The Unforgiving
1 Why Not Me
Havia várias definições sobre a vida que ela escolhera levar. Alguns diziam que era uma maldição da qual carregava. Porém, a mulher não via dessa forma. Preferia ver essa tal “maldição” como uma benção, um dom dado que não deveria ser desperdiçado.
A solidão, que outrora predominava no início, já não lhe incomodava mais. Muito menos agora, que tinha suas crianças para preencher aquilo o que as pessoas chamavam de vazio.
Já era noite quando ela havia terminado de transcrever para o seu livro o último relato. Estava na hora de mandar a próxima pessoa, para que ele trouxesse mais uma alma condenada.
Deixou o seu escritório, modesto e com poucos móveis, e se dirigiu calmamente pela casa, alcançando o corredor onde ficavam os quartos de suas crianças. Muito dos cômodos já estavam vazios, contudo, não eram aqueles que lhe interessava. Marchava para a penúltima porta do corredor.
A passagem estava aberta, e revelava um lugar pequeno, que continha apenas uma cama simples, com um criado-mudo ao lado, um armário de tamanho mediano encostado a uma das paredes e, próxima à pequena janela que dava para a noite fria, havia uma escrivaninha, onde uma figura se encontrava. Debruçada sobre alguma coisa com tanto interesse, ele nem notara uma presença nova em seu quarto.
- Trabalhando em alguns dos seus desenhos, Hasting? – a mulher perguntou, com sua voz rouca pela idade, atraindo a atenção de um jovem rapaz.
Ele soltou o pedaço de grafite que usava para rabiscar, e se virou para a velha sem interesse. Sabia bem o que ela poderia querer. Era a vez dele mais uma vez. Suspirou pesadamente e fez um gesto com a mão que indicasse para ela começar a falar.
- Você tem algo a buscar. Eu espero que não se importe de me trazer essa em especial. – e sem nada a comentar, a mulher entregou um pedaço de papel para ele, que apenas o pegou, sem parecer dar tanta importância àquilo.
O rapaz, a mando dela, abriu o pedaço para ver o nome de sua próxima vítima. Arregalou os olhos, talvez num misto de surpresa e espanto. Olhou para ela, como se pedisse alguma explicação, mas apenas recebeu um sorriso em escárnio.
- A chance que você tanto desejava, minha criança. – a velha disse já se preparando para sair do pequeno cômodo. – A propósito, não demore muito neste serviço.
Não esperou uma resposta, e se retirou do quarto, fechando a porta com força.
Arrastou sua cadeira de rodas pelo corredor, e levou-a de volta para o seu escritório. Outra criança sua já estava para voltar, e precisava estar pronta para recebê-la, assim como a alma condenada.
Era essa a sua tarefa. O que todos consideravam um fardo, ela o tratava como uma tarefa divina. Sentia-se satisfeita ao ter o trabalho de expurgar o mal que assolava o mundo.
Afinal, quem era melhor que ela, Olga, a quem todos se referiam como Mãe, para tomar o dever de lutar contra aqueles que não mereciam vagar sobre a superfície? Era por isso que carregava aquela cruz com tanta alegria e satisfação, sem reclamar, tampouco sentir o pesar de uma responsabilidade, e estava determinada a seguir com isso até o fim.
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Bem, o primeiro capítulo está ai ^^ Eu iria postar tudo de uma vez, mas não tenho tudo pronto, então eu dou a previsão de que essa fic deve acabar no dia 10 de Agosto (dia do meu 19º aniversário) =)
Enfim, depois de tudo isso, eu mereço coments? =DD
Bye Bye Beautiful!
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