The Way You Fall Asleep
21 Capitulo XXI – Winter In New York
Notas iniciais
Entraram no bar e logo procuraram uma mesa. Quinn sentou entre Santana e Rachel, não por falta de escolha e sim porque ela queria. Rachel estava nervosa, era a primeira vez que saia com os amigos de Quinn, e isso era tudo novidade para ela. Quinn percebia que a morena estava muito calada, mas não tentava fazer nada, apenas se enganchou em uma conversa com Puck e Mike sobre carros. Afinal, ela queria comprar o dela.
Puck tinha um sorriso malicioso e Quinn sabia que era lançado para ela. O garoto sabia de suas intenções com Rachel, mas também sabia que ela estava com Meredith. Por isso Quinn sabia que ele não iria comentar nada demais na frente da morena.
– Então, vocês vão passar o Natal em Chicago? – Mike perguntou para todos, Rachel apenas se encolheu ao lado de Quinn.
– Eu vou, sinto muita falta da minha mãe. – Quinn disse e Marley concordou.
– Minha mãe está me esperando, talvez eu vá próxima semana mesmo, tenho que voltar as aulas em algum momento. – Brincou. Marley era quase um gênio, ela não precisava assistir as aulas para saber das coisas. E ainda tinha uma amiga que mandava as noticias por email e celular, em Chicago.
– Eu preciso ir, Jake está fazendo besteira de novo. Mesmo eu não comemorando o Natal, preciso comemorar com a parte dele da família. – Riu e Rachel o olhou em alerta.
– Você é Judeu? – Perguntou cuidadosamente.
– Uh, sim. – Puck sorriu de um modo sedutor, Quinn teve certeza que era para incomodá-la.
– Quando você diz parte dele da família...?
– Ah, Jake é meu irmão por parte de pai, a mãe dele é negra, e eles comemoram o Natal, minha mãe e eu passamos o Natal com eles desde que meu pai nos abandonou. – Sorriu como se isso não o importasse. Quinn sabia que importava, Puck ainda era apegado ao pai.
– Uh, sinto muito.
– Não sinta, ele é um desgraçado, mas já superei. – E fez uma careta levantando da cadeira. – Vou pegar bebidas. Querem algo?
– Oh, eu quero uma...
– Você não Chang! Estava perguntando para as garotas. – E sorriu sedutor para todas as mulheres da mesa.
Santana revirou os olhos, mas não deixou de pedir a sua tequila. Rachel ficou um pouco envergonhada, mas acabou pedindo uma ice e Quinn pediu uma cerveja. Brittany não tomava nada, e Marley não queria beber.
Já estava em sua quinta garrafa de cerveja quando Rachel desistiu de pedir ice e pediu um Martine. Quinn não queria cuidar de bêbado, mas foi pegar o Martine da morena já que Puck não estava em condições de fazê-lo. O garoto estava tomando algo com cores escuras, não parecia lá muito bom.
Trazendo o Martine e entregando para Rachel, Quinn sentou ao lado de morena e continuou bebendo sua cerveja. Não queria ficar muito bêbada, apenas o suficiente para cair na cama e apagar.
– Porque não bebe algo mais forte, Q.? – Santana perguntou com a fala enrolada, a latina estava quase toda jogada em cima de Brittany que acariciava os fios escuros do cabelo dela.
– Porque não quero.
– Ninguém aqui vai dirigir, Quinn! – Santana levantou do colo de Brittany e abraçou Quinn. – Você tem que aproveitar a Berry ai, ela quer ficar bêbada e você não está ajudando ficando sóbria.
– Seu carro está aqui, San, não acho que vá querer deixar ele aqui.
– Sim, eu vou deixar, amanhã eu pego, ou Brittany volta dirigindo. – Quinn temeu isso.
Revirou os olhos e olhou para Rachel que estava ao seu lado, parecendo levemente bêbada, o Martine tinha acabado e ela parecia não querer outro. Quinn tirou Santana de cima de si e jogou a latina para o lado de Brittany que a abraçou.
Uma musica calma tocava no bar. Não era o tipo de música que dava sono, mas estava acalmando demais.
Rachel levantou e foi caminhando até o bar. Quinn olhou para todos na mesa e revirou os olhos para eles, levantando e seguindo Rachel até o bar.
– Tequila. – Escutou Rachel pedir e o homem assentir pegando um colo e a tequila, enchendo-o. – Obrigada.
– Quer ficar bêbada? – Quinn perguntou enquanto se encostava no balcão ao lado de Rachel. A morena a ignorou e virou o copo. – Parece que sim.
– Sim, eu quero.
– Posso saber o porquê?
– Uh, precisa de um motivo pra ficar bêbada? – Rachel debochou e pediu que o barman enchesse seu copo novamente, e quando o cara foi saindo, ela o parou pedindo para deixa a garrafa.
– Claro, que precisa. – Quinn disse um pouco tensa, ver Rachel bebendo a deixava preocupada.
Rachel riu zombando de Quinn e virou para olhá-la, seus olhos estavam escuros e cheios de mágoa, a loira engoliu em seco e viu a morena virar o copo novamente.
– Porque me seguiu, Quinn?
– Porque me preocupo com você.
– Não precisa.
– Tem certeza?
A morena ficou calada. Suspirou pesadamente e pegou a garrafa de tequila e saiu de perto de Quinn. A loira viu Rachel saindo do bar, virou para o barman que a olhava com os olhos grandes e brilhantes. Ela pegou a carteira, e acabou gastando seu salário de garçonete pagando a bebida que Rachel tinha levado embora. Bufou e foi seguir a morena, não sem antes passar na mesa e pegar as chaves do carro de Santana.
Saiu do bar e um vento frio a atingiu. Estava nevando. Frio pra caralho. Olhou ao redor enquanto colocava as mãos no bolso do casaco. Rachel estava encostada no carro de Santana e bebia a tequila em longos goles. Quinn foi até ela suspirando e tirando a bebida de suas mãos.
– Hey! – Guinchou e Quinn revirou os olhos e levou a garrafa até o lixo, não sei antes tomar um longo gole. Estava precisando.
– Entra no carro. – Quinn ordenou para Rachel que a olhava com as bochechas coradas. A morena não relutou muito para entrar no carro, e Quinn foi para o outro lado, entrando e ligando-o.
– Para onde estamos indo? – Rachel perguntou com a voz enrolada e os braços cruzados.
– Você não quer saber para onde estamos indo.
– Sim, eu quero saber. Para onde estamos indo? – Quinn revirou os olhos e apenas continuou dirigindo e não se importando com as coisas que a morena perguntava.
Não demorou muito até que chegassem onde Quinn queria. Não era o apartamento, elas estavam no Central Park. Isso porque Quinn não sabia outro lugar emocionante para ir, ou para levar uma pessoa bêbada.
Desceu do carro foi até a porta de carona para encontrar Rachel já fora do carro, em pé e olhando para tudo com uma expressão entediada. Pegou a morena pelo braço e levou-a até um banco afastado. Tinha algumas pessoas patinando por ali, casais era a maioria. Ajudou Rachel a se sentar, mas a morena estava irritada, então apenas a empurrou e sentou sozinha, ainda meio tonta.
– Porque estamos aqui? – Perguntou quando Quinn sentou-se ao seu lado.
– Porque eu quero conversar com você.
– Nós poderíamos ter conversado em casa. – A voz enrolada da morena fez Quinn rir e se apertar no casaco que usava.
– Claro, mas sei que você iria tentar fugir de mim, aqui é um lugar onde você não fugiria. – Disse e Rachel bufou e esfregou as mãos uma na outra em uma tentativa de se esquentar. Quinn pegou as mãos da morena e cobriu-as com as suas que estavam enluvadas.
– Eu não preciso disso.
– Precisa, pare de ser tão cabeça dura. – Resmungou e Rachel não disse nada. Quinn sabia que a morena só estava assim porque tinha bebido, Rachel não era assim normalmente, e sim uma pessoa carinhosa e atenciosa. Respirou fundo e olhou nos olhos da morena. – Quer me contar o porque de tudo isso?
– Você sabe o porque. – A voz da morena estava mais calma, e mesmo assim ainda estava enrolada. – Eu... eu não quero falar.
– Há alguns dias... Você me perguntou o que eu senti quando te beijei. – Lembrou baixinho e Rachel fez um som que Quinn não se incomodou em saber o que era. – Eu respondi que...
– Não quero lembrar disso, Quinn.
– Respondi que senti nada. – Disse mesmo assim e Rachel tirou suas mãos das de Quinn. A morena parecia estar nervosa.
– Quinn, por favor...
– Mas eu quero perguntar a você. – Rachel não disse nada, apenas olhou para as mãos apertadas uma na outra e esperou que Quinn terminasse de falar. – O que você sentiu quando me beijou?
– Quinn...
– Eu me senti feliz. – Quinn respondeu por si e para ela antes mesmo que Rachel pudesse falar mais alguma coisa. – Me senti única, na primeira vez que nos beijamos, eu me senti como se estivesse beijando alguém pela primeira vez.
– Você...
– Na ultima vez que nos beijamos eu me senti triste. – Rachel a olhou confusa e Quinn sorriu tristemente levando a mão até o rosto da morena e acariciando sua bochecha com o polegar. – Me senti triste porque você não era minha. Eu não poderia beijá-la quando quisesse. Mas mesmo assim eu me senti única.
– Quinn...
– Eu posso estar muito confusa Rachel, mas eu sei o que sinto ao menos isso eu sei. –Brincou e riu baixo fazendo Rachel sorrir. – Sei que disse que tinha sentido nada no beijo, mas era mentira, uma completa mentira.
– Então porque...
– Porque eu estava com medo. – Disse interrompendo Rachel mais uma vez. Sentia-se elétrica e queria descarregar tudo de uma vez. – Eu estava com medo de que se eu dissesse algo assim você fosse se afastar de mim. Afinal nós duas somos comprometidas, né? Mas parece que foi o contrário.
– Quinn...
– Sei que provavelmente você vá querer se afastar de novo depois de tudo que eu acabei de falar e isso vai me machucar profundamente...
– Quinn...
– ... mas eu irei aguentar tudo isso, bom, eu irei aguentar com grandes doses de uísque e vodca...
– Quinn...?
– ... provavelmente você vá me querer fora do apartamento, então terei que viver no dormitório apertado de Santana, não acho que Columbia vá me arrumar outro quarto...
– Eu te amo.
– ... talvez você vá me odiar pelo resto da vida, ou não, mas não sei... Espera, o que? – Arregalou os olhos os direcionou para os castanhos de Rachel. – O que disse?
– Eu te amo. – Rachel repetiu com um sorriso lindo no rosto.
– Se você disser mais uma vez... eu tenho certeza que eu vou enlouquecer.
– Dizer o que? Que eu te amo? – Brincou e Quinn quis chorar.
– Está falando sério?
– Sim, Quinn... eu te amo. Muito. – Rachel disse sem fôlego e começou a se aproximar de Quinn, então riu baixo. – Você estava parecendo eu quando tomo algumas xícaras de café.
Quinn a acompanhou e quando o riso com a morrer.
– É... deve ser a convivência, né?
– É... deve ser... – O sorriso de Rachel morreu aos poucos e abaixou a cabeça. Parecia ter ficado triste. – Você... você se sente da mesma forma?
– Se eu...? Se eu me sinto da mesma forma? – Quinn ainda estava atordoada, por isso se sentia lesada e idiota.
– Sim?
– Você quer saber se eu te amo?
– Sim...
– Sim.
– Sim o que? – Rachel a olhou confusa e Quinn riu pegando sua mão que repousava no colo da morena.
– Sim, eu me sinto da mesma forma. – Esclareceu e Rachel sorriu corada e então mordeu o lábio inferior olhando para Quinn.
– Você... Você pode...?
– Sim, Rachel, eu te amo.
– Ah... – Então riu baixo e Quinn viu o quanto ela estava corada. Rachel era tão fofa. Mesmo bêbada, não tinha coragem para algumas coisas.
– Hey... – Chamou e Rachel a olhou com os olhos brilhando inocência. Quinn sorriu e pegou o queixo da morena com a mão livre e beijou os lábios grossos.
Droga, ela sentia tanta falta daqueles lábios. Sentia-se tão feliz quando os seus lábios encostavam-se aos de Rachel. Não teve a mesma urgência que da ultima vez. Foi um beijo calmo e relaxante. Rachel levou as mãos até o cabelo de Quinn e apertando-a contra seu corpo enquanto aprofundava o beijo. Estava difícil já que estavam em um banco e não era lá muito confortável. Mas elas não estavam ligando.
Quando o beijo foi terminando, Rachel segurou o rosto de Quinn e colou suas testas. Quinn riu e depositou mais um beijo nos lábios grossos de Rachel.
– Termina com a Meredith. – Rachel sussurrou e Quinn abriu os olhos quase que instantaneamente.
– O que?
Rachel respirou fundo e soltou o ar lentamente, Quinn se arrepiou ao sentir o ar quente em seus lábios.
– Termina com ela. – Pediu e Quinn afastou um pouco para olhar nos olhos da morena.
– Rachel...
– Por favor? – Pediu e os olhos da morena se encheram de lagrimas. – Eu... eu realmente quero você só pra mim, e... e não dá se você estiver com ela.
Quinn riu baixo e beijou os lábios de Rachel novamente.
– Você me quer?
– Sim, quero, muito.
Demorou um tempo até que Quinn falasse algo, Rachel até separou um pouco com o lábio inferior tremendo. A loira tocou o rosto da morena, colocando alguns fios para trás da orelha.
– Pode... pode me dá um tempo? – Quinn pediu temerosa. Temia a reação de Rachel ao seu pedido. Afinal a morena ainda estava bêbada, e estava só falando verdades.
– Tempo? – Rachel parecia estar confusa. A fala, ao menos, parou de ficar enrolada. Parecia também estar voltando ao normal, aos poucos.
– Sim, um tempo para que eu possa acabar tudo com Meredith.
– Porque precisa de tempo pra isso? – Rachel se separou de vez de Quinn e ficou olhando para a loira, completamente confusa e um pouco irritada.
– Mesmo que eu não queria, Meredith é especial.
– Você disse que me ama. Acabou de dizer!
– Sim, eu amo, muito. Mesmo que Meredith seja minha namorada, e eu ame você, preciso de certa delicadeza para terminar com ela. – Se explicou e Rachel ainda a olhava, indignada.
– Porque???
– Porque eu também tenho sentimentos por ela!
Nesse momento Rachel a olhou assustada. Quinn se arrependeu de ter dito o que disse quando viu Rachel levantando do banco e saiu tropeçando nos próprios pés. A loira levantou e foi atrás dela, abraçando-a por trás e riu com a boca encostada no ouvido de Rachel.
– Mas eu te amo. Não a amo, eu amo você. – Sussurrou e Rachel choramingou tentando se soltar e Quinn o fez, mas a morena não foi embora, ela apenas se virou e abraçou a loira, escondendo o rosto no cabelo loiro.
– Quanto tempo?
– Até depois do Natal. Antes do ano novo. – Sussurrou com os lábios colados no ombro de Rachel.
– Tá, mas ela não vai poder passar o Natal com você. – Rachel sussurrou enciumada e Quinn riu alto, mas abafado pelo tecido da camisa da morena.
– Certo, e você?
– Eu o que? – Rachel tirou o rosto do pescoço de Quinn e a olhou, confusa.
– Ryan?
– Ah... – Ela olhou para o lado, ainda parecendo confusa. – Meu relacionamento com o Ryan não é tão sério. Eu só preciso conversar com ele. Posso fazer depois que você fizer com Meredith. – E sorriu.
Quinn a olhou indignada e o sorriso de Rachel só fez aumentar.
– Você...
– Quinn, você precisa de um tempo para terminar com Meredith, porque eu não posso ter um tempo para terminar com o Ryan devidamente?
– Porque você acabou de dizer que me ama? Porque você disse que não tinha nada demais entre vocês?
– Ryan é um cara legal. – Deu de ombros e Quinn revirou os olhos. – Tudo bem que ele estava querendo atirar na sua cabeça hoje...
– Ele o que...? – Quinn a olhou indignada, mas Rachel riu.
– Ele estava irritado porque eu não quis fazer nada com ele na noite passada. – Disse suspirando e Quinn sorriu aproximando os rostos.
Se beijaram mais uma vez naquela noite fria de Nova Iorque. Quinn sabia que machucaria Meredith fazendo aquilo que estava fazendo, mas ela não podia evitar. Conversaria com Meredith depois do Natal e contaria tudo que estava acontecendo. Explicaria a intensidade de seus sentimentos por Rachel. Sabia que Meredith iria entendê-la, antes de tudo Meredith era sua amiga.
Mas ela não queria pensar nisso agora. Tudo o que queria fazer era beijar os lábios gostosos de Rachel e sentir o corpo da morena coladinho no seu, aproveitando o inverno de Nova Iorque.
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