The Wrong Boy HIATUS
1 Capítulo 1 - Prólogo
Notas iniciais
Jessie encarava o teto branco de gesso de seu quarto como se fosse a coisa mais interessante do mundo sem demonstrar que por dentro estava completamente entediada. Mas o que mais poderia fazer? Sua insônia nunca a incomodou tanto quanto agora. Nos últimos dias ela nem mesmo se sente viva. É como se já estivesse morrido há muito tempo, estava começando a cogitar a hipótese de ter virado um zumbi e não ter percebido.
Arrependia-se tanto de ter ido embora, de ter gritado com seus irmãos e revidado contra seu pai quando foi dar-lhe uma lição. O velho podia ser um nojento e seus irmãos dois vagabundos, mas ainda eram sua família. Nunca planejou que aquele dia infernal seria o ultimo que os veria.
De que diabos adiantou fugir de casa se agora se encontrava presa em um outro lugar, sofrendo as mesmas merdas que sofria antes do mundo acabar? Se soubesse o que aconteceria nunca teria saído de casa, ‘’Melhor sofrer na mão de quem você conhece do que na de quem você não conhece’’ pensava ela. Essa ironia maldita a irritava profundamente.
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho no corredor. Finalmente algo para tira-la do tédio, pensou. Saltou imediatamente de sua cama e foi até a porta, enquanto abria uma frestinha para poder espiar pediu aos céus que não fosse aquele nojento do policial Gorman abusando novamente da garota do quarto ao lado. Mas felizmente não era.
Um policial -o qual não conseguiu identificar qual porque estava escuro- estava carregando uma garota loira desmaiada nos braços.
Pobre garota, mais uma que foi pega por esses diabos em forma de pessoas.
Um maldito policial entrou na frente de sua vista e estava pronta pra xinga-lo, mas quando percebeu quem era calou-se imediatamente. Seu corpo já continha hematomas o bastante.
– Volte para a cama Jessie. –A voz de Dawn a líder do local soou autoritária como sempre. Essa simples frase poderia não parecer nada a nenhuma das outras pessoas ali presentes, mas pra ela era diferente. Uma das pessoas que ela mais detestava na vida costumava falar essa frase pra ela e caso não obedecesse, às consequências não seriam nada legais. Exatamente como aqui. Sentiu o sangue subir e já estava pronta para dar uma resposta afiada quando seu amigo Noah apareceu ao lado da líder e entrou no quarto.
Noah havia escutado a movimentação no corredor e como Jessie, saiu para conferir. Quando escutou Dawn falando uma das coisas que sua amiga mais detestava ouvir sabia que teria de interferir, Jessie não suportaria mais uma surra. Por sorte chegou a tempo, antes que a garota pudesse responder ele a empurrou para dentro do quarto e entrou. Porém antes do moreno conseguir fechar a porta, Jessie com seu jeito de sempre ergueu a mão e mostrou o dedo do meio para aquele ser que se intitulou líder. Aquilo irritou tremendamente Dawn. Não o fato de a garota mostrar-lhe o dedo, o fato de não respeita-la, abaixar a cabeça e voltar para dentro como qualquer outro paciente faria.
–Noah. Abra. A. Porta. Agora! – A policial disse ríspida e pausadamente, tentando inutilmente abrir a porta.
–Me deixe acalma-la. – Respondeu ele, sabendo que caso abrisse os dois levariam uma punição. -Merda. — Acrescentou baixinho, para só quem estava dentro do quarto escutar.
–Não podem ficar ai para sempre. Amanhã conversarei com os dois e posso garantir-lhes que não será agradável. – Dawn respirou fundo e parou de tentar abrir a porta. O sangue de Jessie gelou, ela sabia exatamente o que aconteceria amanhã, por sua simples besteira de perder a cabeça e a desrespeitar hoje.
–Diabos, temos que da o fora daqui. Não aguento mais este lugar. –Resmungou ela, começando a andar de um lado pro outro.
Ficaram um tempinho em silencio, Noah apenas observava a garota andar impaciente pelo quarto, mas então como se uma lâmpada se acendesse em sua cabeça ele teve uma ideia.
–Hey. – A chamou, fazendo Jessie parar de perambular e virar para encara-lo. Ela arqueou as sobrancelhas como se questionasse silenciosamente ´’que porra você quer agora?!’’ e ele continuou. -Tive uma ideia... Diga-me querida, porque nunca da certo quando tentamos fugir? – Ela fitou o chão pensativa, lembrando-se da ultima vez que tentaram fugir.
–Você foi pego... e eu como a boa melhor amiga que sou não consegui te abandonar, voltei por você. – Um sorriso começa a brotar no canto dos seus lábios e ela finalmente ergue os olhos, encontrando o olhar do amigo. –Precisamos de alguém que volte por nós.
***
–Então, o plano é simples. – Estavam sentados no chão do quarto a horas bolando um plano para que a garota loira que acabara de chegar os ajudasse a fugir e depois ficasse para trás. – Agora você só tem que ficar amiguinho dela.
–Porque você não fica? –Ele retrucou. Mas a verdade é que ficou com a parte fácil do plano. Convencer uma garota a fugir com eles não era nada comparado ao que Jessie teria que fazer para conseguir armas, suprimentos e as chaves das portas que davam no elevador.
–Você sabe... eu odeio o convivio com pessoas. Sou uma antissocial assumida. – Respondeu a garota rolando os olhos.
–Tanto faz. – Rolou os olhos também. –É um bom plano, devo parabéns a essa mente brilhante que você tem.
–Por quê? Em algum momento duvidou de mim?
–Eu? Imagina. Sei que Jessie Elizabeth Dixon tem a mente mais brilhante e maléfica do planeta. – Disse ele sarcástico.
As próximas semanas seriam difíceis para Jessie, à garota teria que se comportar o máximo possível já que Noah não estaria mais lá para ajuda-la. Porém por uma boa razão. Se afastando de sua melhor amiga conseguiria outra. Uma que os ajudaria na coisa que mais querem na vida, escapar do Grady Memorial Hospital.
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