The Wrong Boy HIATUS
2 Capitulo 2 - The Plan
Notas iniciais
Algumas semanas... muitas semanas... quanto tempo já se passou? Impossível saber, já não há mais motivos para se contar os dias. Para Jessie é sempre agora. Já faz algum tempo desde que ela e Noah começaram a por o plano em pratica e estava cada vez mais perto de finaliza-lo.
A garota abriu os olhos mais não quis se levantar, ficou deitada e respirou fundo. Lembrava-se de antes de tudo acontecer, em situações assim ela pegaria o celular, olharia que horas eram, se daria conta de que estava atrasada demais para ir para o colégio e voltaria a dormir. Mas as coisas são diferentes agora. Não existem mais colégios.
Well, não colégios utilizados pelo menos.
Tudo se trata apenas de uma coisa hoje em dia, a sobrevivência do mais forte. E para o azar das más pessoas em sua volta, se tem uma coisa que Jessie é, é forte.
A garota enfim levantou-se da cama, sentou para calçar seus tênis all stars pretos e arrumou sua cama. Seus all stars eram a única coisa em sua aparência que a fazia lembrar-se de como é estar lá fora e de quem ela era antes. Aqui dentro obrigavam-na a usar as roupinhas azuis de pacientes, ela as odiava. Achava extremamente cafona, mas hoje em dia em quem diabos se importa com o que é cafona?
Checou uma ultima vez as mochilas cheias de suprimentos e coisas uteis que furtou escondida dentro do estofamento do colchão ‘’Everything ok’’ pensou. Pegou seu travesseiro e o abriu, tirando lá de dentro uma pequena tesoura, que também tinha furtado. Escondeu-a em seus tênis, o cano era alto e ajudava a disfarçar. Penteou os cabelos e por fim saiu do quarto, pronta para ter seu ultimo dia neste inferno.
Ao longo do dia, pelos corredores sempre que encontrava Noah, os dois trocavam aquele olhar cúmplice que só os melhores amigos entendem. Fez suas atividades normalmente, Dawn chegou a dar-lhe parabéns por não te-lá respondido hoje. A verdade é que Jessie respirou fundo muitas vezes para não lhe dar um tapa na cara. ‘’Isso vai ser recompensado mais tarde, calma Jessie.’’ Falava para si mesma em pensamento quando alguém lhe ofendia. O único motivo de a garota ter se comportado hoje é que teria que estar bem disposta hoje à noite e mais uma surra com certeza impossibilitaria isso.
O tempo que passou longe de seu amigo foi difícil, por um lado ruim e outro bom. O lado ruim é obvil, foi não ter Noah para lhe proteger quando fizesse alguma besteira, resultando assim em um sua boca completamente esfolada e um mega corte no supercílio, isso sem mencionar os inúmeros hematomas por seu corpo. Mas ela já estava acostumada. Por outro lado, foi mega fácil convencer a garota, Beth Greene a fugir com eles. A garota era forte, não podia negar, mas também estava assustada e tudo que precisava era de um amigo e isso fez o plano funcionar perfeitamente.
Esperou até a hora do jantar, todos estavam distraídos no refeitório e era a hora perfeita para pegar a chave e furtar algumas armas. Saiu de fininho e foi até a sala de Dawn, irritou-se ao ver que a porta estava trancada. Tirou um dos grampos de seu cabelo e o entortou, colocando as pontas dentro da fechadura.
–Shit, nos filmes parece tão fácil. –Resmungou sozinha. Arrependia-se amargamente de não ter aprendido isso tempos atrás, antes de tudo começar quando seu namorado Jake tentou lhe ensinar.
Jake era um ladrãozinho de quinta e por isso sabia arrombar fechaduras muito bem. Certa vez quando estavam arrombando o armário da diretora do colégio para recuperar seu maço de cigarros e celular, Jake falou que ela deveria aprender porque assim não teria de pedir para ele sempre, mas Jessie apenas rolou os olhos e o mandou ir mais rápido.
Tirou o grampo e pôs novamente no cabelo, desistindo de tentar abrir com aquilo. Então outra ideia surgiu em sua mente, mas ela teria que ser rápida e ignorar a dor agonizante que viria a seguir. Da metade para cima a porta era de vidro, um vidro que Jessie torcia para não ser blindado. Serrou os punhos e deu um soco na parte mais próxima a fechadura. O vidro se partiu em pedacinhos e sua mão começou a jorrar sangue. Cuidaria disso depois. Enfiou a mão ensanguentada pelo buraco feito por seu punho tentando ao máximo não encostar-se aos cacos ao redor e abriu a porta. Entrou rapidamente, pegou a chave pendurada em cima de uma estante, duas pistolas que ficavam na ultima gaveta de uma mesinha e virou-se para sair.
–Peguei você docinho. –Gorman disse com um sorriso extremamente malicioso no rosto. Jessie sabia, lá no fundo que alguma coisa ia dar errado, só não esperava que fosse agora. -Sabe ninguém mais ouviu essa bagunça... podemos resolver isso aqui e agora, assim ninguém saberá a merda que você fez, basta dizer sim. –A cada passo que ele dava para frente ela dava pra trás, mas foi quando suas costas bateram na parede que soube que estava sem saída. Poderia atirar, porém o barulho atrairia mais pessoas, e bom ele também tinha uma arma, iria acabar com uma bala em algum lugar de seu corpo. -Responda querida. –Ele já estava colado a ela, prensando-a na parede. E então uma ideia maluca passou por sua mente, e como Jessie adorava ideias malucas...
–Sim. –Foi o suficiente para Gorman avançar com seus lábios sobre os dela. Jessie fingiu retribuir. O policial pensando que Jessie havia finalmente cedido pegou-a no colo, a garota enlaçou suas pernas na cintura daquele homem nojento apenas para poder alcançar o que queria. Fez um grande esforço para não vomitar na boca daquele homem que fingia beijar e enfim alcançou a pequena tesoura escondida em seus tênis. Fincou-a rapidamente no pescoço de Gorman, e a tirou fazendo jorrar sangue para todos os lados. O polical arregalou os olhos e levou as mãos ao pescoço, tentando inutilmente parar seu sangramento. Jessie sorriu e chutou-lhe o meio das pernas fazendo-o cair no chão. -Aqui pra você seu puto. –Mostrou-lhe o dedo do meio e lhe arrancou a arma do coldre, saindo da sala. Educação nunca foi o forte de Jessie Dixon.
Deu graças quando percebeu que a arma de Gorman tinha silenciador. Correu em direção ao seu quarto ainda com a arma em mãos, pronta para qualquer imprevisto.
Pegou a arma com a mão ensanguentada e com a livre pegou as mochilas, jogando uma delas nas costas. Correu em direção ao corredor trancado que ficava o elevador e por sorte não encontrou ninguém pelo caminho.
–Achei que não viria mais. –Disse Noah assim que viu a garota chegar.
–Tive um pequeno imprevisto. –E ergueu a mão ensanguentada.
–Que diabos é isso na sua mão?
–Uma arma? –Rolou os olhos sarcástica. -Dou detalhes depois, vamos logo. E peguem essas malas, não sou mula de ninguém. –Tirou a mochila dos ombros e a entregou para Noah, jogando a outra para Beth.
–Ela vai com a gente? –Perguntou a doce Greene, aparentemente confusa.
–Na verdade o plano é dela. –A garota arqueou as sobrancelhas, mais confusa ainda. –Ela não falou com você porque não é muito... sociável.
–Parem de falar merdas e vamos logo. –Jessie resmungou com seu jeito grosso de sempre. Enquanto Beth e Noah tinham aquele pequeno debate sobre ela a garota ocupou-se em abrir as portas que os separavam da tão esperada liberdade.
Entraram rapidamente, cometendo o erro terrível de não trancar as portas de novo. Pararam diante do buraco escuro do elevador e iluminaram com a lanterna lá em baixo.
–E o que fazemos agora? –Noah perguntou, mesmo sabendo a resposta.
–Pulamos. –Respondeu Jessie rolando os olhos. -Quem quer ir prim...
–Hey. –Beth a interrompeu, fazendo a morena virar para ela com seu olhar mais mortífero. Sua raiva passou instantaneamente assim que seguiu o olhar da loira. O policial Jeffries e uma enfermeira ruiva estavam parados na porta. Jeffries tinha uma arma na mão e apontava para Jessie.
–Desde o momento em que trouxeram você eu soube, você era encrenca garota. –O policial tenta intimida-la
–Sim eu sou... –Disse Jessie, decidida a entrar no jogo dele. Jogou rapidamente um olhar a Noah e a garota e indicou com os olhos que era para eles pularem, e assim o fizeram.
Foi tudo muito rápido, Jeffries e Jessie atiraram ao mesmo tempo, mas a garota foi mais rápida se jogando para baixo, fazendo o tiro pegar somente de raspão em seu braço. Já o polical não teve assim tanta sorte, o tiro de Jessie foi certeiro e perfurou na cabeça do homem. A arma do policial caiu no chão junto com seu corpo e a enfermeira ruiva foi rápida em pega la com suas mãos tremulas.
–Não precisa fazer isso. –Jessie disse calmamente, porém a enfermeira não lhe deu ouvidos. Enquanto procurava descobrir como atirar com aquele objeto, nem teve tempo de perceber quando uma bala atravessou-lhe o crânio. -Desculpe. –Jessie sussurrou e pulou naquele buraco escuro pensando que finalmente conseguiria sua liberdade.
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