Elena parecia tão diferente dos últimos dias, sua expressão era suave, despreocupada. Parecia feliz, finalmente. Na verdade, era a companhia de Damon que a fazia tão bem. A garota se acomodou no banco do carona, enquanto ele se sentou no lugar do motorista. A garota o fitou, abrindo um sorriso tão bonito, tão alegre.

O sorriso doce da garota também o contagiou. Ele amava quando ela sorria daquela forma, tão leve, tão despreocupada. Isso fez com que ele retribuísse da mesma forma, com o mesmo sorriso terno que ela lhe tinha dado.

Damon, também se sentia bem perto dela, por ele, ficaria com ela para sempre e nunca mais a deixaria sair e voltar para os braços de Stefan. Até faria isso, Stefan não fosse seu irmão e se ele não a respeitasse tanto para aceitar que ela jamais o escolheria.
Elena ainda sorria, tão feliz, tão completa na presença dele.

Para ela, fazia todo o sentido do mundo estar indo ver docinhos do casamento com ele, porque, naquele instante, ela tinha esquecido que ele não era o noivo dela. Afinal, a conexão, a ligação que ambos possuíam era tão forte, tão linda e romântica que ela desejou se casar com ele, como desejou isso.


Damon reparou como a garota ria, ria sozinha, de algo bom que parecia se passar em sua mente e obviamente despertou a curiosidade de dele. – No que você está pensando, Elena? – Ele perguntou, fitando-a, observando-a com cuidadosamente, carinhosamente.·.

A garota estava absorta em seus próprios pensamentos, quase um sonho que tinha criado em sua própria mente, um sonho onde os dois estavam juntos, felizes, abraçados depois da festa... Pensou que ela o amava, que precisava dizer isso a ele...Mas em fim, era só um pensamento, nada mais, e a voz dele, que a chamava a trouxera novamente à realidade.

– Em nada. – Ela respondeu sem jeito. Corou, como se ele pudesse ler seus pensamentos.·.

–Em nada. – Ele repetiu as palavras dela cinicamente. – Ninguém fica rindo sem pensar em nada. – Ele debochou, fazendo a garota se envergonhar ainda mais. Ela poderia até não dizer, não revelar o que se passava em sua mente, mas sua expressão a denunciava mais do que se ela tivesse realmente falado.

Antes de chamá-la, ela estava sorrindo, uma expressão de boba, como se estivesse sonhando acordada e agora estava vermelha, tentando disfarçar. Ele sorriu, um sorriso irresistível, como se estivesse se divertindo com a garota, sabia que no fundo ela deveria estar pensando nele.·.

Elena quase perdeu o fôlego ao vê-lo sorrir daquela forma, era irresistível, lindo. E ela não podia pensar nisso, não poderia desejá-lo de qualquer outra forma que não fosse como amigo.

Só que quanto mais ela o olhava, mais ficava hipnotizada, se perdia na imensidão azul de seus olhos, em seu rosto de traços perfeitos, seu sorriso... E quanto mais tempo ela passava com ele, se sentia melhor, feliz, como se nada mais faltasse em seu mundo, era tudo perfeito. Era como se ele fosse a pessoa certa para ela, com quem ela queria ficar para sempre.


Deveria reprimir aqueles pensamentos, devia se afastar, mas não conseguia, queria ficar perto dele. Até porque não conseguia mais ficar longe, só de pensar que se afastaria dele, podia sentir aquela sensação horrível de solidão se apossar de seu corpo, de sua alma.
Ela afastou o pensamento, só de olhá-lo novamente, já estava bem.

Ele ainda sorria e isso a afetava, fazia com que ela quisesse que os momentos em que eles estivessem juntos durassem para sempre. Ela suspirou pesadamente, se recompondo, finalmente, falou.

- Sério, não estava pensando em nada demais. — A garota desviou o olhar, sem graça. Eram tantos os sentimentos que se manifestavam dentro dela; amor, culpa, vergonha...

–Nada, Elena? — Ele insistiu, levando uma das mãos até o rosto dela, afastando a mecha de cabelo castanho que escondia o rosto dela, acariciou-lhe a face, fazendo-a se arrepiar.

Ela não fez nada, o que até o surpreendeu. A garota apenas deixou com que ele lhe fizesse carinho, fechou seus olhos, se concentrou apenas na sensação da pele dele contra a dela, cada toque fazia com que ela sentisse arrepios, uma corrente elétrica.

Seu coração acelerou tão vulnerável a ele. Ela abaixou um pouco o rosto, involuntariamente, na direção da mão dele, como se quisesse mais, não queria que ele parasse e ele atendeu, continuou lhe fazendo carinho.·.

–Elena, me diz, no que você está pensando? — Ele tentou novamente, queria que ela dissesse, que confessasse o que estava óbvio, o que estava em cada reação dela, cada olhar, cada movimento involuntário de seu corpo.

Era tão óbvio que ela o amava, a garota já não estava conseguindo não demonstrar, por mais que tentasse, por mais que negasse. E ele precisava ouvi-la dizer, precisava da verdade.·.

–Por favor... -Ela pediu num tom fraco, baixo. Ela não podia contar, afinal. Não podia dizer o quanto o amava, o quanto queria estar com ele, o quanto queria fugir de tudo, de seu casamento, largar qualquer coisa para ficar com ele, mas não podia, era errado. -Não insiste... -Ela pediu, escondendo a face. Se ele continuasse, ela ia acabar cedendo e não podia fazer isso.·.

–Por que? — Ele continuou, mesmo percebendo o quanto ela se retraía, o quanto fugia da resposta. Ele a amava tanto, a queria tanto para si, não podia deixar que ela fugisse dele de novo. Se ela dissesse uma única vez sequer que o amava... era tudo que ele precisava ouvir.

A garota não respondeu, mas quando ele levou novamente a mão a rosto dela, ela não se retraiu mais, deixou, precisava disso. -Por que, Elena? Por que não me fala de uma vez? — Ele perguntou de novo.·.

–Por que eu não posso. — Ela respondeu chorosa, se encolhendo o máximo que pode no banco do carro. E foi aí, que uma tristeza avassaladora lhe invadiu a alma. Por que ela não podia ficar com ele? Por que ela tinha que sentir tanta culpa? Por que ela tinha se envolvido tanto? — É errado, eu não posso. – A garota deixou as lágrimas verterem de seus olhos, um choro tão intenso, doído, uma dor que vinha de sua alma, tão forte, dilacerante. Queria tanto estar com ele, ser dele, mas não podia, não era certo.


Ele se arrependeu de insistir com ela no momento que a viu chorar daquele jeito. Não devia ter feito isso com ela, não devia fazê-la sofrer. Vê-la daquele jeito tão frágil, tão abalada, acabava com ele.

Era a pior coisa. A expressão dele mudou, afetada, pelo choro da garota. -Ah, Elena, está tudo bem. — Ele tentou acalmá-la, sentia tanto. — Você não precisa me falar nada. A verdade é que não era o que ele tinha acabado de fazer ou acabado de perguntar que tinha feito com que ela ficasse assim.

A garota já estava assim antes. Estava tão frágil, tão sensível, tão deprimida, quando estava com ele ficava bem, mas agora, quando o mesmo problema tinha voltado à tona, ela não conseguia mais.

Ela queria ficar com ele de verdade, não queria só aqueles momentos e não poderia ter, não podia nem confessar seus verdadeiros sentimentos, não podia nem dizer que o amava, tinha que evitar o assunto, quando ela mesma queria falar sobre e era isso que a pergunta dele tinha despertado. Ela o amava e não podia amar e isso a estava mais do que apenas enlouquecendo, estava acabando com ela.


–Por favor, não pergunta. — Ela falou, ainda chorando, não conseguia se recompor, estava arrasada. Tinha vontade de se jogar nos braços dele, dizer que o amava. Apesar de isso ser a única coisa que lhe fizesse melhor, a única verdade que ela insistia em negar, ela não podia fazer isso, era errado amá-lo.·.

–Eu não posso fazer isso... -Ele voltou a sua expressão costumeiramente irônica, um sorriso já se desenhava em seu rosto. — Não posso parar de perguntar, quando a próxima pergunta seria: "para onde nós estamos indo?" — Ele riu, tentando mudar o assunto, que ela esquecesse e ficasse melhor. Nunca mais insistira com ela, não a queria daquela forma.

-Se você quiser, eu posso ficar dirigindo sem rumo. — Ele a fitou, piscou para ela.
A garota sorriu, um sorriso abalado, mas ainda assim, um sorriso. — Ah, a Caroline me passou o endereço no meu celular, vou pegar aqui. — Ela falou, entre as lágrimas, tentando contê-las, ficar melhor, não iria adiantar ficar daquele jeito. Só que ela estava tão fragilizada, tão depressiva, que era difícil, muito, muito difícil. E a ideia de ter que se casar, de viver uma vida que ela não queria, a estava destruindo.

Finalmente, Elena achou em seu celular a mensagem que Caroline tinha enviado com o endereço. Enquanto procurara, tinha conseguido se acalmar um pouco, precisava se manter estável, mesmo quando seu estava emocional estava instável demais. Só a ideia de ter que ficar experimentando docinhos para algo que ela nem queria que acontecesse lhe fazia tão mal.

– Achei o endereço. – Ela falou, mostrando a mensagem para ele.·.

–Tudo bem. – Ele sabia exatamente onde era o lugar, como se fosse difícil numa cidade tão pequena como Mystic Falls. Aquela possivelmente deveria ser a única loja de doces de festa da cidade, aliás, ele nem sabia que a cidade tinha uma lojinha dessas, ficou até surpreso, abafou um risinho.·.

–Elena... -Ele chamou, fazendo com que a garota o fitasse. – Você já não deveria ter visto todos esses docinhos... – Ele revirou os olhos, como se achasse tudo aquilo uma chatice e realmente achava, ainda mais se tratando do casamento dela com outra pessoa que não ele. – É que seu casamento é daqui dez dias...·.

Elena baixou o olhar, não sabia exatamente o que responder. – É que eu não consegui dar conta de tudo. – Ela mentiu, na verdade, queria dizer que não teve vontade de ver nada, que já fazia tempo que se sentia tão mal, tão infeliz que não queria saber de casamento nenhum. – Se não fosse pela Caroline, a festa não ia dar certo. – Ela deu um sorriso fraco.·.

–Você não me parece muito animada com o casamento. – Ele a olhou, fitou os olhos da garota, os olhos que ameaçavam chorar novamente a qualquer momento. Ele a conhecia, conhecia o suficiente para saber quando ela não estava bem, quando estava infeliz. E por mais que não gostasse de vê-la assim, preferia que ela não estivesse radiante com tudo isso, porque se estivesse, ele não teria chance alguma com ela. – Você está feliz com isso, Elena?

A garota fugiu com o olhar, não podia encará-lo diretamente, se não iria acabar contando, ia acabar confessando e não podia fazer isso. – Ah... -Ela fez uma pausa, pensando no que dizer, mas não encontrou nenhuma resposta. Do jeito que ela estava mal conseguia pensar. – Não pergunta sobre isso... — Ela pediu, num tom tão fraco, tão baixo. Só a questão do casamento surgir e ela se sentia pior novamente.·.

– Eu não posso perguntar sobre o que você está pensando, nem sobre seu casamento. – Ele fez uma pausa. – Mas estou te levando para ver docinhos do seu casamento. – Ele enfatizou as últimas palavras, fazendo uma cara feia para ela. – Vou pensar em outra coisa para te perguntar... -Ele sorriu. – Você está bem, digo, realmente bem?

–Isso também não. – Ela levou as mãos à cabeça, entrelaçando os dedos nos próprios cabelos, nervosa. A garota fechou os olhos, suspirou pesadamente, triste. – Desculpa. – Ela sussurrou.

–Tudo bem, vou achar outro assunto. — Ele fez uma pausa, por um instante, apenas a observou cuidadosamente, analisando-a, percebendo a expressão vulnerável da garota. Queria abraçá-la, aninhá-la em seu colo e dizer que estava tudo bem, que ela nunca mais iria se sentir, mas não o fez. -Será que vai chover? — Ele mudou sua postura, adotando sua expressão irônica, seu sorriso provocador.·.

Elena rolou os olhos, deixando um sorrisinho surgir em seus lábios — Damon! — Ela o repreendeu, dando um tapinha no ombro dele. — Também não precisa disso, né? — Ela o fitou, quis ficar mais próxima, mas se conteve. — Falar do tempo...·.

–Mas você não se chateou agora, viu?

–Mas tem outros assuntos que a gente pode falar...·.

–Tipo o que?

–Tipo... — Ela fez uma pausa. — Você tinha dito que não vinha para o casamento, mas veio. Por quê? — Ela perguntou, pode sentir a pele de seu rosto esquentar, corar. Na verdade, queria ouvir que ele tinha vindo por causa dela, porque tinha sentindo sua falta. A garota o ficou olhando, ansiosa, esperando uma resposta, seu coração já tinha acelerado.·.

–Falar sobre mim, pode? — Ele perguntou ironicamente para ela que apenas acenou positivamente, abrindo um sorriso sem jeito. — Só decidi vir... — Ele mentiu não dando nenhuma importância para o assunto, quando na verdade, ele tinha vindo para Mystic Falls exatamente para vê-la, por que não conseguia ficar longe da garota, mas não iria dizer, era orgulhoso demais para isso.·.

Elena baixou os olhos, se sentindo afetada pela resposta dele, uma resposta que era quase igual à dela quando se recusara a dizer no que estava pensando. A garota o fitou, tomando coragem para falar. Não, não, não ia admitir que o amava, ia fazer outra pergunta para ele.·.

–Eu pensei que era por minha causa. — Ela falou, envergonhada, tentando esconder o rosto. Não devia ter falado aquilo, mas já tinha dito. Então iria continuar. — Você tinha dito que sentiu minha falta... — Ela sussurrou tão frágil, tão doce.

–E iria mudar alguma coisa? — Ele perguntou ainda surpreso com a pergunta dela e mais do que isso, ansiando pela resposta dela, mas já imaginava que ela iria fugir, não iria falar nada.·.

–Talvez sim. — Ela respondeu sinceramente, por mais que não devesse ter dito aquilo, ela não se arrependia, precisa desabafar, nem que fosse uma mínima parte da verdade. — Acho que mudaria — Ela sussurrou.·.

–O que você está dizendo com isso? — Ele perguntou quase incrédulo, não acreditava no que ela tinha dito, não esperava aquela resposta da garota, mas gostara do que ouviu, afinal.·.

– Eu não sei. — Ela recuou. Respirou profundamente, buscando coragem para continuar falando. — Você acha que as coisas podem ser diferentes? — Ela perguntou a ele, quando na verdade estava fazendo a pergunta mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.·.

–Eu acho que sim. — Ele fez uma pausa. Naquele instante não prestava atenção em mais nada, nem na direção do carro, apenas nela. — Mas acho que isso depende de você. — Ele falou olhando-a diretamente nos olhos, esperando que ela dissesse alguma coisa.·.

Ela ficou sem reação por um instante, tentando processar tudo que eles tinham dito. Só que ela não dissera nada, não pode. A garota apenas levou seu corpo para mais perto do dele, se aninhando no peitoral dele, enquanto ele dirigia. Sentiu-se tão bem ali, grudada nele, não pensou em mais nada, só que precisava ficar daquela forma para sempre, porque o amava, porque se sentia amada, por que se sentia livre, livre de tudo que fazia mal a ela, estava protegida com ele. A garota pensou em erguer seu rosto, em beijá-lo, mas teve que se conter, precisava fazer isso, mas continuou aninhada com ele, até que eles finalmente chegaram à galeria onde ficava a lojinha de doces.

.