The Uchihas Sister
3 Sakura
Notas iniciais
Chovia bravamente em Konoha com o termino de mais um dia. Não queria saber o quanto chovia e quanto me molhava, ali no único mirante de Konoha em uma de suas montanhas eu chorava. Chorava por a minha vida mais que perfeita ter virado o mais profundo inferno.
Tudo começou há um mês quando cheguei em casa, depois de ir ao shopping com meus amigos.
Pela primeira vez em toda a minha vida vê minha vó e minha mãe discutindo:
- Eu e a Sakura tínhamos o direito de saber! – disse minha vó.
- Mãe, eu e Fugaku estávamos esperando a hora certa para contar a todos sobre o nosso casamento.
- Isso não é justificativa para você ter mentindo todo esse tempo. Mentindo quando dizia viajar a trabalho e ia se encontrar com o seu patrão.
- Futuro marido. – corrigiu minha mãe – Tenho direito de ser feliz!
- E você não é feliz?
- Mãe olha bem pra mim? Eu pareço alguém feliz? Desde que a Sakura nasceu a minha vida foi trabalhar para sustenta-la já que o canalha do pai dela não quis assumi-la!
- Não jogue a culpa das suas escolhas na minha neta. Se você não é feliz aqui dentro da minha casa, me faça o obsequio de se retirar.
- Sempre foi o que a senhora quis, não é? Eu devia ter abortado a sua neta enquanto tive a chance. – nesse momento a minha vó deferiu um forte tapa no rosto da minha mãe.
-Nunca mais diga isso, se tem uma coisa boa que você fez nessa vida foi colocar a Sakura nesse mundo. Ela é filha que toda mãe gostaria de ter.
- Mas... – meus olhos já estavam marejados, e foi nesse momento que apareci na frente das duas que imediatamente ficaram espantas.
- Sakura! – exclamou minha vó.
- Filha... – minha mãe tentou dizer alguma coisa, mas não permiti que proferisse nenhuma palavra.
- Não me chame de filha. Eu nunca fui sua filha, escutei tudo que você disse e saiba que se tem alguém que se arrepende que eu tenha nascido esse alguém sou eu! – ao dizer isso sai correndo de casa, deixando a tanto a minha vó como a minha mãe para trás.
Depois desse dia minha vida nunca mais foi à mesma. Em casa o convívio se tornou insuportável. Minha mãe tentava vir conversar comigo, quando eu não a ignorava ia para casa de alguma amiga.
Minha vó tentava de todas as formas fazer com que fizéssemos as pazes – dizia que sempre fomos unidas e isso não poderia mudar, que naquele momento a minha mãe estava com raiva e por isso tinha dito tudo aquilo.
Nada do que alguém me disse ou dissesse diminuiria toda a dor daquelas palavras. O impacto foi grande, inconscientemente sempre sofri com a renuncia do meu pai era horrível viver com a sensação de ser menos prezada, e ainda mais pelo seu próprio pai.
Todas as barreiras que montei sobre a minha vida iam se desfazendo ao passar do tempo. A visão da família perfeita não existia mais – a minha mãe não passava da mulher que queria que eu morresse e eu o seu motivo de infelicidade, meu progenitor nunca fez tanta falta quanto agora e a minha vó, sim a minha vó, aquela que a imagem que sempre tive continuava cada vez mais forte, ela era o tipo de mulher que eu gostaria de me tornar algum dia.
A minha vó era a única que eu tinha certeza que me amava, se deus não tinha me dado bons pais ele tinha me dado a melhor avó do mundo. Agradecer a deus era o que eu sempre fiz pela minha vó, mas agora era mais que agradecimento, era divida. Minha sustentação, meu ombro amigo, minha mãe – ela era a pessoa que mais amava no mundo.
Fui embora do mirante deixando algumas lágrimas solitárias escaparem de meus olhos.
Cheguei em casa quando já se passava das 21 horas. Para minha felicidade a mulher que tanto amava estava na sala, com seus óculos de leitura ostentando um olhar preocupado. Senti-me culpada por ser a causadora de tal preocupação, mas nem tive mais tempo de pensar em alguma coisa, pois ela veio até mim me abraçando.
- Filha, onde você estava? Fiquei preocupada com você! – ela disse me abraçando e se molhando pelo estado que me encontrava.
- Vó! – foi à única coisa que consegui dizer antes de cair mais uma vez em um mar de lágrimas.
Como fazia quando era pequena ela me abraçou fortemente, esperando que me acalmasse – depois subiu comigo para o meu quarto onde me ajudou a tirar todas as minhas roupas molhadas e me deu um banho quente.
Deitada em seu colo depois de tomar um chocolate quente feito por suas adoráveis mãos, ela fazia cafuné em minha cabeça.
- Sakura o que está acontecendo com você?
- Vovó, não consigo tirar aquelas palavras da mente. Toda vez que tento elas aparecem como flash na minha cabeça.
- Então não tente.
- Como? – perguntei incrédula.
- Pegue as palavras que a sua mãe disse naquele dia e transforme-as.
- Transforma-las?
- Sim, pegue o sofrimento e transforme em força. Tudo que acontece nessa vida é um aprendizado, que te ajuda a cada vez mais crescer como pessoa. Não faça só isso com as palavras da sua mãe, faça com tudo. Transforme todo o seu dia-a-dia em uma lição para toda a vida. – fiquei sem saber o que dizer para a minha vó naquele momento, mas no mesmo instante me ocorreu a única coisa que eu poderia dizer a ela.
- Aishiteiru baa-chan!
- Aishiteiru mago-chan!- com aquelas palavras minha vó me aninhou mais ainda em seus braços. Ali me senti a criatura mais protegida e amada do universo.
Agora tendo escutado as palavras da minha vó toda a dor se desfez, ao final das contas não importava se meu pai tinha me abandonado e a minha mãe queria-me abortar- eu sempre fui amada por Haruno Tsuki, minha amada baa-chan.
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