The Wedding
10 Capítulo 10
Elena avançou na direção de Damon. Ela ignorou a tudo e a todos. Ignorou Caroline que estava ao lado dela, ignorou que estava noiva. Em meio aquela multidão, ela só via uma pessoa, ela só o via. Só via os olhos azuis como o mar, que fugiam dela. Só pensava nele. Ela precisava falar com ele, precisava estar com ele, precisava muito.
Sentira tanto a falta dele, os últimos dois dias tinham sido os piores dias da vida dela. Não tinha se sentido tão vazia, tão triste. Era como se a vida dela não fizesse mais nenhum sentido. Mas naquele instante, ela se sentia bem, só de vê-lo, a sensação horrível sumia, era como se ele fosse a cura dela e era mesmo.
Ela iria falar com ele, iria dizer que estava errada em não ter admitido antes, mas que ela o amava mais do que tudo e que queria que ele soubesse disso. Queria que ele soubesse como ela se sentia quando estava longe dele, da dor excruciante que tomava conta de todo o seu ser cada vez que ele ia embora.
Ela tinha descoberto que a dor da saudade era a pior dor que existia, ainda mais quando se sabe que a pessoa está tão perto, que seria tão simples ficar junto e ao mesmo tempo era tão complicado. Ela era complicada, essa era a verdade mais pura, ela era muito complicada.
Por isso estava passando por tudo isso e pior fazendo ele passar também. Como ela podia ser tão egoísta ao ponto de nunca pensar nele, em nunca pensar em como ele se sentia cada vez que ela lhe dizia mais um não? Sentiu-se péssima por isso, ela lhe devia desculpas.
Devia muito mais do que desculpas, ela devia todo o amor que ele lhe tinha dado e que ela sempre se recusou em corresponder, mesmo quando internamente correspondia.
Ela deu mais um passo, cada passo parecia tão longo, parecia tão longe, parecia tão distante, era tão difícil chegar a até ele, ainda mais quando se está tão ansiosa como Elena Gilbert estava naquele momento. Finalmente, ela estava frente a frente com ele.
Damon a olhou de uma forma indecifrável, ela não conseguia saber o que ele estava sentindo. Não gostava disso. Tinha medo que ele estivesse cansado dela, que tivesse se esquecido dela. E o pior era que ela merecia isso. Mas não podia ser, não podia. Não quando ela estava lá, tão vulnerável e tão entregue a ele.
-Oi. – Ela arriscou, quebrando o silêncio e abrindo um sorriso doce, um sorriso que ela só costumava direcionar a ele, porque ele era o único que a fazia sorrir daquela forma, que era capaz de fazê-la feliz independentemente da situação. Cada vez que ela estava perto dele, acontecia algo mágico dentro dela, algo que arrastava para longe os seus medo, sua tristeza e substituía por felicidade, por tranquilidade. E era assim que ela estava se sentindo, só por estar tão próxima, só por poder olhar diretamente nos olhos azuis e se perder ali.
-Elena...- Ele falou num tom que parecia que ele não se importava muito com a presença dela ali, como se nem ligasse a mínima. Mas era apenas fingimento, estava tão claro nele.
Damon já não era tão bom assim em ocultar seus sentimentos, não quando eles eram em relação a ela. Não pode evitar em sorrir ao vê-la, mas conseguiu disfarçar, transformando aquele sorriso de felicidade, em seu típico sorriso sarcástico.
Não iria correr mais atrás dela, não adiantava nada, só fazia com que ele se sentisse absolutamente pior.
-Eu preciso conversar com você. – Ela falou sinceramente, seus olhos brilharam ao encontrar o olhar dele. Sentiu-se ainda melhor com aquela proximidade, sentiria-se ainda mais se eles se abraçassem ou se beijassem depois.
Era tudo que ela queria, tudo.
Mas aquilo não aconteceu, tudo bem, eles precisavam conversar antes, mas parecia ter algo errado ali. Ela o fitou durante um bom tempo, ele não falara nada. O silêncio passou a ser extremamente incomodo, tão difícil de suportar.
Ela achou o silêncio frio, como se pudesse sentí-lo, ela se encolheu.
-Eu acho que a gente não tem mesmoo que conversar. – Damon respondera finalmente, usando quase que a mesma frase que ela lhe tinha dito alguns dias antes. Precisou de um tempo para elaborar aquela frase tão simples. Na verdade, eles tinham muito o que conversar, mas não iriam, não se dependesse dele.
O vampiro ainda estava muito magoado com ela, e tinha motivos. Apesar do eu te amo dela ainda ecoar em sua mente e fazer todo seu coração pulsar como se ele estivesse vivo realmente, ele ainda tinha o seu orgulho, não iria mais se deixar rastejar por ela.
-Damon, eu... – A garota hesitou, assustou-se com a frieza dele. Não era possível. Ela quis chorar, mas se conteve. Se ele estava agindo assim, era por culpa dela. Ela só esperava que ele não continuasse se comportando daquela forma, ela não conseguiria suportar isso, suportar a idéia de que ele não a queria mais.
-É sério, Elena. – Ele a interrompeu, não deixou que ela falasse mais nada, porque se deixasse, era bem provável, que não conseguisse manter aquela frieza que ele exibia. – Eu já entendi, não precisa me falar mais nada. – Damon continuou secamente.
Não iria mais servir para ela quando ela quisesse e depois ser deixado de lado novamente para que ela fosse manter a sua farsa com Stefan.
-Não, eu vim para falar que eu estava errada... – Ela falou quase chorosa. – Por favor...- Ela pediu, tentando se aproximar mais dele.
Os olhos imploravam para que ele a afagasse, para que acariciasse o rosto dela, com tanto carinho, como ele costumava fazer, mas não. Ele nem fizera menção de tocá-la.
– Você ouviu o que eu te disse naquele dia? Quando você já estava indo? – Ela perguntou, quase implorando, fazendo referência ao momento em que ela dissera que o amava, que ela gritara, desesperada que o amava.
Ele respirou pesadamente, era lógico que ele se lembrava. Como não iria se lembrar? Ainda podia se lembrar exatamente do tom de voz dela, as palavras pareciam tão vivas ainda em sua mente.
Só que nesse momento, Elena viu a loira, ou melhor, a loira vadia se aproximando dele. Ela conhecia muito bem aquela garota e já a odiava. Mandy caminhava animadamente, usando um vestidinho tão curto preto, colado em seu corpo curvilíneo. A garota o abraçou, como se ele fosse dela, sem nem ligar para a presença da morena ali.
Elena quis chorar. Como poderia competir com aquela garota tão linda? Será que Damon já a tinha esquecido e a trocado pela loira. O vampiro abriu um sorriso, um sorriso cínico, Elena não soube dizer para quem aquele sorriso era destinado, mas julgou ser para ela.
-Desculpa a demora, amor. – Mandy falou num tom carinho, ou melhor, num oferecido, Elena pensou. A morena pode sentir seu corpo queimar de raiva, quis matá-la, quis expulsá-la dali, tirá-la de perto dele. Eles não podiam ficar juntos, não podiam. Damon era dela e não dessa tal Mandy. Que ódio.
-Tudo bem, gata. – Damon falou quase sacana, a puxando para mais perto, como se não estivesse nem ligando para Elena, como se nem a estivesse vendo. Mas ele a estava vendo, estava vendo muito bem até. Reparava como ela se comportava, como ela se contorcia de raiva, ao mesmo tempo que se enchia de tristeza.
Não devia fazer aquilo com ela, mas já estava fazendo e se sentia péssimo por isso. Ele podia ter deixado a loira sozinha, não se importaria de fazer isso, nem gostava dela mesmo, e ir conversar com Elena, ir abraçá-la, dizer que a amava, que estava tudo bem.
Só que não faria isso, no fundo, seu orgulho se tornou ainda maior, bem como sua vaidade e satisfação por ver como ela estava quase que pedindo para que ele falasse com ela, para que ele dizesse que a amava. Gostou como a situação tinha mudado. Gostou de ver a expressão de Elena, como se ela realmente precisasse dele, como se o amasse de verdade.
Ela o amava, isso deveria bastar, mas não bastava. A morena já tinha dado provas disso. Podia amá-lo, mas nunca deixaria o Stefan. Damon nunca seria o escolhido dela e ficar disponível para quando ela quisesse, ser apenas a segunda opção dela era algo que ele não estava mais afim.
Só fazia com que ele sofresse imaginando o dia que ela ficaria de fato com ele. Cansou de ser o brinquedinho de todas as mulheres que ele havia amado. Se ela o amasse, que provasse então. O problema é que ele a amava demais, não aguentava ver como ela estava, como ela se retraía, se afastava num sofrimento avassalador.
Ele não devia mesmo fazer isso com ela, não podia fazer, ela não merecia. Talvez até merecesse, mas não nos pensamentos dele. Ela era tão doce, tão meiga, tão frágil, não devia sofrer, não devia sofrer nunca, era tão injusto. Ele iria atrás dela, mas a loira o beijou selvagem.
Elena quase morreu ao ver a cena. Sentiu-se tão mal, quando ela pensava que não podia ficar mais entristecida do que já estava, ela ficava. Não conseguia nem localizar o foco da dor, seu coração doía tanto, sua alma se rasgava irradiando todo o sofrimento para cada parte de seu corpo, para cada célula, cada molécula.
Mandy se voltou para a morena, abriu um sorriso, um sorriso tão forçado e cínico. -Oi noivinha! — Ela falou enquanto olhava Elena de cima a baixo. — Animada com o casamento?
-Muito... — Elena mentiu, reunindo toda suas forças para conseguir um tom firme, não queria chorar, não podia desabafar na frente dela, não podia. — Ah, eu já vou indo, a minha amiga já deve estar louca de tanto esperar por mim... — Ela falou qualquer coisa e saiu de perto dos dois.
Assim, que a morena deu as costas para o dois, ela não conseguiu mais conter as lágrimas quentes que vertiam de seus olhos e rolavam incessantes por sua face lívida. Ela o tinha perdido, perdido de verdade, ele não ligava mais para ela. Por que ela demorou tanto para tomar um decisão? Para tomar a única decisão certa, a única que a faria feliz?
E agora Damon tinha levado a felicidade dela embora, ela nunca mais conseguiria ficar bem, não depois de saber que ele não a amava mais, não depois de tê-lo visto beijando outra.
Aquilo tinha sido tudo que ela não podia ter visto, que ela tinha rezado para que não acontecesse, mas tinha acontecido. Só que algo dentro dela insistia em dizer que ele a amava, ele não podia tê-la esquecido, não podia.
A conexão que existia entre eles era muito forte, era quase visceral, não podia ter se esvaído tão fácil, mas ela tinha feito tantas coisas, o tinha magoado por tantas vezes, talvez ela merecesse que ele não a amasse mais. Não merecer, não fazia com que ela quisesse menos o amor dele, ela queria ainda mais. Ela descobria o significado de tantas coisas, tantas coisas que a machucavam demais.
Quando ela decidiu assumir o seu amor, ele já não queria mais e ela sofreria duplamente, sofreria por ter que se casar com Stefan, sofreria por saber que nunca mais teria outra chance de se libertar da prisão onde ela mesma havia se trancado. Não haveria mais nada para ela, nada. Damon não a queria mais.
-Ei...Elena...- Caroline finalmente a alcançara e a puxara pelo braço. – O que tá acontecendo com você? – A loira perguntou, quase certa que já sabia a resposta.
-Nada. – Elena tentou se recompor, mas era difícil, muito difícil. – Eu acho que eu preciso mesmo aproveitar a noite. – A garota falou, perdendo o senso, estava tão mal emocionalmente que já não tinha muito controle das próprias atitudes. – Eu preciso de uma bebida. – A garota falou, tentando segurar o choro.
Ela não precisava de uma bebida, ela precisava de qualquer coisa que a fizesse esquecer, que a fizesse se sentir melhor nem que fosse por um minuto sequer. Se Damon estava se agarrando com a aquela Mandy, Elena também deveria curtir, mostrar que estava muito bem e super feliz com a droga do seu casamento.
Elena não tinha reparado o quanto ele tinha ficado afetado por ela. Damon mal aguentava Mandy perto dela, por ele se livraria dela de uma vez, nem para distraí-lo, ela estava servindo. Ninguém serviria, não quando ele pensava em Elena o tempo inteiro. Pensava tanto, desejava tanto estar com a morena que já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha chamado Mandy de Elena. Sorte que a loira estava bebâda demais para notar também. O vampiro acompanhava cada movimento de Elena, cada movimento dela, cada gesto, tudo. Não conseguia tirar os olhos dela. Mas a garota não notava, estava abalada demais.
Caroline observava Elena assustada, desconfiada. Não queria forçar. Não iria perguntar se Elena tinha ficado tão diferente, primeiro tão esfuziante e depois tão entristecida por causa do Damon. Era melhor nem tocar no assunto. Ela apenas seguiu a amiga, que pedia ao garçon, não uma dose, mas a garrafa inteira de Vodka.
Aquilo não ia dar certo. Não ia terminar bem, a loira concluiu.
Elena deu um gole longo, bebendo uma boa quantidade da bebida de uma vez. Ela já nem tinha muita idéia do que fazer. Tudo que ela sabia era que não podia olhar na direção de Damon. Ela foi para pista eenquanto sua sobriedade ainda a dominava, ela mal dançava, se sentia constrangida. Nunca fora uma garota festeira, sempre se sentia envergonhada.
Ela bebia sem nenhuma preocupação, metade da garrafa já tinha ido. Sua percepção já estava mais do que afetada, assim como sua razão. Elena estava dançando animadamente, como se tivesse esquecido de tudo, mas não tinha. De tempos em tempos, ela virava, para olhar para Damon que continuava com a garota, e isso fazia com que ela bebesse ainda mais.
Um garoto se aproximou de Elena e não demorou para que os dois estivessem dançando juntos. Caroline tentou ir até lá, tentou tirar a amiga da pista, mas a morena falou qualquer coisa, e a mandou embora de lá, não estava nem aí.
A dança se tornou mais sensual, mais íntima. Em seu juízo comprometido, Elena achava tudo aquilo muito engraçado, ela era noiva, estava tentando fazer ciúmes em seu cunhado e por isso estava dançando com um estranho que ela nem sabia o nome e nem tinha se lembrado de perguntar.
Só que a situação se tornou incômoda demais, quando ele quisera colar seu corpo ao dela, mas do que ela desejava, quando o garoto tentou beijá-la e ela evitou.
-Ah, qual é, garota? – O rapaz perguntou visivelmente irritado com a atitude da morena.
-Não...- Ela falou afetada. – Eu não quero.
Ela não queria mesmo, a verdade é que não se sentia nem um pouco melhor, se sentia pior, ter dançado com o garoto não lhe acrescentou nada ou aliviou a dor que sentia. Se ela parecia melhor, era só o alcool que entorpecia seus sentindos, mas não o suficiente para fazer com que ela beijasse alguem.
-Tá brincando, não é? – Ele riu e a puxou, tentando beijá-la contra a sua vontade.
Elena não soube muito bem como os próximos acontecimentos se sucederam, mas o garoto não chegou a encostar mais nela, nem a forcá-la a beijá-lo. As imagens já estava turvas devido a enorme quantidade de alcóol que a garota havia ingerido. Ainda assim, a garota podia ver Damon tão perto dela. Parecia que ele havia brigado com o garoto e agora o mandava nunca mais se aproximar dela. Apesar do estado afetado, Elena conseguiu abrir um sorriso, quando Damon a pegou no colo sob os protestos de Caroline.
-Deixa que eu levo ela. – A loira bufou
-Nem pensar. – Damon retrucou. – Eu cuido dela. – Ele falou olhando para a face de Elena com tanto carinho.
Ela abriu os olhos com dificuldade, o sorriso se tornou mais visível nela.
-Você se preocupa comigo... – Ela concluiu, sentindo uma sensação calmante tomar conta de seu corpo. Já estava meio baqueada, com sono, e estar nos braços fortes e protetores dele a fazia tão bem, fazia com que ela pudesse adormecer tranquila.
Ela caiu se rendeu ao sono, não conseguiu nem esperar a resposta, mas era lógico que ele se preocupava com ela, ele a amava. Damon a iria levar para casa e cuidar dela, ela precisava ficar bem, não gostava de vê-la afetada de nenhuma forma e muito menos ficar tão afetada como ela ficara naquela noite.
...
Damon levara Elena embora do bar. Não iria levá-la para a casa, não estava nenhum pouco interessado em encontrar o Stefan e muito menos em ter que dar nenhum tipo de explicação sobre Elena, sobre como ela ficou bêbada ou qualquer coisa assim. E também havia um outro fator, o mais importante deles.
Se ele levasse a garota para casa, Stefan ficaria com ela e Damon precisava ficar perto dela nem que fosse um pouquinho, nem que fosse apenas para velar seu sono, ficar a observando enquanto ela dormia. Decidiu, então, que a levaria para a casa de Alaric, onde ele mesmo estava ficando desde que havia “largado” Elena.
A garota dormia profundamente, Damon a pegou no colo carinhosamente, tomando todo o cuidado com ela, não queria que ela acordasse. Ele a carregou até o apartamento e quando chegou com a garota adormecida em seus braços pode perceber o olhar espantado de Alaric.
-Damon, o que aconteceu? – Alaric o olhou questionador, enquanto observava a garota, que parecia mais desmaiada do que adormecida.
-Nada, eu só estou cuidado dela. – Ele falou sinceramente enquanto olhava gentilmente para o rosto de Elena, que estava alheia a tudo, apenas dormia e era tão linda enquanto dormia, parecia um anjo, ele concluiu.
-Então porque você não a leva para casa? – O professor ainda não tinha acreditado na história. – Você fez alguma coisa com ela?
-É lógico que não. – O vampiro respondeu irritado. Ele jamais faria qualquer coisa contra a garota, seria incapaz. Poderia fazer qualquer coisa com qualquer outra pessoa, mas jamais com ela. Nunca faria nenhum mal a Elena Gilbert, nunca.
-É sério, cara, você precisa esquecer a Elena...- Alaric ponderou, sabia dos sentimentos do vampiro em relação a garota. — Não pode ficar atrás dela...
-Eu já desisti dela... — Ele falou, não se sentiu muito bem com aquelas palavras. Ele nunca conseguiria desistir dela, era impossível. Damon franziu o cenho ao olhá-la novamente, ela era tão doce, tão meiga. Como poderia desistir dela quando cada vez que a olhava se apaixonava mais?
-Então por que você a trouxe para cá? Você deveria ter ligado para o Stefan, o noivo dela.
As palavras de Ric atingiram Damon como navalhas afiadas, no fundo o professor tinha razão, era com Stefan que Elena se casaria, ela o tinha escolhido, afinal.
-O que você queria que eu tivesse feito? Ficado esperando um o Stefan enquanto um idiota se aproveitava que ela estava bebada para agarrá-la?
-Não, claro que não. — Alaric fez uma pausa. — Cara, eu sei que você a ama, mas você precisa a esquecer. Sério, isso não faz bem nem para você nem para ela.
Damon ignorou completamente as palavras de Alaric, era impossível deixar de amar a garota. Ele não queria mais ouvir as palavras do professor. Ele ainda segurava a garota no colo e a levou até o quarto. Ajeitou o travesseiro e deixou a cabeça dela pender, se apoiando no tecido fofo, tirou os sapatos da garota e a cobriu com o edredon macio.
Por um instante, Damon ficou a observando, admirado, deixou os olhos gravarem gravarem a imagem linda dela. Não conseguia imaginar como seria ficar longe dela, longe em definitivo da garota. Deixou as lágrimas verterem de seus olhos azuis como o mar, doía muito só pensar que ela nunca seria dele.
Naquele instante, ficou aliviado que ela dormia tão profundamente, não queria que ela o visse chorando, ninguém o via daquela maneira. Ele não tinha sentimentos, preferia que todos pensassem dessa forma. As vezes, ele mesmo não queria sentir.
Por um tempo, até conseguiu desligar as emoções, mas depois foi impossível, principalmente depois de Elena Gilbert surgir em sua vida. Deixou as pontas dos dedos tocarem cuidadosamente, bem de leve, o rosto dela, sua pele era tão macia, nunca conseguiria esquecer aquela textura.
Tocou-lhe os lábios, a sensação deles estava gravada dentro dele, levaria com ele o gosto daqueles lábios. Ainda se lembrava perfeitamente do beijo dela, fazia parte dele. E o "eu te amo" dela ainda ecoava em sua mente e fazia seu coração se agitar como foi no momento que tinha ouvido.
Elena se movimento e ele se afastou, com medo que ela acordasse, mas não ela apenas se virou para o lado, continuava dormindo.
Ele se sentou na cama, ao lado dela, ficou a observando dormir, levou aos mãos aos longos e sedosos cabelos castanhos da garota, os acariciando, alisando com carinho e gentileza. Elena murmurou algo indecifrável. Ele sorriu achando graça, a considerando ainda mais linda do que antes.
Quis tomá-la em seus braços e a envolver com todo o carinho e amor que sentia por ela. Desejou que pelo menos, ela se deitasse no colo dele e dormisse ali, tão próxima dele, mas permaneceu onde estava, a respeitava, afinal.
Damon não conseguia acreditar que em apenas alguns dias Elena iria se casar com seu irmão. A verdade é que ele não era capaz de imaginá-la casando com qualquer outro homem que não ele. Nunca havia se imaginado casando, mas desejou ser o noivo dela, a queria como nunca quisera ninguém, a amava de um jeito que julgou que seria impossível de amar.
Era um amor tão forte, tão intenso, viceral.
...
Era tarde, quando Elena despertou. Sua cabeça lateja, todos os seus músculos doíam, resultado da quantidade de álcool que havia ingerido na noite passada. Ela murmurou alguma coisa, levou a mão a cabeça, a dor era quase insuportável.
-Ai minha cabeça...- Ela resmungou, irritada. Já estava arrependida de ter bebido demais só por isso.
-Bom dia, Bela Adormecida. — Damon falou num tom sarcástico, abrindo um sorriso para ela. Ele a observou cuidadosamente, reparando em cada detalhe da garota. Ficava feliz somente em vê-la, em poder fitar os olhos castanhos, tão intensos dela. Para cada dose de felicidade, existia uma dose igual de tristeza. A idéia de perdê-la para sempre era dolorida demais.
Elena quase se arrepiou ao escutar a voz dele.
-Damon... — A garota falou enquanto esfregava os olhos. Mesmo com todo o corpo afetado pela ressaca horrível que estava tendo, ainda respondia da mesma forma eletrizada quando viu Damon. Seu coração acelerou instintivamente, a respiração acompanhou o ritmo, os músculos doloridos pulsaram por ele.
-O que aconteceu? Onde eu estou? – Ela perguntou desorientada, ou melhor, desorientada duplamente. Primeiro pelas dores, resultado da bebedeira da noite anterior e segundo pela presença dele, ele mexia demais com ela.
Por que ela tinha que ficar tão feliz ao vê-lo?
Não se lembrava muito bem do que tinha acontecido, algumas imagens eram apenas borrões em sua mente, enquanto outras estavam bastante claras. Ela se lembrava muito bem da loira vadia que estava com ele e ele parecia tão bem, como se já tivesse esquecido. Elena desviou o olhar, não queria mais vê-lo.
Por mais absurdo que pudesse ser, apesar de não ter nenhum direito sobre ele, ainda assim, ela se sentia traída, decepcionada, ferida. As lembranças fizeram com que ela se entristecesse, mas ainda assim, não sentiu-se vazia. Havia algo nela que dizia que ele ainda a amava e ela não entendia porquê.
-Você ficou bebada ontem...- Ele fez uma pausa, observando que ela o evitava. Evitada qualquer contato, mantinha-se olhando para o nada, desviando o olhar o máximo que podia. – Um cara tentou te agarrar e eu tive que te tirar de lá...
Ela se lembrava vagamente, nem tudo estava muito organizado em sua mente, mas pouco importava. Se um lado dela estava feliz por ele ter se preocupado com ela e estar, lá, ao lado dela, havia um outro lado que ainda estava se corroendo de ciúmes. Na verdade, ela estava morrendo de ciúmes e ao mesmo tempo podia sentir todo seu corpo vibrando por ele, seu coração batendo numa frequência especial por ele.
-Ah...desculpe por ter estragado a sua noite...- O lado ciumento tinha ganho e ela falava visivelmente irritada, demonstrando que algo a aborrecera muito. Ainda evitava olhá-lo, ela se encolheu, puxou o edredom, se cobrindo ainda mais, como se quisesse se esconder ali. – Não precisava se importar, sério.
-Mas eu me importo com você. – Ele admitiu, enquanto observava as reações dela. Por mais que tivesse notado que ela estava aborrecida, não pode evitar de sorrir quando a viu puxando as cobertas como uma criança quando faz pirraça. – Eu queria não me importar...- Ele fez uma pausa, suspirando pesadamente. – Mas eu não consigo.
Elena virou o rosto para ele, os olhos castanhos encontrando o par de olhos azuis, os olhares se cruzaram faíscando um amor, um carinho tão grande, tão forte. Elena sentiu a pele de seu rosto queimar, estava corando. Por que isso sempre tinha que acontecer para denunciá-la? Ela baixou o olhar, envergonhada, totalmente sem jeito. Ela queria dizer de uma vez que o amava, mas estava enciumada e consequentemente raivosa demais para isso.
-Ah...- Ela não conseguiu formular nenhuma resposta para dizer para ele, porque qualquer uma que tentava não soaria como ela queria que soasse, ou a iria complicar e acabar fazendo com que ela assumisse de uma vez seus sentimentos por ele, o que nitidamente não queria fazer naquele momento, ou acabaria assumindo da mesma forma só que na forma de uma crise de ciúmes.
-Elena...- Ele a chamou, aproximando uma das mãos do rosto dela. Por um instante hesitou em tocá-la, mas o fez, acariciou gentilmente a face, de pele macia, quando ouviu o coração da garota se acelerar no peito, o corpo que reagia a ele, demonstrando o que ela nunca falava. – O que você queria me dizer ontem? – Ele decidiu retomar o assunto, porque não conseguia desistir dela, a queria tanto, a amava demais, amava mais do que devia.
-Nada... – Ela desconversou. Até parece que ela iria falar o que tinha para falar depois de tê-lo visto com a Mandy. Justo com a Mandy, aquela vadia! Como ela odiava aquela garota! E ela queria sentir raiva dele, queria muito sentir raiva e parar de sentir o que sentia por ele, se casar com o Stefan e pronto, seria muito mais fácil. Mas era muito mais complicado. Ela não conseguia parar de sentir, não conseguia.
-Como assim nada? – Ele perguntou, insistindo, forçando ela a dar uma resposta definitiva. Precisava daquela resposta. Se pudesse ele a faria dizer de uma vez, podia a compelir a falar o que sentia, mas não seria a mesma coisa, não mesmo. Não seria real. Ela precisava admitir, ela precisava dizer. Ela já tinha dito, mas não tinha realmente falado, não frente a frente, não olhando nos olhos dele, ela precisava dizer.
-Ah...sei lá... – Ela falou qualquer coisa, dando de ombros. Fingia que não se importava, que não ligava a mínima para ele. Mas ela ligava, mais do que deveria ou queria ligar. Ele era sua perdição e sua cura. Perdição, porque não deveria amá-lo e isso lhe trazia tantas complicações, tanta culpa, tanta indecisão. Cura, porque era o único capaz de fazê-la sentir-se realmente bem, que levava embora o vazio de dentro dela, que conseguia fazer com que ela não se sentisse mais triste. – E bem, eu acho que você nem queria conversar mesmo.
-É lógico que eu quero, eu quero muito, Elena. – Ele falou de uma vez, não aguentava mais viver com pensamentos tão conflitantes. Ora, tinha esperanças que poderia tê-la, que finalmente poderia ficar com ela, o amor de sua vida e oras, tinha certeza que isso jamais aconteceria. Ele não podia mais perder tempo, não podia perder a oportunidade de falar com ela de uma vez por todas.
-Não parecia isso, ontem. – Ela fechou a cara, demonstrando toda a sua irritação. Sentiu seu rosto queimar ainda mais. Que raiva! Sentiu-se rídicula, estava tão óbvio que ela estava com ciúmes, pelo menos era o que a garota achava. – E você disse que não queria falar comigo... – Ela fez uma pausa, o olhando, fazendo uma carinha quase manhosa. Controlou-se. – E bem, você estava tão animado ontem, que nem parecia que se importaria com qualquer coisa que eu falasse.
Ele entendeu, fechou os olhos mal dizendo a hora que tinha decidido ligar para Mandy e convidá-la para sair. Mas como irigia imaginar que Elena iria para aquela festa? E bem, a loira não significava nada para ele, era apenas uma distração, que nem estava dando certo. Ele não conseguia parar de pensar em Elena, ela era a única. – Ah, Elena... – Ele iria falar alguma coisa, mas a voz da garota o interrompeu.
-Nem precisa falar nada, me desculpe, de novo, por ter atrapalhado sua noite ontem. – Ela insistiu no mesmo assunto, mas como não insistir? Como não sentir um ciúme avassalador de quem ela amava tanto? – É sério, eu sinto muito. – Ela falou se levantando da cama, afetada. – Eu vou embora, é melhor e nem precisa se preocupar, não quero te preocupar à toa, eu estou ótima. – Ela abriu um sorriso forçado. – E mande lembranças a Mandy por mim. – Ela falou ironicamente, se controlando por que o que ela queria dizer mesmo era “mande lembranças para a sua vadia” ou melhor “eu odeio ela, quero que ela morra, quero voar no pescoço dela”...em fim, era uma série de xingamentos incessantes, mas ela se conteve com o que dizera.
Damon ficou a observando incrédulo, não pode acreditar que ela estava tendo uma reação daquelas, na verdade, podia. Não devia nem ter se aproximado da Mandy. Que raiva! Ele sempre estragava tudo, quando conseguia se aproximar de Elena, ele sempre fazia alguma coisa que a deixava morrendo de raiva dele.
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