The Walking Dead: Lifeline
9 The camp in the forest
Estávamos rodeados de zumbis, as únicas coisas que nos mantinham protegidos eram aquelas paredes, fora isso não tínhamos nada para nos defender; aqueles filhos da puta levaram nossas armas e nos deixaram para morrer ali.
A maior parte daquela loja estava na mais completa escuridão, o que complicara ainda mais a situação para nós, pois havia um errante dentro da loja, mas a fraca e pequena chama que meu isqueiro produzira, foi de grande ajuda.
– Temos que dar o fora daqui! – disse eu.
– Como? Essas coisas estão por todos os lados e não temos nossas armas. – disse Vanessa.
Shane pegou uma cadeira que estava jogada no chão, acertou-a com força num balcão de ferro, quebrando assim os pés de madeira da mesma.
– Não temos nossas armas, mas isso talvez possa ajudar. – Shane entregou-os para nós.
– O que vamos fazer? – perguntei.
– Vamos tentar sair daqui!
– O que? Não, não podemos! Nós vamos morrer! – disse Vanessa perplexa.
– Se ficarmos aqui, também morremos! Você quer ficar aqui e virar comida de zumbi? – Shane perguntou.
– Não!
– Ótimo! É o seguinte, Vanessa quando eu mandar, você vai abrir a porta...
– O que? – perguntou tensa.
– Eu e o Daryl vamos sair e tentar acertar o máximo de zumbis possível, quando dermos o sinal você sai!
– Isso é loucura.
– loucura é ficarmos aqui e não fazermos nada! – respondeu Shane.
De repente ouvimos estrondos vindos do fundo, como coisas caindo e quebrando, logo gemidos preencherão o vazio que o silencio deixara e zumbis surgirão da escuridão.
– Droga! – resmunguei.
Shane pulou para trás de uma prateleira caída no chão, eu e Vanessa nos escondemos atrás de um balcão de madeira. Apaguei a chama do isqueiro e ficamos em silencio.
Os zumbis caminhavam lentos, esbarrando em qualquer coisa que havia pela frente. Um deles tropeçou em uma cadeira e caiu ao lado do balcão onde estávamos escondidos. Vanessa colocou uma mão na boca para evitar um grito.
O zumbi se ajoelhou e olhou para nós, depois de alguns segundos que pareceu uma eternidade, desviou o olhar para frente. Achei estranho aquilo, e logo cheguei a uma conclusão.
– Hei? – chamei por Vanessa, que abriu os olhos e olhou para mim – Ele não pode nos ver, é cego! Sussurrei.
O zumbi voltou o olhar para onde estávamos.
– Mas pode nos ouvir! – disse.
Olhei para a direita procurando um jeito de sair dali, vi o rastro de pus no chão e tive uma idéia de imediato; mergulhei a mão naquela gosma nojenta e passei-a na minha camisa e no meu rosto, comecei a repulsar, mas era o único jeito.
Vanessa olhava para mim repulsante.
– O que é isso? – Vanessa perguntou num fio de voz, quase inaudível.
– O que vai salvar a sua vida! – respondi.
Mergulhei a mão novamente naquela gosma e passei no rosto de Vanessa que travara uma luta contra ela mesma ao tentar relutar.
O zumbi se arrastou até nós, chegando muito perto. O errante aproximou o rosto apodrecido perto ao de Vanessa, que estava muito assustada. Olhei para ela e fiz sinal para que ficasse quieta.
O zumbi ficou ali por longos segundos, depois se arrastou para nossa frente, olhou para onde eu estava e começou a gemer, peguei o pedaço de madeira que Shane havia me dado e o cravei em sua cabeça. Segurei o zumbi e o coloquei lentamente no chão, evitando fazer muito barulho.
Comecei a me preocupar com os outros dois zumbis que ainda perambulavam pela a loja.
Shane aproveitou a distração dos errantes e correu até nós.
– Vamos sair daqui!
– Não podemos! – disse Vanessa assustada.
– Mas temos! – disse eu.
– Vanessa você precisa ir até a porta, faça o que eu falei.
– Não!
– Agora! – disse Shane.
Vanessa suspirou lentamente e caminhou abaixada até a porta, olhou para nós e afirmou com a cabeça.
– Vai! Gritou Shane.
Vanessa abriu a porta, corremos para fora e acertamos alguns zumbis e derrubamos outros, gritei por ela, que imediatamente saiu de dentro da loja. Corremos para a caminhonete, estávamos exaustos e ofegantes.
Scott havia sido devorado, seus restos mortais estavam por todos os lados, Vanessa evitava olhar para ele, ou melhor, para o que sobrou dele. Encontrei um canivete no bolso da calça de Scott; já era alguma coisa.
– Podemos ir embora? – perguntou Vanessa.
– Ainda não. – respondi – Vamos pegar as nossas coisas de volta!
– O que? Você está louco? Eles vão nos matar!
– Eu não vou embora sem a minha besta! Você não quer seu carro de volta?
Vanessa não respondeu e desviou o olhar.
– Como vamos pegar nossas coisas? Nem sabemos onde é o acampamento deles. – perguntou Shane.
– Vamos seguir os rastros!
– Eles vão nos ver!
– Não se deixarmos eles ocupados!
Shane olhou para os errantes que se aproximavam de nós.
– Vamos! — Disse.
Entramos na caminhonete, Shane deu a partida e fomos em busca do acampamento, levando com a gente uma horda de zumbis.
... ...
... ...
Íamos lentamente na estrada para que os errantes nos seguissem, estava atento a cada rastro que deixaram no chão — Vanessa parecia fazer o mesmo.
Logo avistamos o acampamento entre as arvores da floresta, paramos a caminhonete e saímos. Os zumbis vinham atrás com seus gemidos incessantes e passos lentos, pegamos gravetos no chão e ficamos os chamando, atraindo suas atenções para nós.
– Ótimo! – disse eu.
Continuamos a atrair os zumbis e os levamos para dentro da floresta, logo se dispersaram pelo acampamento; ouvimos gritos e tiros.
Era à hora de pegarmos de volta nossas coisas.
Minha besta estava no capo do carro de Vanessa a poucos metros de onde eu estava, corri abaixado para que não me vissem, peguei a besta e olhei pela janela do Impala para ver se a chave estava na direção, por sorte estava.
Chamei Vanessa, que veio correndo a meu encontro.
– Fique aqui, quando a poeira abaixar um pouco você pega o carro e da o fora! – disse.
– Certo!
– Sabe usar uma dessas? – perguntei mostrando-lhe a besta.
– Sei!
– Então sabe o que fazer!
Vanessa desviou o olhar sob meu ombro e quando ia falar alguma coisa, senti um forte impacto atingir minhas costas, virei repentinamente e vi o filho da puta em pé atrás de mim. Dei um chute na perna do homem, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e quase caísse. O cara não demorou muito a desferir outro golpe, desta vez abrindo um talho no meu rosto do lado direito.
– Por favor! Parem! – Vanessa gritou.
– Seu desgraçado! – gritei, pulando em cima do sujeito, caímos os dois, o infeliz bateu a cabeça no chão, ficando meio tonto, aproveitei para desferir vários socos na cara dele.
Vanessa me segurou e me puxou para trás.
– Daryl! Para!
O cara se sentou no chão, cuspiu e limpou o sangue da boca com as costas da mão.
– Eu devia ter matado vocês quando tive a chance. – disse, abrindo a boca para soltar um riso.
– Cala a boca! – falei lhe dando um chute na cara, fazendo-o cair novamente desacordado.
– O que aconteceu? – perguntou Shane vindo a nosso encontro.
– O otário me acertou. – disse.
Shane se agachou ao lado do homem e certificou se ainda estava respirando.
– Temos que matá-lo! – falou decidido.
– Não matamos pessoas! – disse Vanessa.
– Ele nos ameaçou, roubou nossas coisas e nos jogaram para morrer. Se esse cara ficar vivo, ele vai contar para os outros que foi nós que causamos tudo isso, eles vão nos caçar e iram nos matar.
Vanessa olhou para mim como se esperasse uma atitude minha.
– Você sabe que isso é o certo a se fazer, sabe disso tão bem quanto nós! – falei.
– Nós não somos assassinos.
– Mas eles são! – disse impaciente.
Os tiros não cessaram, assim como os zumbis — aquelas pessoas não faziam idéia que se quisessem derrubar aquelas coisas, tinham que atirar na cabeça. “Como ainda estão vivos?” – pensei.
O homem começara a acordar e se levantar, antes que ele tentasse agir, o agarrei numa chave de braço, o imobilizando imediatamente. Equipei-me com o canivete que encontrara com Scott.
– Me solta seu desgraçado! – disse o homem com dificuldade.
– Sabe... Eu aprendi uma coisa com essa merda toda, que se for para machucar alguém, faça isso tão bem feito que não haja uma forma de vingança, se não a vida vem... – disse, abrindo-lhe um talho no pescoço com a lâmina do canivete – e te da uma rasteira.
O homem caiu de joelhos no chão, com as duas mãos sob o ferimento, disposto a evitar o sangramento, por mais inútil que fosse. A carótida estava cortada. O sangue saía aos borbolhões.
Os olhos do homem iam rapidamente de um lado para o outro, a boca se mexia tentando dizer alguma coisa, mas apenas fazia sons de borbulhas. O sujeito caiu de bruços no chão, seus braços e pernas sofriam espasmos, a boca do sujeito se abriu, e saliva misturada com sangue escorreu por seus lábios.
– Ahhg... Unhnh... Oppp... – o homem tentava dizer algo.
Vanessa tinha os olhos arregalados e marejados, estava horrorizada com aquela cena, já tinha visto a morte antes de vários modos, mas era a primeira vez que a via de tão perto; duas mortes num único dia.
O homem se calou e passou a respirar de modo ofegante, seu corpo tentando compensar a perda de sangue, produziu dois sons finas no fundo da garganta e então morreu.
Joguei o canivete no chão ao lado do corpo do sujeito.
– Vamos cair fora daqui! – disse apressado.
Shane só fez um sinal com a cabeça e saiu correndo cauteloso para a caminhonete, Vanessa continuava onde estava, olhando o cadáver que estava com os olhos abertos fitando o nada, fixos em algum ponto distante.
– Hei! – chamei por sua atenção – Vamos embora!
Vanessa desviou o olhar para mim e depois me deu às costas entrando em seu carro.
... ...
... ...
Sair dali não foi difícil, uma vez que aquelas pessoas estavam ocupadas demais tentando sem sucesso derrubar aquela horda de zumbis. Os tiros só atraiam mais errantes para o acampamento, tornando mais difíceis suas tentativas frustradas de “matá-los”.
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