Notas iniciais
Jonathan - Chris Colfer
Derek - Grant Gustin

Sarah's POV

Por mais que odiasse que as pessoas chegassem perto de mim, aquele esbarrão foi mais do que satisfatório. Conhecer Noah Devon Smith e esbarrar em Victor Hemmington em um mesmo dia? Sorte de principiante ou que? E o engraçado é que o mais alto foi super gentil comigo, não fazendo jus de sua fama no colégio. Ok, talvez seja estranho uma novata saber tanta coisa sobre tanta gente, mas eu sou o tipo de pessoa que planeja tudo, e sei exatamente meus interesses aqui, então tive que ir a procura das pessoas certas.

A conversa entre mim e o loiro foi rápida, mas foi o suficiente para conseguir o telefone dele e ele pegar o meu. Encarava o pequeno pedaço de papel rasgado sorrindo satisfeita, até que alguém se chocou contra mim, me fazendo mais uma vez cair no chão. E eu tenho certeza que não foi o Victor de novo, porque esse corpo era muito menor.

- Você é cega? — perguntei para a garota que também estava no chão. Ela era morena e possuía um nariz enorme. Levantei pegando minhas coisas, graças a essa nariguda minha roupa está toda amassada.

- Desculpe. — ela disse também levantando-se, ajeitando seu vestido azul de péssimo gosto. Mas então reconheci aquele rosto… Essa é Mary Smith, irmã gêmea de Noah. Ugh. Como o Noah pode ter nascido da mesma barriga dessa coisa?

- Que isso não se repita. — disse, ou melhor, ameacei encarando seus olhos grandes e castanhos, dando um leve empurrão na garota com ombro enquanto passava.

Pude sentir seu olhar em minhas costas, assim como outros olhares também. Algumas garotas me encaravam com aquela cara de nojo, e eu sorri para elas, outras me encaravam com curiosidade e provavelmente com inveja, essas não mereciam mais do que meu olhar duro. Mas o garotos eram os melhores, o desejo em seus olhares era evidente, e isso fez o sorriso satisfeito estampar novamente o meu rosto, enquanto atravessava aquele corredor no meu Louboutin 15 centímetros.

Mary’s POV

Descrevendo o primeiro dia de aula em uma única palavra: Desastre.

Passei as férias de verão inteira planejando o ano perfeito, levando em conta que esse é o meu último ano, e que eu não quero que ele seja como os outros… Com Mary Smith sendo uma pessoa invisível. Posso ser idêntica com meu irmão, tanto fisicamente como na personalidade, mas ele possui uma simpatia que eu não tenho, então para ele foi fácil ir até o topo da popularidade. Não que eu ache ruim ser invisível, mas quando se é invisível e odiada a coisa complica. E eu nem entendo por que me odeiam… Sou mais talentosa que todos dessa escola! Nossos musicais são elogiados graças a mim! Mas essa é a retribuição que eu recebo.

Mas como eu disse antes, não me importo de ser invisível, pelo menos tenho amigos verdadeiros, a Lexi — que é minha melhor amiga desde que nasci — o meu irmão Noah, os amigos dele — Drew principalmente, já que é o que eu mais converso — e tem o Jonathan, um amigo que mora em Los Angeles e está vindo para cá esse ano. E também tem o Harry, meu quase namorado capitão do time de futebol, e sim… Mesmo assim eu continuo sendo odiada.

Mas essa não é a pior parte, a pior parte é que nossa peça anual está arruinada! Esse ano faremos West Side Story, e óbvio que eu serei a Maria, já que nem uma outra garota tem potencial e voz para isso, mas o nosso ator principal teve que se mudar para a Etiópia! Ou seja, agora até o pessoal do teatro vai me odiar se eu não conseguir um Tony novo. E é agora que vem a pior parte de todas… Eu tive a brilhante -ou péssima- ideia de chamar o Victor para ser o Tony, a voz dele é incrível e eu sei que ele adora atuar, levando em conta que ele já me ajudou a decorar vários roteiros. E era exatamente isso que eu estava indo fazer, mais pela pressão do Teatro do que por vontade própria, não sabia se conseguiria falar com o loiro bem mais alto do que eu, já que desde que me entendo por gente tenho uma quedinha por ele… Mas isso é passado, juro! Enfim, já estava quase conseguindo, já havia o avistado vindo até o seu armário onde eu estava encostada com um enorme sorriso no rosto, até que…

Sabe quando o universo conspira para tudo dar errado? Pois é. Ele fez com que uma pessoa extremamente loira e incrivelmente perfeita esbarrasse na outra pessoa extremamente loira e incrivelmente perfeita. talvez os dois fossem tão perfeitos que isso era o que devia acontecer, se esbarram, se apaixonam, se casam e tem lindos filhinhos extremamente loiros e incrivelmente perfeitos.

Tá, talvez eu esteja exagerando, levando em conta a fama de Victor. Mas ele deu o telefone para ela! Ele nunca dá o telefone para ninguém a não ser para os amigos. E o pior era o jeito que Victor encarava aquela garota, o desejo transbordava de seus olhos… Ele nunca me olhou assim.

Já havia desistido, estava voltando para o meu lugar, a mesa escondida no refeitório, não estou nem aí se o grupo de Teatro inteiro vá me odiar, um a mais um a menos não vai fazer tanta diferença assim, continuo sendo melhor do que eles. Até que acabei esbarrando em alguém, e desejava ao máximo que fosse qualquer jogador de futebol que joga raspadinha em mim, mas não a pessoa que estava no chão junto a mim, me encarando como se eu tivesse um grave problema mental. E talvez eu tenha. A garota levantou bufando de raiva, ajeitando seu gracioso vestido cor de rosa, tive me levantar também, ficar no chão só aumentaria aquela humilhação.

– Você é cega? — ela soltou, praticamente rosnava para mim, me encarando com ódio.

– Desculpe. — sussurrei encarando o chão. Que ótimo, Mary… Você devia ganhar o prêmio de pessoa mais desastrada do mundo.

– Que isso não se repita. — ela me “avisou”, antes de sair batendo em meu ombro. Encarei aquela garota, ela andava como se estivesse em uma passarela, e as pessoas abriam caminho, seus cabelos loiros voavam como se alguém tivesse colocado um ventilador ali, e todos a olhavam como se ela fosse um anjo… E talvez fosse. Um anjo que veio infernizar a minha vida.

Jonathan's POV

Andava pelos corredores parcialmente vazios do desconhecido colégio, tentando achar a secretária por qual passei os últimos vinte minutos procurando. Aparentemente a tal secretária era do lado oposto da Diretoria, mas afinal, que tipo de escolas fazem isso? Só em Nova Iorque mesmo, pensei enquanto revirava os olhos. Não, eu obviamente não era dessa cidade barulhenta e cheia de poluição. Sou da minha glamourosa e linda L.A., a cidade dos anjos.

Então aposto que a duvida maior, inclusive uma duvida que eu mesmo tenho, é o que eu estou fazendo em uma cidade que eu definitivamente não simpatizo com? Bom, o ambiente era horrível, mas infelizmente meu toco também conhecido como melhor amiga, estava aqui e amava o lugar mais do que tudo. E essa era uma época da minha vida que eu precisava dela mais do que nunca, e também todas as oportunidades de trabalho estão aqui. Estava na hora de começar minha vida.

Quando finalmente achei a secretaria, vi lá um garoto um pouco mais baixo do que eu, com roupas impecáveis porém um pouco Scott Disick demais para o meu gosto, muito gel no cabelo e uma cara escultural. Ele gritava com uma pobre moça que se encolhia mais cada vez que alguma palavra saia de sua boca. E todos que me perdoem, mas que boca. Me peguei rindo dos meus próprios pensamentos, as vezes eu levava a minha admiração por estranhos um pouco longe demais. Sim, eu sou gay e assumido. Sempre soube desse fato, entretanto só coloquei o meu lindo pezinho fora de Narnia a dois anos atrás. Então eu não podia negar que o mini Chuck Bass a minha frente era extremamente atraente.

Meu riso aparentemente chamou a atenção do garoto a minha frente que me encarou com uma cara bem irritada. Depois ele simplesmente falou algo sobre “arrumar uma impressora decente para o jornal” com a moça aterrorizada atrás do balcão e saiu da pequena sala com passos fortes. Bem, isso definitivamente tinha sido uma surpresa.
Mas apenas me dirigi para o balcão agora desocupado.

– Olá, meu nome é Jonathan Mason e eu vim assinar a confirmação da minha matricula nesse colégio. -

Derek's POV

Derek não se considerava o tipo de pessoa que todos amam. O cabelo castanho liso caía em seus olhos, sempre grande demais. O corpo alto e magro, sempre awkward demais. Preferia apenas se encolher em uma poltrona de veludo vermelho e ler a nova edição da revista Mundo Estranho, onde poderia, finalmente, achar paz. Os óculos retangulares sempre lhe caiam do rosto, os pulsos magros cheios de pulseiras de pano.

Estava, agora, assim. Os joelhos dobrados contra o corpo para apoiar os pés na cadeira, sobre as pernas longas uma edição de bolso de Os Miseráveis, o barulho do teclar ecoando por todos os cantos da sala. Estava no jornal da escola, onde todos trabalhavam arduamente. O moreno tratava da coluna de literatura, onde recomendava livros que poderiam ajudar nos estudos das matérias atuais de todos os anos.

Ouviu o sininho da porta de entrada titilar, e levantou o rosto, consertando os óculos no nariz.

– Bom dia, chefe — era Noah que entrava na sala, e era recebido com um sorriso simpático de Derek. O alto sempre achou o moreno baixinho e fortinho incrivelmente sexy, o examinando de cima a baixo toda vez que o via com aquelas calças coloridas apertadas demais em sua bundinha deliciosa.

Balançou a cabeça, o garoto tímido enrubescendo. Era muito claro para si mesmo ser bi, pan, trecossexual. Desde que ele se interessasse, não importava quem ou o que fosse. Só não era abertamente “bi” para a escola porque ninguém realmente ligava para a sua existência. Ninguém pergunta, ou ao menos fala com ele. O que lhe resta é permanecer no anonimato, preso em sua salinha com sua máquina de escrever e sua pilha de livros, na mão livre uma lista das matérias de todos os anos do colégio em que estudava, ao lado da maquininha um laptop já ferradinho. Sim, ele gosta de diminutivos.

– Bom dia, Derek. Alguma novidade? —

– Nenhuma, senhor — disse, rindo em brincadeira enquanto levantava a boina verde em uma zoada reverência — Apenas livros. E você? -

– Bom, cheio de novidades… — o baixo o olhou com as pupilas dilatadas, as íris amendoadas fazendo o queixo forte de Derek cair.

Porém, o sinal tocou.

– Nossa, já?… Deixaremos isso para outra oportunidade, então. Tenha uma boa tarde, Derek — e saiu, piscando o olho e fechando a porta atrás de si.
O alto deixou seus olhos acompanharem o andar de Noah pela janela do escritório, prendendo o lábio inferior com os dentes.

Minúsculo pedaço de mal caminho.

Notas finais
Gostaram dos nossos outros, mas não menos importantes, personagens?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.