jeitos… O que esperava que eu fizesse com aquilo?

—Então você realmente abriu pra ver o que tinha dentro…

—Logo, peço para visitar meu velho amigo Odin e o senhor acha que tudo bem eu ir juntamente com um garoto que conheço a menos de uma semana na escola e pacificamente aceita o fato dele ter atendido meu telefone em meu lugar logo de manhã — Meu fôlego já se esgotava, mas minhas palavras não se mantiveram presas dentro de mim. Aquele era um ato de rebeldia total — Você nem se perguntou nada sobre o amigo que eu encontrei no parque aquela vez! E se eu te contar que ele foi junto na viagem até o Odin?

—Dominic você estava me escondendo as coisas?

—Eu estava — Eu já arfava, algumas lágrimas já escorriam, mas desabafar era o que eu tinha a fazer — E agora eu não sei o que você vai achar de mim se eu disser que realmente não sei se sou como você.

— O que quer dizer com isso? Clarifique.

—I-isso… — Suspirei, caindo para trás quase em exaustão. Acho que eu nunca havia falado tudo tão rápido e claro antes e meu corpo não aguentava, sentia que ia explodir e logo virei-me de barriga para baixo, escondendo-me em meus braços — Eu...

— Escuta — Senhor Frankie Oliver pousou sua mão sobre minhas costas, como se quisesse me confortar — Por que você acha que eu te guardei por tanto tempo? Acha que eu não tinha medo do que o mundo poderia fazer com você? — Eu apenas conseguia escutar. O tom da sua voz me fazia entender que ele estava prestes a começar a chorar também, o que seria uma cena incrível de se perder — Eu não te criei longe de todos para você ser como eu e sim para você ser você mesmo. Pensar da sua maneira, sentir coisas que talvez eu não poderia sentir. Você é especial, mas isso não te faz menos capaz de ter seus próprios sentimentos e por quem você quiser, quero que saiba… Que eu sempre vou te apoiar.

Minhas choramingadas se tornaram mais frequentes, mas ele parecia ignorar totalmente e continuava com sua voz emotiva que soava como um trompete em meus ouvidos, mesmo que fossem palavras doces e de apoio. Assustava-me demais o fato do senhor meu pai, aquele homem rígido e sério, totalmente formal e sem sentimentos estar falando daquele jeito tão puro e condescendente.

—Além daquela menina de cabelo colorido — Sussurrou como se quisesse deixar isso em segredo — Você também gosta de Owen Collin, não é?

—PAI — Levantei-me rapidamente com meu rosto praticamente sem sardas de tanto que era a vermelhidão da mesma — N-NÃO É ISSO!

—É sim — Sorriu do jeito largo e traquinas para mim — E não é apenas isso, está apaixonado.

—N-NÃO ESTOU? — Franzi minhas sobrancelhas, mas realmente não sabia se aquilo deixava de ser uma verdade — Paixão engloba desejo sexual e eu…

—Ele me contou tudo.

E foi assim que Frankie Oliver conseguiu calar-me completamente sem o máximo esforço.

Realmente não conseguia acreditar que Owen havia falado tudo que aconteceu naquela madrugada e vergonha era pouco para me definir naquele momento, apenas consegui voltar a posição anterior e abrigar-me em meus braços, voltando a chorar desesperadamente e com muita vergonha.

—C-como assim…- Murmurei mesmo que não quisesse saber, de fato.

—Sobre seu primeiro beijo, sobre a noite que passaram juntos… — Exemplificou — Falou tudo com o maior respeito, formalmente e sem detalhes como eu e ele combinamos.

—Vocês… Combinaram…

—Sim, ele ficaria de olho em tudo que você fizesse — O senhor finalmente levantou-se da minha cama e andou até a porta — Acima de tudo preciso que você se cuide em situações como esta, que saiba o que está fazendo e com quem está fazendo.

— Uh… -As minhas forças haviam acabado, não queria ter que falar mais nada porque tudo estava óbvio demais para mim.

—Apenas fiz que não sabia de nada para ver se você não escondia — E foi fechando a porta devagar com sua cara de psicopata — Boa noite. Não fique acordado até tarde e escove os dentes antes de dormir.

Haveria aula no dia seguinte e eu só tinha uma certeza. Owen estava morto.

Notas finais
E então, o que acharam? Vou tentar começar a atualizar uma vez por semana, as ideias vem fluindo ultimamente ♥ Obrigado por lerem e até a próxima!