Notas iniciais
Aqui estamos novamente! Estamos postando mais cedo pra compensar o tempo que levamos pra postar o anterior.
E mais uma vez agradecemos aos vários reviews que recebemos e a todas as pessoas que nos acompanham, muito obrigada!
Sem mais delongas, aproveitem o capítulo.

Levou certo tempo até a respiração de ambas se normalizar, Regina continuava deitada com a cabeça sobre o braço de Emma, enquanto brincava com os macios cabelos da loira. Sua expressão estava pacifica, calma. Não queria sair, mas sabia que assim como quando acordaram aquela manha, ela e Emma teriam que se separar.

Pensando nisso seu rosto tornou-se mais sério, com uma expressão mais dura. Emma, que observava o rosto e a beleza de Regina atentamente, percebeu a mudança.

– O que foi? — perguntou Emma — O que pode estar te incomodando justo agora?

Regina ficou surpresa com a voz de Emma, não havia reparado na xerife observando-a. — Nada, eu estava... Só pensando. — disse enquanto aproximava seus lábios dos Emma, beijou-a levemente, terna e carinhosamente. Descolou seus lábios e aproximou-os do ouvido de Emma, que sentiu um arrepio — Então é assim que termina? — tentou assumir um tom provocador, mas sabia que a pontada de tristeza que sentia por este "fim" tinha transparecido.

– Não exatamente... — sussurrou Emma — é o fim do que começamos no primeiro dia, não quer dizer que não acontecerá de novo.

Emma passava as pontas dos dedos, levemente, pelo pescoço de Regina, desde atrás da orelha até o ombro da morena. Regina sentia os toques de Emma queimarem em sua pele, causavam-lhe arrepios e também uma sensação mais do que boa, sensação que ela já não sentia há anos. Voltou a deitar-se no ombro de Emma, depositando vários beijos no pescoço e ombro da xerife durante o caminho.

– Certo... — foi tudo o que conseguiu dizer, no momento em que se ajeitava novamente.

Emma desceu seus toques para o braço de Regina, com a intenção de correr seus dedos por toda sua extensão, mas parou o toque no antebraço da rainha. Seu dedo tocou uma cicatriz, em forma de meia-lua, e contornou todo seu formato. Foi então que reparou que havia mais marcas nos braços de Regina, machucados que ainda não haviam se curado completamente, outras cicatrizes já fechadas, mas muito recentes, e ainda algumas marcas de cortes mais profundos, também recentes.

Lembrou-se de como havia encontrado Regina algumas noites atrás, e culpou-se por não ter dado atenção aos ferimentos da prefeita mais cedo. Continuou passando os dedos pelas pequenas marcas, sabia que Regina havia reparado a mudança de seus toques, sua respiração havia tornando-se mais pesada. Mas Regina nada disse, apenas continuou deitada sobre um ombro de Emma, mexendo nos cabelos da xerife.

– Regina... — Emma quebrou o silêncio. Por um momento achou que a rainha havia adormecido, Regina deitava quieta com os olhos fechados, e os dedos em seus cabelos pararam de se mexer.

– Sim? — Respondeu ela, mostrando que estava consciente.

Emma respirou fundo e continuou. — O que aconteceu... Naquela noite? Por que você estava daquele jeito?

– Que jeito? — Escutar a voz de Emma tão preocupada e interessada em si era maravilhoso, e Regina queria prolongar o máximo possível.

– No chão de seu escritório, inconsciente e machucada. Sangrando. O que aconteceu? Alguém...

– Não tinha ninguém mais, Emma. — Regina abriu os olhos e virou o rosto para o de Emma, que a encarava ternamente. — Eu não... Eu matei minha mãe naquele dia. — Emma entrou em choque com as palavras de Regina, era impossível e injusto que ela acreditasse que havia sido ela a matar Cora. — E eu só explodi. — seu tom era frio e sombrio, e então Regina se viu lutando contra as lágrimas. — Eu perdi tudo, Emma. Tudo. Tudo que importa para mim. Primeiro foi Henry e então... minha mãe, que mesmo errando sempre me amou. A única que fez isso. — sua voz já não passava de um sussurro. — Foi muita coisa para aguentar, e eu não aguentei. Estava tão cansada... eu só caí. A dor mental passou para a física e eu... não fui forte o suficiente.

– Regina... — Emma a puxou para ainda mais perto e a apertou entre seus braços, em um abraço cheio de carinho. — eu sinto muito. — Regina soltou um leve soluço, mas logo controlou-se. Não era momento para mais tristeza. Emma estava em choque, não conseguia acreditar nas palavras que saíram da boca de Regina.

Escutar Regina se culpando pela morte de Cora era demais. Era injusto de todas as formas, Regina não sabia que Mary havia enfeitiçado o coração, não tinha como saber, não foi sua culpa. Mas não conseguia dizer mais nada para consolar a Rainha, qualquer coisa que falasse traria ainda mais sofrimento a ela.

A rainha respirou fundo e engoliu em seco. — Não quero falar sobre isso. — foi tudo o que disse antes de plantar um beijo profundo e intenso nos lábios da xerife. Passou uma perna sobre o corpo de Emma e sentou-se sobre o quadril da loira. O beijo já deixara de ser intenso, e sim lento e de certa forma apaixonado. E assim elas ficaram, por longos minutos, provavelmente. Até que Regina quebrou o beijo lentamente, mas manteve o rosto muito próximo do de Emma.

– Então não acabou? — perguntou ela.

– Ainda não. — Emma respondeu enquanto invertia as posições e colocava Regina novamente de costas contra o sofá. Descia para beija-la novamente quando enxergou seu celular, que estava junto com suas roupas no chão da sala. — Merda. — exclamou ao se levantar rapidamente.

– O que? O que foi? — o rosto de Regina demonstrava desapontamento, enquanto Emma corria vestindo suas roupas e ligando o telefone.

– Regina, eu tenho que ir... — disse enquanto vestia as calças.

– Justo agora? Sério? — Regina começou a se levantar lentamente, sem nenhuma vontade.

– Eu desliguei meu telefone quando chegamos aqui ontem... Mary e David, eles devem estar loucos. — Emma lamentava, agora vestindo a blusa.

– Desligou o telefone? Mesmo? Não queria que ele nos atrapalhasse de novo, Miss Swan? — o rosto de Regina se abriu em um grande sorriso provocativo, assim como seu tom de voz.

Emma arquejou diante da visão de Regina, ainda completamente nua sentada no sofá, olhando-a com aqueles divertidos olhos castanhos. Emma aproximou-se e inclinou-se sobre ela. Beijando-a intensamente, tentando gravar o gosto da rainha em seus lábios.

– Eu não planejava nada, mas não queria que atrapalhassem durante o jantar, era importante para Henry. — Beijou Regina novamente. — Eu tenho mesmo que ir. — Mais um beijo curto e Emma saiu correndo da sala, após alguns segundos Regina pôde ouvir a porta da frente batendo.

Apoiou-se no sofá, ainda com o gosto da xerife em seus lábios. Suspirou e percebeu que a história estava longe de seu desfecho.

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Emma foi direto para o apartamento de Mary, pensando no que falar. Quando chegou lá encontrou o lugar completamente vazio, eles deviam estar na delegacia. Aproveitou seu tempo extra para pensar mais uma vez no que dizer quando os encontrassem, enquanto tomava banho. Vestiu-se rapidamente e voltou para o carro, indo até a delegacia. Estacionou defronte o prédio, respirando fundo. Tomou coragem e saiu do carro, indo em direção ao edifício.

– Emma! Onde você estava?! — Mary praticamente gritou assim que a porta da delegacia se abriu e viu que era sua filha que entrava. David correu de onde estava e foi ao encontro delas.

– Oi. Me desculpem, por favor... — Emma começou a se justificar, mas logo foi interrompida.

– Onde está Henry? O que aconteceu? Está tudo bem? — Mary não dava uma pausa sequer entre as perguntas, a preocupação saia de seu corpo na forma daquelas palavras.

– Sim! Está tudo bem, ok? Henry já está na escola, ele está bem, também. Agora você pode me dar a chance de explicar? — encarou os dois em expectativa, e quando nenhum dos dois falou algo, continuou calmamente. — Vocês sabem que nós fomos jantar na casa de Regina ontem, não vimos o tempo passar e ficou tarde, muito tarde. Henry acabou dormindo enquanto jogava e não achei justo acorda-lo para trazê-lo para casa, então o deixei dormindo lá. E quando vinha embora Regina me ofereceu o quarto de hóspedes — as lembranças da outra noite a invadiram, mas Emma tomou cuidado para não transparecer nada — Eu desliguei o celular e não lembrei de ligar e avisar, mas como estava tarde e ela me ofereceu o quarto, passei a noite lá.

– Você o que? — gritaram David e Mary, ao mesmo tempo. Os olhos de Emma se arregalaram de surpresa.

– Passei a noite lá, qual o problema?

– O problema? Emma! Você está basicamente dormindo com o inimigo! — disse David, sem saber o que de fato acontecera.

– Regina não é um inimigo! Qual o problema de vocês? — antes de se dar conta, Emma explodiu. — Ela é uma pessoa normal, como todos nós.

– Emma, aquela mulher é louca! Louca! — disse Mary, em um tom aflito. — Você não tem ideia do que ela é capaz de fazer com você, Emma. - Sim, eu tenho. Pensou a xerife. — Dormir na casa dela, totalmente desprotegida... é insanidade!

– Se eu posso confiar Henry à ela, se vocês confiam Henry à ela, qual a diferença comigo? — A cada segundo aquela conversa irritava Emma ainda mais.

– Ela não machucaria Henry, mas você é diferente. — disse David, tentando manter um tom calmo, mas falhando.

– Ela não me machucaria! — replicou Emma.

– Como você pode ter tanta certeza? — disse Mary.

– Se ela o fizesse, Henry jamais a perdoaria. Jamais! E tudo o que ela mais quer é o amor do filho, ela faria tudo por ele. E se isso inclui ter que conviver com você, eu sei que ela o faria. Ela engoliria tudo o que aconteceu entre vocês se ele pedir. Ela é capaz disso, por que vocês não são? — Emma lembrou-se de Regina deitada em seus braços, esforçando-se para segurar o choro, para resistir ao sofrimento. — Regina não é uma inimiga! — completou.

– Emma... aquela mulher tentou nos matar, mais de uma vez. — disse Mary.

– O que você fez a Cora, há apenas alguns dias?

O rosto de Mary mudou completamente, sua expressão ficou dura, impossível de se ler.

– Emma, é diferente... — interveio David, mas foi interrompido.

– Não, não é! Mary matou a mãe de Regina há poucos dias, e o que Regina fez? Nada! Se ela quisesse poderia ter queimado a todos, mas não fez nada! Ela amou a mãe tanto quanto vocês amaram as suas. E acima de tudo é um humano, como todos nós. Que tem sentimentos, que tem coração! Vocês não veem que ela está sofrendo? Que tem o direito de sofrer, como todos nós?

– Ela tirou tudo o que tínhamos Emma. Se não fosse por ela, você teria crescido com uma família. No lugar onde você pertence.

Emma respirou fundo. — Chega. Chega dessa briga. Vocês não veem que não é assim que isso vai se resolver? Acusar uns aos outros não é a solução. Se vocês querem acabar com isso, podem começar não acusando Regina de algo que ela ainda nem fez. — falhou quando tentou manter seu tom calmo, e até o sim da frase já falava alto novamente.

– Emma...

– Quando vocês virem que ela mudou, que ela não é um monstro, falem comigo. — disse Emma enquanto começava a andar — Ah, e por favor, pensem em Henry, como vocês acham que ele vai ficar ao ver sua família guerrilhando? — completou enquanto entrava em sua sala, batendo a porta com força, causando um forte estalo.

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Emma não conseguia, por mais que tentasse, parar de pensar em Regina. Havia deixado um bilhete para David dizendo que pegaria o turno da noite, não trocou nenhuma palavra com algum de seus pais. Quis ficar na delegacia para ficar sozinha, e também para não precisar conversar com eles. Regina estava certa, ela sempre fugia de coisas importantes. Emma sorriu diante deste pensamento, novamente Regina apareceu em sua mente, já havia acontecido muito nas últimas horas.

Estava sentada a muito tempo, provavelmente horas, encarando sua mesa vazia. A papelada a ser preenchida havia acabado, nada havia acontecido. Se enchendo disso Emma olhou no relógio, eram 23:00. Levantou-se e saiu da delegacia rapidamente, não pensou duas vezes antes de entrar no carro e dirigir até a casa de Regina, precisava vê-la.

Parou o carro em frente a casa da prefeita e foi andando até chegar na porta, tocou a campainha e viu as luzes da sala se acenderem.

– Emma? Aconteceu algo? Por que você está aqui a essa hora? — a voz preocupada da rainha abriu a porta, sua expressão era um misto de terror e curiosidade.

– Eu só precisava te ver. — disse Emma enquanto cobria a distância até os lábios de Regina. A segurou pelo rosto e beijou-a intensamente, Regina recuou para dentro de casa e Emma fechou a porta atrás de si, sem nunca quebrar o beijo quente e dominador.

Notas finais
Então, chegaram perguntas sobre o que aconteceu com a Regina no primeiro capítulo, e isso realmente nos deixou felizes, pois mostra que estão prestando atenção na história toda.
A questão é que já planejávamos explicar isso até o capítulo 10, no máximo, e apenas demos uma adiantada. O motivo do "acidente" com a Regina foi, nada mais nada menos, psicológico. Até porque ninguém tem essas dores do nada. Foi muita coisa para pouca mente e ela não aguentou, entrando em colapso, como falamos no meio do capítulo, a dor mental passou à física e ela não aguentou.
Qualquer outra dúvida ou crítica mandem nos comentários que nós tentaremos abordar tudo, obrigada!