Elena não conseguia se levantar, ainda estava jogada no mesmo lugar que caíra, desesperada, quando Damon se fora. Sentia um desespero imensurável, um desespero que agitava sua alma. Ela não tinha mais paz, ela não tinha mais nada, só a dor e vazio dentro de si. As batidas aceleradas de seu coração davam lugar a um quase silêncio perturbador, a freqüência cardíaca era perturbada por uma dor, um nada que tomava todo seu corpo.

Ela chorou, chorou tanto, tão intensamente. Quase perdera a voz, estava rouca, estava exausta. E agora doía tanto que ela nem conseguia mais chorar, era como se não conseguisse extravassar a tristeza e o sofrimento, eles estivem abafados, presos dentro dela.

A verdade era que ela havia se trancado dentro de si mesma e agora não conseguia suportar, não conseguia suporta a sensação interminável de solidão.

O que ela tinha feito consigo mesma? Estava tão arrpendida. Não devai tê-lo deixado ir, mas ele foi por culpa dela, por causa de sua atitude egoísta. Ele estava certo, ela era pior, bem pior do que a Katherine. Ela se encolheu em volta se si mesma, deixou as mãos se agarrarem aos joelhos, deixando com que eles ficassem juntos, pressionando-os contra seu tronco.

Tentou se retrair o máximo que pode, mas desta vez nem isso, conseguia amenizar a dor. Cada parte de seu corpo já estava afetada, já sentiam fisicamente a dor emocional. Ela não conseguia pensar, não conseguia gritar, não conseguia nem chorar. Apenas ficou lá, quietinha.

Abaixou seu rosto abatido, seu olhar encarou o nada. Parecia totalmente alienada, não prestava atenção em nada, em nenhum acontecimento do lado fora. Era ela consigo mesma, presa a sua dor, amarrada ao seu sofrimento. As lágrimas começaram a rolar, novamente, mas ela não sentia as gotículas quentes correrem por sua face.

Não processava nenhum estímulo, só a dor que a corroía de dentro para fora. Não tinha idéia de a quantas horas estava lá, a quanto tempo estava daquele jeito, inerte, apenas aceitando o sofrimento. Não conseguia fazer nada, era como se não tivesse mais nada a que se agarrar, desejou morrer, desejou de verdade.

Conforme o tempo ia passando e ela ia tomando consciência do que já estava claro, que ele não iria voltar para encontrá-la, a dor se tornava ainda mais intensa, tão forte que era como se lhe arrancassem a alma e a fragmentassem, de uma forma que ela nunca mais iria conseguir tê-la novamente. Estava vazia, sem parte de si mesma.

Devia ter se passado muitas horas mesmo, pois o celular da garota passou a tocar. Ela nem se deu conta do toque insistente, na verdade, se ela se deu conta, aquilo não lhe dizia nada. Não era o Damon que estava ligando para ela. Depois da primera chamada, demorou um tempinho para que o celular passasse a ser verdadeiramente incômodo, as ligações incessantes.

O barulho que a perturbava. Sua mente estava muito longe, tentava procurar um local onde não doesse tanto, mas cada vez que o barulho era ouvido, ele a tirava daquele transe e a trazia novamente para uma realidade que ela não queria enfrentar. Na verdade, já fazia muito tempo que ela estava triste, mas tinha aprendido a conviver, só que já não era mais possível fazer isso.

Não quando ela aceitou exatamente o que seu coração tinha para lhe dizer, quando seus sentimentos se tornaram tão extremos ao ponto de vencer a máscara que ela tinha criado para si mesma. Já sentia falta do toque dele em seu rosto, da forma como ele tratava somente a ela, da voz, dos olhos tão azuis que pareciam transportá-la a algum tipo de sonho.

Ela tinha sido incrivelmente estúpida fazendo o que tinha feito. Ela queria tanto ficar com ele, mas suas emoções conflitantes, sua culpa, seu medo fizeram exatamente o oposto.

Aquele dia não tinha sido o dia em que ela tinha se afastado dele, já vinha fazendo isso a muito tempo, vinha insistindo em um erro, em algo que só lhe trazia infelicidade e com toda a certeza fazia o mesmo mal para os outros.

Seus olhos pareciam vazios, sem brilho, ela os fechou. Suspirou pesadamente. Dessa vez, chorou, chorou ainda mais, um choro mudo. Sua garganta arranhava, machucada de tanto já tinha chorado, soluçado, gritado. Sentia-se péssima, mais do que isso, não havia uma palavra capaz de classificar com precisão a forma como ela se sentia.

Por que ela tinha que ser daquele jeito? Por que tinha que demorar tanto para perceber as coisas? Ela era teimosa, se preocupava tanto com o que iriam achar dela, como o que era certo e errado que esquecia até mesmo de ser feliz. Ela não conseguia pensar, não tinha idéia do que poderia fazer.

Se fosse naquele instante, ela teria dito para ele que queria ficar com ele, que o amava, que não queria saber de mais nada além dele e se jogaria em seus braços, se agarraria ali e nunca mais se soltaria ou permitiria que ele a largasse. Ela o amava, como ela amava Damon e precisava fazer alguma coisa para que ele escutasse.

Elena já tinha tido, já tinha se declarado para ele, mas ele tinha dado as costas para ela, e ela precisava olhar nos olhos dele e dizer que o amava. Só que agora não sabia como fazer isso, não sabia se ele iria querer falar com ela novamente.

Damon tinha dito tantas coisas a ela, e tudo que tinha dito era verdade, ele tinha milhares de motivos para ficar magoado com ela, para não querer saber mais dela.

Foi aí que o toque do celular a despertou novamente. Iria ligar para ele. A garota pegou o telefone ansiosamente, discou o número dele. Todo seu corpo reagiu a idéia de que poderia ouvir a voz rouca dele a qualquer momento. Só que a cada toque longo a sua esperança se esvaía, ele não atendia.

Pode sentir todo o animo que sentira, antes, fugir de seu corpo, a abandonando, a deixando somente com o vazio de antes, o vazio que a preenchia, que a preenchia com um nada, com uma sensação tão ruim. Era como se só existisse o sentimento de solidão dentro dela, nada mais. Não conseguia sentir nada que fosse bom, só a solidão e a tristeza que era consequencia disso.

Já estava tarde, a noite tinha caído a algum tempo, o vento soprava forte, gelado. Elena sentiu frio, se retraiu mais ainda. Só naquele instante percebeu que estava jogada no chão, encolhida. Ela estava um horror, devastada. A expressão abatida, a pele pálida constrastava com o negro do rímel que a manchava, borrava.

Demorou horas para que a garota conseguisse reunir alguma força para se levantar. Seus músculos pareciam não querer colaborar. Ela não queria voltar para casa, não queria voltar e se deparar com a sua realidade, com a realidade que a deprimia. Não precisava ficar pior do que já estava.

Só que não tinha jeito, ela precisava voltar. Ela podia ter mudado tudo, toda a sua vida, mas não o fez e precisava aceitar isso, precisava aceitar por mais que doesse.

...

Passaram-se dois dias desde o acontecido. Todos estavam preocupadíssimos com Elena, ela passou todos os dias deitada na cama. Chorava demais, quase o dia inteiro. Ninguém entendia a razão dela estar daquele jeito, tão arrasada, sofrendo como estava sofrendo.

Stefan tinha tentado conversa com ela diversas vezes, mas ela mal respondia. Não queria falar, não queria falar com ninguém. Caroline também tentou, fez de tudo para animá-la, quis levá-la para festas, para passeios, para fazer compras, mas nada parecia animar a garota e não iria animar mesmo.

Elena já se sentia sufocada com tudo aquilo, com tantas perguntas, com tantas visitas. E nada daquilo estava ajudando, só fazia com que ela se sentisse ainda pior. E no estado em que ela se encontrava, era sempre possível ficar pior.

Ela se levantou da cama, ansiosa, aflita. Pegou o celular e tentou discar o número de Damon novamente. Nenhuma resposta, como sempre. Ela já tinha perdido as contas de quantas vezes havia ligado, mas ele poderia visualizar em seu celular mais de 40 chamadas não atendidas de Elena.

Ele estava cansado de servir para ela quando ela precisava, mas no final, sempre levar um não. Ela sempre preferir o Stefan, até mesmo quando não o amava. Ele estava magoado, muito magoado e tinha todos os motivos do mundo para isso. E ainda assim, pensava nela o tempo inteiro, todo o dia.

Ainda pensava no gosto dos lábios dela, na textura, da maciez da pele dela. Várias vezes, chegou muito perto de atendê-la, afinal, precisava ouvir a voz doce, sentia falta dela. Queria dizer que estava tudo bem, que ele sempre estaria lá para ela, só que ele não iria fazer isso. Tinha algum orgulho, mesmo quando se tratava dela, tinha que ter, afinal.

Depois de ligar mais de dez vezes, Elena desistiu. Chorou novamente, como chorou. Ela precisava desabafar com alguém, mas não tinha com quem fazer isso, não tinha.

Era impossível. Ela iria se casar com Stefan e todo mundo sabia disso, não tinha como ela confessar que não queria mais, confessar que ela amava Damon. Ela só tinha seu diário, só isso. Sem muita disposição, ela pegou o diário, uma caneta e acendeu a luz difusa do abajur. Suspirou pesadamente. Doía, doía muito. Ela abriu o pequeno diário, as lágrimas, que caíam de seus olhos, molhavam as páginas em branco. Sua mão hesitou por um instante, mas logo ela começou a escrever.

Querido Diário,

Eu estou tão triste. Não. Eu estou arrasada. Eu não sei o que eu fiz com a minha vida nos últimos tempos, mas com certeza, eu devo ter feito alguma coisa muito errada, se não eu não estaria me sentindo dessa forma.

Eu ignorei o que eu sentia, passei por cima de todos os meus sentimentos, achando que assim eu seria uma pessoa melhor. Eu não queria ser como a Katherine, mas me tornei pior do que ela.

Eu não amo mais o Stefan, já tem algum tempo e você já sabe disso, Diário. O problema é que eu nunca tive coragem de falar isso para ele, nunca tive coragem de terminar, nunca!

Eu teria contado, se eu tivesse me apaixonado por qualquer um que não fosse o Damon, o irmão dele. É tão errado isso, como eu pude me envolver com os dois? Isso é tão errado, mas eu não pude evitar. Não pude evitar me apaixonar, eu não consegui, por mais que eu tentasse.

E agora eu estou nessa situação. Eu vou me casar com o Stefan e amo o Damon. Se talvez eu tivesse admitido meus sentimentos antes, eu não estivesse passando por isso. E agora parece que eu estivesse brincando com os sentimentos dos dois todo esse tempo.

E eu, quando admiti para o Damon que o amava, era tarde demais. Ele havia se cansado de mim, de todas as vezes que eu fugi dele, que eu fingi que não sentia nada, que eu disse não quando queria dizer sim.

E eu não sei mais o que fazer. Ele não me atende, não voltou mais para cá. Eu o perdi. Eu fiz tanta coisa que acabei o perdendo. Como eu queria poder consertar tudo que eu fiz.

...

À noite, depois de muita insistencia, Caroline conseguiu arrastar Elena para uma festa que aconteceria no Mystic Grill. A morena não estava nem um pouco disposta, tão pouco, estava animada. O vazio cada vez mais se apossava dela, tomava cada célula de seu corpo. Ela mal conseguia falar sem começar a chorar, Todo seu corpo parecia entrar em colapso. Tudo existia era a solidão, o nada que a aterrorizava, que provocava nela uma dor insuportável

Quando as duas chegaram no bar, Elena nem queria entrar. Tentou dar meia volta e ir para o carro, mas a loira a segurou.

-Não! Se anime. — Caroline sorriu a incentivando. — Você está precisando se divertir...

-Ahh, Carr... — Elena falou num tom fraco, triste. — Eu acho melhor eu ir embora, eu não quero...

-Quer sim! — A loira a arrastou para dentro do bar. — Você tem que animar!

Elena não tinha outra alternativa a não ser enfrentar aquela festa. Era impossível discutir com Caroline, ainda mais se tratando de festas. A garota se sentiu mal na hora, tinha tanta gente, pessoas que ela não conhecia. Elena se encolheu, mas Caroline continuou a puxando pela mão.

Foi aí que Elena viu, seu coração pulsou forte, acelerou. Uma sensação avassaladora tomou conta de todo seu corpo. Seus olhos brilharam ao encontar o belo par de olhos azuis. Ela suspirou, se perdeu na beleza daqueles olhos, se perdeu na face dele. Toda sua expressão mudou, seu rosto ganhou um sorriso. Tinha pensado que nunca mais o veria, mas ele estava lá.

Damon estava lá. Ele não tinha ido embora de Mystic Falls e se ele não tinha ido embora era porque ainda a amava, porque ainda sentia algo forte o suficiente para fazer com que ele permancesse na cidade. E só poderia ser Elena Gilbert, por mais que ele tivesse desejado ir embora, não conseguiu fazê-lo. Queria estar perto dela e depois de tê-la ouvido dizer, gritar que o amava e depois ligar insistentemente, ele desejou ainda mais estar com ela. Só que isso não significava que ele não estivesse magoado com ela, ainda estava.

Damon desviou o olhar, com uma expressão de desdém, como se não se importasse nem um pouco com a presença de Elena ali, mas a verdade, era que se importava e muito. Todo seu corpo vibrou quando ele a viu, quis ir até ela, mas não iria. Deixaria que ela ficasse em paz.

Elena percebeu a reação dele, se encolheu. Sentiu-se tão mal, mas ao mesmo tempo seu corpo pulsava de alegria só por vê-lo. Ela precisava consertar o que tinha feito, precisava conversar com ele, precisava muito.

Caroline observou cada reação da garota, a olhava com incredulidade, como se entendesse exatamente o que estava acontecendo ali. Elena nem falou nada, seguiu na direção de Damon, iria falar novamente, iria confessar novamente que o amava. Ela precisava dizer, tinha que dizer.

Notas finais
Espero que gostem do capítulo!
Por favor, deixem comments, eles me fazem tão feliz!
Beijinhos para vcs!