Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo!

Querido Diário



Elena suspirou pesadamente. Não sabia nem como começar, não conseguia nem escrever. Os pensamentos, as lembranças, tudo era tão dolorido. Sua vida estava tão terrível, nunca imaginou que pudesse ser tão infeliz como estava sendo. Nem quando existiam todos os problemas com o Klaus, ela era tão infeliz.

Ela conseguia ter mais esperanças. Achava que um dia tudo ficaria bem e ela poderia ser feliz. Só que o futuro dela não era o que ela queria para si, ela pensava no dia seguinte e sentia todo seu corpo estremecer, num medo, numa recusa de continuar.

Conforme os dias foram passando, Elena só se sentia pior, era como se não fosse capaz de encontar a alegria em nada mais, era como se ela estivesse morrendo, como se ela mesma estivesse se perdendo dentro de si. O choro, que já era constante, se tornou mais intenso, mais profundo.

Viver tinha se tornado impossível, sua realidade era um pesadelo. A garota passava os dias deitada em sua cama, não tinha energias para fazer nada, mal se alimentava. Tudo que ela conseguia era ficar o dia deitada, às vezes, ainda reunia as poucas forças que tinha para desabafar com seu diário.

Ao menos, estava sozinha, estava em casa e não na mansão com Stefan. Faltava apenas um dia para o casamento e como existem diversas crenças que os noivos nao devem se ver, ela aproveitou a oportunidade para ficar longe.

Falta um dia para o meu casamento, eu sei que eu deveria estar feliz, mas não consigo estar.

Eu me sinto cada vez mais distante de Stefan, como se já não houvesse mais nenhum sentimento, nenhum...



Por que ela iria se casar, afinal? Não sentia mais nada, era um casamento que não daria certo, pois ela jamais se entregaria aquela relação. A verdade, era que Elena mal conseguia ficar perto de Stefan, ela o evitava o máximo que podia. Ultimamente, apenas passava seus dias jogada na cama, chorando, tentando evitar conversar com ele.

Ela tentava negarm tentava se alienar e fugir da realidade, como se não estar ao lado Stefan adiasse o casamento.

Mas isso não estava adiantando.

E eu ainda penso muito nele. Eu penso nele o tempo inteiro.

Damon me faz tanta falta, cada dia eu sinto mais saudades...



A garota pousou a caneta sobre as folhas de seu diário. Nem escrever estava aliviando a dor. Nada mais aliviava. Se ela pudesse encontrar uma forma de parar com todo aquele sofrimento, se ela pudesse simplesmente parar de sentir, de amar tanto. Mas isso era impossível.

Nunca imaginou que poderia sofrer tanto por amor, mas estava sofrendo. Só que ela não estava sofrendo realmente por amar, estava sofrendo porque não podia viver ao lado de quem ela amava. Elena estava se obrigando a continuar em uma vida infeliz, por isso, talvez, ela realmente merecesse toda aquela dor.

Ontem, eu quase liguei para ele...

Ou melhor, eu liguei, mas quando ele atendeu, eu desliguei, não tive coragem de falar com ele.

Depois eu tentei ligar de novo, mas ele não me atendeu mais.

Não sei porquê.

Talvez, ele não quissesse mais falar comigo ou...

Fiquei pensando se ele estaria com ela!

Eu não consigo acreditar que o Damon tenha me esquecido e realmente goste dela...

Não vou escrever o nome dela aqui, não vou!



Elena ainda tinha em sua mente as imagens de Damon e Mandy se beijando, por mais que ela tentasse expulsar as lembranças de sua mente, ela não conseguia. Já tinham se passado alguns dias e ela ainda se lembrava, ainda ficava se remoendo. Isso fazia com que ela se sentisse pior.

Na verdade, foi esse mesmo pensamento insistente que fez com que ela estragasse tudo e não disse para ele na manhã seguinte aquela noite que o amava. Ele ainda queria ouvir que ela o amava. Ele a amava, é lógico, que ele a amava, nunca iria parar de amar, assim como ela também não conseguiria parar de amar.

Se eu pudesse, eu faria tudo diferente.

Eu não teria insistido no meu casamento e eu teria dito de uma vez ao Damon que era ele que eu amo.

Que droga!

Eu o amo demais!

Não consigo mais me imaginar vivendo sem ele.

Eu achava que eu ia conseguir, que assim, seria mais fácil, mas não é.

É bem mais difícil.

É impossível.



A garota podia sentir as lágrimas quentes rolarem por sua face, não era capaz de evitá-las. Sentia um desespero invadir seu corpo, um vazio que tomava conta de sua alma. A sensação de solidão estava lá, sempre estaria. Enquanto ela não estivesse com Damon, a sensação nunca iria passar, só iria piorar.

Ela enterrou seu rosto no travesseiro, não queria fazer nada, não conseguia. Foi aí que ela ouviu a campanhia de sua casa tocar. Seu corpo protestou, não queria se levantar. Elena se lembrou de seus compromissos do dia, mas não tinha nenhum animo. Estava a tantos dias longe, sem vê-lo, que não tinha mais nenhuma força, nem um grãozinho mínimo de energia.

Como Elena já prevera, era Caroline que estava lá, em sua porta, com um sorriso alegre. A loira era tão feliz, tão animada,q ue Elena a invejava. Caroline foi adentrando a casa, falante como costumava ser.

-Vamos, Elena! Você tem que se arrumar para o ensaio do seu casamento! – A loira sorria. – Isso é tão demais, mal vejo a hora de me casar também!

As duas subiram para o quarto da morena. Caroline espalhou a maquiagem por cima da penteadeira de Elena, e colocou o vestido cor creme sobre a cama. – Você deve estar tão feliz! Eu estaria radiante!

-É, eu estou muito feliz. – Elena até tentou abrir um sorriso, mas este fora tão forçado e o tom de sua voz era tão sombrio que não adiantou de nada as palavras dela. Ela não estava feliz, ela estava muito triste. Chegava a estar até em depressão.

-Meu deus, Elena! – Caroline exclamou ao dar uma boa olhada para a amiga, pode ver os olhos inchados e avermelhados de tanto que a morena havia chorado, podia ver também as marcas arroxeadas das olheiras. – Você está péssima... – A loira a olhou preocupada. – Você não quer me contar o que está acontecendo?

-Não, Carr...- Elena tentou desconversar, baixou um pouco o rosto, para que Caroline parasse de observá-la. A garota até queria desabafar, precisava muito disso, precisava ter alguém com quem falar. Ela contava tudo para seu diário, mas não era a mesma coisa. Ela precisava de alguém de verdade, que lhe desse um conselho sobre o que fazer.

-É sério, Elena... – Caroline puxou o assunto, ela conhecia muito bem a amiga para ter idéia do que estava acontecendo. – Eu vi o jeito que você ficou naquele dia na festa. – A loira fez uma pausa, procurava as palavras certas. – Por causa do Damon. – A garota a fitou, examinando como a expressão da morena se modificava.

-Não, não... – Elena tentou negar. Tentava esconder o que estava estampado em sua face, até Caroline já tinha percebido. Ela amava tanto o Damon e isso era tão evidente, tão claro. Era tão forte o sentimento que possuía por ele, era como se ele fosse uma parte dela, uma parte que ela não poderia viver sem, mas ainda assim tentava, em vão.

-Pode, falar. – A loira abriu um sorriso encorajador. – Eu sou sua amiga...

-Talvez eu goste dele... – Elena baixou o olhar, tentava fugir a expressão questionadora da amiga. – Mas não é nada demais, não é mesmo. – Ela mentiu. É lógico que era muita coisa, ela chorava o tempo inteiro, não sabia mais como viver se fosse par ficar sem ele e ainda assim insistia. Ela deveria estar louca mesmo.

-Elena, eu até entendo que você não queria me falar, seu eu estivesse na mesma situação, talvez eu não falasse também. – A garota fez uma pausa, ponderando cada palavra. – Mas se eu amasse o Damon, eu não me casaria. Não é justo. Na verdade, é muito injusto com todo mundo, sério. – A garota fez uma pausa. – Você ficaria infeliz, o Damon ficaria infeliz e com o passar do tempo o Stefan também, porque ele vai perceber que você não o ama.

-Você não se casaria a um dia do seu casamento? – Elena perguntou incrédula. O que mais a corroía era que ela tinha perdido todas as oportunidades de evitar tudo isso. Tentou conter as lágrimas que insistiam em verter de seus olhos, mas não conseguiu.

Já estava chorando.

Sentia-se tão culpada, só que agora era uma culpa diferente, não se sentia mais culpada por amá-lo. Sentia-se culpada por nunca ter admitido, tudo isso porque o medo que ela tinha de se tornar como a Katherine era grande demais. Ela era tão idiota, tinha desperdiçado tudo e era bem provável que ele não quisesse mais saber dela.

Da última vez, ele pedira novamente, mesmo depois de tê-la deixado por ela nunca confessar, mesmo depois que ela o viu com a Mandy, ele ainda se importava se ela o amava ou não, e, ainda assim, ela não admitira. Ela ficou tão irritada com o fato dele estar beijando outra garota que tudo que conseguiu fazer foi perder mais uma chance.

Ele sabia que ela o amava e tinha conviver com o fato que mesmo assim ela preferia o Stefan. Embora não fosse isso realmente, era assim que ele via as coisas. Elena se tocou o quanto estava sendo egoísta, mas o que ela poderia fazer agora? Ela tinha tanto medo de enfrentar a realidade, tanto medo.

-Ah, Elena. – Caroline falou num tom de dúvida. – Isso tudo é tão complicado... – Ela suspirou pesadamente. – Se eu fosse você, eu não...

-Carr...-Elena a repreendeu. – Eu estou falando hipotéticamente, eu não estou dizendo nada disso, não tem nada a ver comigo... – A morena tentou consertar, não podia simplesmente admitir, não assim, ainda mais para a amiga, se ela mesma, ainda não tinha dito à ele, frente a frente que o amava.

-Claro, claro... – Caroline abriu um sorriso, fingindo que tinha acreditado na história da garota. – Bem, mas se fosse comigo, eu acho que eu não casaria. – A garota fez uma pausa. – Eu não, um dia antes do casamento é muito complicado de tomar uma decisão, mas eu não sei.

-Vamos deixar isso de lado...- A morena abriu um sorriso pegando o vestido da cama, ou melhor, se forçando a fazer isso. – Será que eu vou ficar linda com ele?

-Lógico que vai! – Caroline também forçou o sorriso, estava realmente preocupada com a amiga, mas não poderia forçá-la a nada. – E nem é o vestido do casamento ainda!

-Vamos, eu preciso me arrumar para o ensaio. – Elena continuou, tentando viver a farsa que era sua vida. Mas no fundo, surgia uma esperança em seu coração, talvez, Damon fosse ao ensaio e ela pudese vê-lo, pudesse estar perto dele. Ela podia conversar com ele, falar o que ela vinha evitando de falar a tanto tempo.

...

Toda a animação que Elena forjara instantes atrás estava sumindo. Ela se olhou no espelho e não entendia o propósito de tudo aquilo. Usava um longo vestido creme que caía maravilhosamente sobre suas curvas, o cabelo estava solto, mas não como costumava usar todos os dias, estavam levemente ondulados.

Nem era o dia do casamento, era apenas um ensaio da cerimônia. Ela tinha relutado demais em fazer aquilo desde o início, dizera que não era necessário, em absoluto, mas a cerimonialista e também suas amigas dizeram que era muito preciso, que todo mundo fazia e seria um momento ótimo, mais um para recordar do “dia mais feliz da sua vida”.

A morena não conseguia absorver as últimas palavras, pois o seu casamento estava sendo horrível, algo que ela nem mais queria e vivenciar a rotina de prepará-lo estava tornando tudo muito mais difícil. A garota se levantou, quase que se arrastando, queria resolver tudo e ir logo para casa.

Não sabia quanto tempo mais iria conseguir ficar sem chorar. Ela já podia sentir as lágrimas inundando seus olhos, era uma questão de tempo até verterem.

Ela não estava toda arrumada ainda, precisava se maquiar, mas não tinha animo, iria ficar do jeito que já estava. Caroline, que já estava pronta, apareceu radiante num lindo vestido azul, que combinavam perfeitamente com a coloração de seus olhos. A loira olhou para a amiga e franziu o cenho, não estava gostando nada daquilo, já tinha entendido tudo.

Elena percebeu a reação da loira, não podia deixar que ela desconfiasse mais do que já tinha. Aliás, não tinha nada mais para desconfiar, tudo estava tão claro, que não tinha como não perceber. Só Stefan não tinha percebido toda a sua infelicidade, talvez, até tinha percebido, mas Elena o evitava o suficiente para que nenhum assunto surgisse, muito menos esse.

A morena abriu um sorriso, não conseguiu o sorriso que tinha tentado, mas ainda assim era um sorriso.

-Ah, amiga! Deixa eu te ajudar! – A loira falou enquanto ajeitava o vestido de Elena, e pegava a maquiagem, para ajudar a amiga com isso. – Tem certeza que você está bem? – A garota abriu o blush, pegou o pincel e começou a aplicar nas bochechas de Elena, deixando um tom mais rosado na pele lívida. – Eu até liguei para a Bonnie, porque... – Caroline desatou a falar, seu jeito costumeiro, mas Elena a interrompeu.

-O que você falou com ela, é sério, você não pode ficar contando as coisas! – Elena a repreendeu, já imaginava a amiga contando tudo que estava acontecendo, da desconfiança de que ela não desejava realmente se casar e que estava perdidamente apaixonada por Damon. Embora, a morena não tivesse, de fato, confessado, ela sabia que a amiga já tinha percebido.

-Desculpa, Lena. – Caroline fez uma cara de quem tinha falado demais e sentia muito por isso. – É que eu não estou aguentando te ver assim, é sério, se você casar e me ligar chorando na lua de mel, ao invés de aproveitá-la, eu vou me sentir culpada por ter te deixado fazer isso. – A loira falou sinceramente. – E a Bon também acha que tem algo errado com você, a gente é sua amiga, você podia falar...

-Eu já disse que eu estou ótima, é sério! – Elena fez uma pausa. Agora, tinha mais isso, sua melhor amiga a estava pressionando por uma resposta. – Eu só estou muito estressada, só isso. – A garota abaixou o olhar, sentiu a tristeza a dominando de novo. Seria muito mais fácil se ela falasse de uma vez, mas porque ela tinha que ser tão teimosa? – Esse casamento está me deixando louca é muita coisa para ver. – Elena mentiu, tentando lutar contra as lágrimas e sorrir.

-Tá bom, Elena, se é isso que você diz, eu não vou mais insistir. – A loira falou enquanto terminava de passar o batom rosa na amiga. – Ei, você não pode chorar, viu? Eu vou terminar aqui e vou te passar o rímel, se você ficr chorando vai ficar horrível! – Caroline riu, já ficando animada, a idéia de arrumar alguém e para o que seria uma festa a deixava elétrica. – Então tira essa cara de choro daí.

...

As duas chegaram no local, era o mesmo local onde aconteceria a festa de casamento no dia seguinte. Era só um ensaio, então não existia decoração. O lugar estava arrumado, mas não chegava nem perto do que seria. Elena se arrepiou ao ver o altar montado, as cadeira arrumadas de frente para ele e o caminho que ela faria até chegar ali.

Seu corpo inteiro gelou, num desespero avassalador, aquilo realmente não era o que ela queria. E ela já tinha ido tão longe naquilo e não sabia mais o que fazer.

Teve dias que ela achava que deveria se casar por ser o certo a se fazer, mas tinha outros dias em que ela não queria se importar, ela queria deixar tudo de lado e sair correndo dali e se jogar nos braços de Damon e ficar ali, protegida de tudo, ao lado dele, porque era ele quem ela amava.

-Você não tem nem idéia do que eu preparei para amanhã, Elena! – Caroline exclamou de animação. – Vai ficar tão lindo! Sério, você vai ficar chocada! – A garota fez uma pausa. – Só por isso eu fico feliz por você não ter participado tanto dos preparativos, assim, você terá uma surpresa e eu garanto que vai amar.

-Eu vou adorar. – A morena respondeu sem ter muita idéia do que estava falando. Já não tinha noção de nada, sentia como se caminhasse em uma superfície rugosa, repleta de vidro estilhaçado, que feria seus pés, fazendo com que o sangue vertesse deles. Para Elena, era assim que ela se sentia enquanto caminhava pelo local onde aconteceria seu casamento. Não tinha nada de bom, tão pouco de feliz ali.

Elena observou que todos já estava lá, tinha chegado para o ensaio. Era algo mais reservado, mas ainda assim, tinham muitos convidados. A garota não quis nem imaginar quantas pessoas tinham sido convidadas para a festa que aconteceria no próximo dia.

Ela suspirou pesadamente.

Casar não deveria ser algo que ela quisesse mesmo, pois não tinha controle algum do que estava acontecendo, havia deixando nas mãos de qualquer um que estivesse disposto a aceitar a responsabilidade

-Elena! Que bom que você chegou. – Falou a cerimonialista. – A gente já vai começar o ensaio. – Elena ouviu a tudo como se estivesse alheia aos acontecimentos, sua mente estava distante demais. – Caroline você tem que se juntar ao Tyler, os padrinhos são uns dos primeiros a entrar. – Ela sorriu. – E a noiva vem comigo.

Elena observou a amiga partir e se sentiu mais solitária do que antes. Enquanto ela caminhava com a cerimonialista, seu olhar buscava por uma única imagem. Queria tanto ver Damon, precisava tanto disso. Sentia muita falta dele, faziam alguns dias que eles não se viam, mas para ela os dias pareciam anos.

Já era difícil viver quando ele fora embora de Mystic Falls, mas tinha se tornado impossível depois que ele regressara, pois o amor que ela sentia por ele havia se tornado ainda mais intenso, era como se achama que ela vinha mantendo adormecida, com muito custo, tivesse sido liberada.

E agora, ela só pensava nele, só queria estar perto dele.

Elena o amava demais.

Ela amava Damon com todo seu ser.

Elena observava entristecida o ensaio do cortejo, os padrinhos, o noivo. Não existiam os pais da noiva nem o noivo para entrar. Pelo menos, ela tinha isso em comum com Stefan, eles não tinham pais, eles não tinha família, a não ser um irmão. Elena tinha Jeremy e Stefan, Damon.

Ela suspirou pesadamente, só de pensar em Damon sentiu seu coração acelerar. Ela o amava tanto, precisava tanto dele, seu corpo pedia para estar perto. E ela estava sofrendo demais com a ausência dele, por não ter podido ficar perto nem que fosse um pouco.

E pelo visto, ele também não viria ao ensaio.

Que ótimo, ela ironizou a si mesma.

Deveria tê-lo perdido para sempre. Qualquer um se cansaria dela, de sua eterna indecisão. Não quis nem imaginar se ele estaria com a Mandy naquele momento. Ela estava sendo muito infantil mesmo com todo aquele ciúme, era tão óbvio que ele não ligava para aquela loira vadia, porque se ligasse, não iria tê-la largado, mas ele largou.

Elena sorriu ao se lembrar, que ele tinha largado a Mandy para cuidar dela. Depois de ter sorrido, a garota se tocou do quanto tinha sido burra, ela fora embora, o largou por um ciúme bobo, que nem deveria ter sentido. Ela precisava chegar até ele, precisava sair correndo dali para encontrá-lo e dizer o quanto o amava.

Não importava mais nada, só ele. Até Caroline já tinha dito que era errado ela se casar, mas por que ela insistia nisso, insistia em ficar naquele ensaio idiota? Querendo ou não, Elena sentia culpa, quer não sentir, mas não conseguia. Achava injusto fazer isso com Stefan, ainda mais um dia antes do casamento.

Ela deveria ter terminado tudo antes, assim que percebeu que não era ele o escolhido do seu coração, mas ela não o fizera e o preço que estava pagando, estava sendo alto demais.

A cerimonialista começou a falar, mas Elena não escutara, seus pensamentos vagavam na imagem de Damon, em seu rosto perfeito, no oceano azul que eram seus olhos. Na sensação que tinha cada vez que ele estava perto, em como era bom abracá-lo, em como se sentia tão amada, tão protegida, como se estivesse no lugar onde deveria estar.

Ela fechou os olhos, levou uma das mãos até o rosto, deixou com que os dedos tocassem seus lábios. Ainda se lembrava de como era beijá-lo, de como tinha se sentido tão bem, como se tivesse compreendido exatamente o que era amor verdadeiro. Elena foi tirada de seu transe, pela mão da cerimonialista que lhe tocava o braço.

-Ei, você precisa ir, o seu bouquet está aqui. – Ela abriu um sorriso. – Não se esquece que você deve levá-lo na mão direita, viu? E deve ficar no altar ao lado esquerdo.

Elena ficou olhando para a face simpática da mulher sem entender muito bem o que estava acontecendo. Por um instante, ela tinha se esquecido completamente que iria se casar em um dia e que estava no ensaio da cerimonia e do jantar também. Quando tudo veio a tona novamente, a garota sentiu a mesma tristeza, a mesma sensação de vazio infinito lhe invadir o corpo.

Ela pegou o bouquet, de uma forma que evidenciava tanto a sua tristeza, que até a mulher percebeu. A cerimonialista até estranhou, Elena Gilbert era realmente a noiva mais estranha que ela já tinah visto. Não tinha participado de nada do casamento e agora estava de uma forma, estava tão devastada que parecia que tudo estava sendo um pesadelo.

A mulher poderia até jurar que a garota estava casando obrigada.

Elena caminhou, fazendo o caminho que a levaria até o altar, até Stefan. Sentiu-se péssima, em estar fazendo isso não queria. Não conseguia nem disfarçar como se sentia, ela estava mesmo arrasada. Por que ela ainda tinha que viver isso duas vezes? Tinha que ensaiar ainda? Se não bastasse o dia do casamento, ainda tinha um ensaio totalmente sem propósito.

Ela fechou os olhos por um instante, tentando imaginar que era Damon que estava esperando por ela, que ele lhe daria a mão e ela sentiria uma sensação deliciosa lhe percorrer o corpo, quando eles se tocavam, era como se uma corrente elétrica passasse de um para o outro.

Eles iriam sorrir um para o outro e dizer “sim” com toda a felicidade do mundo e depois se beijariam. E não seria qualquer beijo, seria o beijo. Com Damon, ela ensaiaria o dia e se casaria mil vezes, mas não com Stefan, com ele, ela não queria nem ensaiar, tão pouco se casar.

Todo o resto, todas as imagens até o altar se passaram como um enorme borrão, a garota mal se lembrava do que tinha acontecido.

Ela apenas agradecia por não ter sido real, ela não estar de fato casada.

Ao menos teriam uma pausa até o jantar. Elena saiu o mais rápido que pode para não ficar perto de Stefan, ela grudou em Caroline, como podia. Era como se ficasse seguindo a loira para todos os lugares, como se fingisse estar muito preocupada com a festa do próximo dia, apenas para evitar o noivo. Caroline tinha percebido isso, mas fingiu que não, fez companhia para a amiga, até que viu Damon chegando. A morena estava tão entristecida, passou quase que o tempo inteiro olhando para o chão que nem reparara nele. Caroline decidiu que não tinha mais que ficar lá, iria deixar a amiga livre. Por mais que ela achasse que Stefan era bem melhor que Damon, não iria deixar a amiga ficar sendo infeliz, ela pelo menos iria tentar dar uma ajudinha.

-Lena, eu vou ali falar com a Bon e já volto, tá? – A loira abriu um sorriso e sussurou no ouvido da garota. – É melhor você olhar em frente.

Elena iria argumentar que iria com a loira falar com a Bonnie, mas quando olhou para frente, como Caroline havia dito, sentiu seu coração acelerar seguido pela respiração que ficava irregular. Todo seu corpo vibrou com a presença dele. Era como se a sensação horrível de tristeza e de vazio fosse levada embora automáticamente quando ela olhou nos olhos azuis dele, era como se uma onda tranquilizante invadisse sua alma e a fizesse se sentir bem e esquecer de todos os problemas.

-Eu iria falar com ele...- Caroline sussurou um incentivo enquanto saía de perto.

E Elena foi mesmo falar com ele, não havia nenhuma outra opção. Mesmo se ela não quissesse, seu corpo a teria empurrado, obrigado a ir. Ela não estava muito racional, seus sentimentos tinham tomado conta dela e ela precisava estar com ele. Seu coração, sua alma precisavam disso, precisavam muito.

Ela pensou que não o veria mais, que ele não viria ao ensaio, mas ele veio, ele estava lá e ela tinha que estar ao lado dele, ela o amava. Ela o tinha procurado em cada rosto, pensara nele o tempo inteiro.

Lógico que ele viria, não tinha conseguido não fazè-lo, mas apenas chegara atrasado o suficiente para não ter que ver o ensaio da cerimônia. Vê-la se casando, mesmo que não fosse real, doía demais. Não teria conseguido assistir, mas precisava encontrá-la, precisava vê-la uma última vez, a amava tanto que viera, mesmo se isso o fizesse sofrer ainda mais.

Elena abriu um lindo sorriso, um sorriso que era destinado apenas a ele, ao homem que ela tanto amava. Seu corpo reagia ainda mais a ele, a medida que estavam mais próximos. Damon também reagiu a garota, a bela imagem que ele via tão perto dele, o sorriso da garota o contagiu, fez com que ele retribuísse, sorriu de volta.

Elena quase perdeu o fôlego, ele era tão lindo, tão lindo. Não que ela tivesse esquecido, mas nenhuma lembrança que poderia ter em sua mente era capaz de se equiparar a ele, a figura real dele, a estar frente a frente com ele. A garota pode se conter, os dias que passara sem ele, a deixaram ainda mais vulnerável, tão sensível.

Ela simplesmente se jogou nos braços dele, que a receberam com tanto amor.

Ele sentira tanta saudade, mas tanta. Achava que aquela seria a última oportunidade que teria de vê-la. Elena pressionou sem corpo contra o dele, sentia todo seu corpo, seus músculos, vibrarem.

Sua alma estava repleta de alegria, era como se estivesse curada de todas as suas dores, de todas as feridas ensanguentadas, sendo envolta por um calor tão bom, um amor, uma tranqüilidade que lhe trazia paz.

-Eu senti tanto a sua falta. — Ela admitiu, não sendo capaz de conter o choro, mas era um choro diferente, era de alívio e felicidade em vê-lo. A única coisa que ainda a motivara a ir para esse ensaio era a possibilidade de reencontrá-lo — Eu nao conseguia parar de pensar em você, achei que você nao vinha. — Ela fez uma pausa, acariciou com tanto carinho o rosto dela, como ela o amava.

-Eu não ia vir... — Ele falou, tentou manter um tom seco, mas logo o abandonou, precisava muito estar com ela. Não podia ser frio, não queria afastá-la. Damon levou as mãos aos longos cabelos sedosos da garota e os acariciou cuidadosamente, os entrelaçando entre seus dedos. — Mas... — Ele iria continuar mas ela o interrompeu.

-Mas você não conseguiu parar de pensar em mim...- Ela completou o que ele iria dizer, advinhou completamente. Era isso mesmo, por mais que ele não quisesse mais continuar com isso, ele não conseguia, precisava estar perto dela enquanto ainda podia estar.

-Mais ou menos isso... — Ele assentiu, fitou diretamente nos olhos profundamente castanhos, se perdendo ali, no brilho que eles possuíam, um brilho que os olhos dela só manifestavam quando ela estava com ele.

Damon deixou as mãos seguirem em direção ao rosto dela e acariciou, podia sentir todo seu corpo reagir a ela enquanto que ela sentia o mesmo. Quando eles estavam juntos era como se nada mais tivesse sentido, bastava o amor que eles compartilharam.

Elena lembrou-se que existia um enorme jardim ali, fora por isso que tinha escolhido o local para o seu casamento. Pensou que poderia passar alguns momentos com Damon no jardim que ela achara lindíssimo quando vira pela primeira vez.

-Não vai me convidar para um passeio? — Ela sussurou no ouvido dele. A garota estava diferente, parecia menos retraída, mais confiante. Precisava ser assim, mudar de atitude, se não, nunca conseguiria se declarar, dizer o quanto ele era importante e que ela o amava demais.

Damon sorriu, satisfeito, mas no fundo, estava surpreso com a atitude dela. Elena parecia muito mais decidia, ele a preferia assim, muito mais do que a menina frágil e tão triste que ela havia se tornado. Não gostava de vê-la sofrendo, era a pior coisa para ele. — Claro, que eu te convido, Elena. — Finalmente, ele respondeu a ela. — Vamos passear? — Ele deu uma piscadinha para ela e sorriu, de uma forma diferente, era um sorriso quase malicioso.

Elena abriu um sorriso tão feliz, e se aninhou nele, queria andar abraçadinha com ele. A morena tinha se esquecido completamente de Stefan, pensava apenas e, Damon, em estar com ele, tão próxima, sentindo o calor do corpo dele contra o dela. E mais, sentia-se tão bem, tão confortável ao lado dele, e principalmente, tão amada.

Os dois caminharam juntinhos, trocando olhares e sorrisos. Era tão evidente que existia algo entre eles, um sentimento tão lindo, tão puro.

Era um amor tão forte, tão verdadeiro, tão visceral.

O casal atraiu alguns olhares curiosos, incrédulos, afinal, os dois possuía uma química tão intensa, parecia que eram os dois que iriam se casar, mas não. A noiva parecia bem mais feliz na presença do cunhado do que quando estava com seu noivo.

-Você parece diferente... — Damon observou, enquanto a pegava pela cintura, colando ainda mais o corpo dela ao dele. O vampiro se surpreendeu ao perceber que ela não fez nada para se afastar, ao contrário, grudou ainda mais nele.

-É que eu estou feliz agora... — Elena respondeu, ergueu um pouco o rosto para fitá-lo. Pode sentir o coração palpitar descompassado quando os olhos tão azuis dele encontraram os dela. Sua pele queimou, corando, numa vergonha tão inocente. Não precisava ter, mas tinha. — Eu estou feliz porque eu estou com você.

-Eu também adoro a sua companhia, Elena. Amo estar com você. — Ele admitiu, iria falar tudo que precisava para ela. Ainda tinha um fio de esperança que ela pudesse largar tudo, o casamento, Stefan, para ficar com ele.

Elena foi invadida por uma nova onda de felicidade. As palavras dele fizera um bem enorme a ela. Ela o olhou, deixou seu rosto se aproximar, os lábios vibravam, pediam pelos lábios dele. Não tinha ninguém próximo.

Ela não pode se conter, cerrou os olhos, deixou a boca encontrar a dele timidamente. Foi apenas um selinho, mas já fizera com que o coração de ambos pulsasse num êxtase imensurável. Ela abriu um sorriso quase acanhado, mas depois que ela viu o lindo sorriso dele, o dela se alargou em seus lábios.

Eles continuaram caminhando, já estavam bem afastados. Elena nem ligava sobre o horário do jantar, não se importava se estava atrasada ou não. Não tinha nenhuma noção do tempo, nem queria ter. Queria que o tempo parasse para sempre, para que ela pudesse ficar com ele, sem ter que se importar com mais nada.

-Eu amo essas flores. — A morena falou animadamente indo em direção a elas. Era incrível como tinha se modificado, como estava tão bem, desde o instante que encontrara Damon. Ele era o que faltava na vida dela. Antes ela estava tão triste que tudo se tornara cinza, mas naquele instante, era como se ela pudesse voltar a ver em cores, via a beleza em tudo. Tinha até se encantado com as flores que ela nem havia reparado quando chegara mais cedo. — São tão maravilhosas, não tem coisa mais linda.

-Para mim, você que é linda. — Ele disse a puxando mais para si, ela correspondia a cada atitude dele. Não conseguia resistir, nem conseguia pensar nisso. Ela entrelaçou os dedos nos cabelos dele, os corpos já estavam tão próximos.

Ele cortou qualquer proximidade ao puxá-la pela cintura, colando os corpos. As bocas se encontrara, ávidas, os lábios se selaram, enquanto as línguas abriam caminho, iniciando um beijo tão doce, o gosto mais delicioso que poderia existir, era tão intenso, um sentimento que era infinito.

Ele levou ambas as mãos ao rosto dela, acariciando cuidadosamente, sentindo a textura macia da pele dela. Ele não podia definir o quanto a amava, só sabia que a amava mais do que qualquer outra coisa, mais do que si próprio. Sentia-se tão humano perto dela, ela era sua fraqueza.

Elena sentia todo seu corpo respondendo aquele beijo. Finalmente, ela estava completa, tão feliz. Podia sentir o amor dele fluir para ela, e o dela para ele. Sentia-se como se ela se fundisse a ele, numa harmonia completa, num amor perfeito.

Já não sabia onde ela começava e ele terminava, eles eram um só. Ela sentia sua alma pulsar numa sensação tão maravilhosa, tão deliciosa. Ela tinha tanta sorte de ter o amor dele, não queria mais nada a nao ser isso.

Os dois sentaram-se no chão, na grama do vasto jardim, ao lado das flores das mais diversas tonalidades. Elena, logo, se deitou no colo dele. Damon ficou acariciando, alisando, os cabelos dela. A garota sorriu, não queria mais nada a não ser viver aquele momento com ele.

-Hoje eu me imaginei casando com você...- Ela confessou, pode sentir o rosto corar mais uma vez, mas ela sentia como se precisasse desabafar, precisasse confessar, admitir tudo que sentia para ele.

-Você só não se casa comigo porque não quer. — Ele sorriu para ela, um sorriso quase provocante. Ele nunca tinha se imaginado casando, nunca, com ninguém. Nem mesmo com Katherine, mas com Elena era diferente, ele se casaria com ela, ela era tudo, tudo que fazia sua vida ter sentido.

-Damon...-Ela falou, sua expressão se modificou. Ela parecia aflita e as lágrimas que inundavam seus olhos castanhos confirmavam isso. — Eu sei que é tarde demais, eu vou me casar amanhã... — Ela fez uma pausa tentando conter o choro, não podia chorar, precisava falar de uma vez, mas as lágrimas insistiam.

As mãos dela buscaram as dele, entrelaçando os dedos. — Mas eu preciso falar mesmo assim... — Ela suspirou profundamente e continuou. — Eu te amo. — Todo seu corpo pulsou, se sentia tão aliviada, deveria ter confessado antes, teria sido muito melhor.

Damon sentiu seu coração acelerar de uma forma que ele nunca pensou que era possível, todo seu ser, cada parte dele, cada molécula, vibrou, pulsou numa felicidade avassaladora, tudo isso, por apenas três palavras, que não seriam tão significativas se não fossem ditas por Elena Gilbert, mas era ela, a garota que ele mais queria que dizia.

A morena continuou. — Eu sinto muito por não ter falado antes, por ter sido tão egoísta com você, eu sinto muito, mas eu te amo. Eu te amo, amo demais, você não tem nem idéia do quanto.

Só que quando ele iria falar alguma coisa, a cerimonialista surgiu. Parecia aflita, tinha andado por todos os lugares procurando por Elena. — Finalmente, eu te achei. — A mulher estava tão nervosa que nem percebeu o que estava acontecendo entre os dois. — Vamos, você precisa tirar fotos antes do jantar começar.

Elena não pode acreditar, justo no momento mais importante e feliz de sua vida, alguém tinha que aparecer, tinha que tirá-la de lá e levá-la para a sua realidade terrível. Ela esperava tanto pelas palavras dele, que ele a levasse embora, mas isso não ia acontecer mais. A maldita cerimonialista estava a levado.

Ela quis chorar, quis sair correndo, mas não o fez, acompanhou a mulher.