Elena saiu correndo, nem sabia exatamente o que estava fazendo. Era tanta culpa que sentia em seu peito, não deveria ter feito o que fizera. Mas já tinha feito. Já tinha. E não conseguia se arrepender, embora se sentisse extremamente mal. Se sentia pior, por que achava que deveria se arrepender, mas não se arrependia.

Como se arrepender de ter beijado o homem que ela amava? Não era possível. Ainda assim achava que era errado, afinal, tinha traído Stefan, não tinha honrado a confiança dele. Mas por mais que a garota tentasse pensar nisso, algo diferente vinha em sua mente, queria invadir sua alma.

Era o gosto do beijo de Damon, e como era bom o beijo dele, como era doce, como era repleto de um amor tão grande, um amor que ela podia sentir. Ainda podia sentir, mesmo não estando ao lado dele. Deveria ser a ligação que existia entre os dois, uma conexão tão forte, tão verdadeira, algo que existiria para sempre e ninguém conseguiria destruir. Era um amor que transcendia, era uma ligação de alma, um sentimento visceral.

A garota ainda se lembrava das sensações, de como todo seu corpo pulsou, vibrou enquanto ela o beijava. Nunca tinha se sentido tão bem, tão feliz, tão agitada e tão calma ao mesmo tempo. Era algo que era impossível de se descrever, porque as palavras seriam muito simples, nunca possuiriam a intensidade daquelas sensações, a profundidade se seu sentimento. Era íntimo demais.

A garota chorava copiosamente. Estava tão confusa, tão divida. Não dividida em relação a quem ela amava, em relação aos sentimentos. Ela sabia que amava o Damon, ele era o único que ela amava, sempre seria. Mas se sentia divida entre o certo e o errado. Como poderia ser tão errado e tão certo amá-lo?

Errado porque ela já tinha se evolvido com Stefan antes, os dois eram irmãos, o que piorava tudo. E agora ela estava noiva dele. Era certo porque o sentimento dela por Damon era imensurável, nunca quis se apaixonar por ele, aconteceu, não podia controlar o que sentia. Só ao lado dele, ela se sentia bem, ela poderia ser feliz.

Ele era tudo que ela queria, tudo em que ela conseguia pensar.

Tudo.

Todo seu ser queria empurrá-la de volta para Damon, queria que ela corresse, fosse encontrá-lo, dizer o quanto o amava, que precisava dele, que era dependente dele. Era como se ela estivesse viciada nele, quando estava sem ele, sua vida era horrível, sentia as dores emocionais, que de tão fortes se tornavam físicas, quando estava sem ele.

Precisava vê-lo, precisava estar com ele, abraçá-lo, beijá-lo para se sentir melhor. E cada minuto sem ele era horrível, cada instante que se passava apenas sentia o vazio em seu coração aumentar, rasgar-lhe a alma.

Por que a ausência dele tinha que doer tanto? Por que ela não conseguia mais ignorar? Por que seu sentimento se tornava cada vez maior? Ela não conseguia mais esconder o que sentia de si mesma, não conseguia guardar o sentimento numa parte inacessível de sua alma, simplesmente não conseguia. Por que amá-lo não podia ser simples, fácil?

Elena levou um dos dedos até seus lábios, como se ainda pudesse sentir os lábios dele selados ao dela, pudesse senti-lo, pudesse estar perto dela. Elena chorou mais ainda. Não sabia como ia aguentar sem ele, não sabia como se casaria com alguém que não fosse ele.

Como ela queria estar com Damon, só aquele tempinho sem ele já estava acabando com ela. Mas ela o tinha beijado, acabara tê-lo beijado, de ter provado da sensação maravilhosa que era estar com ele. Era como um sonho maravilhoso. E doía mais agora exatamente por isso, porque ela tinha saído de um sonho para a sua realidade, que para ela, era mais como um pesadelo.

Elena pensou em ligar para alguém, ligar para alguma de suas amigas. Mas não poderia fazer isso. Como faria? Todas as suas amigas sabiam que ela ia casar. Caroline estava organizando sua festa. Bonnie também ajudava. Para quem ela iria falar? Se as duas com quem ela tinha mais intimidade não poderiam saber, não iriam entender.

Possivelmente, até as duas iriam julgá-la e ela não estava pronta para ser julgada. Na verdade, não tinha condições emocionais para isso. Estava abalada demais.

Elena iria para casa. Era o jeito, o único jeito. Iria fingir que estava tudo bem, que não estava acontecendo nada. Ia ser muito difícil fingir, principalmente naquele dia. Seria praticamente impossível. Elena quis morrer. Seu corpo parecia travar, todos seus músculos contraírem, não queria continuar andando.

Na verdade, a única coisa que seria capaz de fazer sem pensar, era dar meia volta e voltar para encontrar Damon. Dizer a ele que queria ficar com ele, não importasse o que, que o amava e isso era o que bastava para ela. Mas não era tão simples assim. Sua consciência não deixava que ela fizesse isso.

A garota olhou para sua mão direita, fitando exatamente a aliança que usava. Só que dessa vez, ela não se sentiu apenas mal, apenas culpada. Elena sentiu raiva, muita raiva. Quis tirar aquela aliança de seu dedo, jogá-la fora, e nunca mais ver, nunca mais saber de casamento nenhum.

Odiou isso, como odiou. Achou que poderia culpar o casamento pela sua infelicidade, se não tivesse ficado noiva, se não tivesse assumido esse compromisso, seria mais fácil. Bem mais fácil.

Elena tentou expulsar o pensamento de sua mente. No que ela estava pensando, afinal? Não podia pensar nisso. Não podia. Mas não conseguia evitar. Já tinha evitado tempo demais e agora estava ficando impossível continuar como se nada estivesse acontecendo dentro dela. Ela não amava Stefan, não queria se casar com ele, mas não tinha coragem de falar.

Nem poderia fazer isso, não tão poucos dias de seu casamento.

Seria uma pessoa horrível se fizesse isso.

Só que depois que Damon retornara, ela teve a confirmação da certeza que ela já tinha. Ela o amava, era dele o coração dela. Como ela poderia mudar isso? Não haveria nada que fosse capaz de mudar. Se fosse há algum tempo atrás, ela até desejaria mudar. Mas não desejava mais, por mais que amá-lo doesse tanto, ela preferia conviver com a dor, mas cultivar o amor que sentia por ele em seu peito, porque assim, se sentia mais próxima dele.

Enquanto ela o amasse, ela tinha certeza que ele também a amaria, mesmo se eles tivessem separados.

...

Elena finalmente chegou em casa. Suspirou aliviada, parecia não ter ninguém ali. Ela precisava ficar sozinha. Precisava chorar, precisava ter raiva, precisava descansar, precisava de paz. Precisava pensar, colocar suas ideias em ordem. Sua alma, seu coração, lhe diziam que ela não poderia continuar daquele jeito, ela precisava de uma decisão.

Ou continuar do jeito que estava; infeliz, ou mudar sua vida. Ela só não sabia se estava preparada para isso. Na verdade, se colocara naquela situação horrível porque nunca estivera preparada.

A garota subiu para seu quarto, cansada. Não se cansou nem da caminhada, que era até bem grande, para casa. Isso era o de menos, se cansou emocionalmente. Eram tantos sentimentos conflitantes, tanto sofrimento, tanta dor, tantas dúvidas e tanto amor. Era mais do que ela podia suportar. Era tanta coisa, que ela nem sabia o que fazer.

A garota se jogou na cama, enterrou seu rosto no travesseiro e chorou. Chorou muito, até demais. As lágrimas vertiam de seus olhos incessantemente. Ela nem tentava parar, nem tentava se recompor. Não iria conseguir mesmo. Mal conseguia pensar, todo seu foco estava na dor que sentia. A mesma dor, de novo. Se o Damon estivesse lá, ela não estaria se sentindo daquela forma, não mesmo.

Nesse instante, Stefan acabara de chegar. Ele vira a garota, a sua nova, jogada na cama, chorando copiosamente. Ele se aproximou dela, preocupado. Já não era a primeira vez que a via tão triste, mas dessa vez, Elena parecia muito pior.

–Elena, amor? – Stefan a chamou num tom carinhoso. – Tudo bem?

Mas será que ele não se tocava que não estava tudo bem? Ela estava chorando, estava arrasada. Lógico que não estava tudo bem. Aquilo só a deixava mais frustrada, ele parecia não perceber, parecia não entendê-la. Era por isso, que Stefan jamais seria o homem certo para ela, ele não tinha a compreendia perfeitamente.

Elena quis gritar, quis dizer que ele era o culpado da tristeza dela, de sua depressão. A culpa era dele. Ela queria se convencer disso. Mas não era e a garota se sentiu pior ainda. Na verdade, a culpa era dela. Foi ela que nunca falou a verdade, que não dizia que não o amava mais, que não assumia seu amor por Damon, que não aceitava aquele sentimento, só porque o julgava errado.

A garota quis morrer, não aguentava mais a culpa que lhe invadia. Sentia-se culpada por tudo, tão culpada. Mas no fim, quem mais poderia ser culpada se não fosse ela? Elena não quis olhar para Stefan, não conseguia. Como iria olhá-lo depois de beijar o irmão dele, a dez dias do seu casamento? Como ela poderia? Como ela foi capaz de fazer isso? Ela era uma pessoa horrível, que não tinha sentimentos. Justo ela que nunca quis ser como Katherine, se sentia igual a vampira.

Amava um irmão, mas estava com o outro também? Por que ela estava fazendo isso? Por que ela não podia tomar uma decisão? Ela não amava os dois, apenas um. Tudo que ela queria era ficar com Damon para sempre, ser só dele e mais ninguém, mas não poderia fazer isso. Não podia fazer isso com Stefan.

–Elena. – Stefan a chamou de novo. Aproximou-se dela, sentou-se na cama, ao lado da garota.

Elena sentiu a presença dele, quis se afastar. Quis se afastar, mas não por culpa, por vergonha pelo que tinha feito mais cedo, mas sim, porque queria ficar sozinha, não queria estar com ele. Não era ele quem ela amava, quem ela queria por perto, não era e nunca seria. Quem ela queria estar perto, ela beijou e depois foi embora, dizendo que era errado.

Ela merecia mesmo estar passando por isso, se sentindo tão triste, tão solitária, a sensação horrível que sempre a acompanhava.

Ele acariciou os cabelos dela, cuidadoso. Mas todo o carinho dele não dizia nada a ela, não naquele instante. Não conseguia sentir nada, seu corpo não pulsava por ele. Se seu corpo estava todo tomado pela sensação horrível de vazio, pela infelicidade que partia seu coração em pedaços e depois partia de novo, parte dela ainda estava inebriada pelo beijo de Damon.

Devia ser por isso que se sentia ainda mais sozinha, sentia mais falta dele, porque tinha se aproximado mais, se envolvido mais. A falta só se tornava maior, mais doída. E doía demais. E do jeito que ela estava dependente dele, dependente dele até para sorrir, ela só se sentiria pior se insistisse em ficar longe.

–Meu amor, me diz o que está acontecendo com você – Stefan insistiu, tão preocupado, aflito.

–Não é nada, por favor, me deixa sozinha. – Ela falou chorosa, soluçando. Não conseguia parar de chorar. E a garota não queria conversar, nem um pouco. Ainda mais com ele. Não poderia desabafar com ele. Na verdade, não poderia desabafar com ninguém e isso era ainda pior.

Ter que guardar tudo para si mesma, não ter ninguém com quem conversar só torna as pessoas mais frágeis, e era isso que estava acontecendo com ela. Bem, ela poderia conversar com Damon, falar todos seus medos, seus sentimentos, poderia ter desabafado com ele. Poderia ter dito o quanto o amava, mas não tinha feito e ela sentia ainda mais raiva de si mesma.

–Elena, não posso te deixar assim. – O vampiro falou, acariciando os cabelos dela. – Eu quero te ajudar, já faz tanto tempo que eu te vejo assim triste, e agora parece que você piorou. – Ele fez uma pausa. – O que aconteceu? Você está magoada com alguma coisa?

Elena se sentiu mal, por ver que Stefan era tão atencioso com ela. Mas ela não o amava, não amava mais. Mas se sentia mal por isso. Ela não podia fazer isso com ele, não podia. E então ela se sentia culpada, muito culpada. Ela não sabia mais o que fazer. Ela chorou, chorou mais ainda. Não conseguia olhar para ele. Ela levantou um pouco o rosto, manteve o olhar baixo. – Tá tudo bem, não é nada demais. – Ela mentiu.

–Não, Elena. O que foi? – Ele levou uma das mãos ao rosto dela, para acariciá-la.

A garota se afastou, involuntariamente. Seu corpo dizia que não queria mais aquilo, seu coração dizia que ela devia falar de uma vez, contar toda a verdade. Dizer que estava apaixonada pelo irmão dele, mas Elena não fez isso, apenas se retraiu. Sentiu-se mal, não podia continuar daquele jeito.

–Saudades dos meus pais. – Ela mentiu, se sentiu ainda pior por contar algo assim, por falar dos pais dela para esconder suas fraquezas, para não ter que falar o que sentia de verdade.

–Eu sinto muito, meu amor. — Ele falou consternado, se aproximou mais dela. Foi para abraçá-la, dizer mais alguma coisa, mas ela se afastou.

–Stefan, por favor, eu preciso ficar sozinha. — Ela pediu, num tom fraco. Já tinha chorado tanto naquele dia que sua voz estava afetada, rouca, não passava de um sussurro.

–Tudo bem. — Ele acabou cedendo, saiu do quarto, atendendo a vontade da garota. -Se você precisar de qualquer coisa, só me chamar, Elena.

...

Damon não conseguia tirar Elena de sua mente, não conseguia parar de pensar na garota, no beijo que eles tinham compartilhado. Ela era tão doce, tão meiga e ele estava tão apaixonado por ela, tão apaixonado. Fazia tanto tempo que ele a amava, e o amor dele só crescia, mesmo não sendo correspondido, mesmo sabendo que ela tinha escolhido seu irmão.

Ainda assim, nunca fora capaz de deixar de amar Elena Gilbert. Era impossível, afinal, ela era tão bondosa, tão altruísta, tão encantadora, tão linda. Tudo nela fazia com que ele se envolvesse ainda mais. O jeito dócil dela era tão envolvente.

Ele ainda se lembrava do beijo dela, da textura de seus lábios, do gosto de sua boca, da maciez de sua pele, do seu perfume... Não conseguia pensar em nada que não fosse Elena. Aquele beijo tinha mexido tanto com ele, tanto. Tudo isso porque ele tinha percebido o quanto ela o queria, podia sentir em cada reação que ela também o amava.

E se ela o amava, ele precisava ainda mais dela. Não conseguiria conviver com a ideia dela casando com outro, agora, conseguia menos ainda.

A vontade dele tinha sido ter ido atrás dela, não deixá-la ir a lugar algum. Mas não podia fazer isso, não podia fazer, por que tinha que respeitá-la, não podia ser egoísta com ela. Ele tinha dito isso a ela, que jamais seria egoísta com ela, mesmo que ela não se lembrasse, ele precisava cumprir isso. Precisava, porque a amava.

Damon precisava de um tempo, precisava processar tudo que tinha acontecido. Decidiu que precisava de uma bebida. Ao menos, o Mystic Grill continuava na cidade, a única coisa que ele poderia considerar boa ali.

O vampiro dirigiu até o bar. Quando chegou foi direto até a bancada, puxou uma cadeira, se sentou ali e pediu uma dose de Whisky, que ele bebeu de uma vez só. Precisava beber, precisava de alguma coisa que fizesse com que ele se sentisse melhor. Pediu logo mais duas doses, virou uma atrás da outra.

–Damon? — Alaric acabara de chegar ao bar e logo reconheceu o vampiro.

–Ah, oi Ric. — Damon falou desanimado, se fosse em outra ocasião, teria ficado feliz em rever o amigo, mas não naquele dia. Não quando tudo que existia em seu mundo era Elena.

–E aí, cara? Quanto tempo. — Ric deu um tapa nas costas dele. — Veio para o casamento do Stefan?

–Pois é. — Damon deu mais uma golada no Whisky, não estava afim de conversar. Ainda estava concentrado em Elena.

–Cara, você não está legal. — Alaric conhecia muito bem o amigo, para saber que tinha algo de errado com ele. — O que aconteceu?

–Elena... — Ele respondeu, se fosse em outra ocasião, ele teria fingido que está tudo ótimo, mas não naquele dia, não conseguia, Elena sempre o modificava, sempre o envolvia, o tornava mais humano. E era como se ele precisasse desabafar, era até estranho, mas ele precisava.

–Ah, não acredito nisso. — O professor falou incrédulo. — Damon, você precisa esquecer a Elena...

–Nós nos beijamos hoje... — Ele falou, quase se perdendo na lembrança de tê-la em seus braços, em beijá-la com tamanha paixão. Já sentia falta da garota, já sentia falta de seu sorriso doce, de seu jeitinho meigo, de como ela ficava perto dele, tão frágil, tão sensível.

–Você não devia ficar em cima dela. — Alaric falou ainda surpreso — Ela vai se casar com o Stefan.

–Eu sei. — Ele fez uma pausa. — Mas ela não pode casar. – Não, ela não podia mesmo se casar. Ele não iria suportar vê-la casada, não iria, pois, ele a queria para si, queria ainda mais do que antes. Depois que a beijou teve certeza, que ela também o queria, e isso, lhe deu esperanças, que ele não deveria ter.

–Cara, você tem que desistir da Elena.

–Não, eu não tenho. — O vampiro falou irritado e foi aí que ele se tocou que não tinha que desistir dela, não enquanto tivesse certeza que ela também sentia algo. Não podia deixá-la escapar dele, por mais que ele quisesse deixá-la ir, não conseguia. Ele sabia que ela não queria se casar, que não estava feliz, estava óbvio, estampado no olhar entristecido dela. Se ela estivesse realmente feliz, teria conseguido desistir dela, por tudo que ele queria era a felicidade dela, que ela sorrisse, mas ela não estava.

Só que ele via como ela mudava quando estava perto dele, ela precisava dele e ele precisava dela.

Damon deu um último gole em sua bebida e se levantou. Deu um sorriso cínico para Alaric, que ainda o olhava de forma reprovadora, e falou. – Você pode ficar com a minha conta.

Ele foi embora, precisava falar com Elena, precisava conversar sobre o que tinha acontecido. Precisava tentar novamente. Precisava ficar com ela, estar perto dela, consegui-la para si.

...

Elena precisava sair de casa, precisava de um pouco de ar. Precisava sair e ir para um lugar onde ela não fosse encontrar ninguém, pudesse ficar consigo mesma e com seus pensamentos. Ela nem se arrumou direito para sair, colocou a primeira roupa que encontrou, não ligou nem se estava combinando as cores ou não. Só precisava sair.

Quando a garota estava abrindo a porta deu de cara com Damon, pode sentir todo seu corpo reagir a ele, como sempre reagia. Era algo que ela não podia controlar, era quase como uma resposta natural de seu corpo cada vez que o via, que estava próxima a ele.

Ela corou, tentou evitar olhá-lo, porque se seus olhos encontrassem os olhos azuis como o mar não conseguiria resistir, se perderia nele, se perderia no amor que sentia por ele e ela não podia deixar isso acontecer. O que tinha feito de manhã já tinha sido completamente errado, apesar de ser a melhor coisa que ela já tinha feito. Da mesma forma, que ela reagia a ele, Damon também reagia a ela.

Podia sentir todo seu corpo pulsando, todo o desejo de abraçá-la, de trazê-la para perto, sentir seu corpo junto ao dele.

–Elena, a gente precisa conversar. – Ele disse, olhando-a, contemplando o quanto a garota era linda, encantando-se com o jeito dela, em como a expressão dela ia mudando perto dele. Achou graça quando ela se encolheu e baixou o olhar, quase envergonhada ao sentir-se olhada. Ela era tão dócil.

–Não, Damon, por favor. – Ela falou num tom fraco, tão baixo. Sempre falava naquele tom tão frágil quando estava perto dele. – A gente não tem nada para conversar. – Ela mentiu, falou da forma mais firme que pode, mas não convenceu. Estava claro que ela estava mentindo. Sentiu uma dor lhe invadir só por ter falado com ele daquele jeito, já se sentiu incrivelmente mal.

–Não precisamos? – Ele perguntou incrédulo. – O que você vai fazer Elena? Vai fingir que não aconteceu nada? É isso que você vai fazer? – Ele não podia acreditar que ela ia continuar com isso, ia continuar negando o que sentia, o que tinha acontecendo entre eles. Nesses momentos, ele tinha vontade de deixá-la sozinha, mas nunca conseguiria fazer isso.

Podia até tentar, mas jamais conseguiria, seu amor por ela era grande demais, era incondicional, não importava quantas vezes ela lhe dissesse não, ele sempre iria amá-la.

Ela se encolheu ainda mais com as perguntas dele. Era só uma questão de tempo para que ela começasse a chorar. Podia sentir a dor de estar se privando, novamente, de estar com ele, de admitir seu amor. Ao mesmo tempo em que estar com ele era tudo que ela precisava, tudo que fazia com que ela se sentisse bem, era também, o que a estava fazendo sofrer, exatamente, por não poder estar realmente com ele.

Sofria por não se entregar a ele, o que era uma escolha somente dela.

–Não não precisamos – Ela respondeu, saindo de casa, indo em direção à rua, queria fugir dele. Na verdade, não queria, seu corpo gritava para que ela falasse a verdade. Já tinha chorado tanto só porque não tinha ficado com ele depois do beijo e invés de reparar o erro, insistia nele.

– O que aconteceu foi só um beijo, nada demais. – Ela suspirou pesadamente, tentando conseguir forças e coragem para sustentar aquela mentira. – E não vai acontecer de novo, não vai.

Ela foi andando, mas ele a puxou pelo braço. Por mais que as palavras dela pudessem feri-lo, afinal, eram mais um não. Ela só lhe dizia “não”. Damon não conseguiu acreditar no que ela dizia, porque quando ela o beijou, quando ela disse que o que tinha dito mais cedo, que era ela quem queria beijá-lo, que queria estar com ele, seu tom era diferente, era mais sincero.

Ele podia reconhecer quando ela estava falando a verdade e quando não estava.

–E você acha que eu vou acreditar nisso? Que não foi nada? – Ele falou afetado, tendo que controlar todo seu corpo para não a tomá-la em seus braços e beijá-la novamente, porque sabia que quando eles se beijassem de novo, ela não conseguiria mentir, não conseguiria evitar o sentimento. Da mesma forma que ele também não conseguia.

Com ela, ele já não conseguia fingir que não se importava, parecia que essa capacidade dele fica afetada demais perto dela.

–É, eu quero. – Ela falou, num tom mais forte que conseguiu forjar. – Não foi nada e eu não senti nada.

–Elena, é incrível essa sua capacidade de negar o óbvio.

–Eu não estou negando. Eu estou te falando à verdade, não foi nada.

Ela tentou fugir, tentou se retrair, tentou falar firme, rude, mas nada disso adiantava. A verdade era que ela estava realmente negando o óbvio, tentando negar até para si mesma, mas já não conseguia mais. Seu coração se despedaçava em tantos pedaços, sua alma se rasgava, como se fosse feita de um material tão frágil.

Não era possível que ela deixasse sua culpa ser maior do que seu amor, na verdade não era, nunca seria. É que ela julgava que poderia esconder o amor que sentia e como estava enganada não conseguia, não mais.

–E o que você me disse? – Damon perguntou, percebendo que ela se encolhia, como ela mudava quando ele falava, quando os olhares deles se encontravam. – Você acha que eu não consigo perceber a forma como você se sentiu?

–Damon, não, de novo não, por favor... – Ela falou já chorosa, a verdade chegava nela e a abalava. Ela já tinha demonstrado, já tinha mostrado seu amor. – Você sabe que eu não posso. – Ela balançou a cabeça negativamente. – Eu vou me casar.

–E é isso que você quer? – Ele se aproximou mais dela, acariciando sua face. Elena amoleceu, a mão dele em sua face, o contato da pele dele com a dela, que deixava uma sensação tão boa nela, que se irradiava por todo seu corpo, deixando uma sensação tão boa.

Como ela podia negar que não sentia nada, quando ela sentia tanto? Um mero carinho, um mero toque já a deixava daquela forma. Ela não conseguia enganar ninguém mais, nem a si mesma, porque ela sabia que estava indo para a escolha errada se ela se casasse com Stefan, ela sabia.

Ela sabia que era Damon quem ela amava.

–Por favor, não me pergunta isso. – Ela fez uma pausa, baixou a face, fechou seus olhos. – Não faz isso, por favor. – Ela pediu num sussurro.

–Por que eu não posso te perguntar? – Ele insistiu. – Por que você não quer falar ou por que você tem medo da verdade? – Ele queria fazê-la falar, não podia continuar com aquilo, não podia continuar com ela fugindo dele.

–Por que eu não posso te responder. – Ela o olhou, sentiu-se bem só de ver o olhar dele. Como ela podia se sentir tão bem perto dele? – É errado, Damon.

–Só porque você quer que seja errado. – Ele acariciou mais o rosto dela, ela levou a própria mão a dele, com a intenção de afastá-la, mas não conseguiu, ao invés disso, ela acariciou.

–Não, é muito errado.- Ela tentou se afastar, mas seu corpo não se movimentou um centímetro sequer. – Eu não posso fazer isso, eu não posso.

–Tudo bem. – Ele fez uma pausa, para olhá-la novamente. – Eu vou te deixar em paz.

Ela ficou o olhando, sentiu seu corpo se aproximar dele involuntariamente. Queria se agarrar nele, sentiu uma dor tão grande quando ele disse o que acabara de falar, que a deixaria em paz. – Não, não me deixa, por favor. – Ela se jogou nos braços dele, chorando, o abraçando forte, precisava sentir o corpo dele contra o dele, sentir o calor dele a aquecendo, aquecendo seu coração. Sentiu-se tão bem, se sentia assim automaticamente cada vez que o abraçava.

Só que, naquele instante, só um abraço parecia não ser suficiente. Desde que o beijara, só conseguia pensar nisso, pensar no gosto dos lábios dele, das sensações que tivera quando o beijava, do sentimento pulsante, do amor visceral que sentia.

Ela precisava beijá-lo, mas não o fez. Damon a abraçou, a recebeu em seus braços, como todo o amor que tinha por ela, não gostava de vê-la tão triste, tão confusa, só queria que ela fosse feliz e ela não estava sendo. Ele acariciou os cabelos dela, enquanto ela pressionava ainda mais o corpo contra o dele, procurando um refúgio nele, um lugar onde ela não precisasse mais chorar.

–Não me deixa. – Ela pediu novamente.

–Elena, eu tenho que deixar. Eu não posso continuar com isso, não está fazendo bem para ninguém. Olha como você está. – Ele a acariciou novamente. – Eu só quero que você me responda uma coisa antes.

–O que? – Ela perguntou, ainda abraçada nele.

–Você vai ser feliz se você se casar com o Stefan? Ou melhor, não precisa nem me responder, só pensa nisso.

Ele quis se afastar dela, mas ela não deixou, se manteve agarrada nele. – Você não vai embora vai?

–Não, eu vou ficar até o dia do seu casamento e depois eu vou embora.

–Mas eu não quero que você vá nunca.

–Mas não tem jeito, a menos que você mude de ideia no que está fazendo.

– Eu penso nisso o tempo inteiro. E não sei mais o que fazer.

–Você sabe, mas tem medo. – Ele a corrigiu.