The Twelve Ones
2 Fugindo
Era dia cinco de maio quando tudo começou. Era noitinha ainda e estava meio frio, com aquele cheirinho de chuva. Acordei espirrando com os pulmões um pouco fracos, mal conseguia respirar. Tomei uma ducha gelada, pois o chuveiro era à energia solar, e ainda não havia luz solar suficiente para aquecer a água. Arrumei os últimos preparativos da viagem. Conferi se o celular estava ou não na mala, se tinha pegado a carteira, se tinha roupa o suficiente, esse tipo de coisa. Fiz uma inalação rapidinha, minha mãe é medica e me ensinou a fazê-la sem necessidade de pedir ajuda. Desci as escadas com calma não querendo fazer alarde com a minha ida para o desconhecido. Peguei as chaves de casa, uma douradinha de quatro segredos, coloquei devagar na fechadura e rodei-a de modo a não fazer barulho, não queria acordar meus irmãos e pais no meio da madrugada. Fui até a mesa onde ficava o telefone e deixei um bilhete com meu nome em cima, um daqueles bilhetes cheios de explicações e motivos. Está bem eu digo o que escrevi:
“Meu intercâmbio estava marcado para semana que vem, mas algo vem acontecendo já faz alguns meses ou mesmo anos e, eu resolvi adiantar a viagem sem notifica-los. Desculpem-me por isso... Amo vocês, volto na data combinada, que seria daqui a um ano.
Beijos, já estou com saudades”
Abri a porta com cautela e parti para a rodoviária. Peguei o primeiro ônibus para o aeroporto que ficava em Guarulhos, depois de São Paulo. Era um ônibus simples, comum, não era muita coisa, mas me levaria até o destino que tinha traçado; na verdade nem eu sabia pra onde iria direito. Eu só sabia que ia para a Inglaterra.
Meus pensamentos estavam meio vagos, sem sentido algum, faltava organizá-los de forma lógica e criativa, mas não estava muito a fim de fazê-lo no momento. Deixei que o meu senso de direção me guiasse, ele também era falho, mas era a única coisa que me veio pela cabeça no momento presente.
Dentro do ônibus, sentei-me perto da janela, pus meu capuz e me encostei-me à janela. Eu parecia triste e desanimado para quem olhava de fora, era essa a impressão que tinha. Porem eu me encontrava meio depressivo mesmo, alias sou fleumático e melancólico, não tinha muito que fazer a respeito, além de me aguentar naquela minha fossa deliciosa da madrugada.
Finalmente cheguei ao meu destino, depois de um punhado de horas. O Aeroporto; fui até o guichê, lá se encontrava uma mocinha muito bonita, pelo menos era o que parecia aos meus olhos: ela tinha o cabelo acobreado e preso num coque bem feito, usava um uniforme bem justinho, parecia que acabara de lavar o uniforme, pois ele tinha um delicioso cheiro de amaciante. A jovem possuía belos olhos verdes que transmitiam uma simpatia impar e um belo sorriso, muito cativante.
– O que deseja? – ela disse muito simpaticamente, querendo me atender da melhor forma possível. E, de certa forma sua simpatia me conquistou de imediato e eu respondi as pressas.
– Vou querer uma passagem para... – atropelei as palavras, mas por um instante demorei um pouco para responder, pois queria ter certeza do que queria – Inglaterra... – ainda cheio de duvidas em minha decisão, acho que deixei transparecer, pois a atendente percebeu e disse:
– Tem certeza senhor... Hum...? – como querendo saber meu nome e se eu realmente tinha certeza de algo. Cocei a cabeça umas três vezes, meio acanhado por não ter me apresentado, eu teria que dizer meu nome mesmo, mais cedo ou mais tarde para preencher os dados da passagem.
– Heatsun – disse de imediato, apressadamente, meu rosto corou e olhei para baixo meio de canto e, muito envergonhado. Não sei o motivo, creio que achei a moça que me atendia mais bonita do que pensara de inicio; pausei-me tomei fôlego e disse meu nome completo para que ela anotasse direito – Luidge Cavallete Heatsun e, sim tenho certeza... Quero ir para Inglaterra – disse com firmeza, acho que a convenci desta vez. Mostrei a ela as passagens que a escola me forneceu e os meus documentos: RG, CPF, essas coisas.
A atendente me olhou com uma cara de estranheza, franziu as sobrancelhas, e me perguntou curiosa:
– O senhor é descendente de americanos? – ela ficou lá com aquela carinha de anjo, olhando para mim enquanto eu organizava as palavras em um arranjo simples de se entender sem mais delongas.
– Não, meu avô é inglês. – ela ficou num silencio momentâneo esperando que eu me abrisse com ela, o que de fato não aconteceu. A moça balançou a cabeça e continuou o procedimento. Terminei de dar os dados necessários para a passagem e fui para o embarque, pois cheguei um pouco fora de hora, ou seja, o embarque já estava acontecendo.
Ao embarcar fui direto para o meu assento e lá fiquei, coloquei meu capuz de novo, do mesmo modo melancólico da outra vez. Fechei os olhos e por um instante pensei no que iria acontecer quando soubessem que eu havia saído de casa, antes do previsto pela minha família; comecei a ter um excesso de lamentação por eles, não sabia quando e se eu os veria novamente, vai que eu decida ficar mais um ano por aqui, agora que tinha um peso a carregar, não podia mais ficar perto deles, sem que se machucassem ou se porventura não aprovassem esse peso que agora iria carregar para toda a eternidade, ou melhor, por toda a minha vida. Logo me esqueci destes pensamentos, adormeci por um instante.
Sonhei; ou melhor, tive um pesadelo inesperado. Eu estava no meio da cidade de Londres, totalmente sozinho. De repente eu começo a escutar um milhão de vozes pedindo por ajuda, querendo um lugar pra se refugiar, ouvi muitas pessoas cantando, outras pensando em casamento, umas vozes felizes e outras cheias de pesar. Um em particular me chamou atenção, uma voz que dizia meu nome e me chamava. Segui por onde aquela terrível voz me guiava. Parecia um imã seguindo para o norte. Cheguei numa rede de esgoto. Lá as vozes em minha mente falavam outras línguas e percebi que estava a ponto de explodir. Minha cabeça começou a doer consideravelmente. Era como se meu cérebro carregasse o mundo; como se fosse uma estação de rádio onde todas as frequências se fundiam num mesmo ponto, competindo entre si, para ver quem fala mais alto. Eu não agüentava mais. Meu nariz começou a sangrar, meu crânio estalou e mais sangue escorreu de minha cabeça. Uma mão negra desceu sobre minha cabeça. Sua palma ficou de frente com meus olhos. No meio dela, uma fenda começou a se abrir, tipo uma boca com dentes perfeitos. Assustei-me. Enquanto eu explodia de dor e medo, a mão negra gritava estridentemente.
Acordei assustado e meio de mau humor quando ouvi a voz estridente de uma garota a me chamar:
– Senhor! Senhor! – dizia a moça sem parar – o Senhor gostaria de uma coberta? — Eu disse que não com a cabeça e voltei ao meu estado zen sofredor, a que me encontrava no momento em que fui interrompido pela aeromoça, creio que ela era nova e sem experiência em como tratar os passageiros; sei lá como se deve tratar um passageiro; nunca fui aeromoça e não pretendo ser; mas dei graças quando ela me acordou, não suportaria mais um minuto naquele terror. Ao perceber isso, que talvez a aeromoça fosse nova, um forte pensamento tomou-me e percebi que, eu também estava em uma nova jornada, a atendente era nova e a aeromoça também era recente no trabalho a meu ver. Eu estava num mundo novo sem perceber, agora não tinha mais como voltar atrás, já havia combinado esse intercambio com a escola, tinha que seguir em frente.
Chegando à Inglaterra depois de horas a fio, desci do avião meio desconcertante e dirigi-me até o lugar onde eu seria recebido. O intercambio não ia ser num hotel, eu ai ficar com uma família de sobrenome Watson, logo me lembrei do Sherlock, foi por um breve momento, mas deixei transparecer com um sorriso sutil de canto, creio que poucas pessoas notaram. Lá estava quentinho, era primavera creio, não sou muito bom em clima, estações e coisas do gênero; tirei minha blusa e dobrei de forma fácil para carregar na mão, eu acho muito feio prender na cintura, é deselegante, e estando em um país rico como a Inglaterra, tinha que me comportar como se fosse um cidadão inglês.
Andei rápido pelos corredores do desembarque olhando cuidadosamente as placas. Peguei minhas malas, foram quase as primeiras a aparecerem. Continuei por um corredor à direita; achei as portas do finalmente desembarque, no fim do corredor. Fui o mais devagar possível, pois estava sentindo um desconforto, uma ansiedade sem igual, já tinha sentido isso outra vez, mas nunca num aeroporto prestes a me entregar a outra família que me acolheria; foi ai que caiu a ficha, eu iria ficar longe de casa por um tempo “X” com outra família que eu mal conhecia, ia ser a primeira vez que eu os veria, não sabia se eram legais, amorosos, se bem que a fama dos ingleses é a frieza a distancia, e eu estava acostumado com um lugar cheio de amor e abraços, cheio de ternura, não sabia se ia me acostumar. À medida que eu chegava perto do final do corredor, meu coração batia mais forte, parecia que ia enfartar a qualquer momento; finalmente cheguei à porta, era automática, reagia ao calor humano ou ao deslocamento de ar em abundancia, era péssimo para essas coisas que envolviam tecnologia. Bom, sou ruim em quase tudo no final das contas.
Ao passar por ela, meus olhos procuravam aflitos pela presença de uma família segurando uma plaqueta com meu nome. Não consegui achar de primeira, tive que dar outra olhada bem devagar, conferindo cada placa que estava à minha disposição. Finalmente meus olhos reconheceram meu nome, era uma plaquinha branca, escrito Heatsun em preto no meio dela, era simples, mas acalentador; finalmente achei aqueles com quem iria passar um bom tempo. Eles eram num total de cinco: um homem de cabelos dourados, com a barba bem feita, olhos azuis profundos, vestia uma camisa tipo pólo branco que estava para dentro da calça jeans azul escura dele, e possuía em seus ombros uma malha de lã salmão, eu achei muito chique, ele aparentava ter uns trinta anos ou um pouco mais. Aparentava ser um pai dedicado pelo pouco que pude avaliar. A moça ao lado dele, era sem duvida sua esposa; ele denunciou quando segurou a mão dela com total devoção, não do modo comum, mas o segurar entrelaçando os dedos, e dando um belo sorriso; ela possuía os cabelos lisos e acastanhados, com um toque dourado, olhos que pareciam gotas de chocolate; realmente muito bonita, ela usava uma saia preta muito básica, seus pés estavam apoiados em elegantes sapatos verdes do tipo agulha, muito altos, parecia ter a mesma altura de seu marido, um metro e oitenta arredondando mais ou menos, formavam um lindo casal, tive que admitir. Na frente deles havia três pessoas, logo, pela disposição delas, percebi que eram seus filhos. Um da minha idade aparentemente, grande em altura devia ser maior que eu. Ele tinha o cabelo loiro escuro, meio cobre olhos iguais aos de seu pai, bem vestido igual. Um menorzinho devia ter uns quinze anos no máximo; moreno de olhos verdes, agradável às vistas apesar de suas olheiras. Uma menina muito graciosa parecendo uma boneca, loirinha de cabelos longos e olhos de uma coloração que eu particularmente acho incríveis: Âmbar. A garotinha usava um vestidinho rosa simpático, devia ter uns sete, talvez oito anos, estava segurando nas pernas de sua mãe. Aproximei-me da família devagar.
– Olá... – disse timidamente e acenando com a mão tremula.
– Luidge? Luidge Heatsun? – disse simpaticamente e com um belo sorriso e os olhos cheios de alegria a moça que seria minha nova mãe nessa nova aventura em que me colocara.
– Sim, sou eu mesmo... Prazer em conhecê-los... – disse o mais fluente que pude, acho que perceberam meu nervosismo e, provável sotaque.
– O prazer é nosso... – respondeu o pai de família – Meu nome é Charles Watson, essa é minha esposa Anna e, nossos filhos Summer, Jacoh e Ollivia... – ele apontou para cada um e eu assenti com a cabeça para todos.
– Pai... – disse Jacoh numa voz bem adolescente, não muito grossa e nem muito fina, querendo algo de Charles — A gente já pode ir? – ele parecia muito entediado com tudo aquilo, pois revirou os olhos depois de me olhar e suspirou como se me conhecer fosse realmente muito, muito chato.
– Claro! Nosso novo membro da família chegou. – fiquei surpreso por um instante, ele disse mesmo “o novo membro da família”? Foi isso o que escutei? Parece que sim, por um momento meu coração saltitou de uma vaga esperança.
Enquanto caminhávamos para o veículo da família Watson, analisei um pouco os filhos do casal. Summer ficava sempre ao lado do pai, segurando seu ombro, como se quisesse protegê-lo de algo que logo aconteceria, ele falava muito sobre a escola e coisas do time a qual ele fazia parte, e dava uns risinhos simpáticos toda vez que ouvia alguma coisa engraçada. Creio que seremos bons amigos num futuro não muito longe. A menina vestida de rosa ao contrário de seu irmão mais velho, não largava da senhora Watson, era um grude. Vendo mais de perto, não tinha percebido que Ollivia tinha um olhar triste, quase um grito: “quero colo!” fiquei meio aflito, mas a menina olhou para mim e forçou um sorriso esplendido, ganhei o dia, senti uma paz tremenda de estar ali perto dela. Enquanto os quatro avançavam na frente, Jacoh, o filho do meio, ia entre mim e sua família; ele andava com as mãos no bolso, olhando para chão, com um semblante de solidão, luto e dor, tudo ao mesmo tempo. E para somar a toda essa presença que ele tinha, seu cabelo tinha uma franja realmente muito grande, tampando completamente seus olhos, vindo até o meio do nariz; creio que ele fique em segundo plano sendo o filho do meio, não devem dar muita atenção a ele.
Chegando ao estacionamento do aeroporto, entramos no carro e fomos até a residência Watson.
Pelo caminho fui meditando sobre as coisas que haviam de acontecer, mas logo fui interrompido. A pequena mão de Ollivia tocara-me e voltei meus olhos surpresos para a menina angelical.
– Está tudo bem com o senhor? – disse-me ela timidamente, mas com muita convicção do que estava falando. Balancei a cabeça positivamente para não deixá-la preocupada com coisas que ela não poderia entender e, além do mais, nem eu sabia direito quais eram minhas preocupações.
– Pode me chamar de Luidge.
– Hum... Tudo bem senhor Luidge...
– Só Luidge – adverti simpática mente — Não precisa do senhor.
– Hum... Tudo bem senhor Luidge...
Ela continuava a me chamar de senhor, não pude fazer muita coisa a respeito. Tentei distrair-me de meus pensamentos falando com Ollivia.
– Quantos anos você tem Ollivia? É Ollivia né?
A menina com carinha de anjo ergueu suas mãozinhas e me respondeu.
– Oito anos... E... É Ollivia sim... Senhor Luidge...
– E a senhorita – Não era muito bom em trocadilhos, mas tentei imitá-la para ver sua reação – Gosta de fazer o que?
Ele pensou um bocado para me responder. Eu também tenho um irmão de oito anos e geralmente ele responde tudo sem pensar a respeito, sempre mudando sua opinião é um saco, mas uma graça de menino. Fiquei um pouco com saudade, mas antes de me entregar a tristeza e a duvida, Ollivia interrompeu-me.
– Passear no parque e tomar sorvete de morango...
Senti uma alegria estranha surgir e meus lábios começaram a abrir-se num sorriso tímido ao contrário de Olly (apelidara a menina de cabelos dourados como o Sol em meus pensamentos), que me mostrara seus radiantes dentinhos num largo sorriso. De algum modo a inocência dela me deixava feliz como da outra vez que sorriu pra mim. Acho que foi bom “fugir” de casa, apesar de tudo, nesse intercambio as pressas.
Ao se aproximarmos da residência dos Watson, senti como se estivesse de mudança: Uma nova família e uma nova casa. Eles moravam num bairro muito elegante; o Senhor Watson disse o nome, porem eu estava tão surpreso com a casa deles que não me preocupei em guardar. A casa tinha aparentemente dois andares inteiros e enormes, um sótão de tamanho considerável, provavelmente um porão e um jardim do Éden. Tudo o que eu não tinha na minha terra natal. Tenho tudo na verdade, só que de tamanho bem reduzido e sem o aparente porão.
– Gostou? – disse a Senhora Anna com um sorriso materno no rosto.
Balancei a cabeça como num sim tímido, porem muito sério. — É aqui que você vai morar a partir de agora. – acrescentou ela – sinta-se em casa.
Jacoh passou por mim como se eu não existisse e trombou comigo. Derrubei minha mala no chão. Abaixei-me para recolher minhas coisas. Summer se aproximou de mim e me ajudou a recolher. Ele era quente, uma espécie de calor que emanava dele. Sei lá talvez seja só o calor do ambiente, estava realmente quente...
– Jacoh é assim mesmo, não liga não – disse ele – vem vou lhe mostrar seu quarto.
Anna me incentivou a acompanhá-lo e o segui casa adentro.
Por dentro, a casa era incrivelmente magnífica, digna da realeza. Era tudo muito delicado e elegante, creio que muito, muito caro também. A casa por dentro tinha um cheiro peculiar e muito famoso também; Chá e bolo, muito típico dos ingleses. Meu avô adorava chá de camomila e bolo mármore. As paredes eram de um tom que eu classificaria como marfim. Todos os móveis da sala, a maioria pelo menos, era marrom, castanho e, o que era de madeira, realmente era madeira; sabe? Aquelas de famosas madeiras-de-lei. Segui Summer pelas escadas.
– Chegamos! – disse ele num tom de surpresa – é aqui que você vai dormir – continuou ele.
O quarto estava um pouco bagunçado e, quando eu ia começar meu devaneio., o garoto disse:
– Está um pouco bagunçado né? – Summer continuou – Eu me esqueci de arrumar nosso quarto, desculpa...
– Nosso?! – perguntei surpreso e balançando a cabeça pasmo.
– É. Nosso. Meu e seu de agora em diante.
– Pensei que eu ia ficar sozinho, pois acabei de chegar e não queria incomodar... – comecei a explicar minha surpresa anterior, mas fui bruscamente pausado por Summer.
– Calma. Espera um pouco, respira... – respirei fundo e ele continuou – você fala demais quando nervoso né?! – assenti. Ele estava redondamente certo sobre o assunto. — a idéia inicial era de você ficar sozinho para adaptação, mas meu querido irmão, não quis ficar comigo... Então você fica comigo aqui. Entendeu?
Balancei a cabeça.
– Agora arruma suas coisas, minha mãe não gosta que o jantar esfrie.
– O.k.
Summer desceu as escadas correndo. Eu entrei no quarto. Era muito abafado lá dentro, tinha até um cheiro forte de praia. Abri as janelas para ventilar. Uma brisa gostosa assolou o quarto, levou o calor e o cheiro de protetor solar embora e me senti bem melhor. Abri minha mala e comecei a tirar minhas roupas e por no armário vazio. Estava escrito meu nome numa folha na porta do armário, então foi fácil identificar qual era minha parte dentro do grande armário. Após arrumar minhas coisas, fui até o banheiro que ficava no corredor; lavei minhas mãos e meu rosto, olhei para o espelho e conferi meus olhos castanhos claros brilhando com a forte luz do armário do banheiro, meus cabelos castanhos molhados com a água que lavara meu rosto pálido de não gostar muito de Sol e disse a mim mesmo – Pronto.
Quando fui sair do banheiro, Olly estava parada me olhando. Levei um pequeno susto.
– O que foi Ollivia? Demorei muito? – ela tava com uma cara de brava olhando pra mim. Ela estendeu a mão e disse numa expressão mais envergonhada:
– Vem comigo... Minha mãe ta chamando para jantar...
Sorri pra ela e estendi minha mão para pegar na dela. Ela estendeu em falso como se tivesse dúvida se pegava ou não nela, mas por fim criou coragem e pegou. Sua pele corou e eu soube que ela gostava de mim, não sei o motivo, mas era divertido ter alguém que gostava de mim naquele momento, mesmo que fosse uma criança.
Descemos as escadas e fomos jantar.
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