The Wedding
3 Capítulo 3
Elena já não sabia mais o que estava fazendo, não sabia mais o que pensar, porque cada vez que ela estava com ele, porque cada vez que ela o abraçava algo nela mudava, algo nela se acendia, uma chama tão forte, podia sentir seu coração pulsar de um jeito diferente, um jeito especial, acelerado, como se com aquelas batidas tão fortes e descompassadas quisesse gritar alguma coisa.O problema é que ela sempre abafava aquele grito, sempre ignorava, fingia que não ouvia, fingia que não sentia, porque era exatamente o que ela precisava fazer, por que era errado e ela não podia, simplesmente não podia.
Ela tinha subido para seu quarto o mais rápido que pode, como se estivesse fugindo, como se precisasse evitar a forma involuntária que seu corpo reagia ele. Precisava evitar, porque se deixasse aquilo continuar, seria impossível continuar negando, seria impossível não se deixar levar, seria impossível, isso mesmo impossível. Porque sentia como estava por dentro, sentia exatamente a forma como todo seu corpo pulsava ansioso por ele, a forma como seu coração palpitava, a forma como seus lábios queriam desenhar um sorriso quase que instintivamente, a forma como seus olhos brilhavam, a forma como todo seu ser parecia se encher de uma alegria quase inexplicável, mas que tinha toda a explicação, era quando ela estava com ele, somente quando ela estava com ele.E ela sabia que era somente quando estava com Damon que ela se sentia daquele jeito. Nem com Stefan ela se sentia assim, ela se lembrava de todas às vezes eles se abraçaram, se beijaram e foram ainda mais além, nem os momentos mais íntimos tinham sido tão intensos, tinha feito com que ela se sentisse como se sentiu quando abraçou Damon por duas vezes naquele dia.Ela não podia se sentir assim, mas se sentia, ela tinha que negar, tinha que achar alguma forma de apagar isso dela, mas não conseguia, tinha que ser mais forte que isso, tinha que ser, mas não estava sendo, não conseguiria mais ser. Como poderia ser? Como ela poderia negar um amor que invadia seu peito, que corria em suas veias mais intensamente que seu próprio sangue, que se alojava nas entranhas da sua alma, que se fundia ao seu próprio ser como se fosse parte dela, como se ela já não pudesse mais viver sem aquela parte? Sim, ela o amava, e como amava.Elena fechou seus olhos, respirou profundamente enquanto levava uma de suas mãos até seu peito, exatamente na área onde estava seu coração, podia sentir o quanto ainda estava abalada, como ela ainda estava daquele jeito. A verdade já se tornava inegável, se antes podia ser mascarada, agora não podia ser mais.Ela amava Damon, não deveria amar, mas amava e já não havia nada que ela pudesse fazer para impedir esse sentimento, ele já tinha crescido dentro dela, já tinha florescido e diferentemente de uma planta que você pode, simplesmente, arrancar suas raízes, tirar da terra, não se pode arrancar um sentimento do próprio coração, é impossível, porque as raízes são tão profundas e tão fortes que tornam isso um trabalho ineficaz, apenas machuca, arranha, mas não se consegue tirar de lá e Elena Gilbert estava começando a entender isso, entender melhor do que gostaria, percebendo um sentido, uma verdade que não gostaria que fosse real, mas se era a verdade, era real.Tudo bem, ela não podia mais negar, não podia mais evitar que o amava, mas isso não mudava nada, não poderia mudar, porque ela não podia mudar seus planos, mudar as decisões que já tinha tomado. Talvez, se ela tivesse sido menos teimosa consigo mesma, talvez se ela tivesse deixado seu coração comandar, nem que fosse por um simples momento, talvez ela não estivesse naquela situação agora, mas ela não tinha deixado, já estava feito.E ela não poderia mudar, já tinha passado do momento onde ela poderia retornar voltar atrás e mudar, mas ela já tinha ido muito longe, já tinha cruzado uma linha que não a deixava mais fazer isso. Se ela se arrependia de ter, ao menos, se deixado parar, para pensar, para sentir, para entender seus sentimentos, lógico que ela se arrependia e como se arrependia, mas teria que carregar tudo isso até o fim.Ela não tinha como desfazer mais as coisas, ela iria casar, e por mais, que essa ideia se tornasse cada vez mais dolorida, doía mais a cada dia que se passava, quanto mais à data se aproximava, ela ainda assim iria se casar. O que ela diria para Stefan, afinal? Não tinha nada para dizer. Elena tentava se agarrar a ideia que se ela o tinha escolhido era porque ela o amava. Talvez se sentisse daquela forma em relação a Damon pelo tempo que eles não se viam, pela relação de amizade que eles mantiveram durante tanto tempo, por ela saber que ele a amava tanto.De alguma forma, não muito racional, na verdade, uma forma desesperada, ela ainda tentava se iludir, ainda tentava negar. Só que seu coração doía tanto, a dor era tão forte que se tornava física, doía em cada parte, por mais mínima que fosse, de seu corpo, doía tanto, doía numa dor visceral, doía de dentro para fora, de fora para dentro, doía de todas as formas que alguém podia sentir dor, de todas as formas que alguém podia sofrer.Elena se deitou em sua cama, na verdade,se jogou na cama macia, tentando relaxar. Estava cedo demais para dormir, ainda mais para ela que se habituara a dormir tarde, mas não naquele dia, naquele dia, ela precisava dormir. Sentia-se exausta, não fisicamente, mas emocionalmente, a verdade é que a exaustão emocional contagiava seu corpo e a deixava tão cansada, tão desanimada, e bem, ainda tinha a dor, a sensação horrível de vazio, de solidão, a sensação que não iria passar.
Ela precisava dormir antes que essa sensação se intensificasse, porque se deixasse isso acontecer, seria mais uma noite que ela não conseguiria dormir, que ela choraria de novo, que ela se sentiria desesperada.Ao menos, Stefan não estava lá, não tinha chegado ainda, e não a veria daquele jeito, tão abatida, tão abalada, Elena preferia que fosse assim, não queria que ele a visse vulnerável como viu naquela noite. Não queria mentir para ele, ou melhor, não queria mentir mais. Não queria ter que revelar o real motivo de sua tristeza, de sua insônia.A verdade é que ele não merecia isso, não merecia o que ela estava fazendo com ele, não merecia que ela não o amasse mais como amara e não falasse nada, não merecia que ela continuasse com tudo aquilo, quando em seu peito, tudo já era uma farsa, porque seu coração já batia por outro.Também era igualmente injusto o que ela fazia com Damon, ela o amava, amava tanto, amava com todo seu ser, amava com seu corpo, com sua alma, amava profundamente, com todas suas forças. Ela o amava, mas dizia que não amava, ela escondia dele seus reais sentimentos, mesmo sabendo o quanto aquilo o fazia sofrer, porque ele a amava demais, porque queria estar com ela, mas ela não permitira. Elena o magoava, dizia para que ele não insistisse, para que ele não tivesse esperanças com ela, porque ela nunca iria corresponder, porque ela não sentia nada em relação a ele.No fim, ela acabava sendo pior que a própria Katherine, pois mentia para os dois, não era sincera, pensou tanto em si, no que julgava moralmente correta, que acabou por ser moralmente reprovável, por fazer o que ela dizia que nunca faria. No fundo, ela estava manipulando, estava jogando, e ainda, quem vinha se machucando também era ela mesma. Ela fazia mal a si mesma, tudo isso para não ser igual a vampira, para ser diferente, acabou não sendo ela mesma, acabou sendo alguém horrível.Ela puxou a coberta, cobrindo todo seu corpo, iria dormir daquele jeito mesmo, vestida mesmo. Sentia tanto frio, sentia tanta culpa e tanta dor. Ela já não sabia o que fazer com tantos sentimentos tão ruins, tão negativos, que a castigavam tanto. De alguma forma, ela teria que resolver a situação que provocara. Só que como ela mesma acreditava, não podia mais voltar atrás, ou seja, acabaria resolvendo com outra mentira, da pior forma. Ela precisava de uma fórmula mágica, ela precisava de alguma coisa que a fizesse amar Stefan e a fizesse esquecer Damon.O problema é que se alguém lhe oferecesse esse remédio, essa mágica, ela não aceitaria, jamais aceitaria, principalmente porque não poderia esquecê-lo, não haveria nada suficientemente forte que conseguisse apagar o que ela sentia, e mesmo se houvesse, ela rejeitaria, rejeitaria porque ainda preferia a dor, a perder todas suas lembranças, a perder as sensações boas que tinha quando estava com ele, quando o via, quando o abraçava.E naquele instante, ela sentiu medo, um medo tão forte, um medo que a fizera estremecer. E se ele não a amasse mais? Damon estava tão diferente, tão frio. Ele não tinha tentado nada com ela, na verdade, parecia que a proximidade dela o incomodava, como se ele não quisesse estar com ela. Ele não era do tipo que iria desistir dela tão fácil, não se a amasse, só que ele parecia que tinha desistido que não se importava mais.Mas depois de tantas que ela já tinha feito, era natural, ela já deveria esperar. Ele não iria ficar a amando eternamente como fizera com a Katherine. E essa ideia só a fez se sentir pior porque julgou que ele devesse ter amado mais a Katherine do que a ela, e se sentiu ainda pior, porque percebeu o quanto era egoísta, queria que ele a amasse, mesmo com ela lhe dizendo que não o amava, que não correspondia. O que Elena não percebia era o motivo pelo qual Damon a estava tratando daquela forma tão fria, tão distante, era exatamente porque a amava, amava tanto. Ele não podia mais se aproximar dela, porque só a amaria mais, se envolveria mais com ela e ele não podia fazer isso, não era saudável. Se não fosse bom só para ele, ele continuaria, mas ele precisava respeitá-la, respeitar a decisão dela; ela não queria estar com ele, ela não o amava e já tinha deixado aquilo claro.Ele não queria e nem podia forçá-la a sentir algo que ela não sentia, mesmo se pudesse obrigá-la, não faria isso, não seria real e seria tão injusto e egoísta, e ele jamais seria assim com ela, por isso se mantinha tão arredio a ela. Se mantia distante mesmo quando ela deixava transparecer um sentimento, algo a mais, porque mesmo se ela sentisse, seria como se ela não sentisse, porque não admitia, mas ela não estava pronta para isso, talvez nunca estivesse.Elena fechou seus olhos, tentando interromper, sem sucesso, as lágrimas que vertiam de seus olhos incessantemente. A dor parecia que não iria acabar nunca e não ia mesmo, só iria piorar conforme o tempo passasse até que se tornasse insuportável, Elena já tinha ciência disso, sabia que só iria se sentir pior e pior e não podia fazer nada a respeito. Ela pensou em levantar, pegar seu diário e desabafar, mas não tinha forças nem para isso, tinha se curvado em seu próprio corpo, por debaixo da coberta, essa era a única posição que ela conseguia ficar, porque encolhida daquele jeito, doía menos.Depois de algumas horas, depois que seus olhos estavam vermelhos, inchados, depois que sua garganta ardia, e seus músculos doíam de tanto que ela chorara, Elena deixou-se invadir pelo cansaço extremo e o sono a venceu, fazendo-a, finalmente, adormecer. Pelo menos, enquanto dormia ela não sentia dor alguma. Na realidade, Elena perdeu-se em seus sonhos, mergulhando nos acontecimentos que sua própria mente produzia.Elena ainda conseguia se lembrar das expressões de incredulidade, dos olhares espantados, assustados, e também da decepção que fora direcionada para ela quando a garota simplesmente abandonou tudo, saíra correndo. Corria na maior velocidade que podia, corria antes que alguém a alcançasse, corria antes que pudesse perdê-lo.Só que era muito difícil correr como ela estava, com os sapatos altíssimos, o longo vestido branco, que cobria todo seu corpo, fazendo com que ela parecesse uma princesa. Ainda assim, ela continuava correndo o mais rápido que podia, olhava para trás para ver se ninguém estava por perto, que ninguém fosse obrigá-la a voltar. Em seguida olhava, procurando por algo ou por alguém, buscava alguma referencia.Ela tropeçara várias vezes e em algumas dessas vezes ela caíra, fazendo rasgos em seu vestido, que ela segurava com as duas mãos, para facilitar sua locomoção. Também se machucara, suas mãos sangravam, ardiam, de tantas vezes que ampararam sua queda, seu corpo se ferira diversas vezes, mas ainda assim, ela insistira em continuar correndo. Seus pés estavam recobertos de bolhas, de pequenas feridas provocadas pelos sapatos, até que ela achou melhor tirá-los, largando-os pelo caminho, não teria apego a isso.Seus cabelos emaranhavam com o vento, o penteado que levara horas para ser feito se desmanchava. Antes seus cachos presos ao topo de sua cabeça, agora caíam, rebeldes, em seu rosto. Ela sentia o peso da tiara que usava, que agora a machucava, ela também a tirou e fez o mesmo que fizera com os sapatos, jogou longe, não precisava daquilo, afinal.Por onde ela passava, atraía a atenção de todas as pessoas, que a olhavam curiosas, questionadoras, alguns até achavam graça, pensavam que ela lembrava alguma personagem, lembrava alguma cena de filme romântico, outros a julgavam, mas ela não se importava mais, não ligava mesmo.Elena já corria a um tempo considerável, seus pés se machucavam cada vez mais, sentia o ardor, sentia o relevo das ruas o ferindo, por fim, sentia o sangue verter, sentia a dor, mas era uma dor que ela poderia suportar, era muito menor do que a dor interna que ela teria se não estivesse fazendo aquilo tudo.Ela passou das ruas, para a terra batida, até chegar à grama de um parque imenso, a grama que machucava menos, mas pouco importava se doía ou não. Seu vestido branco arrastava no chão, ficando imundo, com folhas que grudavam em sua barra, mas estava tudo bem. Ela continuou correndo, procurando, mas não achava, não achava de jeito nenhum.A garota começou a sentir um desespero horrível consumir suas entranhas, ela já não pensava em mais nada a não ser nele. Elena acabou caindo, tropeçou na raiz de uma árvore, se machucou ainda mais. Um rasgo profundo se abriu em seu vestido, seus joelhos se feriram, uma de suas mãos, ao ampará-la, foi de encontro com um galho, que a furou e ela soltou um grito de dor. Tirou as luvas que estavam a farrapos, revelando todo o sangue e cortes que possuía. Feriu o rosto, também, um corte em uma de suas bochechas, mas tudo bem.
A única coisa que a incomodava era a sensação de desespero, de vazio, de dor. Por que ela tinha que se sentir daquele jeito mesmo depois do que tinha acabado de fazer?Ela se abrigou, se recostou na árvore que a tinha ferido, não ligava para a ironia da situação, não ligava para mais nada a não ser para ele, que não estava lá. Elena já estava imunda a essa altura, suja da poluição, suja de terra, suja do próprio sangue, mas não se importava nenhum pouco.Na verdade, ela apenas chorava, chorava muito, copiosamente, achou que nunca mais iria parar de chorar. Ela se encolhe, aproximou os joelhos do corpo e os envolveu entre seus braços, ficou naquela posição, chorando, apenas chorando, se lamentando que talvez tivesse sido tarde demais.Foi então que ela ouviu algum barulhinho que lhe chamou a atenção e ela olhou para o topo da árvore, na verdade, olhou para um de seus galhos e pousado nele, havia um corvo negro, um corvo que lhe chamou a atenção. Por mais que parecesse estranho, ela tinha certeza que aquele pássaro a observava, a estudava, cuidadosamente.E Elena também o observou, havia algo incrivelmente familiar nele, alguma coisa que despertava algo dentro dela, que fazia seu coração acelerar tremendamente. Ela não sabia por que, mas o amava, sim, ela amava aquele pássaro, tinha algum tipo de ligação com ele.Ela reuniu as forças que lhe haviam restado, e se levantou, caminhou até ficar bem próxima do galho onde o corvo estava pousado, era uma altura relativamente, baixa. Nas pontas dos pés, Elena tentou alcançá-lo, precisava tocá-lo, queria aquele pássaro para si, mas ele voou como se zombasse dela e pousou num galho mais elevado. Ela sorriu afetada, de certa forma, se sentindo melhor, percebendo que o vazio dentro dela diminuía.Elena levantou um pouco o vestido, segurando-o com uma de suas mãos, com a outra, ela se apoiou em um dos galhos, apoiou uma de suas pernas também, ela estava decidida a pegar aquele pássaro, tê-lo com ela. –Você vai cair- Ela ouviu uma voz em sua mente, a provocando. –Eu não vou. – Ela respondeu alto, rindo, se sentia provocada.Ela quase escorregou diversas vezes, mas ainda assim, insistiu em subir naquela árvore, insistia naquilo, e quando estava quase chegando até ele, o corvo simplesmente voou para longe, para longe dela. Ela sentiu seus dedos tocarem o vazio e sentiu vontade de chorar. Parecia que ele queria que ela o perseguisse, pois, voou preguiçosamente, como se desse tempo para que ela pudesse descer da árvore com cuidado e continuasse atrás dele.Quando ela finalmente estava no chão novamente o corvo acelerou seu voo, e ela tivera que voltar a correr, estava exausta, mas ainda assim precisava continuar, podia sentir o suor melar seu rosto, sentia o sangue já endurecido, a terra, ela estava toda suja. Elena, também, podia sentir suas feridas arderem, doerem ainda mais quando ela voltou a correr, ela não deveria estar correndo, fazendo ainda mais esforço, só se machucava mais, mas insistia com aquilo.Pudera sentir as contrações de seus músculos fazendo um esforço exagerado, forçando mais do que poderiam, mas ainda assim, ela continuava, sentindo todo seu corpo responder à dor, mas ao mesmo tempo, respondia que poderia continuar, porque de alguma forma, quando ela viu aquele pássaro uma sensação boa, uma sensação tão familiar a tomou, ela não estava só indo atrás de um corvo, não mesmo.Elena correu um bom tempo, pela grama, entre a vegetação do parque, subindo um tipo de ladeira íngreme, a cansando ainda mais, fazendo seu vestido rasgar-se completamente, na barra. Ela tinha que prestar mais atenção do que podia para não continuar caindo para não tropeçar de novo, mas a verdade, é que do jeito que ela estava vestida, não era o jeito certo para ninguém correr alucinadamente como ela estava fazendo. Seu coração batia o mais rápido que podia, seguido de uma respiração que ofegava, o esforço físico era imenso.Depois do tanto que correra, ela pode ver ao longe, uma casa, uma mansão, ou melhor, algo que se assemelhava a um lindo castelo. Era para lá que aquele corvo que ela gostava e queria tanto tinha ido. Elena parou para pensar um pouco para analisar seu estado deplorável, não poderia entrar num castelo daquele jeito, estava tão suja, tão feia, as feridas, misturavam com o suor, com o sangue, com a sujeira da terra, com o borrado de sua maquiagem, ela estava horrível.Ainda assim, ela continuou, precisava continuar, correu os últimos quilômetros que poderia correr, seu corpo estava vermelho, consequência do desgaste físico, estava cansada, mas mesmo assim, ela se sentia bem. Sentia que estava perto dele, tinha certeza porque conseguia senti-lo, não tinha explicação, mas ela podia sentir.Elena chegou até a entrada do castelo, ponderou, a porta estava aberta, era como se estivessem esperando por ela. Ela não hesitou mais, adentrou o local, que era lindo, suntuoso, imponente. Aquilo a fez sorrir, ela continuou, deu mais alguns passos até chegar a um lindo e adornado salão, iluminado por luzes fracas.E foi quando ela o viu, no centro do salão, usava roupas de gala, assim como o vestido dela costumava ser. Só que ele estava lindo, aquele sorriso irresistível, que fizera com que ela risse de vê-lo, os olhos azuis que possuíam um brilho especial, que podiam alcançar o fundo da alma dela.Ele estava lindo naquele smoking preto, ele era perfeito. Já ela estava horrível, mal tratada, suja, machucada. Num impulso de vaidade, ela tentou ajeitar os cabelos, tentou limpar o rosto, mas a vaidade foi vencida pela ansiedade de chegar até ele. Elena pode sentir seu corpo exausto responder de uma forma surpreendente, pode sentir todo o cansaço dar lugar as sensações que ela tinha quando o via.–Damon. – Ela exclamou quando correu e se jogou nos braços dele, que a receberam com tanto amor, o envolvendo num abraço forte, exatamente o abraço que ela precisava. Podia sentir sua alma se acalmar e ao mesmo tempo se agitar, era porque seus medos e inseguranças diminuíam enquanto sua felicidade, sua alegria, se tornava maior. Seu coração já estava acelerado devido ao tanto que correra, só as batidas agora se mantinham naquela frequência por outro motivo, na verdade, alternavam para uma frequência especial, a respiração ofegava, acompanhava seu coração, mas também queria experimentar o perfume dele. Ela ergueu seu rosto, que afundara anteriormente no corpo dele, para fitá-lo para olhar diretamente para o mar azul que eram os olhos dele. – Você estava aqui me esperando. – Ela sorriu, abalada, feliz, eram tanto sentimentos, que ela deixou as lágrimas verterem de seus olhos.–Eu sempre estou te esperando. – Damon respondeu sinceramente e sorriu, trazendo o corpo dela para ainda mais próximo dele, precisava senti-la, precisava tê-la, precisava tanto dela. Ele parecia não se importar nenhum um pouco em tê-la naquelas condições, não ligava para como ela estava fisicamente, porque não somente sua aparência, amava principalmente quem ela era. Ele acariciou os cabelos dela, que estavam cheios de nó, embolados, mas ainda assim, conseguiu apreciar a sensação. Era Elena que estava ali de um jeito ou de outro.Elena chorou ainda mais ao ouvir as palavras dele, ele a estava esperando. Ao menos, valeu cada machucado que ela tinha conseguido para chegar lá. Qualquer coisa valia, pois a sensação de estar com ele a curava. Ela sentiu as mãos dele levantarem com carinho o seu rosto e lhe enxugar as lágrimas. A garota sorriu, deixou suas mãos alcançarem as costas dele e acariciar. Como ela quis ficar próxima dele, como ela queria que aquele abraço fosse eterno. – Eu te amo, Damon. – Ela confessou, e quando fechou seus olhos para buscar o rosto dele, para que seus lábios tocassem os dele, ela apenas sentiu um vazio. Ela não entendeu, abriu os olhos assustada, percebendo que ele não estava mais lá, na verdade, ela não havia fugido, continuava no mesmo lugar, se sentia vazia novamente.Elena começou a gritar de frustração, de tristeza, de dor. Foi aí que os seus gritos se tornaram reais, exclamava várias vezes a palavra não, chorava sem parar, chorava enquanto dormia e então ela sentiu braços fortes a ampararem, alguém a chamava carinhosamente. – Elena, amor, é só um sonho. – Stefan sussurrou no ouvido dela.–Stefan? – Ela perguntou tentando entender o que acontecia, sendo tomada pela sensação de vazio que era real, era verdadeira. Os braços dele não traziam o conforto que ela precisava, ela não se sentia como se sentia quando estava abraçada com Damon, mas ela deveria se acostumar. Nada iria mudar, ela não podia e com o tempo, tudo ficaria mais fácil, ela tentava se iludir. Era só um sonho, mas a dor era real, ela ainda chorava, chorava muito.–Shhh – Ele tentava acalmá-la, tentava reconfortá-la intensificando o abraço. – Tá tudo bem, Elena. – Ele sorriu, trazendo o rosto dela, fazendo com que ela o olhasse. – Calma, amor, foi só um sonho, tá bom? – Stefan acariciou o rosto dela gentilmente, e permaneceu assim até que ela parecesse mais calma.–Foi só um sonho. – Ela respondeu abalada, ainda sentindo a dor, que não diminuíra em nada, ela só estava convivendo com ela, apenas isso.–Melhor? – Ele perguntou sorrindo carinhosamente.–Acho que sim. – Ela mentiu, voltando a deitar, não estava acontecendo nada com ela, nada com seus sentimentos, ela estava bem, ela tentava se enganar.
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