The Wrong

20 ASSUNTO: Hospital Beds


Notas iniciais
Terça-feira, 14 de fevereiro de 2012.
Boa tarde! Tudo bom?
Eu to indo né, bom aí está mais um. Para os que disseram que a Vic ia ser atropelada... ops, spoiler :x
A música Hospital Beds é do Cold War Kids (www.youtube.com/watch?v=08HfyT2WP2w), achei genial o nome da banda, é tipo crianças da guerra fria, ou sei lá o quê (me disseram que é isso e, pelo que eu sei, é mesmo KK).
Boa leitura.

Acordei com um barulho repetitivo no meu ouvido. Abri os olhos mais pesados do que o normal em uma sala branca com um homem de branco tocando na minha perna. Tentei mexê-la, mas não conseguia.

Olhei ao redor e eu estava deitada em uma maca de hospital. Tinham tubos enfiados no meu nariz, espalhados pelo meu braço e eu respirava com dificuldade.

Havia uma mesa ao meu lado com uma bandeja de comida. Do outro lado havia um aparelho alto, de onde vinha o barulho repetitivo.

Na minha frente (atrás do homem), havia uma televisão suspensa e embaixo uma mini-estante repleta de livros, infantis e não.

O homem me olhou e eu tentei olhar para o seu rosto, mas a imagem estava um pouco embaçada. Eu vi um crachá na sua roupa branca — no jaleco, para ser mais exata -; me esforcei para ler, mas estava muito difícil, acabei desistindo.

- Olá, Victoria.

Rapidamente reconheci sua voz.

- Doutor Ron! — Falei o mais alto que podia.

- Descanse, você ainda está muito debilitada.

- Eu fui atropelada, não fui?

- Foi.

- E depois?

Ele pareceu ficar um pouco tenso, pelo que eu conseguia enxergar.

- Uh, eu não sei direito.

- Como não sabe? Você é meu médico!

- Eu sei, mas... Erm, você não quer ver seus pais?

- Quero!

Ele saiu rapidamente e trouxe meus pais, que praticamente pularam em cima de mim.

- Mãe! Pai!

- Filha, você não olhou quando atravessou a rua? — Perguntou meu pai depois do abraço, quando minha mãe já me olhava com seu olhar repreensivo.

- Da próxima vez que acontecer alguma coisa por falta de atenção, você vai apanhar é de mim, mocinha!

- Tudo bem, mãe. Eu acho que já entendi.

- Pois não parece.

- Estou em uma maca toda entubada e você acha que eu não aprendi a lição? — Perguntei e ela ficou quieta. Estranho, ela nunca ficava quieta. — Enfim, quantas horas estou aqui?

- Acho que duas. — Respondeu meu pai, analisando uma prancheta que estava em cima da estante, e depois confirmou. — É, duas e alguns minutos.

- Hum... Posso comer? — Apontei para a bandeja.

- Claro, filha. — Respondeu minha mãe. — Quer que eu chame a enfermeira pra te ajudar ou quer que a mamãe te ajude?

- Não precisa, mãe. — Revirei os olhos fazendo força para me levantar. Ela negou, mas eu disse para ela ficar calma e consegui sentar na cama. Ela colocou a mesa mais perto. — Ponha no meu colo.

- Não, filha! Ficou doida?

- Por quê?

- Sua perna está quebrada!

- Quebrada? — Repeti assustada.

- É, filha! O doutor Ron não te disse?

- Acho que ele esqueceu esse detalhe. — Respondi entre os dentes.

Eu e meus pais conversamos e eu comi. Todos dizem que comida de hospital é ruim, mas nem era tão ruim assim. Era uma sopa até que gostosa e uma vitamina de abacate. Ou como eu gosto de dizer, abacatada.

Assim que acabei, quis resolver um assunto pendente.

- Pai, e sobre Julien e Daniel?

- Pois bem, minha filha. Eu já conversei com o diretor e nossa reunião vai ser amanhã.

- Tomara que eles sejam presos!

- Não sei, filha. Nesse país por mais que a justiça seja feita, é um processo difícil para prender um menor, em qualquer lugar do mundo. Os pais podem até alegar que os filhos têm problemas psicológicos.

- Mas é mentira!

- Eu sei, filha. De qualquer jeito, vamos dar tempo ao tempo.

O doutor entrou e abriu um largo sorriso, verificando outra prancheta que tinha trazido.

- Tenho uma ótima notícia, Victoria.

- Eu vou ter alta?!

- Sim. Ainda vai ter que ficar um dia aqui para verificarmos se realmente não danificou alguma outra parte do seu corpo além da sua perna...

- Falando nisso, ela só está quebrada, não é?

- Por isso vamos fazer alguns exames, quero ter certeza. — piscou, mas eu ainda não tinha me sentido segura.

Ele saiu e ficamos mais uma vez só eu e meus pais.

- Vocês podem ir embora agora. — Comentei.

- Não quer que a gente fique? — Papai perguntou.

- Não quero que percam o que têm para fazer.

- Filha, você é mais importante do que tudo. — Minha mãe sorriu e pegou minha mão.

- Podem ir, sério.

- Tem certeza?

- Tenho.

Eles me abraçaram e prometeram voltar no dia seguinte para me buscar e, só de prache, minha mãe pediu:

- Qualquer coisa, me ligue.

Passei o dia inteiro fazendo exames. Raio-X, exame de sangue, exame de urina, exame disso, exame daquilo... Muitos exames e muitos remédios! Quando finalmente pude voltar ao meu "quarto", a enfermeira me ajudou a deitar e pegou um livro para mim.

- Qual você quer?

- Tem Fall of Giants? — Sorri esperançosa, até gostei daquele livro, queria poder terminá-lo.

- Hum... — procurou. — Não.

- Ah... Quais tem?

- Barney, Clifford, Sponge Bob...

- Não tem nenhum normal?

- Além dos de filosofia? Acho que não...

- Tudo bem.

- Ah, espere aí. Tem As Crônicas de Nárnia.

Rolei os olhos. Era um bom livro, mas eu já tinha-o lido várias vezes, além de já ter assistido ao filme.

- Qual?

- O primeiro, "O Sobrinho do Mago".

- OK, pode trazer. — Me convenci. Eu não tinha opção, tinha? Era isso ou Barney!

Ela trouxe e saiu. Fiquei analisando a capa e tomei coragem antes de ler.

Abri o livro e comecei. Já na parte que Digory conta as coisas para Polly comecei a chorar. Mas eu não chorava de ficar berrando por aí, eu chorava "só nos olhos", como gosto de dizer. Um pouco depois da parte de Polly ter desaparecido por pegar o anel, eu caí no sono e só fui acordar no dia seguinte. Talvez por causa dos remédios que tinham me dado.

Notas finais
Gostaram? Acho que ainda posto outro hoje, mas não prometo nada, ainda tenho que finalizar Trampled e talvez postar a outra história do 1D, ok?
Beijos.