The Woman In The Chair

1 The One With The Woman In The Chair


Notas iniciais
Oi meus amores. Batata fritaaaaaaaa de volta! E quem é vivo sempre aparece, né? Primeiramente, quero agradecer explicitamente a victoriaswen que tinha minha fanfiction salva em pdf, você é incrivel e vai proporcionar novos leitores para essa obra. Espero que vocês ainda estejam ai comigo!!! Aproveitem!

Emma tinha sido atingida em uma missão. Ela sabia que existiam riscos enormes em ser policial, que uma hora ou outra ela acabaria se machucando, mas ela não esperou que se machucasse daquela forma... daquela forma que a fizesse parar de andar. Agora nem mais uma policial ela era, ela era uma aposentada de 29 anos, sem a mobilidade de suas pernas, presa numa cadeira de rodas e morando com seus pais, com certeza não tinha como ficar pior do que aquilo.

Ela sentia-­se um fardo a ser carregado, ela precisava de ajuda para se vestir, para ir ao banheiro.. realmente, era só ..terrível.

“Emma, querida..” Sua mãe abriu a porta do seu quarto, eram sete da manhã, hora de Emma tentar aquela maldita fisioterapia em que ela já estava presa a quase um ano, sem nenhum resultado “Está na hora de levantar, David, me ajuda a levantar a Emma!” Chamou o pai da loira.

“Mãe, acho que eu não vou hoje.” Suspirou baixinho, encarando o teto branco de seu quarto. “Obviamente não está dando resultado nenhum, por mais que eu tente...” A loira mordeu o canto da bochecha “Me deixe ficar na cama hoje, por favor.”

David apareceu na porta ao lado de Mary Margaret, ela virou o rosto para encarar os pais e viu aquele olhar de piedade no rosto deles, e de dor. Mary Margaret deu uma pequena cotovelada nas costelas do marido, tentando fazer com que ele falasse alguma coisa. “Emma, querida.. eu sei que é difícil, e que dói.. mas é bom pra você, e depois você tem aquele encontro com outras pessoas que estão passando pelo mesmo..” David coçou a garganta “Problema... e você sabe que seu terapeuta disse que é bom conviver com pessoas que estão passando pelo mesmo, por favor.”

Emma não ia para aquela aula de ‘ginástica’ para deficientes porque ela queria, mas porque seus pais achavam que se ela fizesse os tais exercícios poderia ajudar na fisioterapia, não só eles achavam como o doutor também, então desde semana passada ela tinha começado essa maldita aula onde um professor ajudava­ a tentar alcançar as pontas de seus pés e a ajudava a massagear os nervos como se ela sentisse alguma coisa naquelas malditas pernas inúteis.

“Tudo bem.. pai, me ajuda a ir até a cadeira, por favor.” Pediu. David se prontificou e segurou Emma com seus braços largos e fortes, colocando-­a em sua cadeira de rodas, uma das coisas que a agência de polícia tinha dado-­a, junto com uma medalha de honra e um gordo salário de aposentadoria que ela gastava em remédios de depressão e TV a cabo.

David colocou-­a na sua cadeira e ela começou a empurrar as rodas em direção ao banheiro, Mary Margaret foi atrás. “Meu amor, você não quer que eu te ajude?”

Era humilhante precisar de ajuda dos outros para tudo, mas infelizmente ela precisava.

“Será.. que você pode me ajudar a sentar no vaso? O resto eu faço sozinha, da cintura pra cima tudo funciona” A loira disse com seu sarcasmo garantido, dando um pequeno sorriso seco.

“Oh, claro.” Sua mãe ajudou-­a à sentar no vaso sanitário e saiu, dando-­lhe a privacidade.

Emma tentou abaixar suas calças sem fazer barulho, sabendo perfeitamente que sua mãe e seu pai estavam do lado de fora só esperando que ela fizesse qualquer barulho de dor para que eles pudessem entrar e ajudá la. Não deveria ser daquele jeito, ela não devia ser um fardo para eles, mas infelizmente parecia que ela era, eles tinham parado completamente de viver direito só para poder ajudá la, aquilo não era justo com seus pais.

A loira fez um esforço para tentar descer as calças e tentou segurar as pernas que não se mexiam para cima, sentindo uma enorme dor em seu tronco. Ela mordeu o lábio com força, impedindo-­se de gemer e conseguiu retirar sua calcinha e sua calça, ela fez xixi e tentou colocar a calça novamente, caindo no chão em um baque “Merda, merda” Ela disse, começando a chorar.

Seus pais entraram desesperados, vendo a situação em que ela se encontrava “Oh, querida.. eu sabia que não devia ter te deixado sozinha.” Mary Margaret disse, culpando a si mesma naquela situação.

David pegou Emma no chão, que continuava chorando, revoltada por não poder fazer nada. Se aquela bala tivesse pegado um pouco mais acima ela teria morrido, foi o que o médico disse, e ela se viu desejando que ela estivesse realmente morta. “Emma, amor, você machucou se? Onde é?” Ele procurou algum machucado na filha.

“Eu quero morrer, seria melhor se eu tivesse morrido!” Ela desabou, fungando e soluçando com lágrimas quentes descendo de seu rosto.

“Nunca mais repita isso, Emma Nolan Swan!” Mary Magaret disse, chocada “Se você tivesse morrido eu não sei o que seria de mim e do seu pai” E então ela começou a chorar também, segurando o rosto de sua filha “Eu sei que esse último ano tem sido difícil meu amor, mas se eu e seu pai te perdêssemos..”

“Vocês não teriam mais um fardo para cuidar” Emma cuspiu “Vocês não teriam que ficar 24 horas por dia comigo, eu não seria inútil..”

David fez um som de choque, arregalando os olhos “Você não é um fardo, você é minha filha, minha e da sua mãe, você é nossa princesa e é nosso dever cuidar de você enquanto podemos.”

David passou o dedo sobre o rosto de Emma,limpando suas lágrimas “Nós te amamos, Emma” Mary Margaret completou “Nós vamos cuidar de você até que você se case e outra pessoa cuide de você, cuidaremos de você até quando isso acontecer..”

A loira fungou, como se alguém quisesse namorar alguém que não podia andar.

Depois de conseguir parar de chorar, Mary Margaret ajudou a banhar e a vesti­ la, David fez seu café da manhã e depois que ela estava ‘saudável’ na medida do possível, ele colocou no carro para levá la até sua fisioterapia. David foi para o trabalho e deixou Mary Margaret com ela na sala de fisioterapia, onde o seu doutor entrou. Dr. Whale era um idiota, ela não gostava dele, mas Mary Margaret achava que ele era um revolucionário que faria sua filha andar de novo.

“Emma, bom dia, Sra Nolan.” Ele deu um beijo suave na bochecha de Mary Magaret e cumprimentou Emma “Vejo que você largou as calças jeans, isso é bom..vai ajudar no processo de hoje” Disse animado, vendo que a loira usava calça moletom e um casaco com capuz. Ela não estava usando a calça moletom por causa da fisioterapia,e sim por causa da aula que ela estava indo após, para exercitar os músculos, era como um pilates.. só que para quem não podia andar.

A fisioterapia começou e foi tão dolorosa e chata como todos os dias, ele tentou fazê la andar nas barras, ajudou a exercitar se mas no fim ela realmente não conseguiu fazer nada. Ela estava frustrada, ela estava zangada e ela queria desistir “Tente mover só um pouco,Emma” Whale pediu enquanto a esteira andava, ela só não estava caindo de cara no chão por conta das barras e dos suspensórios em volta dela “Vamos, você consegue..”

“Não, eu não consigo” Emma rosnou “Será que podemos parar com isso? Eu tô cansada, eu preciso ir para outra aula.. por favor,Whale.. eu não consigo mais hoje.”

Ele parou a esteira onde ela estava e deu um suspiro pesado, as enfermeiras ajudaram ela a descer de lá e colocaram ela novamente na cadeira de rodas. “Sra Nolan, Emma .. eu sinto muito,mas não vamos conseguir progresso se você continuar assim..”

“Oh, não me diga” Ela debochou.

“Emma!” Mary Margaret a repreendeu, olhando para o doutor “O que você quer dizer, Dr?”

“Quero dizer que estamos fazendo isso a um ano e Emma não mostrou nem um progresso.. e eu acho que isso é porque ela não está disposta emocionalmente para isso, ela tem ido para a sessão de terapia?”

“Tem, claro..” Mary Margaret sussurrou “Eu a levo.”

Dr. Whale deu um pequeno suspiro, fechando os olhos “Tudo bem, tudo bem.. vamos tentar de novo próxima semana.” Disse “Espero que você queira isso tanto quanto nós, Emma,você só vai conseguir um progresso se sua mente estiver trabalhando com seu corpo, lembre se disso.”

“O que você quer? Que eu fique feliz na minha situação?” Emma resmungou baixo “Olha, eu já me acostumei.. já faz um ano, mas você não pode querer que eu fique sorridente o tempo todo ok? Eu já faço o que você pede, eu tomo os remédios, eu venho aqui todos os dias.. e depois eu vou para aquela outra aula para exercitar os músculos .. mas não me peça para ficar toda sorridente e com esperanças falsas de ‘há, vamos conseguir’, minhas esperanças acabaram a seis meses atrás quando eu percebi que era impossível.”

“Não é impossível, você já conseguiu recuperar um pouco do movimento do seu dedão.”

“Ah, eu posso mover meu dedão as vezes, do nada.. com reflexos, claro, emocionante” Debochou, irritadiça.

Dr. Whale retirou um panfleto de seu bolso e entregou a Mary Margaret, que começou a lê­ lo obviamente achando interessante “Esse é um encontro de pessoas que estão passando por problemas semelhantes aos seus, eles conversam, contam sobre o seu dia e isso os ajuda a melhorar bastante..” Disse “Seria bom que você visse que sua situação não é tão ruim assim, que há pessoas enfrentando a mesma dificuldade que você..”

“Eu não vou para um grupo de apoio.” Emma resmungou “Mamãe, eu não quero ir..”

“Pode ser divertido, podemos tentar.” Mary Margaret deu aquele sorriso de apoio para ela, e Emma pôde ver nos olhos de sua mãe que ela realmente ia arrastar Emma para lá, não importa o que a loira realmente quisesse “Os encontros são sábado e são aqui no hospital, querida.. vai ser bom, o que você acha?”

“Sábado eu tenho aquela série do Netflix pra assistir.. Strange Things, vou estar ocupada.” Deu um riso seco.

“Vamos lá,Emma.. vai ser divertido.” Dr. Whale disse “Antes de você recuperar o movimento das suas pernas você primeiro precisa recuperar a vontade de viver, e eu acho que conversar com essas pessoas vai ser bom.”

Dr. Whale e sua mãe estavam olhando para ela como se ela fosse um brinquedo quebrado precisando de conserto e ela odiava isso, mas do mesmo jeito ela deixou­se dar um sorriso seco e concordar com a cabeça.

Não podia ficar pior do que isso, certo? Pelo menos eles não estavam pedindo para ela passar mais uma hora naquela maldita esteira tentando andar.

...

Aquelas eram as duas horas longe de seus pais super protetores onde ela podia fingir por um momento que era normal, onde ela podia sentar­se no sofá do seu antigo apartamento com sua antiga colega de quarto e beber cervejas enquanto assistia a America Next Top Model. Ruby Lucas e ela moravam juntas antes do acidente, era legal, mas depois do acidente ela não queria ser um fardo para ninguém e seus pais insistiram que ela voltasse a morar com eles, então uma ou duas vezes na semana sua mãe deixava ela ir visitar Ruby e David passava na volta do trabalho para buscá la.

“Aqui” Ruby entregou a outra cerveja, Emma abriu e começou a beber “Quer dizer então que todo sábado você vai para esse ‘encontro’, a partir de hoje?”

“É, pode ser legal.” Emma resmungou “Ou pode ser uma chatice como a maioria das coisas que eu faço agora..”

“Não é tão ruim, você pode conhecer pessoas legais lá.. quem sabe alguém especial..” Ela deu uma piscadela, sorrindo maliciosamente “Já faz um ano, você precisa começar a namorar de novo.”

“Claro, como se alguém quisesse namorar uma mulher paraplégica de quase trinta anos e gay.” Emma revirou os olhos.

“Bem, seu último namorado foi um homem..” Ruby pensou.

“É, um bem idiota que me largou assim que soube das minhas novas condições” Murmurou azeda.

“É, Graham era um otário mesmo.” Ruby concordou, prestando atenção nas modelos que começavam a circular e tirar as fotos para a prova do dia no reality show “Se você quiser dormir aqui hoje eu posso ligar para Mary Margaret pedindo e nós podemos assistir Keep Up With The Kardashians.”

“Nah, primeiro que mamãe não ia deixar e segundo que eu não quero que você me ajude a ir ao banheiro caso eu precise fazer minhas necessidades.” Emma torceu o nariz.

“Então é melhor você parar de beber” Ruby riu, retirando a cerveja da mão de Emma e colocando-­a na bancada, encarando a amiga “Se sentindo confortável ou precisa de alguma coisa?”

“Não,eu to bem.. pare de me tratar como um bebê, você é a única que ainda me trata normal.” Emma resmungou.

“Hey, tudo bem, calma..” Ruby riu e aconchegou-se em Emma, elas terminaram de assistir Keep Up With The Kardashians e então começaram a assistir Para Sempre, um romance com o maravilhoso Channing Tatum e a linda Rachel McAdams, Emma adorava aquele filme, principalmente por não acabar com aquele ‘felizes para sempre’, felizes para sempre não existia, mas ao menos no final eles ficavam juntos e cabia ao telespectador pensar se eles conseguiram se acertar mesmo com a perda de memória ou não.

“Channing Tatum é tão gostoso” Ruby disse “Jesus, eu nunca esqueceria desse homem.”

“Nem eu ” Emma riu, fazendo Ruby rir também “Eu gosto dele nos filmes de romance mas eu não acho que ele é um bom ator de comédia”

“Amor, esse homem é bom em qualquer coisa” Sua melhor amiga disse maliciosamente, Emma revirou os olhos e sorriu. Claro que Ruby acharia.

Uma cena de sexo começou a passar na tela e Emma deu um suspiro frustrado, fazendo Ruby encará-­la por um momento “ O que foi?”

“Eu sinto falta do contato físico..” A mulher confessou “Sabe.. beijar, ter alguém para cuidar, essas coisas. Eu me sinto tão inútil nessa cadeira..”

Emma não sabia se Ruby estava fazendo aquilo como um favor ou por pena, mas sua melhor amiga deitou-­a no sofá gentilmente e sentou-­se no seu colo, beijando­-a. Emma tentou acompanhá-la, assustada, segurando seu cabelo e beijando­-a de volta na mesma intensidade, ela sabia que Ruby era ótima em beijar mas de alguma forma aquele beijo estava saindo desleixado e realmente constrangedor porque ..era estranho beijar sua melhor amiga, mas ela colocou um esforço maior e passou as mãos para baixo, apertando a bunda de Ruby e ganhando um gemido, Ruby gargalhou, acabando com o beijo quando sentiu a mão em sua bunda “Meu Deus” Ela riu “Isso foi estranho!”

“Realmente” Emma suspirou, ofegante.

“Não que você beije mal, você beija bem .. mas na hora que eu senti suas mãos na minha bunda” Ela gargalhou, deitando no peito de Emma, claramente divertida “Foi bom, mas estranho.”

“Por que você fez isso?”

“Você queria beijar e eu sou sua melhor amiga” Ruby deu de ombros “Se precisar de qualquer outra coisa” Ela piscou maliciosamente.

Emma deu um riso nervoso, duvidando que iria pedir qualquer outra coisa para Ruby, ela realmente amava Ruby ,mas não daquele jeito, e era estranho o suficiente pensar que não fazia nem dois minutos direito em que elas estavam se beijando no sofá.

A loira não queria viver daquele jeito, dando uns amassos com Ruby quando ela se sentia necessitada, ela queria a coisa real, ela queria alguém que a amasse.. bem, seria difícil achar alguém que quisesse namorar e ser babá, porque qualquer um agora tinha que ser babá dela e aquilo era ridículo pra caramba.

....

Sábado chegou, Mary Margaret a vestiu com a sua melhor roupa com um papo de que ela tinha que causar boa expressão para os novos amigos que sua mãe achava que ela faria, como se Emma não estivesse mais do que satisfeita só com Ruby. Então ela aceitou usar calça jeans, uma blusa branca e sua amada jaqueta de couro vermelha, junto com uma touca cinza para proteger suas orelhas devido ao frio que realmente estava fazendo naquela época do ano. Foi David que foi deixá­ la no hospital para o ‘encontro de pessoas com problemas sérios’ e disse, animado “Eu vou te buscar quando acabar.. sorria, as pessoas gostam de quem sorrir” Ele deu um sorriso charmoso e piscou para ela “Lembre­-se,o charme está no nosso sangue.”

“O meu provavelmente foi embora junto com aquela bala que extraíram de mim” Emma brincou, dessa vez não sendo tão fria.

David revirou os olhos e a deu um beijo na bochecha “Tenho certeza que vai ser incrível.” David abriu a porta do carro e retirou o cinto de Emma, pegando ela no colo e colocando-­a na cadeira de rodas “Quer que eu te leve lá dentro?”

Não, não.. eu vou empurrar, preciso malhar os braços.” Pediu.

David se despediu dela e a esperou entrar em segurança no prédio, ela realmente estava feliz em poder deixar seus pais pelo menos por um tempo sozinhos porque devia ser sufocante ter uma mulher de quase trinta sobre o teto deles enquanto eles só precisavam de um pouco de espaço, mas é claro que eles não reclamavam.

A loira empurrou as rodas de sua cadeira até a recepção do hospital e acabou esbarrando em uma mulher que falava em outra língua no telefone, provavelmente espanhol, a mulher se desequilibrou e caiu literalmente no seu colo, o celular que estava em sua mão voando no chão “Jesus!” A mulher rosnou exasperada, assustada com aquela situação “Qual o seu problema? Você...” A mulher tinha uma veia saltando em sua testa, ela se levantou do colo de Emma e a encarou de cima a baixo, parecendo aliviar a expressão ao ver o pequeno problema da loira. “Oh.. preste atenção por onde anda, querida.”

Ela se abaixou para pegar o celular e a bunda dela realmente ficou atraente contra o couro daquela saia apertada que ela usava, na verdade a mulher era muito bonita, e Emma estava começando a se achar com sorte só pelo fato da morena ter caído em seu colo. “Eu..” Ela coçou a garganta, percebendo o caminho de seus pensamentos perigosos “Eu sinto muito, eu não vi você.. a visão é diferente daqui de baixo.” Brincou.

A mulher arqueou uma sobrancelha, e deu um pequeno riso, nem podia ser considerado um riso se fosse pensar mas um pequeno movimento de lábios, positivo, ela tinha uma cicatriz no lábio superior vermelho e era realmente bem bonita. Porra, ela parecia uma super modelo.

“Onde você está indo? Quer ajuda?” Perguntou, voz rouca, olhos castanhos lindos.

“Uh, não.. eu estou exercitando meus braços, Obrigada!” Agradeceu, realmente conseguindo uma boa visão dos seios da mulher naquela blusa azul de botões. Ela balançou a cabeça, engolindo em seco “Tchau, e desculpe.”

“Tudo bem querida.” A mulher voltou a sua ligação, ignorando­-a e Emma percebeu o que tinha acabado de acontecer ali. Se ela pudesse andar a mulher teria gritado com ela várias ofensas, mas como a mulher viu que ela tinha aquele problema ela tinha simplesmente sido agradável por pena . Típico.

Emma pediu para a recepcionista informação de onde deveria ir ( outra que tinha perguntado se Emma precisava de ajuda ) e foi direto para o elevador, indo até o subsolo onde ela tinha sido informada ter uma sala com uma grande faixa de reunião. Chegando lá ela realmente se surpreendeu de ter algumas pessoas, ela rolou suas rodas até estar ao lado de um menino de aparentemente 10 anos de idade usando short. De um lado ele tinha uma perna e do outro uma prótese. Ela começou a reparar as outras pessoas ali, alguns em cadeiras de rodas como ela, outros sentados normalmente onde ela não podia descobrir o que tinha de errado, outros com uma parte do corpo enfaixada e continuou os encarando­ até que a voz do menino chamou sua atenção “Você é nova aqui? Prazer, Henry Mills.” Estendeu sua mão, oferecendo um sorriso enorme para ela.

Emma pegou sua mão “Emma.” Respondeu­.

“Gostei da sua cadeira.. você devia colocar rodinhas que piscam, ia ficar legal. “ Aconselhou.

Emma riu “Acho que eles só dão esse tipo de rodinhas para crianças, garoto.” A loira olhou para a perna dele, curiosa “O que aconteceu?”

“Acidente de carro.” Henry respondeu-­lhe “Meu médico disse que eu virei meio ciborgue.” Brincou, segurando a prótese “Legal, certo?”

“Super, você é tipo o superman, legal.”

“Você gosta do superman?” Henry deu um enorme sorriso que parecia quase partir sua cara ao meio. Ela riu, realmente tinha gostado daquele garoto. Seria possível que ela realmente iria fazer uma nova amizade? Com uma criança?

Eles conversaram por mais dez minutos antes de que um cara entrou, ele tinha uma barba mal feita, cabelos loiros e olhos claros, ele podia ser perfeitamente irmão de Emma. Ele se sentou na cadeira do meio que antes tinha uma placa ‘reservado’ e apresentou-­se para todos “Para quem é novo e para quem já está aqui a um tempo.. meu nome é Robin, e eu sou médico e terapeuta .. vamos começar como sempre começamos, certo? Compartilhando nossas histórias.”

Emma murmurou para Henry “Eu já faço terapia, por que eu quero outro terapeuta?” Debochou.

“Mamãe me disse que toda ajuda é pouca.” Henry murmurou para ela.

“Sua mãe deve ser uma daquelas loucas por controle” Emma resmungou e o garoto riu, concordando com a cabeça.

“Killian Jones, você pode começar a contar sua história?” Robin, o médico boa pinta perguntou.

Emma e Henry olharam para Killian Jones, o cara que usava uma blusa preta com uma regata e que tinha muito pêlo no peitoral, era meio nojento. Ele era bonito, boa pinta e tudo mais mas ela realmente estava enojada com aquele tanto de pêlo no peitoral dele “Meu nome é Killian Jones, tenho trinta e três, faço trinta e quatro mês que vem..” E então ele mostrou seu braço esquerdo sem sua mão, apenas enfaixada “Eu perdi minha bela mãozinha em uma jacuzzi, cortei ela num prego enferrujado e infeccionou .. não é uma história muito grande, tenho o apelido de Capitão Gancho e agora eu perdi minha mão de me mas...”

“Ei, Capitão Gancho.. o Peter Pan é menor de idade, cara.” Emma o cortou, chamando a atenção de todos. Eu sou novata, ela se lembrou, aquiete­-se Emma!

Henry torceu o nariz “Eu já tenho 10 anos, Emma!”

“Muito novo.” Emma resmungou.

“Oh, eu não vi o pequeno Henry ai, nem você, garota bonita.” Killian lançou­ um olhar malicioso e piscou para ela “Novata?”

Então, de repente ela era o centro das atenções, todos estavam olhando para ela, todos incluindo o médico “Dr. Whale me disse que você viria, quer se apresentar para nós?”

Henry olhou para ela em expectativa, o sem mão, Killian, a olhava maliciosamente, e tinham vários pares de olhos em seu rosto “Meu nome é Emma Swan, eu tenho vinte e nove, sofri um acidente no meu trabalho ano passado.. eu estava em uma perseguição, tentei tirar um civil da frente do tiroteio e fui baleada, a boa notícia é que o civil ta bem e a má notícia é que eu não posso mais andar.. faz um ano que eu faço fisioterapia sem progresso nenhum, meu doutor acha que se eu vier aqui eu posso melhorar minha ‘cabeça’ para o processo doloroso..” Ela disse, era a mesma coisa que ela dizia para o terapeuta quase todo santo dia, então não foi mais difícil, era quase uma frase gravada em seu cérebro, guardada para quando ela precisasse usá­-la.

“É um prazer, Emma Swan..” Robin disse “Como você se sente?”

“Como me sinto o que?”

“Todos os dias? Como você se sente?”

Emma deu um riso seco “Como você acha? É meio chato precisar de ajuda para tudo, eu tenho quase trinta e moro com os meus pais, quando não são eles me ajudando ,são barras.. hoje cedo eu fui tentar tirar minha calça sozinha e cai no chão, logo após ter urinado, não foi uma sensação boa.” Respondeu­, arrogante.

“Então você é do tipo que joga a vítima?” Robin questionou­. Que diabos era aquilo? Ele realmente estava numa sessão de terapia com ela na frente de todo mundo?

“Vitima? Eu não jogo a vítima, eu só acho que é muito difícil ser eu.. você não sabe como é.”

“Realmente, eu não sei” Ele concordou “Mas existem casos piores, quer ver? Diga ‘olá, Harry.’”“O que?” Robin fez um gesto para que ela continuasse ,ela não fazia idéia de quem era esse Harry ,mas ela suspirou com a cabeça e fez o que ele pediu “Olá,Harry.”

“Olá.” A voz masculina chamou sua atenção, ela se virou para frente e viu um garoto adolescente, magro, cabelos ondulados e um sorriso gentil no rosto “Meu nome é Harry, prazer.. e o seu?”

“Hm.. Emma Swan” Ela disse.

“Emma Swan? Legal, nome legal. Certo? Legal.” Repetiu, em seguida sorriu, seu sorriso sumiu um minuto depois, ele piscou para Emma confuso e em seguida deu outro sorriso “Olá, meu nome é Harry, como se chama?”

Emma franziu o cenho, olhando em confusão para Robin e em seguida para Harry “Harry sofreu um acidente muito sério de carro, ele bateu a cabeça muito forte o que danificou uma parte do cérebro dele responsável pelas memórias, ele se lembra de tudo antes do acidente, mas o que aprende depois é esquecido em um minuto, 60 segundos.. isso é ruim, certo?” Robin disse, com olhos enigmáticos.

“O que? Eu sofri um acidente?”

“É cara, foi uma pancada forte” Killian deu um tapinha nas costas dele, em seguida olhou para Emma “Não se preocupe, Swan.. logo ele esquece.”

Robin pareceu satisfeito com o horror na cara da loira, pensando que tinha ensinado a lição.

Emma realmente estava chocada, ela sabia que o jeito que ela estava era tão ruim quanto, não se julgava dor.. mas esquecer de qualquer coisa em 60 segundos? Como esse cara conseguia viver? Como ele sempre estava com esse sorriso no rosto? Ele ao menos sabia porque estava naquela reunião? Ela parou de questionar a si mesma quando Robin pediu para que Henry falasse “Então, Henry Mills, como está sentindo­se hoje?”

“Estou bem, mamãe disse que próxima semana eu vou experimentar uma prótese nova e eu já pesquisei na internet alguns modelos bem legais” Henry respondeu­-lhe “Eu também faço fisioterapia, Emma.. com o Dr. Whale, legal não é? Eu tive que aprender a andar tudo de novo com minha nova perna.”

Henry era tão inocente e ela desejou ser um pouco mais como ele.

“E como está seu sentimento sobre o seu pai hoje?”

“Já faz muito tempo, eu não lembro muito dele, ele morreu tentando salvar minha vida eu sei, e eu sinto falta dele mas não dói tanto.. mas minha mãe sofre mais do que eu, ela nunca mais sorriu do jeito que ela sorria quando ela estava com ele, eu sei que ela sente falta dele mas ela não costuma falar muito.” Declarou “Eu também sei que o closet dela ainda está cheio de roupas dele, ela não toca em nada..”

“Sua mãe é uma grande mulher” Robin disse ao garoto, dando um sorriso gentil “Diga a ela isso.”

Henry assentiu animado, a conversa passou para outra pessoa que estava contando a história de como era viver com Alzheimer mesmo sendo tão nova. Emma virou-­se para Henry, curiosa “O que aconteceu com seu pai?”

“Ele estava no acidente de carro em que eu perdi a perna.. ele morreu,faz muito tempo.” Respondeu a ela “Seu nome era Daniel, meu segundo nome é em homenagem a ele.”

Ah..” Foi só o que ela conseguiu dizer, mesmo que ele parecesse tranqüilo em falar sobre aquele assunto. Aquele lugar parecia a reunião dos desafortunados, era uma história pior que a outra, e ela estava realmente em dúvida se deveria voltar ou não. Ela já sentia­-se muito mal por si só, ela não queria se sentir mal pelas outras pessoas também.

Quando a reunião acabou e as pessoas começaram a sair, Robin sentou-­se entre ela e Henry e a disse que queria que ela voltasse, que ele tinha mostrado Harry a ela porque era sempre um jeito de quebrar um pouco a arrogância e a raiva que sentia por estar daquele jeito, e ele disse que aquela reunião semanal realmente poderia ajudá-­la a superar suas barreiras, e quem sabe voltar a andar ( a mesma ladainha que Whale sempre a falava).

“Então, você vai voltar semana que vem?” Henry perguntou animado, enquanto acompanhava ao corredor, atualmente sentado no colo dela enquanto ela o dava uma carona até a mãe dele, que ele dizia estar o esperando no hall de entrada.

“Eu não sei, garoto.. não é muito meu estilo.” Emma respondeu “Como eu disse, eu já faço terapeuta.”

“Foi divertido com você hoje, eu não gosto muito de vir, mas hoje eu gostei .. por favor, Emma!” Implorou, fazendo olhinhos de cachorro que parecia irresistível para dizer não. “Eu posso pedir para mamãe dinheiro para que nós possamos tomar sorvete na lanchonete daqui.. em Emma? Por favor.” Implorou novamente.

Emma riu, convencendo-se com a insistência dele “Tudo bem, eu posso dar mais uma chance.. mas só porque você é bem legal” Eles chegaram ao hall de entrada e Emma olhou em volta, curiosa “Onde está sua mãe?”

“Ali!” Ele apontou para uma mulher sentada em uma das cadeiras de espera lendo uma revista. Espera ai, ela conhecia aquela mulher “Mamãe!” Ele chamou, descendo do colo de Emma para acenar para sua mãe.

“Aquela é sua mãe?” Perguntou, boquiaberta.

A mulher levantou-­se e caminhou até ele com um riso no rosto, um riso genuíno, esse riso morreu quando ele viu quem ele acompanhava “Oh, olá de novo..” Ela disse “Suponho que você estava na reunião com Henry, certo?”

Emma assentiu, nervosa pelo fato daquela mulher ser maravilhosa, como alguém tão nova e bonita podia ser mãe de um menino de 10 anos?

“Ela me deu carona até aqui na cadeira de rodas, Mamãe.” Henry sorriu para ela.

“Ah,” Ela torceu o lábio inferior, pensativa “Querido, eu já disse que você não deve aceitar carona de estranhos.. não importa o meio de transporte usado.”

“Ei, eu não ia sequestrar seu filho.. ele pediu pra ver como era andar de cadeira de rodas e eu deixei, só que infelizmente eu não podia sair daqui para deixá-­lo ir sozinho.. como você pode ver, eu estou presa aqui.” Emma disse, seca e irritada com a acusação.

A mulher olhou­ de cima a baixo, olhos enigmáticos e depois bufou “Bem, a culpa não é minha que você está presa ai.. não aja como se fosse..”

“Eu não estou falando..”

Emma ia responder, começando a ficar zangada, a mulher podia ser bonita mas ela também era ignorante. Jesus, Emma só tinha atendido um pedido do filho dela. Mas antes que Emma pudesse terminar sua responda, Henry as cortou.

“Mamãe, essa é Emma Swan, minha nova amiga nas reuniões .. Emma, essa é minha mãe, Regina Mills” Para um garoto de 10 anos ele era extremamente esperto para conseguir acabar com uma briga antes que ela começasse “Emma, onde estão seus pais? Você não quer uma carona conosco?” Emma olhou para Regina Mills que não parecia nem um pouco disposta em oferecer aquela carona para ela, e em seguida encarou Henry, que estava com um rosto ansioso, ele era adorável.

“Nah, eu vou esperar meu pai.. ele estará aqui logo.”

“Oh” Henry parecia decepcionado “Tudo bem, até Sábado então..” Ele fechou a mão num murrinho para se despedir dela, Emma fez o mesmo e os dois encostaram as mãos, sorrindo.

Regina observou a interação deles como uma águia “Foi um prazer te conhecer, Miss Swan.” A mulher mais velha ronronou “Vamos, Henry, você ainda tem aula de clarinete hoje..”

“Tchau” Emma acenou, vendo­ ele sair de mãos dadas com sua mãe gostosa.

Ok Emma, pare de pensar na mãe do menino assim. É desse jeito que ela costumava se meter em problemas.

Emma Swan suspirou e foi até a entrada do hospital, encontrando David lá. Quando ela finalmente chegou em casa e pôde deitar na sua cama, ela realmente ficou feliz por conhecer Henry, e Harry.. e até Killian, o Capitão Gancho de araque. De alguma forma ver como eles conviviam com essas coisas, de uma forma positiva e com um sorriso no rosto a ajudou, ela meio que tirou um peso das costas, ela sentia-­se mais leve.

Parecia que Dr. Whale finalmente tinha acertado em alguma coisa, afinal de contas.

Notas finais
Esse capítulo foi postado há quase 5 anos atrás, isso que é surto. Mas aproveitem e leiam tudo de novo nessa quarentena rsrs. vou postar tudo hoje se Deus quiser e fazendo uns comentários durante a postagem