The Woods
21 That Was The Moment I Knew
Notas iniciais
Sábado de manhã, estava chovendo e não havia um sequer raio de sol no céu. Fui acordada por um barulho sutil na janela do meu quarto, além dos pingos de chuva. Abri lentamente os olhos e vi Luke agachado contra a luz da minha janela, dando-lhe um aspecto sombrio. Assim que o vi assustei, mas consegui não demonstrar, não movi nem um dedo, apenas fiquei fitando-o, esperando que ele dissesse alguma coisa.
Então ele finalmente se aproximou.
Sentei-me lentamente na cama puxando o cobertor junto comigo, pois estava frio e por algum motivo achei a ideia dele me vendo de pijama muito esquisita, ainda mais por meu pijama ser de gatinho.
Ele me encarou por mais alguns instantes antes de dizer:
— Lucy, me escuta, você precisa ficar longe do Dale, ele esconde muita coisa, ele não é quem parece ser.
De novo com isso? Na moral? Tão cedo assim em um sábado chuvoso?
Olhei para ele confusa.
— Dessa vez eu ouvi ele falando. – Ele ficou carrancudo, provavelmente por eu ter feito pouco caso do seu aviso.
— E o que ele falou? – Continuei fazendo pouco caso.
— No mínimo ele trafica drogas Lucy.
Sua expressão era mortalmente séria.
Caí em gargalhadas.
Ele fechou ainda mais sua expressão.
— Você ainda vai me agradecer por ter te avisado, sua louca ingrata.
E com isso deu meia volta e saiu enquanto eu ainda ria. Logo em seguida deitei na cama e voltei a dormir.
~’’~
Ingrata, idiota, ridícula, burra, retardada, suicida.
Luke estava possesso.
“Como ela podia ser tão ingênua, tão estupida? Eu não devia ter avisado nada para ela, devia deixar ela simplesmente morrer, assim me pouparia do trabalho que não consigo fazer.”
Ficou apreensivo com esse pensamento de novo, admitir para si mesmo que não conseguiria realizar sua missão de gerações da sua família deixava tudo muito mais palpável e real.
E difícil.
Ainda havia o fato de ter a vergonha por não ter conseguido, recaída toda sobre o nome de sua família cuidadosamente construído e cultivado a milênios.
Não, ele conseguiria. Ele conseguirá. Ele irá matar Lucy, nem que tenha que morrer depois.
~’’~
Calcei minhas botas de cano alto, pois ainda estava chuviscando lá fora. Já eram mais ou menos umas 10h da manhã. Peguei um casaco bem grosso e coloquei o colar no bolso, em seguida peguei um guarda chuva e deixei um bilhete aos meus pais avisando que iria sair porque eles ainda não tinham acordado.
O tempo lá fora estava nublado e frio, mas assim que comecei a caminhar em direção da biblioteca, a chuva parou completamente, então tive que ficar carregando um guarda chuva a toa.
Assim que cheguei a biblioteca, Alex, que já estava me esperando, veio até mim ansioso, parecendo uma criancinha.
— E então, encontrou?
Eu tive que rir da cara dele.
— Sim, encontrei.
Uma expressão de alivio tomou conta do seu rosto.
— Então vamos ao treino de hoje, não temos nem mais um segundo para perder.
Saiu andando a passos largos até sua escrivaninha, contornou-a e abriu a porta atrás desta, em seguida, pegou o mesmo lampião da última vez e descemos o alçapão.
Assim que chegamos a Biblioteca Abaixo do Chão, (sim, esse é o nome que eu tinha dado para esse lugar por motivos de: sou péssima em dar nome as coisas) Alex parou, virou e olhou para mim.
— A proposito, você leu o livro que eu falei pra você ler?
Meu deus eu tinha esquecido completamente do livro, nem lembrava mais onde estava.
— Ah sim, eu estou lendo.
Ele sorriu. Não soube dizer se era porque sabia que era mentira ou se estava apenas sendo agradável.
— Lucy, mostre-me o medalhão.
Eu estava muito nervosa por algum motivo que não sabia explicar o porquê. Pesquei a corrente do bolso do meu casaco e mostrei para ele.
— Exatamente como eu me lembrava na sua mãe.
Ele parecia vagamente emocionado. De repente algo em sua expressão ficou urgente.
— Lucy, eu preciso que você me escute bem. – Abaixou-se para ficar da minha altura e olhar nos meus olhos. – Coloque este colar e não o tire nunca, nunca, nunca mais ta me ouvindo? Isso é extremamente importante Lucy, guarde essas palavras.
Eu estava um tanto quanto chocada com toda essa ênfase que ele estava dando em cima desse colar. Abri a boca pra falar, mas fui interrompida por um barulho alto, como um estalo. Olhei para o lado procurando o precursor do barulho mas não vi nada de diferente. Alex também procurava.
— O que foi...
Outro barulho. Agora sabia de onde vinha. Era la de cima.
Corremos até a escada para subir mas paramos diante de uma fumaça densa que vinha de lá.
A biblioteca estava pegando fogo.
— Nós vamos ter que subir.
— O QUE? – Como iriamos subir com aquela fumaça.
—Lucy, você não está entendendo, ou nós subimos ou morremos soterrados aqui.
— E COMO EXATAMENTE ISSO É PIOR QUE MORRER QUEIMADO LA EM CIMA? – Ok, eu estava desesperada.
— Nós vamos conseguir sair de la, confia em mim.
Apenas assenti, olhei para a minha mão na qual ainda segurava o medalhão. Alex me olhava apreensivo, esperando eu tomar coragem. Começamos a andar em direção a escada e a última coisa que fiz antes de começar a subir foi colocar meu medalhão.
Senti-me como se uma energia estranha percorresse por todo o meu corpo e na verdade era uma sensação muito boa. Eu me sentia meio invencível. Mas não dava tempo de ficar notando minuciosamente cada reação minha perante o colar, eu tinha que subir e rápido e foi o que fizemos.
Assim que chegamos lá em cima, pude notar que fogo estava se alastrando muito rapidamente porque a fumaça estava bem densa, mas dentro do quartinho onde ficava nossa escada, o fogo ainda não tinha alcançado. Alex tentou abrir a porta mas puxou a mão e fez uma careta de dor, a maçaneta era devia estar fervendo. Então ele se jogou contra a porta abrindo-a e foi na minha frente tentando achar o caminho para fora, coisa que se mostrou perto de impossível dada a velocidade com que o fogo aumentava.
Estantes de livros em chamas estavam caídas por todos os lados impedindo nossa passagem e pedaços do teto começaram a ceder e cair flamejantes por toda parte.
Pronto. Aquele era o fim. Eu e Alex morreríamos lá dentro. Naquele dia. Nos próximos minutos.
De repente fiquei tonta e caí de joelhos no chão.
Devo ter inalado muita fumaça.
Eu tossia muito, mas tinha a impressão de quanto mais eu tossia, mais fumaça eu inalava e mais tonta eu ficava. Sabia que desmaiaria a qualquer momento. Será que Cat iria ficar bem se eu simplesmente desmaiasse e morresse aqui? Será que ela iria ser encontrada?
Será que Cat também vai estar morta quando eu morrer?
Ouvi Alex gritando comigo vagamente, como se a voz dele viesse de algum lugar muito longe desse recinto. Ele também estava tonto, pude ver quando caiu. O chão começou a ceder também no momento em que um pedaço do teto flamejante caiu sobre nós. Deixei-me deitar no chão, estava cansada.
Meus olhos começaram a se fechar e minha visão ficou borrada. Então eu vi um pedaço do céu, não tinha nenhuma nuvem, só uma luz muito clara ofuscante. Logo em seguida eu vi um anjo com grandes asas brancas passar pelo buraco no teto e pousar do meu lado.
E foi quando eu soube que iria morrer.
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