The War

5 Bolton


Na sua escrivaninha repleta de cartas de amor trocadas e assinadas por ambos Arthur e Faye, Bolton despenteava seus cachos castanhos de nervoso. Como podem ser tão descuidados, pensava ateando fogo ao amontoado de papel escrito que jogou em uma cesta depois de lê-los depressa e com nojo.

- Pelos Deuses, Arthur, que tipo de herdeiro você será? – Sussurrou para si.

Sua atenção foi tirada do cesto em chamas quando algum objeto caiu no corredor fora de seu quarto que estava com a porta entreaberta, sendo que Bolton se lembrara muito bem de fechar antes de se sentar. O Baratheon foi rápido e saiu do aposento na hora de ver uma sombra cruzar uma curva no final do corredor e um vaso de planta que havia acabado de cair e quebrar, sujando o chão todo de terra, o provável causador do barulho. Chamou uma criada e lhe avisou do fogo em seu quarto e a terra no chão de sua porta, mas nunca deixando de seguir a sombra. Com uma boa distância, viu a silhueta adentrar em um quarto luxuoso e pôs o ouvido na porta.

- Minha senhora, segui o Baratheon do meio como me foi resignado. Ele estava a queimar papéis e balbuciou pragas sobre seu prometido, Arthur. Não pude ficar mais tempo, porque minha presença se fez percebida e--...

- E você veio direto para cá? – Bolton reconheceu a voz da Princesa, apesar de estar diferente de seu tom calmo que lhe era normal – Seu idiota!

Bolton ouviu os passos apressados de Sarys para a porta e correu para fazer uma curva antes que a princesa o visse, mas assim que virou à esquerda no fim do corredor, viu os olhos violetas que o encaravam com tal ódio como o guerreiro pai da jovem, Maegor, O Bravo.

Quando se fez consciente do caminho que estava fazendo, se notou parado enfrente à porta do quarto de Faye. Antes que pudesse bater na porta, percebeu os gemidos baixos e abafados que geralmente seriam cobertos pelo barulho dos homens treinando no Campo de Treinamentos ali perto, mas hoje chovia forte demais para se lutar. Bolton cerrou os punhos e adentrou com raiva, pegando os dois pecadores em ação. Faye que cavalgava em seu primo, lançou-se para o lado na cama e cobriu as vergonhas com os cobertores finos, Arthur permaneceu deitado e nu, apenas mudou a expressão para uma careta irritada.

- Ficou louco, Bolton? – Ele levantou as costas, para ficar sentado na cama e encarar o irmão.

- Louco, eu? – Riu sarcasticamente – Não sou eu que estou fodendo minha prima. – Faye diminuiu-se na cama entre os lençóis – Mas minha conversa não é com você. Vista-se e vá – Chutou as roupas de Arthur no chão em direção ao mesmo.

Arthur beijou o ombro da amada e se vestiu em silêncio, onde andou em direção à porta para sair, mas sentiu a mão de Bolton segurá-lo forte no braço.

- Não seja burro de guardar cartas de amor em gaveta de roupas íntimas. – Bolton disse em tom de nojo, com os dentes rangendo de raiva.

- Não seja burro de meter o nariz em assuntos que não sejam seus. – Arthur devolveu o tom, um pouco mais autoritário. Puxou o próprio braço das mãos do irmão e se foi.

Bolton se virou para a parede, dando a deixa que Faye queria para se vestir, e ela assim o fez. Quando pronta, coçou os braços desnudos que sentiam falta do calor do amado e sentou-se na beirada da cama, triste.

- Eu fiz mal, Bolt? – Sua voz feminina o acalmou. Virou-se de volta para ela e ocupou um lugar ao seu lado na cama.

- Não, Fay. Eu que talvez fiz. – Sentiu os olhos grandes dela em si – Eu recolhi as cartas que vocês trocaram com medo de que outras pessoas a pegassem... Mas acabaram pegando a mim.

Faye comprimiu os lábios, nervosa.

- Explique-se!

- Um... Criado me viu queimar as cartas. Sabem que foram destinadas à Arthur, mas não sabem de quem veio. Peço que contenha seus hormônios, pequena – Ele tirou uma mecha dos cabelos longos e bagunçados de Faye e pôs atrás da orelha da mesma – Para não se por em risco. Eu estou em linha de fogo por ser o único que sei sobre a traição de Arthur... Mas perderia minha cabeça antes de te condenar. Só queria que você soubesse que se qualquer coisa acontecer à mim, minha lealdade foi à minha casa e aos meus parentes amados.

Faye abriu um sorriso triste e prometeu se comportar, assim como faziam em outras vezes que as famílias se uniam. A única diferença nessa vez era a constante ameaça de morte que Bolton temia estar sobre suas costas. Ele nunca confiou nos Targaryen, desde quando viu Maegor, O Bravo, subornar um camponês para esconder seu parentesco com uma bastarda e criada chamada Lidia Waters, a quem seria sua irmã por parte de pai. Guardou esse segredo junto com o camponês e Maegor, por medo de que se contasse para alguém, sua cabeça levaria o mesmo destino que os bois que o Rei caçava por diversão.

Depois de longos abraços e conversas para acalmar os nervos de Bolton, ele saiu do quarto de sua prima perto da madrugada, de tantos assuntos que tinham para tratar. Tentava dar passos silenciosos pelo castelo até chegar o quarto, mas não precisou tentar muito porque um grito abafado tomou conta do corredor.

Bolton seguiu o som breve e logo achou o cômodo que ele vinha, e era familiar. Semicerrou o olho esquerdo pelo mínimo espaço da porta entreaberta e viu o vulto platinado a passar, era novamente Sarys. Sentado no meio do quarto estava o seu espião, com correntes pelo corpo o prendendo na cadeira e sangue que descia pelas roupas e ensopava o chão. A princesa tinha em mãos uma adaga de aço valiriano, também coberta de sangue, que volta e meia passeava pela pele do cavaleiro livre deixando-lhe marcas. Bolton concentrou os ouvidos para poder ouvir as palavras baixas da dama.

- ... Eu foderia com cada homem de Westeros e com outros além do mar, se me fizesse sentar no trono de ferro, Sor Yodir. – Ela ajoelhou-se diante do homem e Bolton sentiu uma vergonha em observar a cena – E se eu soubesse que, por causa de um homem frágil como o senhor, eu teria que passar o resto da minha vida estando tão perto de meu objetivo, porém nunca o alcançando... – Desceu a lâmina pelo peitoral dele até chegar o umbigo, com um sorriso sádico – Eu ficaria extremamente chateada. Então acredito que você entenderá o motivo de seu castigo. Não é só pela sua incompetência, certo? É porque você também sabe um pouco mais do que eu gostaria que soubesse.

Ele teria prestado maior atenção nas palavras a seguir, se os movimentos de Sarys não fossem mais chocantes. Ela retirou a lâmina do umbigo do homem e fez com que este abrisse as pernas, com ela estando no meio. Ergueu as mãos aos céus e juntou todas as forças para perfurá-lo nas intimidades. O grito anterior se fez maior. Estava abafado por estar com sedas na boca e provavelmente não se escutaria a menos que estivesse naquele corredor, naquela hora. Bolton estava aterrorizado e não pode conter-se em soltar um suspiro alto. Sarys o ouviu e olhou imediatamente para a porta.

Correu por todo o corredor com o dobro de velocidade daquela manhã. Fez a curva e se escondeu com as costas na parede antes que Sarys saísse dos cômodos, dessa vez, com sucesso.

- Apareça, eu ordeno. Agora! – A voz autoritária da dama se fez pelo corredor. Bolton se viu sem saída.

Um homem apareceu no fim do corredor para Sarys, porém não era Bolton. Era o guarda que estava resignado à tomar conta da princesa em qualquer lugar que ela fosse. Do lado dele estava Bolton ameaçando o homem a fingir ser o culpado com sua espada fina de esgrima com algumas ramificações na lâmina, a quem chamava de Chifre.

- O que ouviu de minha conversa, Cavaleiro?

- Nada, minha Princesa.

O homem deu uns passos em direção à Sarys e Bolton ouviu o andar de ambos serem direcionados de volta ao cômodo desta. A conversa destes agora lhe era censurada por uma porta fechada e Bolton tomou esse momento para fechar os olhos e respirar fundo tentando re-acalmar os nervos. Quando ouviu a porta ser reaberta e o corpo do espião ser arrastado pelo chão, provavelmente pelo o guarda de Sarys, resolveu que aquele seria o melhor momento para fugir. Porém ao abrir os olhos acabou vendo que na sua frente estava a Princesa com as sedas brancas sujas de sangue e a adaga na mão.

A chuva forte daquela noite havia se cessado no amanhecer do dia seguinte e o tempo estava radiante. Faye se lembrou de um fato engraçado da conversa com Bolton, mas quando foi procurá-lo no castelo para lhe contar, decepcionou-se ao não encontrá-lo.

Notas finais
Quem aí tá com medo da Sarys e pena do Bolton? É para você aprender a não espiar nos assuntos reais, hun!