The Wild Side
1 Capítulo 1 - Project Foxster.
Notas iniciais
A forte luz branca que invadia os olhos de quem passava por aqueles enormes corredores de hospital podia confundir até os mesmos espertos, se levado em conta questões de espaço e tempo, agora havia sido substituída pela gritante coloração vermelha que se mostrava em combinação com o alto som do alarme ali presente que poderia ser escutado em todos os cômodos.
No mesmo lugar uma frenética enfermeira contava uma fileira de adolescentes e crianças, e notava pela sua lista a falta de sete deles. Cinco da área terrestre, uma da aérea e o mesmo segundo número na aquática. Isso era ruim, era muito ruim. A mulher engoliu em seco, nunca sentiu tanto medo na vida, piscou algumas vezes e sem responder questionamento algum mandou todos de volta ao seus quartos — se é que podiam ser chamados assim. Quando o local se esvaziou, dissipando a inquietação naqueles sussurros e gritos, a funcionária com a respiração cada vez mais descompassada seguiu ao escritório da diretoria rente as paredes, enquanto pensava por que diabos ela tinha de ser a encarregada daquela noite.
— Doutor Harris, eu sei que pediu para não ser informado, mas isso é uma emergência. — Disse de uma vez — afinal seu estado de torpor não a permitia racionar -, no exato momento em que arregaçou a porta sem ao menos bater, logo revelando a alta e loira mulher arrumada em um jaleco branco, apesar das algumas manchas de sangue. — Se é assim, então diga. — O homem se levantou da enorme e aparentemente confortável poltrona de couro, estralou o pescoço e se mostrou preparado para o que a outra diria, apesar de não expressar nada em seu rosto. — Aparentemente houve uma fuga. — Contou, em meio a palpitadas descontroladas dentro do peito, se escondendo atrás da madeira da prancheta que mantivera em mãos, como se dessa forma estivesse segura. — Uma o quê?! — Os olhos dele se encheram de fúria, e ele bateu com força o punho na mesa, sem emitir nenhum urro de dor. — Na verdade, sete. — A enfermeira parecia estar pronta para correr, com as pernas em posição, apesar dos músculos tensos, e olhos arregalados. Enquanto isso, o diretor da instituição recompôs a postura. — Saia daqui, agora. — E assim ela fez, sem questionar.
Harris segurou um grito ao fundo da garganta e a vontade de esmurrar tudo em sua volta, afinal de contas precisava manter a calma naquele momento, se descobrissem o que se passava por lá... Se descobrissem. Havia um andar secreto embaixo de um isolado hospital abandonado, Clínica Anatoterapia, onde se localizam salas que abrigavam testes e experimento antiprofissionais e ilegais em menores órfãos. Os quartos eram celas. Mas certo era, pois logo se via que as pessoas nelas não eram seres humanos. A combinação entre o DNA humano e animal, o equilíbrio perfeito. A inteligência e força. O racional e o instinto animal. As obras mais inusitadas, puras e perfeitas que o universo poderia proporcionar ao lado do poder de criação entregado homem, mas muito perigosas se deixadas sozinhas. Aquela tragédia marcava o ego frágil do Doutor, e é claro que a situação não terminaria assim. Vasculharia então nos mais empoeirados arquivos dos tais fugitivos, mesmo que levasse dias, noites, semanas ou meses, ele traria seus projetos de volta antes que caíssem nas mãos erradas, mesmo que isso significasse ter morte aos próprios calcanhares.
Utilizou de sua chave para destrancar o gaveteiro onde se guardava as fichas de todos os experimentos, neles continham nome, idade, história, progressos e regressos – entre outras informações extremamente necessárias. Resolveu começar pelo primeiro que conseguisse encontrar, no caso, o projeto Foxster.
╰☆╮
Rose não sabia nada sobre ela, só sabia que esse era seu nome por contar do círculo em forma de colar com tal nome entalhado em bronze que carregava no pescoço desde que se conhecia por gente, agora aos 17 anos aquela era a única lembrança de sua família antes se ser meramente reduzida a uma cobaia, as havia escapado do inferno que a aprisionou e estava mais do que disposta a descobrir quem era, na verdade, é. Não sabia por onde iria começar, mas alguma coisa havia a atraído até aquele local desde a separação do grupo, e talvez fosse o estranho barulho que lhe arrepiava a espinha.
Levou a mão frente ao rosto e com a respiração pesada estralou os dedos, ali surgiu uma chama vivaz que ela podia jurar a hipnotizar se ficasse a encarando por muito tempo, balançou a cabeça e se concentrou, procurando em meio à densa floresta pela fonte do ruído que a atormentaria até durante o seu mais profundo sono. Acima dela apenas um céu nublado que a fazia ponderar onde estariam às estrelas que tanto lia sobre em descrições de certa forma poéticas em livros esquecidos pelo tempo que a ofereciam na clínica. Mas a Lua cheia compensava pela beleza. No plano mais baixo o vento forte a cortava a face e a temperatura abaixava rapidamente, acompanhada de uma gélida chuva, mas nada disso a fazia tremer, afinal tinha o próprio controle da temperatura corporal, independente da variação térmica do ambiente. Seguiu em meio aquele emaranhado de árvores e galhos, até que algo lhe chamou atenção. Por trás de um arbusto, percebeu algo a se mexer e no mais absoluto silêncio caminhou em direção ao movimento. Apontou o fogo que concebia entre suas palmas para as folhas e avistou ali uma fera enorme, seu pelo escuro como a própria noite em que se encontrava suas presas brilhantes como a própria lua, mas os olhos, bem, eles eram familiares.
Quando o lobo a viu também, o fogo não temeu e exibiu seus enormes dentes caninos e rosnou, logo o som ecoou por todo o campo aberto. A garota se assustou, cambaleou para trás, e o fogo se apagou, mesmo assim Rose se aproximou da criatura. – Peter, me escuta. – Ela pediu, estendendo as mãos em defensiva, ao mesmo tempo em que queria usa-las para tocar nos pelos do garoto em forma do animal, na tentativa de tentar acalmá-lo. O lobo deu um latido feroz e avançou em um rápido movimento, derrubando-a no chão de forma a torna-la indefesa embaixo de em média oitenta quilos. As pernas queimavam e a cabeça latejava. – Porra, eu sei que as coisas não saíram como você planejou, mas podemos resolver se você me soltar. – Disse de forma dura, apesar da situação. E então, em uma dose de adrenalina, tentou se erguer, mas ao invés de escapar a besta lhe acertou a cabeça com sua enorme pata, deixando-a inconsciente.
Apesar de apagada, assim como uma boa raposa, sua alma ainda se encontrava acordada. Projetou o espiríto para fora do físico, separando do corpo denso por meio do cordão de prata que segurava o espírito. Diserta sobre seus atos e pensamentos, já fora do corpo pálido ao chão, para garantir a sobrevivência Rose tomou posse do corpo transformado de Peter, roubando suas funções motoras e sentidos.
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