The Wedding
8 Capítulo 8
Medo? Será que era medo o que ela sentia? Medo de admitir seus sentimentos e ter que lidar com todas as consequências? Talvez sim, talvez fosse medo de fazer os outros sofrerem, tinha medo de fazer algo que ela julgava errado e mesmo assim queria tanto.
Ela o olhou confusa, tentando formular uma reposta, porque era tão difícil organizar seus pensamentos, só conseguia sentir seu coração pulsando cada vez mais rápido, pulsando por ele, querendo que ela dizesse que o amava, mas ela não dizia, não podia dizer, tinha medo de dizer.-Eu tenho medo. – Ela, finalmente, admitiu — Eu não podia te beijar assim, eu não podia me sentir como me sinto quando estou com você, mas eu não consigo evitar. – Ela confessou, precisava dizer como se sentia, precisava falar para ele, mas ainda assim, não dizia que o amava, que não queria casar. Isso ela nunca iria dizer. Elena o abraçou ainda mais forte, precisava tê-lo perto dela. – Você não se sente culpado? – Ela perguntou, precisou perguntar, precisava saber se ele sentia a mesma culpa que ela sentia, porque aquela culpa estava acabando com ela.-Lógico que eu me sinto. – Ele respondeu sinceramente. – O Stefan é meu irmão, eu não deveria me interessar por você. – Damon admitiu, enquanto acariciava o rosto dela, contemplava a beleza da garota, seus olhos castanhos, tão profundos, com um olhar tão doce que fazia com que ele se perdesse ali, se perdesse nela. Não podia pensar em mais nada quando estava perto dela, nem em como era errado, em como o irmão se sentiria se perdesse a garota para ele. – Mas eu te amo tanto, mas, tanto, que eu posso lidar com a culpa. – Ele se declarou sem pensar, talvez se tivesse pensado não tivesse feito isso, mas foi algo que soou naturalmente. E ele foi tã sincero com ela, ele a amava e por ela poderia lidar com qualquer coisa desde que a tivesse, que ela fosse dele, só dele.A garota quase estremeceu ao ouvir as palavras dele, ele a amava. Elena sentiu seu coração se acelerar mais do que já estava ao escutar as palavras dele, sua alma se encheu numa alegria indiscritível. Ele a amava, ela repetiu para si mesma, e não havia mais nada que ela queria ouvir. O mundo pareceu ter parado quando ela ouviu as palavras dele. Aquelas três palavras tão simples eram maiores do que qualquer outra coisa, preencheram o vazio que sentia em seu coração, era como se estivesse completa, como que se nada mais faltasse. Elena não pode conter o sorriso, a declaração dele fez com que ela sorrise, um sorriso tão alegre, tão lindo.-Você me ama. – Ela repetiu mais para si mesma do que para ele, era como se o “eu te amo” dele ainda ecoasse em sua mente, em seu corpo, como se isso se fundisse a ela. Sentiu-se leve, sentiu-se bem, sentiu-se tão completa. Podia sentir uma felicidade pulsante dentro de si mesma. Nunca uma declaração tinha mexido tanto com ela quanto essa, talvez porque as outras não eram tão importantes, porque os outros não eram ele. Só que agora era Damon Salvatore que dizia que a amava e ele era tudo para ela, tudo. E ela também o amava, o amava com todo o seu ser.-Amo, amo muito. – Damon confessou, teve que se controlar para não deixar uma lágrima rolar de seus olhos. Não podia chorar, ele não era assim, mas sentia como se dizer que a amava não mudaria nada, ela não iria ficar com ele por isso e ele sentia tanta dor. – Mas não faz a menor diferença para você, não é, Elena? – Ele perguntou afetado, abalado demais até para olhá-la, naquele momento, desviou o olhar.-Não, é lógico que faz. Eu também...eu te...-Elena abafou as próprias palavras, não podia dizer, mas queria dizer. – Eu queria poder ficar com você. – Ela falou, baixando o olhar, se sentindo tão mal por não poder se jogar nos braços dele e se entregar de uma vez – Mas eu não posso. – Não podia mesmo. Era errado, o mesmo pensamento de sempre.-Não pode? – Ele se afastou dela, se desvincilhou de seu abraço. Já estava tão cansado daquilo, parecia que nada faria com que ela ficasse com ele, já não aguentava mais ouvir não dela, e mesmo assim, continuar a amando.-Eu vou me casar, Damon. – Ela fez uma pausa, baixou o olhar, não gostava do que dizia, não gostava do que estava fazendo com ele. – Eu vou me casar daqui a um pouco mais de uma semana, eu já fui longe demais. – Elena se retraiu ainda mais, aflita, tinha tanto medo de perder o amor dele, tanto medo. Mas também sentia tanta culpa, nunca poderia ter se apaixonado por Damon, não podia, mas tinha se apaixonado. Ela não podia ter feito isso com Stefan, ele não merecia. – O que eu posso fazer agora? -Então, você vai simplesmente se casar? – Ele a fitou, decepcionado, não podia acreditar que depois que ele se declarara para ela, isso era tudo que ela tinha para lhe dizer. Esperava mais dela, esperou que ela desse ouvidos aos próprios sentimentos e parasse de se importar com os outros, queria que ela se importasse com ele, com como ele iria se sentir quando a perdesse de vez — É isso? – Ele insistiu.-E o que você quer que eu faça? – Ela perguntou afetada. – Que eu cancele meu casamento e que eu diga que eu te am...- Ela se controlou, reprimiu as palavras, pode sentir seu corpo se contorcer com aquela atitude. Ela precisava falar, precisava contar de uma vez, mas não se permitia e isso lhe causava tanta dor.O corpo dele reagiu por inteiro a quase declaração dela, ela o amava, mesmo se não tivesse completado a frase, ele sabia disso, podia sentir, podia perceber no tom de voz dela, na maneira afetuosa com a qual ela o olhava. Damon se aproximou dela, segurou a mão da garota entre as suas. Olhou-a de uma forma carinhosa, quase pedinte. – Por favor, Elena, fala o que você já ia falar, eu preciso ouvir.
-Eu não posso falar, Damon. – Ela pode sentir uma onda de energia tão calmante, tão boa fluir dele para era, bastava que ele a tocasse para que ela se sentisse daquela forma, para que se sentisse tão bem, tão completa. Mas que droga, não podia ser dele, porque não conseguia lidar com os sentimentos que sentia, não podia lidar com a culpa, com o senso de certo e errado. E agora não podia mais esconder que o amava, cada vez ficava mais claro, cada vez mais, ela se denunciava. – Você sabe que eu não posso.-Você pode, você quase falou... – Ele pediu num tom afetado, já achando que ele nunca conseguiria ouvi-la dizer as palavras, nunca conseguiria. Mas ele precisava tanto disso, precisava que ela dizesse, mesmo já sabendo, precisava que ela mesma confirmava. Da mesma forma que ela podia sentir seu corpo todo vibrar num sensação tão boa, tão gostosa, quando estava com ela. – Por favor...- Ele tentou novamente, não era do tipo que se comportaria desse jeito, que estivesse quase implorando por isso, como estava fazendo naquele instante, mas com Elena, Damon não podia ser tão orgulhoso, simplesmente não podia.-Você já sabe...- Ela sussurou, tentou se encolher ainda mais, tentou soltar sua mão das dele, mas nunca teria forças para si, não conseguia ficar longe dele, não queria ficar sem a sensação indiscrítivel que era estar com ele.. Aquela relação, aquela necessidade que tinha dele estava se tornando quase doentia de tão forte, tão avassaladora que era. – Por que eu preciso falar?- Elena fez uma pausa. – Você sabe que eu não posso – Ela repetiu, balançou a cabeça negativamente. Elena não conseguiu conter o choro, o que já era constante, passava quase que o tempo inteiro chorando.-Por que não pode? – Damon insistiu com ela, não podia deixá-la escapar dele, não podia perdê-la. Ela não podia ir se o amava, não podia. Aquilo tudo já o estava cansando emocionalmente, o frustrando. Por que Elena tinha que ser tão difícil? Por que tinha que ser tão teimosa? Damon levou uma das mãos ao rosto dela e acariciou com tanto carinho, com tanto amor. Fitou-a nos olhos e ambos se perderam naquele olhar, tão intenso, tão doce, era tão evidente que se amavam e era impossível de entender porque não ficavam juntos. – Só uma vez, só precisa falar uma vez... – Ele pediu novamente.-Porque se eu dizer... — Ela fez uma pausa, visivelmente abalada. Era tão difícil dizer o que ela iria dizer, era tão egoísta, mas ela não podia simplesmente, não podia fazer diferente, por mais que ela quisesse, ela não podia. Ela levou sua mão até a dele, que estava em seu rosto, tirando-na de lá, a mantendo segura entre suas mãos. — Se eu admitir, eu não vou conseguir mais resistir a você...-Eu não quero que você resista, você não precisa, Elena. — Ele falou num tom firme, mas ainda afetado por ela ter tirado a mão dele de seu rosto, era como se a garota nao quisesse aquele contato. Damon se preparou para ouvir as palavras dela, que ele já imaginava quais seriam. Mas ainda assim, ainda sentia esperança que ela pudesse falar de uma vez.-Damon, eu não posso e eu não quero que você se magoe... — Ela fez uma pausa e acariciou a mão dele, não queria se soltar nunca, na verdade, desejou abraçá-lo, desejou beijá-lo. Sentiu-se péssima, ela era pior pessoa do mundo mesmo. — Não quero que ache que possa acontecer qualquer coisa entre nós, porque não pode acontecer, mesmo eu me sentindo como me sinto em relação ao você. — Ela chorou, chorou copiosamente. — Eu vou me casar com o Stefan.Dessa vez, ela não precisou pedir para ele se afastar, ele se afastou naturalmente, como se não quisesse estar perto dela. Nunca tinha sentido tanta dor, nem mesmo quando Katherine lhe dissera que nunca o amou. Não tinha nem como descrever como ele se sentiu naquele momento, tão devastado, tão abalado, completamente arrasado. — Você o ama?- Não, eu não amo. — Ela respondeu sinceramente, sentindo um aperto em seu coração. Tentou se aproximar dele, não conseguia aguentar aquela distância tão incomoda, mas ele se afastou ainda mais. Não a queria por perto, a queria, mas não naquele momento. — Por favor, entende, eu não posso fazer isso com ele, eu nunca devia ter me apaixonado por você Damon.-Eu que nunca deveria ter me apaixonado por você, Elena. — Ele devolveu a resposta dela, sentia tanta mágoa, tanta tristeza e em algum momento esse sentimentos tinha evoluído para decepção, para raiva. — E quer saber por que? Porque você é igualzinha a Katherine. — Ele falou visivelmente ferido. — Você não o ama e vai se casar com ele, você sabe o quanto eu te amo e não admite o que sente por mim. Você está brincando, Elena.-Não, não. — Ela chorou ainda mais, as lágrimas que caíam, incessantes, por sua face. O que ela tinha feito? Ela conseguiu magoar quem mais amava no mundo. Ela era uma pessoa horrível e as palavras dele só fizeram com que ela se sentisse pior. Ela se sentia como se seu coração fosse estraçalhado. - Por favor... — Ela pediu quando ele saiu andando, deu as costas a ela. — Eu te amo. — Ela falou, mas ele não fez nenhum movimento de voltar.Elena saiu correndo atrás dele, não podia perdê-lo. Era difícil acompanhá-lo quando ele andava tão depressa, numa velocidade inumana. Ela corria o máximo que podia, mas parecia não ser o suficiente. -Eu te amo. — Ela falou novamente. Nada. - Eu te amo muito, Damon. — Ela gritou desesperada, quando o perdera de vista. Ela se jogou no chão, desperada. Nunca tinha sentido tanta dor em sua vida. A sensação de vazio nunca tinha sido tão forte, ela se sentia tão solitária, tão frágil.
Fale com o autor