Notas iniciais
Oi pessoaaaaaal! Tudo bom? Primeiramente: desculpa pela demora! Andamos muito sem tempo, e também com alguns problemas pessoais. Mas as férias chegaram, e agora será diferente. Prometo que tentaremos atualizações mais rápidas à partir de agora. Obrigada por todos os reviews, espero que gostem do capítulo. PS: POV da Regina. ;)

Eu abri meus olhos, mas nada mudou, a escuridão continuou ao meu redor, me abraçando como uma antiga amiga. Minha respiração pesava, e uma névoa caía sobre meus pensamentos, um cheiro horrível entrava pelas minhas narinas, conhecido, mas eu não sabia dizer o que era. Minhas mãos e pés estavam estranhamente dormentes, assim como o braço que estava sob meu corpo. Algumas tentativas frustradas de me alongar mais tarde, percebi porque não conseguia me mover.

Estava amarrada. E de repente tudo começou a fazer sentido e a névoa se foi.

Meus braços estavam presos atrás das minhas costas, amarrados pelos pulsos, tão apertados que tinha de me esforçar muito para fazer o mínimo movimento com as mãos. Minhas pernas estavam igualmente presas, tanto nos tornozelos quanto nos joelhos, mantendo-as juntas e imóveis.

Eu estava perdida.

Com muito, muito, esforço, consegui me sentar. Meus olhos já se acostumavam ao escuro, pude ver uma clarabóia alguns metros acima de mim, o telhado era muito alto para uma casa ou prédio normal. Havia alguma coisa por cima da abertura, porém uma luz suave escorria para dentro do cômodo, tão fraca e escassa que eu não conseguia enxergar nada que estivesse à dois metros de distância, não importa para qual lado olhasse.

As memórias começavam a voltar. A conversa entre Andrew e Greg que escutei, o quadro caindo e Andrew vindo para cima de mim. Mas ainda assim eu não entendia, o que eles queriam? Eu era a chave para o que?

Mágica. Tinha que ser mágica, não tinha nada mais especial em relação a Storybrooke ou a mim. E falando em mágica... já era hora de eu sair daqui. O cheiro que eu sentia era claro agora, peixe. Eu estava em algum lugar nas docas.

Se a corda que prendia meus pulsos era igual àquela em minhas pernas, uma simples bola de fogo resolveria. Respirando fundo, canalizei minha energia e pensei no fogo, quente e aconchegante, em minhas mãos.

Nada aconteceu.

Isso não estava certo. Era um feitiço simples, eu sempre fiz com a maior facilidade. Será que fiquei tanto tempo sem magia que não sabia mais como usa-la? Não. Não podia ser isso. Tentei novamente, dessa vez me concentrando nas cordas. Movendo os pulsos o máximo que conseguia, sentindo o toque do material áspero contra minha pele, fazendo com que ele sumisse em um segundo.

Mas não sumiu.

– Não, isso não pode estar acontecendo. Não, não, não, não. – Eu estava totalmente sem mágica. Mas como isso era possível? Olhei ao redor novamente, não via nada que pudesse ajudar a me soltar. E então, lenta e subitamente, o desespero me atingiu e começou a me corroer internamente.

O que eles iriam fazer comigo? Eu estava lá, sozinha, ninguém exceto Greg e Andrew sabiam sobre isso. Será que o que eles tanto queriam podia ser resolvido apenas me tirando do caminho? Se eu fosse abandonada nesse lugar, ninguém me acharia. Storybrooke era uma cidade pequena e sem graça, mas grande o suficiente para alguém se perder. E com certeza grande o suficiente para não me encontrarem a tempo.

Ninguém vai sentir minha falta. Eu não tenho ninguém.

Henry estava com Emma. Ela evitaria me ligar nesse tempo, e também não faria grande caso se eu não atendesse as poucas ligações. Levarão um, talvez dois dias até que percebessem que eu sumi. E então, ninguém desconfiará de Andrew. Apenas Emma, mas não darão atenção a ela. Branca e o Príncipe provavelmente dirão que eu me meti em alguma confusão de novo.

– Ajuda! Socorro! – sem saber o que fazer, comecei a gritar na esperança de alguém me ouvir. O pior que poderia acontecer era Andrew ou Greg quem me escutasse, ainda era melhor do que ficar abandonada ali. – Alguém me ajude!

Um barulho alto veio de algum lugar à minha frente, e eu me calei, ofegante e com medo. Uma coisa eu tinha que admitir, estava completamente assustada, coisa que não acontecia com frequência. De repente, uma porta de metal se abriu a alguns metros. A luz entrou extremamente forte contra meus olhos, cegando-me instantaneamente. Consegui ouvir passos, e uma silhueta alta e forte vinha em minha direção. Aos poucos meus olhos resistiram e ela foi tomando forma, era Andrew.

Ele andou até que parou bem na minha frente, a menos de um metro de distância de mim. Eu conseguia imaginar a visão que ele tinha de mim, um trapo. Eu estava ofegante e suor escorria pelas minhas têmporas, do meu pescoço para meu peito, devido ao calor e ao ar abafado do galpão.

– Olá, Regina. Você finalmente acordou. – ele se abaixou do meu lado, estendeu a mão para meu rosto e pôs uma mecha de meu cabelo atrás da orelha.

– Não me toque. – eu disse, dando um jeito de me afastar de sua mão. Algo nele me aterrorizava, a maneira como parecia calmo diante da situação, como se o que acontecia fosse algo completamente natural. Eu percebi que tinha medo dele, que fazia anos que não temia alguém desse jeito, mas ele não podia saber disso, de maneira alguma. – O que é isso, Andrew?

– Eu acho que você sabe exatamente o que está acontecendo. Por que você apenas não facilita tudo para todos?

– Facilitar o que? Eu não fiz nada, não tenho ideia do que você está faland...

– Cale a boca! – ele gritou, com uma raiva saída do nada, avançando e chegando mais próximo de mim, e eu simplesmente não tinha como fugir. – Você quer mesmo que eu acredite que você é inocente?

Forcei a voz mais controlada e ameaçadora que pude, mas sabia que não chegaria nem perto ao meu antigo tom de Rainha Má, que fazia as pessoas me temerem acima de tudo.

– Eu não sei do que você está falando. – murmurei, desejando aos céus que eu soasse mais convincente aos ouvidos de Andrew do que aos meus. Ele respirou fundo. E então fez isso de novo, e de novo. Ele parecia estar pensando, refletindo no que faria a seguir.

Do nada, ele se mexeu rápido, agarrou-me pelos ombros, com os dedos firmes cravando-se bruscamente nos meus braços, dolorosa e rudemente. Antes que eu pudesse fazer alguma coisa, qualquer coisa, ele me ergueu e pôs-me sobre seu ombro, carregando-me como algum objeto qualquer, indo em direção à porta.

Eu não sabia o que ia acontecer comigo agora, mas tinha certeza que não era nada bom. Digo, ele não iria apenas me soltar na porta da frente, iria? Com um desespero repentino, comecei a me contorcer, tentando acertá-lo o máximo possível com meus movimentos limitados devido as cordas.

E então eu consegui. Eu não sei aonde eu acertei, ou se cheguei mesmo a acertá-lo, mas ele me deixou cair. Eu cai, cai para fora daquilo que me prendia. De repente seus braços não me apertavam mais, e meu peito não doía por estar apoiado no seu ombro, e o ar chegou um pouco mais fácil até meus pulmões.

Mas durou menos que um segundo, porque eu estava caindo. E tudo o que cai eventualmente chega ao chão, eu não era exceção. Bati contra o piso frio, sentindo uma pontada de dor na coxa e quadril, que ficaram por baixo do meu corpo. Eu continuei me contorcendo, mesmo no chão, com as mãos atadas às minhas costas e os joelhos colados, com as cordas tão apertadas que eu sentia só uma dormência no lugar em que costumava ter pés.

No que você estava pensando? Você está amarrada, não vai a lugar algum. A realidade chegou até mim como um choque. Eu estava perdida. Eu não tinha como fugir, não tinha como me defender. Andrew olhou para mim com escárnio, e eu encarei seus olhos sombrios sem hesitar, mesmo enquanto meu interior desejava derreter e sumir do mundo neste instante.

Ele me ajuntou do chão, e me pôs de novo sobre o ombro, desprovido de toda a delicadeza que costumava mostrar para mim há algumas horas. Minha perna latejava no local do impacto com o chão e eu podia sentir algumas lágrimas de dor – e medo, e tristeza, e lamento – escorrerem por minha face. Eu poderia lutar contra elas, poderia tentar fazê-las parar, mas seria em vão, eu sabia que não conseguiria. Então eu apenas parei, parei de me mexer, parei de lutar, e deixei que elas corressem enquanto pensava em tudo o que acontecia.

Parabéns- pensei — agora além de sequestrada, amarrada, ameaçada e aterrorizada, eu também estou machucada. Eu não tinha como vencer. Eu estava nas mãos deles, que iriam fazer sabe-se lá o que comigo.

Ele saiu da sala em que eu estava presa para uma outra muito, muito, mais iluminada. Porém, ainda assim eu não conseguia ver quase nada da posição em que eu estava. Era uma sala ampla, com paredes brancas e alguns móveis espalhados por aí.

De repente Andrew parou e me colocou – me jogou – sobre uma cadeira de ferro. Eu olhei ao redor, haviam dois sofás lá, uma mesa alguns metros à frente, mas eu não conseguia identificar o que tinha em cima dela, pude ver um aparelho de rádio num canto e outras coisas insignificantes jogadas por aí. A única coisa que importava não era o que tinha na sala, e sim quem estava lá.

Greg estava sentado em um dos sofás, nos observou entrar e continuou sentado enquanto Andrew se abaixava à minha frente, tendo minha atenção novamente voltada para ele. Impressionantemente gentil, ele estendeu a mão até meu rosto e acariciou minhas bochechas levemente, limpando todas as lágrimas, mas sem conseguir impedir que novas caíssem.

Ele não estaria fazendo isso se não gostasse de mim, nem que seja um pouco. Eu tenho que usar isso ao meu favor. Eu tenho que ser inocente. Eu tenho que convencê-lo a parar. Eu finalmente percebi qual era minha única chance. Não era ser a Rainha Má, não era ameaça-los ou coagi-los até que me soltassem, porque isso não aconteceria. Eu tinha que usar Andrew, tinha que me entregar ao medo, à dor, às lágrimas, tinha que mostrar a ele que eu sou só aquela mulher em que ele esbarrou na rua, mesmo não sendo essa a verdade.

O choro já começava a embaçar minha visão, e eu respirei fundo, tremendo de medo e de frio enquanto aquele líquido continuava a correr de meus olhos. Andrew continuava a minha frente, e eu encarava seus olhos tão negros quanto sua pele firmemente, tentando parecer o mais apavorada possível.

– Andrew... – eu sussurrei, e ele suspirou e começou a se levantar – Não, Andrew, por favor... o que está acontecendo? Por que você está fazendo isso comigo?

– Você sabe porquê – foi Greg quem respondeu, enquanto Andrew dava alguns passos para trás. — Do mesmo jeito que você sabe como, e também sabe que vai nos ajudar.

– Ajudar com o que? Eu não fiz nada...

– Por favor, Regina, pare! – Andrew gritou, e eu soube que não havia o que fingir. Eles sabiam com o que estavam lidando. – Você sabe muito bem o que queremos. Então pare de fingir, pare de se machucar, e nos dê.

– Mágica. – sussurrei, tão baixo que não teria me surpreenderia se eles não tivessem escutado, mas escutaram e assentiram com a cabeça, esperando pela minha continuação. – Vocês não sabem o que estão fazendo, não conseguiriam lidar com isso. Toda magia vem com um preço, às vezes tão alto que nem todos são capazes de pagar.

– Nós sabemos exatamente com o que estamos lidando, e também sabemos com quem. Você, vai nos ajudar. Digo, vai nos ajudar se quiser ver seu filho e aquela namoradinha vivos, caso contrário, pode ir embora.

Uma pontada de horror atingiu meu coração e fez minha respiração ficar mais pesada. Eu sabia o que estavam fazendo, se não fizessem nada comigo, fariam com Emma e Henry. E eu não podia deixar isso acontecer, tinha que protege-los, salva-los.

– Fiquem longe deles. São ambos inocentes. E... e eles não conseguiriam fazer o que querem, mesmo que tentassem, serão inúteis.

– Oh, sabemos que eles não conseguiriam. Mas inútil não é uma palavra boa para descrevê-los. Na verdade, eles são muito úteis. Úteis para fazer você colaborar. São um lembrete, um lembrete de que é melhor você nem sequer pensar em não nos obedecer. Você vai nos ensinar mágica, querendo ou não. Entendeu?

Eu devia responder. Eu sabia que sim. Eu devia falar o que eles queriam ouvir, tinha que agrada-los, ou então tudo estaria perdido. Mas em tudo o que eu conseguia pensar era em Emma e em Henry. Pensava nos primeiro passos do meu filho, na primeira vez que vi Emma, no primeiro jantar com todos nós juntos, mesmo com Henry não sabendo o que estava acontecendo.

Eu olhei para Greg e Andrew, eles estavam bem convencidos de que eu faria tudo o que dissessem. E estavam absolutamente certos. Eu não podia deixar que machucassem minha família, eles eram tudo o que eu tinha. Era provável que eles destruíssem tudo, depois de conseguir a magia, mas pelo menos teria mais tempo, tempo para planejar algo e falar para Henry que o amo, só mais uma vez.

– Eu perguntei, se você entendeu? – disse Greg novamente, com a voz rouca e áspera, quebrando-me conforme falava. Respirei fundo, e finalmente me entreguei.

– Eu entendo.

Anos atrás, que agora pareciam uma eternidade, eu havia prometido que nunca me dobraria, que nunca deixaria que me derrubassem. Que nunca seria vencida.

Nunca fui boa em manter promessas.

– Ótimo. Nesse caso – falava Andrew, enquanto se aproximava de mim novamente– sabemos exatamente por onde você vai começar.

Notas finais
E aí, gostaram? O que será que eles querem que ela faça? Teorias, please. Caso alguém não tenha entendido (ou nós não tenhamos deixado claro o suficiente): Andrew é amigo de Greg e Tamara, e eles todos trabalham em conjunto. Diferente do que aconteceu na série - lembrando que não seguimos o ritmo atual dela - não existe um "home office", eles não fazem parte de um grupo maior, são apenas os três. E em vez de destruir a magia, eles querem roubar ela para si. Acho que isso é tudo, beijos e até os reviews.