The Wild Side
2 Capítulo 2 - Project Wolfwere.
Notas iniciais
Aquela ficha havia lhe custado o resto da noite, e o dia iluminado estaria invadindo lhe a sala se não estivesse tão baixo ao subterrâneo. Ainda estava incerto sobre muitas coisas, gostava do direto e sem rodeios, do transparente e se deparar com o que não conseguia entender enchia lhe de ódio e, como consequência, Rose Wright continuava sendo um doce e colérico mistério. E sua mente perversa imaginava que o mesmo seria com os outros integrantes daquela fuga que tanto almejava entender. Era óbvio que a parte física da operação já estava em campo em busca daquelas crianças insolentes, mas a parte mental o divertia muito mais. Colocou aquelas folhas de lado e passou para o próximo registro, o Projeto Wolfwere.
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Peter estava de volta ao próprio corpo. Sem a mente de lobo ou de Rose. Era apenas ele. Coração, cérebro e alma. Sozinho. Sabia que tinha um família em algum lugar, mas era óbvio que não queriam saber dele. Então sozinho estava, como sempre irá estar. Certo, talvez dessa vez não. Seus escuros olhos se mantinham fechados, como se sonhasse sobre os eventos da noite anterior, e provavelmente o fazia com a cabeça pendendo ora para um lado e ora para o outro, comprimindo sua traqueia a rosnar. Mas ao abri-los de maneira preguiçosa notou que a garota ainda se encontrava deitada no chão, enrolada como um animal, além de desvanecida, na melhor das hipóteses dessa vez só estaria dormindo. Esfregou o rosto com ambas as mãos e levou o levou até o céu, o Sol impetuoso quase não o permitindo de fazer. Preferia o clima de ontem, com certeza, e para seu agrado o chão em terra e folhas secas ainda estalavam em frio. Levantou ainda sonolento do tronco, onde até agora se sentava. Deu uma ajeitada na cabeleira acastanhada cortada de forma irregular, mas que não serviu de muito e acabou por unir a barba que sempre deixava por fazer. Logo depois, se pois a estudá-la. A luz solar fazia com que Rose brilhasse, desde os sedosos cabelos castanhos escuros na altura dos ombros até o corte nas profundas duas linhas de corte na bochecha que era seguido por uma trilha de sangue seco sob a tez clara conquistado na noite passada. Ele havia feito isso. Não, por mais que estivesse irado com a situação ontem o lobo havia. As forças da Lua haviam revertido sua meticulosa mente em um estado primitivo propenso à violência e ao instinto de sobrevivência, tinha de se lembrar disso se quisesse continuar são. Ajoelhou-se perante a baixa estatura dela em roupas coberta de terra e outras coisas, trazendo consigo um punhado de água do recipiente que deveria ser da morena e, antes que tudo escorresse por entre seus dedos ásperos, a jogou o líquido no rosto. O sangue se foi diluído e começou a pingar no momento que sua dona enfurecida levantou o tronco, os olhos castanhos café haviam sidos trocados pelo forte tom de vermelho flamejante em fogo em direção ao rapaz. – Nem pense em me atacar, isso é por... Aquela coisa que você fez ontem. – Ele partiu logo para a defensiva, inclusive cruzando os braços frente ao peito. – Possessão astral. – A resposta saiu seca e ríspida, mas a íris retornou a cor natural. – Tanto faz. – Murmurou, ainda estava visivelmente irritado. – Se eu não fizesse isso eu estaria morta. – Sabia que ela estava certa, por isso aceitou que tivesse a última palavra.
Em meio ao estranho silêncio em que se colocaram não pode deixar de reparar novamente na lesão na face da companheira, não se impressionava com tal ferimento, havia tido piores em si e sabia que o mesmo se aplicava a ela, mas a culpa o consumia. Ele ainda era bom. Rasgou a manga da própria camisa e aplicou pressão direta na bochecha alheia. O primeiro instinto de Rose foi tentar tirar de maneira bruta a mão de sua ferida, mas o corpo apenas fraquejou e ela gemeu baixo em dor. Depois de tudo ainda não confiava nele, poderia estar com sua vida em risco, e estava deixando ser ludibriada por um quase desconhecido, mas apenas balançou a cabeça em concordância. Peter entendeu como um sinal para continuar, então soltou o pedaço de pano e inspecionou o machucado com cuidado, para em seguida esterilizar o ferimento com o que havia sobrado da água. Não demorou a terminar o trabalho e se afastar, orgulhoso do que tinha feito, não era por sorte que tinha acontecimento do que havia feito, afinal de contas passou anos observando as enfermeiras.
— E então? – Ergueu uma sobrancelha, limpando uma gosta de suor que deslizava pela brilhante testa.
— Então o quê? – Apesar de agradecida, a voz ainda era amarga como aquela amanhã.
— Obri... – Não pode terminar de falar o que queria escutar dela, pois foi interrompido por uma respiração ofegante atrás de ambos, acompanhada de barulho dos galhos e folhas secas se quebrando em baixo dos próprios pés. Também não é para menos, depois de correr tanto, levando em conta também que não era a pessoa mais atlética. O tal intruso era bem magro e pressionava o abdômen com força com ambos os braços. Limpou um pouco das vestes velhas e rasgadas coladas em seu corpo por conta do suor, arrumou o óculos pendente ao rosto e jogou o cabelo escuro um tanto longo e revoltoso para trás, apenas para começar a desembuchar, sem se importar o que poderia estar acontecendo ali, no fim de contas estava possesso de raiva.
— Caralho, Peter! Pensei que nunca mais iria te encontrar. Em um momento estávamos juntos na estrada e no outro você se transformou em lobo! Correu do carro e adentrou essa porra de floresta! Eu pensei que iria me matar, mas você só correu...! E eu corri, corri uns dez quilômetros atrás de você e-
— Cala a boca. – Pode então rebater o corte anterior.
Acabou por receber uma careta pela interrupção abrupta, e além disso era óbvio que não iria deixar barato.
— Desculpa, atrapalhei Romeu e Julieta versão florestal?
— Ei, ei. Não me inclua nisso. – Rose teve de se pronunciar.
O tal garoto que ambos conheciam como Matthew deu uma risada entre sarcástica e histérica. – Se não fosse por você, nem estaríamos discutindo aqui.
Ela trancou o maxilar e cerrou os punhos, sentindo o coração vacilar.
— Foi uma decisão em grupo. Cresçam.
Os dois outros se exaltaram e falaram quase que simultaneamente.
— Em prendê-lo, não em matá-lo!
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