The beginner teenager
13 Capítulo 12 - O galpão.
Notas iniciais
Juro que quando gritei “TCHAU NAMORADO” para Dominic Oliver logo que seu pai saiu para ver se ele já tinha chegado eu gelei, realmente não tinha visto que meu sogro amado estava o esperando. Não queria que ele levasse esporro, mas foi muito legal dizer aquilo em voz alta mesmo que o meu pequeno Domi não seja meu namorado de verdade -ainda-. Fui dormir lá pelas duas da manhã por motivos de: Não conseguia parar de pensar nele? Talvez? Não do jeito que você acabou de pensar, mas no jeito romantico. Isso mesmo. Eu, o fortão, o pegador cheio de tesão estava pensando em como ser delicado e gentil para conquistar o coração de alguém.
Acho que ele ficaria com um pouco de raiva por eu ter falado aquilo — mesmo que sem querer- e vê-lo bravo seria tão adorável, quero dizer, imagine um filhote de cachorro bravo. Dominic Oliver era a mesma coisa e eu poderia olhá-lo com aquela cara emburrada para sempre. Chegamos na sala ao mesmo tempo. Ele sentou devagar em seu lugar e um tanto de cabeça baixa, eu realmente queria perguntar o que havia acontecido ainda que eu soubesse que seu pai havia sido ríspido, como sempre. Passei por ele e o mesmo apenas me olhou com toda seriedade, algo que o fazia parecer ainda mais com o senhor Frankie e me apavorava demais. Sentava na primeira classe da segunda coluna perto da porta e eu sentava na penúltima classe da última fila encostada na janela, fazendo com que meu plano de chamar a atenção dele para conversar fosse totalmente arruinada. Nah fazer o que, ainda tínhamos todo o intervalo para ficarmos juntos. Já estavam todos em seus lugares quando resolvi mandar uma mensagem para meu pequeno Domi sweet hearth.
OWEN: Oi monstrinho.
O tempo se passou e o otário mal considerou dar uma olhadinha no celular, apenas cruzou seus braços em cima da classe e apoiou sua testa gigante ali. Não conseguia parar de pensar em ouvir sua voz ou ler uma de suas mensagens sem sal, eu já batucava demais na mesa de nervosismo e cogitava levantar para falar com ele mesmo que nossos “colegas” ainda nos olhassem estranho. Até que, de repente ele visualizou. Provavelmente estava com o celular embaixo dos braços. Queria falar comigo também?
DOMINIC: Oi.
OWEN: Como você tá?
DOMINIC: …
OWEN: …?
DOMINIC: Me sinto triste.
OWEN: Por?
DOMINIC: Porque você contou tudo para o senhor Frankie Oliver, ele veio me falar isso ontem antes de eu ir dormir e tivemos uma conversa que me deixou desconfortável demais. Estou com vergonha.
OWEN: Você poderia falar mais como escreve suas mensagens, pelo menos não gagueja e fala bem mais.
DOMINIC: …
OWEN: Certo, eu fui um traidor.
Mas pensei bem, fiz isso para o seu bem.
Se eu não tivesse informado teu pai de todas as safadezas que você fez ele não te deixaria me ver novamente, foi o que ele disse.
DOMINIC: Eu te odeio…sem graça.
OWEN: O que…
DOMINIC: Não...Eu não quis dizer sério. Só nunca mais faz isso.
Senti uma leve lágrima escorrendo em meu rosto, eu realmente queria chorar porque “eu te odeio” era uma frase que batia no meu emocional com uma força imensa.
OWEN: Eu te amo.
DOMINIC: …
OWEN: O que?
DOMINIC: Você… Sabe que eu ainda não decidi.
OWEN: Não sei do que você está falando.
DOMINIC: Sobre… Sobre o que eu sinto.
OWEN: Por que você sempre entra nesse assunto? Eu te amo como meu amigo. Pfff não é como se eu quisesse transar com você, mas você é meu chapa.
DOMINIC: Eu também te amo, se for esse caso.
OWEN: Então você não me odeia?
E novamente o silêncio. O professor entrou na sala e quando entrava, todos os alunos automaticamente calavam a boca em uma velocidade estelar, até mesmo Dominic rapidamente bloqueou o celular e o largou dentro da mochila para prestar atenção em respeito ao professor, ajeitando sua postura e olhando totalmente para frente. Queria beijá-lo, aquelas sardas estavam vermelhas e seus dedos inquietos eram adoráveis, ficava o tempo todo mexendo em seu estojo, checando as canetas e olhando para os lados, mas nunca para mim. Por que eu sempre tinha que dar um jeito de esconder as coisas? Eu poderia simplesmente ter dito “eu te amo como um amigo e como um namorado, quero te ter e transar com você, poder te encarar sem parecer totalmente estranho, te seguir sem eu parecer um stalker maluco”.
A lição começou, o professor falou as besteiras de sempre, iniciou o primeiro conteúdo do ano e tal. Realmente nada de importante e o Domi era a única pessoa que parecia estar realmente interessado, ele poderia ser um pouco desajeitado, com os braços moles e pernas inquietas, mas sua mão era firme na hora de escrever e aquilo resultava em uma letra magnífica, desenhada e cheia de cores de canetinha, parecia o caderno de uma menina bem caprichada. Ao olhar pra ele eu conseguia ouvir “I want you” do Savage Garden tocar ao fundo -mais gay impossível- e queria dar um jeito de tirar aqueles dois poços de petróleo que ele chamava de olhos do quadro e direcionar pra mim.
—Hey David — Sussurrei perto do bárbaro de pele morena e escura que senta em minha frente, ele rapidamente se virou suavemente para mim — Trouxe algum caderno?
—Tá brincando? — Ele debochou — Veio pra aula sem caderno?
—Me dá uma folha logo — Empurrei seu ombro de leve, brincado. Não demorou muito pra folhear algumas páginas e arrancar uma lisa e de linhas azuis — Obrigado pela gentileza senhor.
—Ah, lembrei do que precisava te falar — O outro puxou assunto, virando-se um pouco mais sobre a própria cadeira — Joe disse que vai tirar você da reserva.
—Uau, isso é bom.
—E vai tirar você do time — Virou-se de novo para frente, ainda rindo — Boa sorte.
—O QUE — Levantei-me não totalmente, mas logo que o professor lançou seu olhar de maldição para mim, me aquietei, sussurrando como se eu gritasse — Qual o poder daquele viado enrustido sobre mim?
—Bom, ele é o capitão do time seu babaca — Respondeu baixinho também — Se ele diz que você sai, você sai. Tu é reserva, que diferença faz?
—Espero que ele quebre as duas pernas, ai sim vai fazer diferença — Murmurei. Eu com certeza estava muito furioso e não iria desistir de ficar no time de futebol americano, mesmo que o asmático que vos fala ficasse no banco 95% do tempo. Era o pequeno resto de dignidade que eu ainda tinha.
—Da sua bunda pra ele de novo — O moreno era legal mas era um traste, podia ficar no banco comigo as vezes me fazendo companhia mas era puxa saco de Joe e aquilo me irritava, parecia um falso amigo — Dai ele te coloca até de center.
—Cala sua boca, seu animal — E dei um pescotapa nele, terminando a conversa.
Era só o que me faltava, eu teria que conquistar meu crush e agradar o meu ex-crush para conseguir ficar na merda do time de futebol, o que eu faria primeiro? Ser um jogador sempre foi meu sonho e mesmo que eu ficasse na reserva pra sempre, seria jogador e um dos melhores. Achei melhor focar apenas no meu pequeno ruivinho de cabelo preto invés de pensar naquele boi idiota que era o Joe, com a certeza que eu não iria dar pra… Ninguém. Pelo menos não para conseguir atingir meus objetivos.
Peguei aquela folha de caderno e amassei bem formando uma bolinha aceitável e com uma aerodinâmica perfeita, de modo que pousasse pacífica e naturalmente na cabeça de Dominic Oliver, não queria que ninguém mais visse então fui o máximo cuidadoso. Precisava falar com ele sobre a minha breve expulsão do time de futebol e teria que me ouvir reclamando, da mesma forma a qual eu ouvi ele falar sobre seus problemas, ele me devia essa. Sabe aquela hora que você se arrepende completamente de fazer algo, ainda mais porque não pensou nas consequências? Pois então…
A bolinha foi lançada, atingiu a cabeça de Dominic e foi diretamente… Para o rosto de Joe que repousava calmo sobre seus próprios braços na classe. HOLY SHIT, como eu queria morrer.
—QUEM FOI O MERDA — O touro se levantou e olhou em volta, esse gesto fez com que eu me sentasse rapidamente e virasse a cabeça pra frente. Pelo menos Dominic havia virado para mim por alguns segundos antes de se assustar com o grito do outro.
—Ah lá, Owen — David começou a falar alto demais. Queria socar a cara dele — Acho que ele ta falando de ti.
Todos os olhos se voltaram para mim -menos os de Dominic que mantia sua mão na testa como se falasse “ai meu deus, eu não acredito” — e gelei novamente, Joe sugava minha alma com seu olhar de alfa matador sanguinário carniceiro e juro que desejei morrer o mais rápido possível, porque nas mãos dele eu iria igualmente morrer só que lentamente. Foi se levantando devagar… Afastou um pouco sua cadeira, esquivando-se como uma cobra e sem parar de me olhar.
—Hey, Joe — O professor Alle chamou, mas o outro ignorou apenas passando na frente da louça e fazendo todo o contorno até mim, eu suava como um porco e não iria ser nada legal apanhar na frente do Dominic — Sente agora.
—Um minutinho professor — Aproximava-se cada vez mais, apoiou uma mão na minha classe e outra em meu ombro — Vim esmagar um inseto aqui no canto da sala.
—Já chega, pode sentar — Senhor Alle estava ficando possesso e eu não sabia como reagir, apenas fiquei encarando minha classe esperando que o capitão se acalmasse um pouco. Poxa, era só uma bolinha de papel e nem era pra ter pegado nele.
—I-i-inseto é você! — Ouvi uma voz fraquinha e gaga vinda de trás dele, logo me corei violentamente ao ver que era Dominic que estava de pé e virado para nós. Aquilo era adorável, mas ele iria apanhar. E novamente, todos -inclusive o maior- se viraram para o pequeno menino de sardas no rosto. Um burburinho e risadinhas começaram, fazendo-o se sentar novamente — Desculpa…
Sei que o professor também não queria chegar perto, até porque o moreno era duas vezes maior que o velho mestre. Todos sempre observavam de longe e apenas os membros do time — David, Henry, Sam e Nicolas- ficavam rindo e tirando sarro. Babacas…
—Queria chamar minha atenção, viado? — Me deu um tapão nas costas. Não. Nãoooo, vocês com certeza não sabem o que é levar um tapa do cara mais forte do colégio, talvez um dos mais fortes da cidade. Eu apenas quis deitar e chorar — Tô aqui. Fala.
—Eu vou chamar o coordenador Aaron — E o professor saiu. “OH MERDA” foi a única coisa que consegui pensar. ISSO PROFESSOR, SAI BEM NA HORA QUE ELE VAI ME SURRAR.
—Podemos conversar lá fora se quiser — Joe não demorou para dar boas estraladas com seu pescoço, um bagulho que me assustava demais.
—Olha, eu só queria acertar aquele menino ali óh — E apontei para Dominic. Todos começaram a rir.
—Hah, quer dizer que queria chamar seu namoradinho? — Debochou, colocando a sua mão em meu ombro novamente e apertando com força — Trepar no armário já não foi suficiente?
Riam, riam e riam. Os fracassados da minha turma ficavam todos nos olhando e cochichando coisas, queria dar um soco na cara de cada um, menos de Thália. Parecia se sentir muito desconfortável e brigava com algumas pessoas ali do meio para calar a boca.
—Parece que temos um novo casal na turma, galera! — O filho da mãe falou alto suficiente para todos ouvirem até do corredor, se calhar.
Dominic se levantou todo encolhidinho e cobrindo seu rosto e saiu da sala, fechando a porta forte e de um jeito barulhento em seguida. Merda, merda...
—Oh Joe, meu amor — A menina de cabelo colorido ergueu uma mão rapidamente sorrindo sarcástica — Presta atenção em mim um pouquinho?
—Oi meu bem — Respondeu ainda rindo e debochando da minha cara.
—Trata de calar essa tua boca e sentar — Mudou seu tom para um mal- humorado muito raivoso — Se não eu vou ai te fazer sentar.
—OOOOOOHHH — Meus queridos colegas gritaram em sintonia, aquilo me fez rir.
Totalmente furioso ele voltou até sua classe, o resto dos meus colegas de classe ficaram zoando com a cara dele e quando o professor chegou todos se calaram novamente, o coordenador Aaron olhou todos por cima e fez um comentário.
—Alle, acho que está tudo sob controle — O homem sorriu olhando para o professor — Precisa de mais alguma coisa?
A aula continuou, mas o meu medo de me encontrar sem querer com Joe no recreio estava estampado na minha cara. Não podia deixar que ele se aproximasse de Dominic também, não sabia o que eu poderia fazer se ele o machucasse ou encostasse um dedo no meu pequeno monstrinho. Oito, nove e finalmente, dez horas. O sinal tocou e fui o primeiro a sair correndo segurando o pequeno Domi pelo braço, saímos feito um foguete e eu o levei desesperadamente até o banheiro, onde nos trancamos em uma cabine e ficamos.
—O-o que houve… — Ele virou seu rosto para o lado contrário ao meu, fazendo-se de dificil. Pobre Oliver, mal sabia que parecia apenas um filhote de cachorrinho bravinho e corado — Nem peguei meu lanche…
—Shii, eu pago um pra você depois — Pedia silêncio, afinal ele era hiperativo e inquieto, ficava tremendo e esbarrando na parede da cabine — Temos vinte minutos de intervalo, pode comer o que quiser depois.
—Eu já to sem fome mesmo… — Vi algumas lágrimas brotando de seus olhos. Naquele momento eu jurava conseguia ouvir pequenos choramingos vindos dele, mas era apenas minha imaginação me lembrando da nossa noite na barraca. Valeu ai, imaginação.
—Hey, já disse que vamos sair daqui e vamos lanchar — Sussurrei bem perto do seu ouvido, queria me divertir um pouco antes de me desculpar por ter contado tudo para o pai dele — Não fica assim…
—Hm… — Continuava emburrado. O que eu teria que fazer para ver um sorrisinho vindo daquela carinha rosada?
—Monstrinho — Chamei. Ele rapidamente virou para mim e aí sim… Vi lágrimas em seus olhos.
—O-o que foi… — Sua respiração estava pesada, sua mão que tapava a própria boca estava trêmula. Queria abraçá-lo — Não… N-não tente fazer nada.
—Eu não sou um estuprador — Cruzei os braços — Me responda.
—O que…?
—Você me odeia de verdade?
Ah Dominic… Gostava tanto de falar em horas inconvenientes, mas quando eu perguntava algo demorava uma eternidade para bolar uma resposta. Precisava pensar para responder isso?
—E-eu… Não te odeio — Suspirou como se tirasse um peso das costas — F-foi brincadeira.
—Own — Aproximei-me mais e o abracei — Viu? Isso é tão difícil para você?
—N-nossos colegas… — Conseguia sentir suas lágrimas umedecendo um pedaço da minha camiseta — Acha que a gente…
—Não leva eles a sério — Ri baixinho — Se você não quiser, nós não vamos namorar.
—Eu… Não quero — Sussurrou de volta, algo que quebrou brutalmente meu coração. Eu tinha que tê-lo só pra mim de algum jeito, mas não podia o obrigar a nada — V-você é m-meu amigo e eu tenho medo.
—Medo de que?
De repente, começamos a ouvir batidas na porta. Fudeu.
Certo, vamos resumir.
No lado de fora estava Joe e seu bando, todos os membros do time de futebol que o ajudaram a abrir a porta e me tirar lá de dentro. Sam ousou por uma de suas mãos em Dominic e a única coisa que eu consegui dizer foi:
—NÃO FAZ NADA COM ELE — E todos se viraram para mim, rindo e debochando- Façam… Tudo só comigo.
—O-Owen… Eu vou chamar alguém…
—NÃO — Gritei meio que involuntariamente — Não… Eu vou resolver. Vai achar a Thalia!
Me arrastaram pelo corredor, me empurrando e tirando mais sarro ainda da minha cara, Joe principalmente até porque uma humilhaçãozinha para ele já era um mar de vergonha, aposto que ele queria fazer isso comigo também. Fomos para fora e eles me levaram para trás do ginásio, mais especificamente onde ficava um galpão onde o jardineiro do colégio guardava suas ferramentas. Era só o que me faltava, ser corneado por eles.
Não havia ninguém por perto, até porque era um lugar um pouco isolado e aquilo me dava pânico, afinal, se me surrassem iria demorar pra alguém achar meu corpo ali. Logo paramos na frente da pequena cabana e o maior começou a pensar.
—Cavalheiros — O capitão cruzou os braços, não fazendo esforço nenhum já que eram Henry, Nicolas e David que me seguravam — Tirem a roupa dele.
—O QUE — Me indignei. Claro! Como eu não havia pensado nisso antes? Eles iriam me estuprar e me apagar depois, que idiotas. Eu não conseguiria me defender tão facilmente e os bárbaros me seguravam firme demais.
—Vamos ver como essa mocinha é — Enquanto o moreno me segurava os outros abaixaram minhas calças, rasgaram a minha regata e arrancaram fora minha cueca. Por mais que eu me contorcesse eles não me largavam de jeito nenhum, apenas faziam piadinhas sobre o meu corpo (mesmo que não tivesse nada de errado, eu tinha um físico muito bom, sem querer me gabar nem nada) e principalmente sobre o meu amigão. Sim, vocês sabem de “quem” eu estou falando.
—Até que você não é pouca merda — Joe fez um sinal para os outros três me largarem e fui deixado apenas de meias e coturnos no chão, não demoraram para jogar minhas roupas em cima do galpão e me seguraram de novo. O capitão entrou naquela casinha de madeira escura e fria, provavelmente muito suja e pegou uma corda velha.
—Amarrem bem forte — David (aquele traidor idiota), segurava a corda em volta de meu tronco e braços para que os outros pudessem dar um nó firme, o que conseguiram por final. Quando acabaram, Joe se aproximou e me acertou mais ou menos cinco socos e uma joelhada nas partes baixas. Eu gritar por ajuda e tentar escapar daquilo não adiantava, eu teria que aguentar até alguém sentir minha falta ou até Dominic Oliver ser teimoso e vir me procurar com a Thalia.
Brincaram de me empurrar um para o outro feito uma bola, tentaram mexer nas minhas partes -mas isso eu não pude permitir, meti logo uma mordida no ombro de Joe, o que o deixou mais puto ainda e por fim… Me trancaram dentro daquele lugar fedido e escuro.
Ainda tínhamos mais uns dez minutos de intervalo e eu não sabia o que fazer, já estava desesperado e me debatendo demais, só queria sair dali. Estava sozinho, pelado e amarrado dentro da merda de uma casinha atrás do ginásio que ficava longe de onde tínhamos aula, aquilo era agoniante e desesperador demais!
Do nada comecei a ouvir passos sobre a grama de novo, passos de pessoas que corriam.
—OWEN — Era Dominic, e foi nessa hora que eu voltei a crer em Deus. COMO ELES TINHAM ME ACHADO — CADÊ VOCÊ??
—COLLIN, VOCÊ TA MORTO — E Thalia Anderson, vulgo vômito de unicórnio também estava junto! Voltei a me debater contra a parede do galpão e eles ouviram.
—DOMI — Tive forças para gritar mesmo depois de ter berrado demais ao ter meu saco chutado por Joe — THALÍA AQUI.
A menina conseguiu arrombar a porta e entrou com uma cara de espanto, seu batom estava borrado e seus dentes rangiam. Domi veio logo depois, estava com lágrimas nos olhos — como sempre- e ficou como um pimentão ao me fer como vim ao mundo ali, de pernas arregaçadas e amarrado.
—O que… Fizeram com você — Ela me ajudou a levantar e me virou de costas, desamarrou-me e pra completar, me deu um tapa na bunda — Oi bumbum.
—PARA — Afastei-me rapidamente. Não gostava de ficar nú na frente de mulheres, era vergonhoso — Tá tudo bem…
O menor não falava nada, apenas estava com olhar fixo no chão e com suas bochechas rosadas como sempre. Suas sardas ficavam menos evidentes quando estava envergonhado e era muito adorável, queria abraçá-lo.
—Domi domi — A mais velha o chamou, apontando para o casaco que o outro usava — Me empresta?
—Uh? A-a… Claro — Não teve demora em tirar, logo o jogou para Thalia, que amarrou em minha cintura e uniu as duas partes do fecho.
—Preciso que segure, anjinho — Ela estava se referindo a… Bem, vocês entenderam. Obedeci e ela fechou até em cima, fazendo uma espécie de saia…? Estava engraçado mas dava para sobreviver até eu ir para o meu armário no ginásio e pegar outras roupas. O menor ficou um pouco chocado com onde o casado estava encostando em meu corpo, mas logo deixou para lá.
Só podiam ser eles mesmos… Dois patetas que foram a minha procura e que me fizeram vestir aquela coisa ridícula para eu não passar frio, aquilo só podia ser amizade de verdade mesmo. Fomos até o ginásio, pus uma roupa e o sinal tocou novamente indicando que devíamos voltar para a aula, certo que eu teria que enfrentar Joe de novo, mas com eles tudo seria mais fácil.
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