The Untold Story
3 Capítulo 2 - Senior Year... Sucks
Notas iniciais
Alexis - Camila Cabello
Elisa - Lauren Jauregui
Noah’s POV
Nada melhor do que ser recebido no primeiro dia de aula com palmas. Tudo bem, tudo bem… Posso odiar esses animais do meu colégio, mas eu amo ser o centro das atenções. Está nos sangue dos Smith. Meu pai é assim, um empresário multimilionário que já foi capa da revista Forbes dezenas de vezes. Mamãe uma sociolate herdeira de uma grande fortuna deixada pelo meu falecido vovô. Minha irmã, grande estrela de musicais e dona da mais bela voz. E claro, eu, a criação divina de Deus. Podem me chamar de egocêntrico, narcisista, o que for… I don’t care.
Claro que eu tinha arranjado a desculpa perfeita para justificar meu atraso, e não levei advertência por isso, era incrível como os professores e outros funcionários do colégio me amavam. Como já tinha perdido as primeiras aulas e daqui a pouco tocaria para o almoço, decidi ir até a enorme sala onde ficava o Jornal, daqui a pouco a primeira edição do ano seria distribuída e eu queria ver se estava tudo perfeito. Mas antes que pudesse chegar na sala, o diretor Duval me chamou. Normalmente os alunos babam o ovo do diretor, no meu caso é o contrário. Acho que eu sou a grande aposta dele.
- Senhor Devon! — ele praticamente gritou jogando os bracinhos minúsculos e roliços para cima.
- Diretor Duval. — o cumprimentei com um aceno de cabeça, estendendo a mão esperando aquela mão gorda e cheia de gordura de salgadinhos apertá-la. Ainda bem que sempre trago álcool em gel.
- Ainda bem que lhe encontrei aqui, rapaz. Tenho notícias maravilhosas para você. — ele disse com aquele sorriso de orelha a orelha, seu rosto vermelho e brilhoso cintilando para mim.
- Sério? — perguntei tentando imaginar o que seria dessa vez.
- Por favor, me acompanhe até a minha sala. — e com isso ele saiu, sendo seguindo por mim, já temendo entrar naquela sala fedorenta.
Não demorou muito para chegarmos lá, entrei franzindo o nariz ao sentir aquele cheiro impregnante de fritura. Não sei como o diretor Duval não teve um ataque cardíaco de tanta porcaria que come.
- Sente-se, por favor. — ele falou ainda sorrindo e apontando para uma cadeira estofada de couro em frente a sua enorme mesa de madeira esculpida a mão.
- Então, algo que eu deva me preocupar? — perguntei sentando e rindo simpático, por mais que odiasse aquele velho babão e irritante.
- Bom, se você considerar ser alvo de duas das melhores faculdades é preocupante… — ele falou também rindo e pegando alguns papéis em sua gaveta. Meu coração então parou.
- O que? — o sorriso havia desaparecido e uma expressão de susto estava estampada em meu rosto. Ele apenas riu mais ainda.
- Isso mesmo garoto. Harvard e Yale querem você. — ele respondeu apontando para mim, me senti no dia da independência com isso.
Eu ainda não conseguia dizer nada, minha boca estava aberta, mas nenhum som era emitido. Eu havia me preparado para esse momento milhões de vezes, mas agora… Eu tinha vontade de gritar, pular, abraçar aquele homem roliço, eu só precisava demonstrar minha alegria de alguma maneira. Mas a minha decisão já estava tomada, não havia nem no que pensar. Meu pai se formou em Harvard, assim como meu avô e todos os homens de minha família, mas só uma faculdade valia para mim: Yale.
Desde que meu avô materno me levou para conhecer o campus, que sonho em um dia andar por ele, estar ali, ter aulas naquele prédio maravilhoso, conhecer pessoas cultas e inteligentes assim como eu. Tenho um bulldog por causa de Yale, já que o bulldog é o símbolo de lá, meu querido Tony.
- Você está bem, garoto? — Duval perguntou, me fazendo voltar para a terra, agora com os meus pensamentos em ordem.
- Oh… — soltei um longo suspiro, agora sem conseguir conter o meu sorriso. — Sinto-me muito honrado, diretor. Em toda a minha vida eu sonhei com esse momento, mas a minha decisão já está tomada. — minha voz era segura e firme.
- Você é um rapaz decidido, Smith. — ele disse devolvendo alguns papéis para a gaveta e empurrando outros para minha frente. Pude ver “Yale” escrito neles, e o meu sorriso aumentou. — Aqui está tudo o que você precisa saber sobre a faculdade, boa sorte… Mas você não vai precisar disso, eles querem você mais do que um leão quer um pedaço de bife. — tentei rir daquela comparação, mas não sei se ser comparado com um pedaço de bife é bom.
- Obrigado, diretor. — falei pegando os papéis que nem ia ler, já sabia sobre tudo da faculdade, o site de Yale era salvo como um dos favoritos no meu Notebook.
Ele assentiu com a cabeça e eu encarei aquilo como a minha chance de dar o fora. Com um último sorriso, virei-me e saí daquela sala horrenda, desejando mais do que tudo um banho e que o tempo passasse mais rápido e eu já estivesse na minha casa… Yale.
**
Ainda deu tempo de ir até o Jornal. A sala estava vazia, assim como sempre que eu entrava nela, já que era o primeiro a chegar. Li e reli alguns editoriais do jornal, claro que os meus estavam perfeitos, mas tinha uma certa dúvida sobre os meus outros colegas. Até que um bater na porta roubou minha atenção, virei e encontrei uma bela moça. Ela era razoavelmente alta, seus longos cabelos loiros caiam sobre seus ombros, seus olhos eram de um castanho esverdeado e seu sorriso parecia que tinha sido pintado a mão.
- Pois não? — perguntei dando o meu melhor sorriso para aquele anjo.
- Hm… Com licença. — ela disse entrando na sala. — É aqui o jornal?
- Sim, é aqui mesmo. — perguntei levantando e me decepcionando ao ver que eu não era tão mais alto do que ela. — Posso ajudar em alguma coisa?
- Na verdade, sim. — ela disse aproximando-se, então pude sentir seu perfume cítrico, o que me fez sorrir, adorava esses aromas. — Meu nome é Sarah Miller, eu acabei de chegar aqui e queria saber se tem alguma vaga no jornal.
- Muito prazer, Sarah. — falei estendendo a mão, me arrepiando ao sentir o toque macio da garota. Não que eu já quisesse levá-la para a cama, não sou o Victor, mas era impossível não se deixar abalar pela a presença de uma garota tão bonita. — Eu sou Noah Devon Smith, editor chefe do jornal. — apresentei-me orgulhoso como sempre quando fazia tal referência. — Que tipo de assunto você gosta de escrever?
- Bom… Na verdade, eu estava interessada na parte de fotografia. — ela disse soltando minha mão, aqueles olhos me penetrando cada vez mais, seu sorriso parecia ter aumentando. Aquela garota estava me paquerando?
- Fotografia? — perguntei encarando o chão, ficava um pouco desconfortável com esse tipo de coisa.
- Sim, sou uma ótima fotógrafa, modéstia a parte. — seu riso invadiu a sala como o canto dos mais belos anjos.
- Nós nunca tivemos um fotógrafo. — falei começando a levar aquela ideia em consideração. — Nós mesmos tiramos as fotos, mas posso pensar no assunto…
- Pense, por favor. — ela pediu tocando o meu ombro, encarei a mão da garota um pouco desconfortável, não era muito fã de toques inesperados, levando em consideração meus problemas com germes e sujeiras. Não que aquela garota fosse suja, claramente ela não é, mas melhor prevenir do que remediar. — Só falta isso para o meu currículo para Yale estar completo. — meus olhos então brilharam.
- Você quer ir para Yale? — perguntei sorrindo, já não me importando com sua mão calorosa ainda pousada em meu ombro.
- Desde os meus sete anos de idade.
- Então parece que você tem um concorrente. — brinquei dando um passo para trás e encostando-me em uma mesa.
- Vou encarar isso como um sinal de que seremos ótimos amigos. — a loira então mordeu o lábio superior, prendendo o meu olhar no dela. Engoli seco. Normalmente eu cortaria o barato dela, como faço com outras garotas, mas não podia ser rude com uma moça tão simpática que logo seria minha colega na tão desejada e concorrida Yale. Então apenas pigarreei na tentativa daquele momento acabar logo. — Bom, muito obrigada, qualquer coisa me avisa. — ela disse pegando um bloquinho e uma caneta de sua bolsa, anotou algo e me entregou o papel, lá estava escrito seu número. — Foi um prazer conhecê-lo.
- O prazer foi todo meu. — sorri observando a loira atraente deixar a sala, e mais uma vez eu estava sozinho com os meus pensamentos dominando minha cabeça.
**
Drew’s POV
Depois de três aulas eu já estava querendo morrer, hoje estava sendo o pior dia de todos. As primeiras aulas foram Física e Matemática, não foi pra isso que eu acordei hoje. Eu já não prestava atenção nas aulas normalmente, mas no primeiro dia de aula e em matérias exatas era mais do que justo falar que eu passei a aula inteira desenhando no meu caderno novo e jogando Minecraft Pocket Version, porque ninguém merece fazer exercícios a essa hora da manhã.
Minha sorte é que Alexis Hale, uma das minhas melhores amigas, caiu na minha sala de Biologia. Bom, tirando o Victor e o Noah, Alexis era minha outra unica amiga, sem contar com os virtuais também. Enfim, logo que a vi ela correu para me abraçar, como sempre fazia.
- Drew! — gritou a morena, agarrada a mim como se não me visse a anos.
- Lex, eu tou sem ar. — Respondi rindo e a abraçando também, sem me importar muito com os olhares que provavelmente estávamos atraindo com toda essa interação.
- Ah, eu tenho que conversar com você sobre uma coisa muito muito importante. — A morena sussurrou assim que sentamos em uma mesa dupla vazia na ultima fileira, pois o professor havia acabado de chegar na sal.
- Lá vem… — Revirei os olhos, brincando e recebendo um tapa fraquinho dela por isso.
- Ai seu idiota. Enfim, é o seguinte, vem comigo em um show próximo domingo? — Seus olhos brilhavam e seu biquinho era aparente, essa era sua cara de cachorrinho mal lavado que fazia quando desejava muito conseguir algo que provavelmente não era dado a ela. No que eu fui me meter?
- Hm, depende? Cara, não me leve a mal mas seu gosto em bandas é horrível. — Sussurrei mais para mim mesmo do que para ela, Lexi odiava quando contrariavam seu gosto musical um tanto horrendo.
- Primeiramente, o meu gosto musical é muito bom na minha opinião e na opinião de milhares pessoas no mundo. E segundo, é um show que você já foi comigo então não tem como recusar. — Ela falava um pouco mais alto do que necessário, o que estava chamando a atenção da sala para nós e eu quase fiz a coisa sensata e parei de falar, mas quando ela deixou subentendido qual banda era, eu não pude deixar de surtar um pouquinho por dentro. Podia ouvir os anjos chorarem, e anjos chorando não é uma coisa bonita de se ouvir.
- Ah não, não, não, nope, nope, não. Eu não vou ver aqueles viados novamente, Lexi. Já basta ter que ver o Noah todo o dia, minha cota de gay já está preenchida. — O biquinho dela voltou para me assombrar e eu podia sentir olhares queimando nas minhas costas. Mas YOLO, eu precisava deixar bem claro a ela que eu não podia ir a esse show. Sendo bem sincero, eu era indiferente a boy band em questão, chamada One Direction, mas Victor e Noah me encheram o saco por meses devido a Alexis ter me obrigado a ir até Miami com ela para assistir um show com ela. Piores meses da minha vida, e agora que eles esqueceram, não podia dar um novo motivo de zoação. Ter um gay te zoando por ir assistir um show de gays não é a coisa mais agradável do mundo. Não foi assim que minha mãezinha me educou.
Mas meu monologo interno foi interrompido por um limpar de garganta, o que me fez finalmente virar minha atenção para frente apenas para me deparar com o nosso professor de biologia sorrindo e o resto da sala nos encarando.
- Vejam bem alunos, eu apoio completamente o amor e até as DR’s ocasionais, mas não no meio da aula, não é pequenos Platelmintos? — Oh well, não era isso que eu esperava ele falar. Tanto que fiquei por alguns momentos encarando o professor, tentando digerir o que tinha acabado de acontecer. Só a risada de Alexis que me tirou do transe.
- Desculpa professor, não vai acontecer novamente. E eu jamais estaria em relações amorosas com esse retardado aqui. — Ela estava um pouco envergonhada com toda atenção, mas mesmo assim conseguiu responder.
- Desculpa. — Sussurrei muito mais envergonhado. Eu odiava atenção, eu não era anti-social nem nada do tipo, mas como eu geralmente era invisível, eu não estava acostumado a isso. E quando ao comentário do professor sobre a Alexis, não me levem a mal, a Lex era linda e fofa, mas eu jamais a considerei algo mais do que uma amiga, e jamais irei considerar. A garota era apaixonada demais por Harry Styles e pizza para pensar em algo mais, e eu preferia estar no meu canto com meus video-games. Garotas me assustavam as vezes.
- Vou deixar passar por ser o primeiro dia de aula, mas que não se repita novamente, tudo bem? — Foi o comentário final do professor sorridente.
Ainda estava corado e Lexi me encarava com uma cara divertida. Hoje seria um dia muito comprido.
**
Victor's POV
O horário do seu almoço se aproximava como um milagre, o som do sinal parecendo um coral de anjos cantando aleluia. Sua aula de geometria era sozinho, nenhum de seus amigos a frequentavam com ele. Levantou-se pesadamente, as pessoas dando um passo para trás com medo de bater contra o corpo do loiro. Colocou os livros debaixo do braço, pegando o celular no bolso para responder uma mensagem que recebera da amiga Eliza:
“Manteiga, posso visitar as patricinhas hoje? Vc paga o taxi, bjs”
“Venha, ameixa, e vê se da próxima vez não vá ser tão mão de vaca”
“Mas a minha mão não parece com a sua namorada”
“Mas com certeza se parece com o namorado dela”
“Baixa auto-estima é foda”
“Não sou eu”
“Ah, o brutamonte”
“É”
“OK, vc ficou tristonho então agora eu vou vazar, te vejo depois da sua escola adeus”
Eliza era a sua melhor amiga, de longe. Junto, claro, com os outros dois meninos. A menina era alta, de cabelos pretos e os olhos claros mais lindos que já vira. Passava tanto tempo com ela que muitos o perguntavam se eles namoravam, e ele apenas ria e jogava uma fatia de mortadela na cara deles. Eliza era lésbica, assumida, mas as pessoas pareciam esquecer-se disso pelo fato dela ser do Brooklyn. Sim, por isso que a menina pediu o dinheiro do táxi, a viagem não era tão barata. Conhecera-a em um passeio para a estátua da liberdade, quando ele era apenas um molequinho de seis anos. Ele a viu crescer, sorrir, chorar e sair do sufoco do armário. E pensar nisso o fazia sorrir.
Devolveu o celular ao bolso, levantando o rosto para examinar o corredor lotado, onde pessoas saíam de todas as portas de todas as salas para o horário do almoço. Procurava Drew e Noah na multidão, porém, encontrou algo muito melhor. Parada em frente ao seu armário, segurando os livros contra o peito, sozinha, estava Mary. Empurrou seu caminho pela multidão, os braços fortes afastando as pessoas que ousavam cortar o seu caminho decidido. Faltavam mínimos passos para ele alcançar a morena, dar um bom dia e um bem vinda de volta à escola, abraçar seu corpo frágil e inalar seu perfume de baunilha.
Porém, nada parecia querer ajudá-lo. No momento que ia esticar o braço para chamar a atenção de Mary, um corpo colidiu contra o seu violentamente, se estabacando no chão.
Victor ajoelhou-se, juntando as coisas que haviam caído na queda e estendendo a mão larga para a figura loira que residia no chão, respirando pesadamente. Os olhos eram de um verde fosco, uma linha castanha em sua íris como se fosse um corte. Deixou os olhos prenderem a sua alma, franzindo o cenho e balançando a cabeça para sair do estranho transe.
- Perdão, eu estava distraído. – disse, se levantando, ajudando a menina a se equilibrar em seus pés novamente. Entregou os materiais que ela segurava em seus dedos delicados, voltando a encarar seu rosto macio e pálido.
- Victor Hammington. Você? -
- Sarah. Sarah Miller. —
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