The Woman In The Chair

2 The One With the Ice Cream


Emma tinha ido para a próxima reunião, sábado. Robin não podia estar mais feliz, assim como Henry e Killian que continuava a encarando com aquele olhar predatório, como se quisesse entrar em sua calça. A segunda reunião com certeza foi mais leve, eles se apresentaram como sempre faziam e Robin começou a contar a história de um conhecido que tinha se livrado do câncer depois de muita luta e agora estava namorando uma garota bonita e realmente vivendo. Emma não sabia se Robin falava aquilo para mostrar a eles uma inspiração ou para mostrar para eles que eles não tinham a mesma sorte.. ela ainda estava decidindo sobre aquilo.

No final da reunião, a mãe de Henry, Regina, foi buscar lá dentro da sala, e Emma começou a pensar que foi só pelo fato da carona que ela tinha dado pro menino na última sessão. O que ela achava que Emma era? Uma pervertida?

“Regina!” Robin deu um sorriso enorme e Emma o observou, percebendo que ali rolava algo mais do que só ‘médico do filho’.

“Robin, olá.. é um prazer te ver” Ela disse, sempre falando daquela forma política, educada.

Henry se aproximou­ de Emma enquanto a mãe dele falava com Robin e sussurrou, fazendo­ a perder a concentração na conversa do casal “Ele gosta dela, e acha que eu não sei..” Disse­, dando uma risadinha.

“E ela gosta dele?” Emma perguntou, não duvidando que sim, porque ela era bonita e ele era bonito e eles dariam vários filhos bonitinhos.

Henry negou com a cabeça “Minha mãe ainda ama meu pai.”

“Bem, ela amar seu pai não impede ela de gostar de ...”

“Do que vocês estão falando?” A voz rouca de Regina perguntou. Se Emma pudesse sair daquela cadeira, ela provavelmente estaria correndo para longe agora, bem longe, porque por algum motivo só a voz da morena latina dava calafrios por todo o corpo dela, a loira olhou para cima, nervosa, e viu Regina em pé, totalmente com pose de mandona, encarando aos dois.

“Nada” Ambos responderam em união, como se tivessem combinado.

“É um prazer revê­-la, Miss Swan.” Disse à loira, caminhando até o filho e bagunçando o cabelo dele com as unhas bem feitas “Henry não parou de falar de você durante toda a semana, chegou a ser irritante.”

“É bom que eu cause boa impressão” Foi o que a loira respondeu, ostentando um sorriso charmoso nos lábios.

Regina a fitou por alguns segundos, antes de virar o rosto e resmungar “Para algumas pessoas, pelo menos.”

“Bem, de qualquer modo.. eu tenho que ir, prazer Regina, até semana que vem, menino ciborgue.” Emma levantou a mão para fazer hive-­five com o garoto, mas ele franziu o cenho, em confusão.

“Nós íamos tomar sorvete hoje, lembra Emma?”

“Ah..” Ela lembrava-­se dele ter essa idéia, mas não de ter marcado­, ela meio que tinha esquecido em algum momento, enquanto estava apodrecendo em sua cama assistindo a maratona de Game Of Thrones na HBO. “Eu esqueci completamente..”

“Tudo bem” Regina disse rápido demais, parecendo aliviada. Por que ela parecia não gostar da loira? Emma franziu o cenho em confusão “Vamos Henry, vocês deixam o sorvete para outro dia..”

“Mas eu quero ir hoje” Henry cruzou os braços, mal humorado “Vamos Emma, vai ser legal.”

“Garoto, eu estou totalmente sem grana aqui..” Emma explicou.

“Mamãe paga pra você” Henry disse rapidamente “Vamos!”

“Eu pago??!” Regina perguntou chocada.

Emma suspirou, sabendo que Henry não desistiria até que ela aceitasse a oferta dele, e realmente ela queria tomar sorvete, a quanto tempo ela não se dava ao luxo de ter um? A última vez foi a uns sete meses atrás, quando ela estava no começo da depressão e Ruby levou para ela uma grande caixa de sorvete de flocos “Tudo bem, eu vou mandar uma mensagem para o meu pai e nós podemos ir, Regina, depois eu te pago o que eu devo, prometo.”

Regina não disse nada, mas acompanhou até a sorveteria do lado de fora do hospital. Tinha uma lanchonete dentro do hospital mas sinceramente Emma estava ficando enjoada daquele cheiro.

Chegando lá, Henry tirou uma cadeira do lugar para que ela pudesse pegar o espaço com a sua cadeira e se sentou ao lado da sua mãe, com um enorme sorriso manchando o seu rosto. “Eu vou montar os sorvetes” Ele ofereceu, super animado “ O que vocês vão querer?”

“Uh.. uma bola de flocos, outra de chocolate .. menta .. e encha daquelas balinhas para mim!” Emma pediu, Regina franziu o cenho a encarando e Emma encarou­ de volta até que a morena desviou o olhar, parecendo aborrecida “ O que?”

“Você come como uma criança, Miss Swan.” Respondeu­-lhe com desdém “Eu vou querer uma água com gás, apenas, você pode escolher o que quiser, mas lembre-­se do que seu nutricionista disse .. não exagere muito.”

Henry assentiu com a cabeça e correu para montar os três sorvetes deixando Emma e Regina sozinhas, em uma situação constrangedora porque Emma não sabia o que dizer, o que ela queria dizer para a mulher era que ela era chata e mandona e Emma não a conhecia direito nem por meia hora se fosse juntar o tanto de tempo que elas tinham passado juntas desde sábado passado, mas ela também queria dizer que ela era muito bonita e atraente e sexy e talvez não fosse uma boa idéia, a mulher já parecia não gostar dela. Ela realmente não conseguia entender como uma mulher vinha a uma sorveteria e pedia somente água com gás.. qual o sentido de vir, afinal de contas?

“Henry gosta muito de você..” Regina murmurou, colocando a mão sobre a de Emma para fazê-­la parar de brincar com um guardanapo que ela nem percebia que tinha na mão, perdida em seus pensamentos.

“Huh?” Ela perguntou, confusa, voltando a realidade.

“Eu disse que Henry, meu filho, gosta muito de você.” Ela repetiu, mais dura dessa vez.

“Oh, é, eu percebi.. ótimo garoto, você o criou muito bem.” Emma respondeu­.

“Ele não faz amigos muito facilmente então imagine minha surpresa ao ouvi­r ele falar de você durante toda a semana..” Ela comentou, um tom de ciúme ali, então Emma percebeu que aquele era um caso de uma mãe coruja achando que estava sendo substituída, ela riu “O que foi?” Perguntou, rude.

“Nada, eu também gosto de Henry.. pra você saber.”

“Ok.”

Henry voltou com a conta e os sorvetes em uma bandeja, entregando a todos os seus pedidos, Emma realmente estava comendo aquele sorvete com gosto, tinha se esquecido de como aquela maravilha gelada era deliciosa. Henry então trouxe uma conversa para mesa “Emma, mamãe vai me por em uma equipe de basquete para deficientes próxima semana, você devia ir me ver jogar..”

“Parece divertido” Emma concordou.

“Legal, me passa seu número.. mamãe vai anotar no celular dela.”

Regina não parecia disposta a isso, mas ela parecia fazer tudo o que Henry pedia e assim ela fez, anotando o número que Emma passou para ela, logo em seguida voltando a beber sua água de gás como se ela realmente estivesse boa.

“Mamãe, Emma era polícia antes do acidente.”

“Polícia?” Regina pareceu surpresa “E você tem essa cadeira de rodas?” Olhou com desdém para o equipamento “Achei que o governo pagasse uma cadeira motorizada e tudo mais..”

“Eles pagam” A loira disse, deixando bem claro “Eu quis uma normal porque já que eu não posso mexer minhas pernas ao menos eu tenho que mexer meus braços, certo?” Ela percebeu que Regina analisou os bíceps dela por alguns segundos, antes de voltar sua atenção para algo no seu celular.

Emma resolveu ignorar Regina da mesma maneira que a mulher parecia ignorá­-la, então falou para Henry “Então, como vai a escola?”

“Eu estudo em casa” Henry respondeu, auto explicando o fato de Regina dizer que ele não fazia amigos fácil “Minha mãe disse que era mais seguro, e eu aprendo melhor.”

“Minha mãe é professora” Emma contou a ele “Ela dá aula em uma escola muito boa, você deveria tentar..”

Ele parou para pensar por um tempo, Regina fuzilou Emma com o olhar e abriu a boca para dizer algo, felizmente ou infelizmente o que ela ia dizer não foi dito porque Emma foi pega de surpresa ao mãos em seu pescoço e um sorriso gentil nos lábios de sua melhor amiga, Ruby, que tinha aparecido ali do nada “Emma, o que você faz aqui?” Ruby então olhou para Regina e Henry na mesa, oferecendo­ um sorriso gentil “Olá gente, prazer.”

“Ruby, que bom que você tá aqui” Emma sorriu “Trouxe dinheiro?”

“Trouxe, eu ia comprar sorvete pra nossa maratona de America Next Top Model, mas você se apressou hmm..” Ruby deu um enorme sorriso malicioso e Emma sabia que ela estava se referindo ao fato de Emma estar tomando sorvete com uma dama muito atraente e seu filho.

“Você pode me emprestar pra eu pagar o sorvete? A mãe de Henry ia pagar para mim e depois eu ia devolver .. mas já que você está aqui” Ela pediu.

“Claro, quanto foi?” Henry entregou para ela a conta e Ruby retirou o dinheiro de sua carteira, colocando­ na mesa, bagunçando o cabelo do menino “Emma, ele é adorável!”

“Eu sei” Henry corou “E você é muito bonita, tipo.. muito bonita!”

Ruby gargalhou, achando muita graça e Emma riu, olhando com o canto dos olhos para Regina Mills que dava um riso forçado, muito forçado, vendo a interação de Ruby com Henry “Você tem um filho lindo, senhora.” Ruby disse a ela.

Regina forçou um sorriso “Sim, ele é.”

Em, eu tô de carro, você quer ficar comigo lá em casa? Eu ligo para sua mãe e explico tudo.” Ruby ofereceu­.

“Pode ser, eu já estou terminando de qualquer jeito, muito obrigada pelo convite Henry.. me mande a mensagem de onde vai ser a sua aula e eu juro que vou.” Prometeu.

Henry e Emma deram um hive-­five, e em seguida Emma forçou um sorriso constrangido para se despedir de Regina “Te vejo por ai, Regina.”

“Adeus, Miss Swan” Respondeu, rápida e ríspida.

Ruby puxou a cadeira de rodas de Emma até o carro e ajudou­ ela a se sentar­ no banco do passageiro, deixando-­a confortável e segura, assim que ela entrou no carro, ela olhou para a amiga com os olhos brilhantes e curiosos “Quem é aquela mulher? Uau! Ela é areia demais.. até pra você.”

“Ela é hetero, Ruby, e ela é a mãe de Henry que não vai muito com a minha cara. Ela só estava lá porque ele me convidou para tomar um sorvete” Respondeu­, rapidamente.

“Ela é casada? Porque eu espero que o marido dela seja o Brad Pitt de Nova York. Jesus, aquela mulher é linda”

Emma riu, concordando com ela “Não, ela é viúva, Henry me disse que o marido morreu num acidente de carro.”

“Uma pena.” Emma concordou novamente, e então Ruby completou “Mas me diga, esses encontros estão dando certo em? segundo dia e você já saiu da toca! O que aconteceu com a Emma trevosa que eu conheço?”

“Essa Emma ‘trevosa’ está tomando os remédios para depressão.. minha mãe não sai mais do meu pé. ” Revirou os olhos “Eu odeio o Dr. Whale”

“Ele está fazendo isso para o seu bem” Ruby disse “Continue assim e logo logo você vai estar andando por ai, dirigindo, voltando a trabalhar.. de outra coisa ,por favor.” Brincou.

Emma revirou seus olhos “Foi legal hoje.. o encontro e o sorvete. Henry é um bom garoto.. e eu conheci esse cara, Harry.. ele é incrível, e ele sempre esquece as coisas em sessenta segundos, ele tem post­its em todos os lugares, onde ele lê e se lembra.. ele não mora mais com os pais, ele mora numa casa de repouso para pessoas com deficiência, você acha que é uma boa eu morar lá também?”

“Você quer sair da casa dos seus pais? Mary Margaret e David vão ficar destruídos.” Ruby disse “Eles gostam de cuidar de você, Emma.”

“Eu sei, mas eu me sinto.. sei lá. Eu me sinto triste.” Respondeu “Eu não quero ser um fardo.”

“Vem morar comigo de novo, Em” Aconselhou “Seu quarto continua lá.”

Emma bufou “Acabei de falar que não quero ser um fardo para as pessoas que eu amo” Respondeu­-lhe “Não vou voltar para lá”

“E nem vai para essa casa de repouso” Ruby disse­ “Já parou para pensar que talvez as pessoas que amam você querem cuidar de ti? Para de ser turrona, ano passado foi um pesadelo, eu sei, mas eu tô sentindo que esse ano vai ser diferente, confia em mim.” Piscou­, realmente passando positividade para Emma.

....

Era segunda­-feira e Emma estava assistindo F.R.I.E.N.D.S, F.R.I.E.N.D.S era uma série especial para ela, foi aquela série que meio que ajudou ela a sair da depressão a meses atrás e começar a tomar os remédios direito, antes ela não tinha tempo para assistir nada, mas quando ela começou a assistir aquela série ela se apaixonou pelo mundo das séries e ela podia dizer que não existia série melhor que aquela. Talvez fosse pelo fato de ela ter uma grande paixão por Jennifer Aniston nos anos 90, ou melhor, pela personagem dela, Rachel Green, Rachel era incrível.

Todos eram, Mônica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross. Ross era o menos preferido dela, ela sempre quis que Joey ficasse com Rachel, mas até o Doutor Geller conseguia roubar risadas dela.

Sentindo­-se feliz em sua cama, no seu quarto, com as janelas fechadas e a TV ligada, ela começou a ponderar o que faria caso voltasse a andar. Ela não queria elevar suas esperanças, não do jeito que Dr. Whale gostaria que ela fizesse.. mas ela tinha que começar a pensar em outros empregos. Claro, ela adorava ser policial, adorava o perigo e tudo mais .. mas mesmo recuperando a mobilidade ela nunca estaria 100% para esse trabalho novamente, talvez ela devesse começar a considerar opções. Não devia ter muitos empregos para quem iria precisar de muletas para o resto da vida.O celular de Emma começou a tocar uma música do Ed Sheeran, ‘One’, informando que era hora de seu remédio. Ela olhou para a cadeira ao lado da cama e segurou na barra que sua mãe tinha pedido para por no seu quarto, segurando­-se na barra e arrastando­-se até a cadeira, sentando­ com desconforto. A loira empurrou a cadeira pela casa e foi até a cozinha, pegar seu remédio. Seu pai estava dormindo no sofá da sala enquanto sua mãe estava trabalhando e ela resolveu não acordá­-lo, ela podia fazer isso sozinha, Emma sabia que podia.

Isso, Swan. Disse mentalmente Você é uma campeã, você pode pegar seu remédio.

Ela fez força em seus cotovelos e segurou­ na bancada de mármore com tudo o que tinha, localizando o remédio perto da pia. Merda!

Emma esticou seu braço e tentou pegar, sentindo uma terrível dor na cintura que provavelmente ficaria marcada quando ela conseguisse descer dali, assim que ela conseguiu pegar a caixinha com suas pílulas, ela caiu no chão, a caixinha se abrindo e as pílulas caindo em cima dela, o barulho foi tão grande que ela ouviu David gritar seu nome, preocupado “Filha?” Ele correu até a cozinha, lá estava ela no chão, com os olhos fechados, todas as esperanças sumindo pouco a pouco de dentro de si.

Inútil, nem o seu remédio você pode pegar. Sua voz interior debochou dela, com escárnio Você é inútil, Swan.. você é um brinquedo quebrado.

“Emma, você devia ter me chamado” Seu pai suspirou, a colocando­ de volta na sua cadeira “Você está bem? Eu vou pegar seu remédio e um copo de água.”

“Eu não quero mais tomar isso” Emma fungou, não querendo chorar “Eu .. eu sou inútil, nem a porra das minhas pílulas eu posso pegar sozinha!”

“Emma.. “ David suspirou baixo “Querida, nós vamos dar um jeito, ok? Eu e sua mãe estávamos conversando sobre por um carpete na sala, assim você pode colocar seus moletons e ficar tentando andar por lá, sem a cadeira, treinando os músculos das coxas, que tal?” Ele achou que isso ia a animar, mas só a deixou mais zangada.

“Você quer que eu me arraste pela casa?”

“Eu.. Dr. Whale disse que poderia ajudar.”

“Eu tô tão exausta, pai.” Uma lágrima caiu de seu rosto “Tão exausta”

David deu um beijo na testa de Emma, ela podia ver que as próprias mãos do pai estavam frias e tremendo, que ele estava prestes a chorar, também “Meu amor, eu lembro quando te peguei nos braços pela primeira vez.. você era tão pequena e .. eu tinha medo que eu fosse esmagar você.. você era tão frágil e linda.” Ele suspirou “Quando eu vi o seu rostinho pela primeira vez e seus olhos claros eu tive só uma certeza na minha vida, que eu iria cuidar de você para sempre, que eu ia te proteger para sempre.. e eu preciso que você me deixe fazer isso.. eu me sinto tão inútil sabendo que eu não posso tirar a sua dor.” O loiro agora estava chorando “Tão inútil.. eu queria poder trocar de lugar com você, eu trocaria, eu juro .. mas eu não posso, então deixe-me tornar essa dor um pouco melhor? Deixe­-me cuidar de você, não desista, Emma. Não desista!”

Emma abraçou o pai com força, chorando em seu ombro. Eles provavelmente ficaram ali uns dez minutos, chorando, e em seguida ela tomou seu remédio, que realmente a dava leseira, e foi dormir. Quando acordou, tinha uma mensagem em seu celular de um número desconhecido

‘Emma, sou eu, Henry! Esse é o celular da minha mãe. Ela acha que sou muito novo para ter um.. você ainda vai vir para meu treino?’

Emma adicionou o número em seu whatsapp e analisou a foto de perfil da morena, ela estava abraçando Henry, os dois tinham sorrisos idênticos e Emma nunca tinha visto a mulher séria sorrir daquele jeito, na verdade Emma nunca tinha visto muita coisa, ela só tinha ficado uma hora e olhe lá ao lado da mulher, mas com certeza Regina tinha um sorriso bonito, ela deveria sorrir mais.

‘Ei garoto, foto legal de perfil’ Ela enviou um emoticon de óculos escuro ‘Eu vou sim, mande-me o lugar e eu vou pedir pro meu pai ou Ruby me levarem.’

Henry mandou o nome do lugar e o endereço, junto com o horário, em seguida perguntou ‘Mamãe disse que Ruby é sua namorada, você é gay?’

Emma engoliu em seco, ele não tinha perguntado aquilo por maldade, ela achava que ele nem sabia o que era maldade, mas do mesmo jeito ela corou. Por que Regina disse para Henry que Ruby era a namorada dela?

‘Sim, eu sou.’ Foi a resposta ‘Mas Ruby não é minha namorada’ Em seguida vários emoticons de risos com lágrimas, o emoticon preferido dela, com certeza.

‘Legal, mamãe está pedindo o celular dela, não esqueça do meu jogo.’

A loira guardou seu celular em seu bolso. Será que Regina era homofobica e isso a faria gostar menos de Emma? Ela não tinha idéia,e também..ela não se importava. Regina era bonita e tudo mais, mas não é como se Emma estivesse apaixonada por ela, Emma só realmente gostava do filho dela, ele era um bom amigo, ele a fazia se sentir melhor.

O resto do seu dia foi extremamente chato, na hora do jantar Ruby juntou­se a eles, David colocou a mesa e Mary Margaret serviu os pratos, todos cheirando maravilhosamente. Ela sentiu seu estomago roncar, provavelmente porque ela não tinha colocado nada sólido na boca desde aquela pílula. “Emma caiu hoje..” David comentou com Snow, e Emma praticamente cuspiu o escondidinho de carne seca que estava na sua boca “Ela foi tentar pegar o remédio e caiu.. eu tomei um susto.”

“Emma, você está bem?” Mary Margaret olhou para a filha, preocupada.

O maxilar de Emma estava tenso, ela não queria relembrar daquilo e não queria que seu pai contasse para a sua mãe, infelizmente a opinião dela não valia muita coisa. “Estou legal”.

“Você deveria ter pedido pro seu pai.” Mary disse, parecendo chateada.

“Mãe, ta tudo bem. Ele estava dormindo e eu não quis acordar, está tudo bem” Emma lançou um olhar feio para seu pai.

“É, tenho certeza que não foi nada, Emma é forte.” Ruby comentou, enchendo a boca de comida e tentando aliviar a barra para cima da loira.

Mary Margaret ficou calada por alguns segundos enquanto mastigava sua comida, ela parecia estar pensando em algo, até que disse “A culpa foi minha, eu deveria ter deixado os remédios mais embaixo pra você. David, amanhã nós vamos comprar aquelas prateleiras e colocá­ las mais baixo pra Emma poder pegar os remédios dela.. fico feliz que você está tomando­ direitinho, Emma.” Sua mãe olhou para ela com um enorme sorriso encorajador, fazendo­-a confirmar com a cabeça antes que a história pudesse se prolongar.

....

Quando ela viu Henry Daniel Mills novamente ele estava com uma nova prótese, bem mais maneira, short que ia um pouco abaixo do joelho e uma blusa de basquete original. Sua mãe não tinha ido com ele, estava trabalhando, mas sua tia, uma mulher ruiva de olhos verdes e belo corpo que também parecia uma super modelo ( talvez a beleza fosse de família) tinha resolvido acompanhar ele. “Você deve ser Emma Swan, eu sou Zelena Mills, minha irmã disse que você viria..” Estendeu a mão, usando um tom tão político e educado quanto aquele que Regina usava.

“Legal conhecer você” Respondeu­ “Três semanas e eu já conheço mais familiares do Henry do que meus próprios” Brincou.

Zelena revirou seus olhos e retirou uma revista de sua bolsa da Chanel, aquela bolsa custava mais do que Emma inteira, o que a fez pensar que aquela mulher era muito rica. Sua atenção então voltou­-se para Henry, que estava na quadra jogando com outros meninos, a maioria como ele e alguns em cadeira de rodas também, crianças que já estavam presas naquela cadeira desde cedo.

“Emma, você quer jogar?” Henry perguntou, com a bola de basquete na mão “Falta um no nosso time”

“É, vem jogar” Outro garoto pediu, animado.

Emma deu de ombros e arrastou sua cadeira de rodas para dentro da quadra, aceitando jogar com eles. Fazia muito tempo que ela não praticava um esporte como aquele, e foi divertido, exceto nas partes que a cadeira dela quase colidiu com a dos outros garotos, eles eram realmente divertidos e de repente ela tinha se tornado amiga de mais uns cinco garotos, era como se ela fosse o papai Noel na cadeira de rodas.

Emma marcou três cestas, Henry quatro e Kevin dois, o time deles ganhou de lavada, e a cada cesta um hive­five. Henry até conseguiu dar uma enterrada com a ajuda de Emma, que segurou­-o pela cintura e deixou­-o pelo menos dois centímetros mais alto para alcançar a cesta.

Quando o jogo terminou, Zelena apareceu com dois picolés e entregou para ambos que estavam suados e cansados “Valeu!” Emma agradeceu “Quer que eu te pague?”

“Não, não.. você fez meu sobrinho rir, ele não se diverte a muito tempo assim” Zelena deu um sorriso gentil para Emma e Emma agradeceu.

Os meninos acabaram indo embora, deixando a quadra vazia para Henry e Emma, foi quando Henry perguntou a sua tia ruiva, ansioso.

“Titia, eu e Emma podemos continuar jogando?”

Zelena arqueou a sobrancelha, olhou de Emma para Henry e deu de ombros “Se você não contar para sua mãe...” Disse para Henry, em seguida virou­-se para a loira “Regina é controladora!” Explicou.

“Oh, eu percebi” A loira respondeu. Zelena deu uma pequena risada e revirou os olhos, voltando a sentar­ na arquibancada enquanto observava os dois jogando.

Emma e Henry ficaram jogando a bola de basquete um para o outro, Henry marcava e Emma pegava­ no ar e jogava para ele de novo.

Emma nunca pensou em ter um filho, ela já tinha quase trinta e agora era meio que impossível ela ter um, realmente ... mas olhando para Henry algo dentro dela se acendia, ela achava a companhia dele ótima, ela sabia que ele era um bom garoto, ele quase lembrava dela quando era menor. Agora, vê-­lo ali, brincando com ela, meio que a dava uma nostalgia de algo que ela nunca poderia ter: uma família.

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Claro, ela tinha Ruby, e seus pais. Só não sentia-­se o mesmo.

Henry então perguntou­, como se adivinhasse o que ela estava pensando “Como você era quando criança?”

“Era uma pessoa bem menor do que agora..” Ela riu, jogando a bola para ele, que pegou­ e jogou na cesta. “Eu era feliz,aberta... curiosa.”

O menino franziu o cenho, confuso “Você não é mais feliz?”

“Não.” Respondeu­ “Digo, meus pais tentam e tudo mais .. Ruby tenta ..e você.” Ela riu para ele, um sorriso sincero “Mas.. sabe, eu tenho essa parte de fora que a maioria acha que é forte por suportar tudo isso e tudo mais mas por dentro eu desmorono a cada dia mais, é meio difícil, eu me sinto presa aqui.. eu me sinto.. miserável.” Tentou explicar.

Henry parou de jogar a bola, sentando­-se no chão da quadra, suado, com o cabelo castanho todo bagunçado e as bochechas vermelhas, era realmente um garoto muito fofo.

“Minha mãe uma vez me disse que se sentia miserável também, e que eu era a única pessoa que a fazia prosseguir” A maneira que ele disse aquilo fez Emma pensar que a mulher fria realmente sentia falta do marido, talvez explicasse porque ela era toda distante. “Depois que meu pai morreu ela entrou em depressão também, ai ela se fechou no trabalho, eu acho que as vezes.. de noite, eu ainda a ouço chorar.”

Emma tinha uma percepção completamente diferente de Regina para o que ela via e para o que ela ouvia de Henry. Para ela, a mulher era maravilhosa e sabia disso, era dura, fria e severa, tinha punhos de ferro, era daquele tipo que entrava na sala e você sabia que era inferior e não tinha como negar, entretanto o jeito que o filho da mulher mais velha descrevia­-a era diferente, Henry fazia Emma pensar que Regina era vulnerável, doce, que realmente, realmente sentia falta do seu marido.

“Eu nunca perdi alguém que eu amasse..” A loira disse ao garoto, pegando a mão da bola dele e fazendo uma cesta “Acho que o que você está falando sobre a sua mãe é o que minha mãe fala sobre mim, ela diz que se me perdesse ficaria louca e.. ouvir isso de você agora me ajudou a perceber que eu realmente devo ser grata a quem me ama, obrigada Henry!”

O menino deu um longo sorriso orgulhoso, mostrando todos os dentes “Mamãe disse que eu sou muito maduro para ter só 10 anos”

“Sua mãe está certa” Emma concordou.

Henry e Emma brincaram durante a tarde toda,eles nem viram a hora passar,Emma já estava exausta, tinha certeza que Whale ficaria com os olhos brilhando quando ela falasse a ele que tinha passado uma tarde fazendo exercícios físicos, ao menos com os braços.

Ela ainda iria para outra partida contra Henry quando Zelena chamou a atenção dos dois.

“Henry, sua mãe acabou de me ligar .. ela está estressada porque você ainda não está em casa” Avisou, em seguida olhando para o relógio de ouro no pulso “Meu Deus, como a hora passa rápido.. já vai dar cinco horas! Regina vai me matar!” Exclamou, mordendo o canto da bochecha em preocupação.

“Pode dizer que a culpa foi minha.. nós ficamos ocupados no jogo e perdemos a hora” Emma disse, não se importando em levar a culpa. Regina já parecia não gostar dela, então não faria diferença.

“Muito nobre, mas não.. eu sei lidar com Regina.” Zelena respondeu, pegando Henry pelo ombro “Mocinho, você está todo suado, eww.”

“Emma também” Henry apontou para ela, acusando o corpo da loira que estava banhado em suor.

Emma riu “É, eu realmente vou precisar de um banho”

“Vamos, Emma Swan, eu vou levar você para sua casa.” Zelena disse.

Emma ia negar, mas pela hora seu pai deveria provavelmente ainda estar no trabalho e sua mãe já devia estar louca de preocupação, pensando no pior. Ela teria mandado uma mensagem, dizendo que ainda estava na quadra com Henry, mas seu celular tinha descarregado.

Emma aceitou a carona de Zelena e se deparou com um Peugeot RCZ.

“Carro legal” Elogiou.

“Obrigada, foi presente de casamento” Respondeu como se não fosse nada demais, foi então que Emma percebeu o anel de ouro no dedo da mulher “Então.. você quer que eu te ajude a sentar e ai eu ponho a cadeira no porta­-malas?” Zelena realmente parecia mais gentil do que sua irmã. Ela realmente parecia querer ajudar Emma.

“Só me dê uma forcinha na cintura, o resto eu consigo sozinha” Piscou.

Zelena assentiu e segurou a cintura dela, colocando­a com cuidado no banco do passageiro enquanto Henry fechava a cadeira de rodas. Emma usou seus braços para segurar­ no painel e se sentar direito, em seguida passando o cinto de segurança em volta do seu corpo. Henry foi no banco de trás, conversando com a loira sobre sua nova coleção de HQ’s do Batman e do Robin, ele estava muito animado sobre o filho do Batman, Damien Wayne, e disse que até o Halloween, ele e Emma poderiam ir fantasiados de Batman e Robin, Emma disse para ele que não existiam Batmans em cadeiras de rodas e então ele respondeu a ela que até o Halloween ele tinha certeza que a fisioterapia já teria feito efeito.

A ruiva que ouvia toda a conversa, sempre concordando com Henry, decidiu o deixar primeiro depois da décima ligação de Regina perguntando onde o menino estava. Quando o carro parou Emma deparou-­se não com uma casa, mas sim com uma mansão enorme “Você mora aqui?” Perguntou chocada “Sua mãe é uma rainha ou coisa do tipo?”

Henry riu “Ela é vice da empresa da minha avó”

“Minha mãe é dona de uma companhia de empresas” Zelena explicou para Emma, enquanto apertava a buzina “Regina está treinando para tomar a presidência quando minha mãe se aposentar.. nós somos bastante ricos.”

“Percebi” Emma disse, impressionada.

Zelena apertou a buzina novamente e Emma viu uma Regina fumegante sair de dentro da casa, porque alguém se vestia daquela maneira dentro da própria casa? Ela perguntou­ ao ver a mulher sair de lá com salto alto e um vestido azul bonito, ela estava com uma veia saltando de sua testa e Emma teria ficado com medo se não achasse que ela machucaria alguém em uma cadeira de rodas.

“Onde diabos vocês estavam? Eu pensei que o jogo acabava as ...” Ela abriu a porta do carro para Henry descer, em seguida olhou para o banco do passageiro e viu Emma ali, dando um sorriso bobo para ela com as bochechas vermelhas, realmente constrangida. Regina arqueou uma sobrancelha e a olhou de cima a baixo, soltando um suspiro frustrado “Olá,Miss Swan.”

“Regina” Deu um pequeno aceno.

Zelena colocou o óculos escuro que estava em seu rosto por cima da cabeça, em seguida respondendo a primeira pergunta de sua irmã “Irmãzinha, Henry e Emma estavam se divertindo.. eu não vi a hora passar, sinto muito” Respondeu “Mas hoje foi realmente divertido.”

“Sua irmã até me pagou um picolé” Emma tentou ajudar a causa de Zelena, mas estava parecendo uma idiota.

“Obrigada, querida” Zelena revirou os olhos, dando uma pequena risadinha antes de voltar a encarar Henry e Regina “Henry se divertiu hoje? Certo ?”

Henry concordou com a cabeça “Mamãe, foi incrível, um dos melhores dias da minha vida, você deveria estar lá”

Regina deu um sorriso gentil para Henry e seu rosto virou gelo ao encarar Emma Swan, em seguida Zelena Mills “Da próxima vez que meu filho demorar para chegar em casa eu vou ligar para a polícia!”

“Como se a polícia fosse fazer qualquer coisa!” Zelena resmungou.

“A polícia é muito boa!” Emma entrou na conversa novamente, Regina e Zelena olharam para ela como se ela fosse estúpida “Uh.. eu sou da policia.. era.. a polícia é muito boa no seu serviço.”

A morena revirou os olhos e bufou, murmurando um leve ‘idiota’ em seus lábios “Henry, querido, diga adeus a senhorita Swan e a sua tia e vá tomar um banho.. “

Henry obedeceu sua mãe “Até sábado Emma, até logo tia.”

“Zelena, nossa conversa não acabou” Regina avisou virando­-se e levando Henry para dentro de casa.

Zelena revirou os olhos, dizendo algo para Emma sobre Regina realmente ser uma chata quando queria e em seguida deixou­-a em sua casa. Pelo menos Emma agora sabia que uma das Mills parecia ir com a cara dela.