Elena lamentou, não queria saltar do carro, ou melhor, não queria desgrudar dele nenhum minuto sequer, mas não tinha nenhuma escolha, afinal. A garota levantou seu corpo lentamente, como se cada parte si pedisse para que ela não o soltasse. Ela voltou para seu lugar, mas não se levantou, ficou o olhando, esperou para que ele se levantasse primeiro e abrisse a porta do carro para ela.

Damon riu da atitude da garota, que o olhava, fazendo uma carinha de quem ainda estava esperando. Ele ponderou se devia deixá-la lá, apenas para provocá-la ou se deveria ir a abrir porta para ela. Achou que era melhor ir até ela, a garota estava muito sensível, não quis arriscar e fazê-la chorar por alguma bobagem.

Elena abriu um sorriso quando ele veio na direção dela e abriu a porta do carro para ela. – Pensei que você ia me deixar aqui esperando. – Ela continuou rindo, parecia bem melhor do que estava antes. As alterações de humor da garota estavam cada vez maiores, devia ser fruto da depressão, das dúvidas, da culpa, do amor que ela sentia.

Na verdade, era que aquele misto de sentimentos tão diferentes e extremos eram a causa da tristeza da garota, da aflição, daquela depressão profunda que ela estava mergulhando por insistir em algo que era visível que não daria certo, como seu casamento.

Só que ela se sentia bem, naquele momento, pois tinha ficado abraçadinha nele e quando ficava daquele jeito com ele, esquecia-se de todos os problemas, esquecia-se de tudo, se concentrava apenas na sensação boa de estar com ele, apenas nisso, nada mais.

–Eu ia deixar. – Damon respondeu, abrindo um sorriso, mas não um sorriso cínico, apenas um sorriso, nada mais, porque também gostava da companhia da garota, adorava estar com ela, abraçá-la. Naquele instante, tinha deixado de lado sua máscara de frieza e cinismo.

A garota não era qualquer pessoa, não merecia o tratamento que ele tava todos, ela era especial. Ele levou as mãos ao rosto dela, acariciando, ao perceber que a garota fez uma carinha triste ao ouvir as palavras dele. – Eu ia deixar, mas eu não deixei, não iria fazer isso com você, Elena.

A garota ergueu o olhar, parecia aliviada, abriu um sorriso tímido, fazendo com que ele voltasse a sorrir, adorava o jeitinho meigo dela. – Ele aproximou seu rosto do dela, por um instante, pensou em beijar-lhe a boca, mas apenas depositou um beijinho na testa da garota.

A garota fechou os olhos, sentindo apenas a pressão dos lábios dele em sua pele, desejou por mais beijos, desejou que os beijos fossem mais íntimos, quis provar do gosto dos lábios dele, mas não podia. Ansiou para que ele a tomasse nos braços e a beijasse longamente, mas ele não o fez.

Parecia que não iria fazer, a não ser que ela desse mais um passo, que ela dissesse que o amava. Como ela poderia fazer isso? Como poderia quando sentia tanta culpa por amá-lo? Quando considerava aquilo tão errado? Mas se ela não fizesse ela iria perder, aliás, iria perder de qualquer jeito, porque ela iria se casar e quando isso acontecesse estaria tudo acabado de uma vez. Acabado, ela pensou, quase ironizando, não poderia acabar por que nunca começara de verdade.

– Que bom que você não vai me largar de lado. – Ela falou, sorrindo, um sorriso tão delicado e doce, um sorriso que Damon considerou ser o mais lindo que já tinha visto e ela direcionava somente a ele.

–Não, eu não vou te largar. – Damon respondeu, já cansado, não cansado do assunto, mas cansado que aquilo não avançasse, não saísse do lugar. Era tão difícil tê-la em sua frente, e não poder tomá-la para si como ele desejava. Por mais que não demonstrasse, sentia-se péssimo.

A ideia do casamento de Elena fazia tão mal a ele, queria que aquilo nunca acontecesse, não iria vê-la casando, não conseguiria. Só que não conseguia se arrepender de ter vindo para Mystic Falls, apesar de tudo, ficar perto de Elena já bastava, era o suficiente, porque ela era tudo, nunca imaginou que poderia se envolver, que poderia amar tanto alguém como ele a amava e como ele a amava! Amava demais, e sempre amaria.

Num impulso, a garota se jogou nos braços dele, pressionando seu corpo contra o dele intensamente, buscando o contato que precisava tanto. Pode sentir seu coração pulsar mais rápido, sua respiração acelerou, pode sentir uma calma a invadir, uma sensação tão boa, tão gostosa.

Já estava ficando dependente dele, dependente da presença dele, precisava dele, precisava de seus abraços, precisava sentir os braços fortes e musculosos dele a envolver exatamente como faziam naquele momento. Elena quase ofegou ao sentir as mãos dele em sua cintura, trazendo-a para mais perto, deixando o corpo dos dois colados.

A garota o olhou, um olhar doce, um olhar de amor, fazendo-o sorrir ao ver sua expressão. Os dois ficaram se olhando, um olhar intenso, até que a garota baixou o olhar, sentindo a pele de seu rosto esquentar, ela corou. Sua boca se aproximou da dele, ficou a centímetros.

Fechou os olhos, sentia as mãos dele acariciarem seus longos cabelos, os dedos se entrelaçarem entre os fios. Ela queria, mas ele não iria forçá-la, a garota hesitou, afastou um pouco o rosto, não podia fazer isso. Ela iria se casar, ela sabia disso, ele sabia disso, era errado.

Ainda assim, ela deixou os lábios tocarem o canto da boca dele, um beijinho tão tímido, tão doce, mas o suficiente para que o coração de ambos se acelerasse, um ritmo tão alto, tão forte, os corpos quase desesperavam para dar andamento, para intensificar o beijo, mas Elena se afastou, não soube como conseguiu se afastar, apenas se afastou.

Elena se recompôs, tentou manter a postura, ignorar a tensão, aquela atração magnetizaste, aquele amor que os envolveu naquele momento. Ela tentou ignorar, mas era inútil, porque ele podia ouvir as batidas do coração da garota estourarem em seu peito e isso ela não tinha como controlar, não podia mandar nas reações involuntárias de seu corpo.

Não podia disfarçar a forma como ficara, como todo seu corpo pulsou por ele, como se toda sua alma quis se entregar, não somente ao beijo, mas se entregar completamente com todo seu ser, com todo seu amor.

Seus olhos brilhavam cada vez que ela o olhava, todo seu corpo reagia a ele, queria se jogar de novo nos braços dele e ficar para sempre lá, nunca mais soltar, mas não pode.

Ele também a queria, queria demais, sentia-se em parte frustrado, mas não totalmente, porque, já esperava que a garota hesitasse, por isso deixou a situação nas mãos dela, não queria que ela fizesse nada que fosse se arrepender ou culpá-lo depois.

Só que havia parte dele que queria simplesmente a tomar em seus braços e beijar-lhe da forma mais intensa possível, com todo o amor que guardava em seu peito por ela.

–Acho melhor a gente ir... — Elena disse sem graça, evitando encará-lo diretamente. –Se não eu vou perder o horário. – Ela sorriu, um risinho que não era sincero, não fazia a menor questão de ver de ver docinhos, na verdade não vinha se preocupando, a tanto que todos os preparativos estavam atrasados.

Nos últimos meses, ela vinha se tornando cada vez mais triste, cada vez mais distante, e conforme o tempo ia passando, ela só ficara pior. E piorou mais ainda depois que ela se reencontrou com Damon, porque era ele quem ela amava e não Stefan e sentia como se não pudesse ficar com ele, pelo compromisso que já tinha assumido antes.

–Tá bom. – Damon concordou, não iria insistir com a garota, porque no fundo entendia como ela se sentia, afinal, Stefan era irmão dele e ele se sentiria muito mal o traindo dessa forma. Embora, havia outra parte dele que não queria se importar nenhum pouco, que não ligava com o que o irmão ia pensar ou sentir, queria tanto Elena para si que faria qualquer coisa para tê-la. Só que ele a respeitava, respeitava o suficiente para não forçá-la, para não continuar com isso, a amava demais para não fazer isso.

Os dois caminharam pela extensa galeria, nenhum deles soube em qual momento eles se abraçaram, caminhando dessa forma, juntinhos. Toda a tensão fora substituída por um clima descontraído, como se eles se completassem, se entendessem tão bem, que tudo se ajeitava, tudo se resolvia quando eles estavam juntos.

A garota caminhava aninhada nele, ficando o mais agarradinha que podia junto ao corpo dele, enquanto ele a mantinha junto a si, segurando-a pela cintura. A garota o fitou, com um olhar doce, e sorriu, um riso tão alegre e despreocupado, ela parecia estar tão bem, tão feliz.

Eles passearam daquela forma, como se fossem um casal. Pareciam ser o casal mais feliz e bonito da cidade, possuíam uma sinergia, uma química quanto estavam juntos que era até injusto e incompreensível que não estivessem de fato juntos.

–Ah, faz tanto tempo que eu não venho passear no shopping... -Ela falou, se abraçando ainda mais nele.

–Isso não é um shopping, Elena. — Damon falou num tom debochado, abrindo um sorriso cínico, apertando ainda mais o corpo dela contra o dele.

–Damon! — Ela riu. — É a melhor versão do que poderia ser um shopping para uma cidade do interior, tá bom assim?

–Tá bom. — Ele fez uma pausa. — Mystic Falls não é uma cidade do interior, Elena, é uma cidade no fim do mundo. — Ele ironizou.

–Ahh, eu tinha esquecido que você odeia cidade pequena. — Ela falou. — Mas admite que você gosta nem que seja um pouquinho daqui... — Ela brincou.

–Eu não gosto. — Ele respondeu, sério. — E não vejo a hora de ir embora daqui.

–Não! — Ela protestou, já ficando visivelmente alterada. — Você não pode ir embora de novo. — Ela se entristeceu só de pensar nessa possibilidade.

–E por que eu deveria ficar aqui? — Ele perguntou sério, percebendo o quanto a expressão da garota mudava, se tornando cada vez mais entristecida.

–Porque eu vou ficar com saudades de você. – Ela respondeu sinceramente. – Eu não quero que você vá embora.

–Mas eu não vou ficar não depois do seu casamento. – Não iria ficar mesmo, não tinha o que fazer em Mystic Falls e não tinha o menor interesse ver a garota levando sua vida ao lado de Stefan.

–Ahhh. — Ela baixou o olhar, não podia começar a chorar de novo. – É melhor a gente não falar disso então. – Ela falou sem graça.

–Sim. – Ele concordou. – Eu não quero que você comece a chorar de novo. – Ele fez uma pausa e sorriu. – Eu já sei que eu sou irresistível e você vai ficar morrendo de saudade de mim.

Eles continuaram caminhando lentamente, apesar de já estarem um pouco atrasado, não tinham pressa nenhuma de chegar até a loja. Elena principalmente, podia sentir todo seu corpo protestar contra o trajeto, não queria isso, queria apenas ficar com Damon, não queria saber de festa nenhuma. Uma loja chamou a atenção de Elena, era a joalheria onde Stefan tinha comprado à aliança deles.

Elena parou na vitrine, primeiro olhou para a aliança que tinha em seu dedo, depois para as alianças da loja. Ela não parecia contente, ao contrário, pareceu ficar bem pior. Damon observou cada gesto da garota, tentando decifrar sua expressão, o que não era muito difícil, conhecendo-a tão bem como ele conhecia.

A garota conseguiu abafar o choro em sua garganta, sentia-se tão culpada e ao mesmo tempo tão infeliz com sua situação. Ela se abraçou mais nele, queria fundir seu corpo ao dele, ficar perto o máximo que podia, porque assim doía menos, se sentia tranquila.

Finalmente, chegaram até a lojinha de doces, que era muito bem arrumada, uma decoração romântica, que tinha tudo a ver com a proposta da loja que era doces finos para festas, principalmente festas de casamento. Os dois foram recebidos por uma garota loira, de olhos verdes, muito bonita.

–Elena? — A garota perguntou.

–Sim, sou eu. — Elena fez uma pausa. — Desculpe pelo atraso.

–Ah, imagina! — A garota sorriu. — Isso acontece. — Ela fez uma pausa. — Meu nome é Mandy, podem se sentar, fiquem a vontade, por favor.

Elena e Damon se sentaram lado a lado, enquanto Mandy pegava uma bandeja cheia de docinhos e colocava em cima da mesa para que eles pudessem experimentar.

–Então, quando vocês se casam? — A garota perguntou simpática, enquanto fazia anotações.

–Ahh — Elena ficou sem jeito. — Bem, a gente não vai casar. — Ela fez uma pausa. — Ele é meu cunhado.

–Ai, me desculpe! — Mandy falou sem graça. — Eu não sabia.

–Não tem problema. — Damon respondeu despreocupado. — Todo mundo pensa isso, não é, Elena? — Ele a abraçou e ela permitiu, não falando nada, deixando seu corpo amolecer com o toque dele.

–Então você está solteiro? — Mandy perguntou, quase se insinuando.

–Solteiro, disponível...- Ele respondeu, abrindo um sorriso sedutor. Piscou para a garota.

Elena se contorceu na cadeira ao perceber o que estava acontecendo, ao perceber o tom que os dois usavam, a troca de olhares. Não gostou nem um pouco, na verdade, sentiu uma raiva queimar dentro de si, ao mesmo tempo em que sentiu uma sensação horrível.

Era como se sua depressão tivesse sido trazida a tona novamente, quis chorar, mas se controlou. Na verdade, não tinha muito mais controle das suas emoções, se sentia péssima, sentia raiva, queria pular no pescoço da loira e arrancá-la de perto de Damon. Elena quase a fuzilou com o olhar, fazendo com que a garota percebesse.

–Ai, me desculpe, querida. — Mandy sorriu falsamente. — Eu estava tomando notas aqui, dados sobre a festa que sua amiga Caroline tinha me passado. Pode provar os docinhos, e me diz quais gosta...

–Tá bom. — Elena respondeu secamente, nem deixando a garota terminar de falar.

A morena olhou da mesma forma para Damon, como se quisesse dizer que era para ele parar de flertar com a garota, não estava gostando daquilo nem um pouco. O vampiro percebeu a expressão de Elena, mas ignorou, não conseguiu conter um sorrisinho de satisfação ao ver que ela estava cheia de ciúmes dele.

Era visível o quanto Elena estava com ciúmes, e como estava, mal aguentava olhar para os dois. Nem provarara nenhum dos docinhos, ficou sentada, desanimada, chateada, e com uma expressão que era um misto de raiva e tristeza, estava ficando magoada.

A gota d’água foi quando Elena viu Mandy rasgar um pedacinho de papel, onde tinha anotado seu número e passar por debaixo da mesa, como se ninguém fosse perceber, para Damon, que sorriu maliciosamente para ela ao pegar o papel.

–Olha, eu adorei tudo, tá bom? – Elena falou irritada, se levantando. – Agora, eu vou dar licença para os dois.

A garota saiu enraivecida. Do jeito que ela estava, não soube dizer como conseguiu conter seu choro até que saísse da loja. Não queria que a garota a visse chorando, tinha um mínimo de orgulho, afinal.

Damon percebeu a atitude de Elena. – Bem, com licença. – Ele falou para Mandy e foi atrás de Elena.

Não demorou em alcançar a garota, que ao perceber que ele estava próximo, tentou aumentar o passo, não queria vê-lo. Na verdade, queria, mas não naquele momento. Sentia-se péssima, sentia como se ele não se importasse mais com ela. Estava dramática, até demais. Mas não poderia fazer nada a respeito, já estava emocionalmente vulnerável, muito vulnerável.

–Ei, Elena. – Ele a segurou pelo braço.

–Não, me deixa em paz. – Ela falou, chorosa, tentando segurar as lágrimas como podia.

–O que eu fiz agora? – Damon perguntou, como se não soubesse exatamente porque a garota estava daquele jeito.

–Você tinha que dar em cima daquela vadia? Tinha? – Ela falou áspero, irritada.

–Ela deu em cima de mim. – Ele a corrigiu.

–E você deu bola. – Elena rebateu.

–Ciúmes, Elena? – Ele perguntou irônico.

–Não, lógico que não. – Ela corou. Era óbvio que ela estava com ciúmes e se sentiu ridícula, envergonhada quando se tocou que ele tinha percebido.

–Então é o que? – Ele insistiu.

–É... é que... Eu... – Ela se complicou, não sabia o que dizer. Na verdade sabia, só não podia dizer. Seria tão mais simples se ela simplesmente dissesse que o amava, que não queria se casar com Stefan. Seria tão mais fácil. E ela não precisaria mais conviver com a dor insuportável, com a infelicidade, com todos os sentimentos conflitantes que sentia.

Ela ficaria com ele, e se sentiria bem, se sentiria como se estivesse exatamente onde deveria estar.

–É o que, Elena? – Ele perguntou mais uma vez. Por que ela não dizia de uma vez?

–É que eu não consigo imaginar você... ficand....- Ela hesitou. -... Beijando outra. – Ela falou, tão baixo, como se não quisesse que ele ouvisse. Na verdade, parte dela não queria, e outra parte pulsava para que ele ouvisse, pulsava para que continuasse falando e dissesse o que já estava óbvio há tanto tempo.

Elena baixou o rosto, olhou para o outro lado, envergonhada. Ela pode sentir seu corpo vibrar quando sentiu ele se aproximar dela, os corpos tão próximos. Ele levou uma das mãos ao queixo dela, erguendo delicadamente o rosto da garota, como se quisesse que ela olhasse para ele. Ela suspirou pesadamente.

–Não consegue me imaginar beijando outra? – Ele repetiu a frase dela, insistindo, como se quisesse que ela dessa continuidade aquela frase.

–É não imagino. – Ela disse num tom mais firme, nem sabia onde tinha arrumado aquele tom em meio à confusão que era seus sentimentos.

–Por que não consegue? – Ele perguntou, olhando-a diretamente nos olhos.

Ela respirou fundo, não queria mais saber o que estava fazendo. Não queria mesmo, estava cansada de ficar lutando o tempo inteiro consigo mesma. Ela deixou seu corpo levá-la para mais perto dele, se deixou envolver pelos braços dele. Sentiu-se bem, sentiu-se como se não estivesse fazendo nada errado.

Cada parte dela gritava para que ela não resistisse, não hesitasse. – Porque sou eu que quero beijar você. – Ela falou sentindo a pele de seu rosto queimar de vergonha, cada músculo de seu corpo vibrar. – Eu só imagino você comigo. – Ela nem soube como tivera a coragem de falar, talvez fosse o desespero de perdê-lo.

Depois, ela não falou mais nada, nem poderia. Sentiu-o pressionar o corpo dela contra o dele, e os rostos se aproximarem, os lábios se tocarem. Era impossível dizer quem tinha iniciado aquele beijo, pois os corpos pareciam numa sintonia perfeita, num amor inquestionável.

As línguas abriram caminho entre os lábios, se entrelaçando, fazendo movimentos, percorrendo a boca um do outro, provando o gosto adocicado do beijo que compartilhavam.

Não era só um beijo, era um beijo urgente e apaixonado, ardente e suave. Um beijo que parecia interminável, que era doce ao mesmo tempo intenso, pois havia tanto sentimento nele, tanta espera, tanto amor que se consumava ali. Era como se fluísse paixão, de um para o outro, um amor interminável.

Elena podia sentir seu coração palpitar, bater num ritmo tão forte, tão descompassado, pulsando uma alegria, que a dominava. Uma calma que percorria toda sua alma, uma agitação que invadia seu corpo. Era um misto de sensações incrivelmente boas que não sabia definir, não sabia nem diferenciar.

Só sabia como se sentia, só sabia que se sentia completa, que tinha certeza que o amava e como amava!

E o corpo dele parecia reagir da mesma forma que o dela, como tinha esperado para beijá-la daquela forma, para tê-la em seus braços como naquele instante. Damon só pensava nela, só pensava na sensação boa que era tê-la junto a si, que era sentir o gosto do beijo dela. Nunca amara alguém daquele jeito, daquela forma tão intensa.

O amor de ambos era visceral, por mais que pudessem lutar contra ele, tentar ignorar, o sentimento já estava lá, já estava enraizado e não poderia ser arrancado. Podiam até tentar arrancar, mas era impossível, e cada vez se tornava maior, florescia ainda mais.

Era amor de verdade.

Elena pressionou o corpo contra ele, deixou os dedos se entrelaçarem nos cabelos dele. As bocas não desgrudavam nem um segundo, permaneciam seladas num beijo apaixonante, vigoroso. Damon acariciava a face dela, cada toque dele em sua face era tão delicado, tão carinhoso, e a garota se sentia tão amada.

Ela queria ficar ali com ele para sempre, se render ao sentimento que tinha por ele. Ela deixou as mãos descerem, pela nuca, até chegarem às costas dele, ela acariciou. Pode sentir que as mãos dele também queria percorrer seu corpo.

Ela pode sentir as mãos dele em suas costas, sentindo suas curvas, terminando em sua cintura, a trazendo ainda mais para perto. Não resistiu, apenas continuou beijando. Não queria que aquele beijo terminasse. Eles deram selinhos um no outro, compartilharam sorrisos de cumplicidade, de carinho, de amor.

Foi aí, que ela sentiu a culpa lhe invadir o peito. Ela não queria se importar, queria continuar beijando-o, afinal, era ele quem ela amava. Mas não pudera fazer isso. Sentiu-se incrivelmente mal. Acho que estava sendo errada, que não podia fazer isso. Ela não era a Katherine, não podia se envolver com ambos. Por outro lado, podia sentir a sensação calmante daqueles beijos, como se afastasse completamente qualquer preocupação, qualquer medo que ela pudesse ter.

Ela deu um último beijo, enquanto o beijava, enquanto estava em seus braços, pode suportar a culpa, podia suportar qualquer coisa, porque a forma como se sentia com ele a tornava forte, segura.

Só que ela não podia continuar com aquilo. Não podia ser tão passional, não podia se entregar daquela forma. Ela não podia, ela estava noiva e aquilo era tão errado. Na verdade, era errado apenas porque ela estava noiva, era moralmente errado, mas para seu coração era completamente certo, ela estava beijando o homem que ela amava, afinal.

Ela não soube como, mas recuou, se afastou e ele apenas permitiu. – Isso é errado. – Ela falou quase chorosa, falou enquanto sua alma dizia que não tinha importância, que ela podia sim ficar com ele.

–Elena... — Ele iria falar alguma coisa, mas ela o interrompeu.

–Eu não devia ter feito isso, não devia. – Ela desabou, chorava copiosamente.

Damon tentou dizer algo, tentou se aproximar dela, mas ela se afastou. Sentia tanta culpa.

–Por favor... – Ela pediu. – Eu vou embora. – Ela começou a caminhar, não sabendo exatamente o que estava fazendo.

Damon foi atrás dela, ficando lado a lado com ela.

–Não... -Ela disse. – Não vem atrás de mim.

–Deixa eu te levar para casa, pelo menos. – Ele pediu.

–Não, por favor, não me segue. – Ela chorou. – Eu estou pedindo, me deixa ir.

Ele atendeu a vontade dela, não iria forçá-la. No fundo, já imaginou que aquilo aconteceria.