The Twelve Ones
3 Escola
Notas iniciais
Logo pela manhã, de segunda-feira, devia ser umas sete horas, Summer me sacudiu clamado para que eu acordasse. Eu resmunguei alguma coisa do tipo mais cinco minutos e ele disse:
– Temos aula hoje Luidge, é seu primeiro dia, vamos logo!
Eu demorei um pouco pra assimilar as palavras que ele havia dito, mas quando consegui digerir tudo aquilo, eu saltei da cama. Escola? Tinha que ir a escola? EU estou de intercambio e, tá, tudo bem, claro que eu tinha que ir a escola.
– Não vim pronto pra ir à escola?! — disse surpreso.
Summer olhou-me com uma cara de espertinho, revirou os olhos e disse:
– Minha mãe já fez tudo: matrícula na mesma série que eu, pois você tem dezessete iguais a mim né? – assenti com a cabeça. – comprou o material, mochila e... Hum... O que falta mesmo?
– O uniforme...? – dá vasta lista que ele fizera, só faltava o uniforme ou a metralhadora, logo fiquei com a opção mais valida.
– Isso mesmo!
Ele foi até o armário, e tirou um paletó descolado azul marinho com as iniciais da escola bordadas em dourado. Uma camisa branca completava o look, também com as inicias no peito, do lado direito, juntamente com uma gravata listrada, azul e vermelho. E claro o item principal, a calça azul e os sapatos pretos com detalhes em vermelho. Revirei os olhos e dei de ombros, eu ia ao colégio ou para um casamento? Eu nunca havia vestido um terno para ir pro colégio, mas beleza.
– Veste logo, estamos um pouco atrasados. – Disse Summer. Acabando de vestir o paletó. – O ônibus chega as sete e quarenta e cinco, e já são sete e vinte! – Alertou ele sobre o horário.
–O. K.
Summer se foi, me deixando sozinho no quarto. Vesti o “uniforme” rapidamente, deixei a gravata pendurada sobre a gola, vesti os sapatos correndo, peguei minha mala, que mais parecia uma pasta executiva do que uma mochila escolar, e desci as escadas num salto. Dei bom dia a todos e segui Summer porta afora. Nem deu tempo para se banquetear do café da manhã.
– Boa aula meninos! – desejou a senhora Anna para todos nós antes de irmos. E também me deu um lanhe natural para o meu desjejum. Acho que vou gostar dela como minha mãe inglesa. Lembrei que minha mãe fazia a mesma coisa quando estava atrasado pra aula.
Entramos no ônibus escolar, nunca havia entrado num antes, mas era bem comum na verdade. Disse um oi ao motorista, sem esperar uma resposta. Sentei-me ao lado de Summer. Todos no ônibus me olhavam com cara de “quem é esse ai?”, não liguei muito, mas me incomodava um pouco.
A viagem até a escola foi muito calorenta. Deduzi que: ou era o ônibus que estava abafado e realmente muito quente ou Summer tinha um sistema de liberação de calor muito espantoso; ele nem sequer suou ali dentro. Automaticamente me lembrei dos verões intensos do Brasil, e de como eu detestava passar calor, ou ir à praia. Nada a ver um assunto com o outros, mas foi o que veio em minha mente.
Chegando ao destino, escola, saímos do ônibus como de costume (Sempre que se entra num ônibus, obviamente uma hora você tem que sair). Foi uma correria só, alunos pra cima e para baixo em corredores que pareciam infinitos. Se eu estivesse sozinho ali, certeza que iria me perder no meio da multidão. Segui Summer até a sala de aula. Entrei juntamente com ele e me sentei ao seu lado. Assim que bateu o sinal, um homem entra na sala:
– Bom dia caros alunos! – disse o professor-sei-lá-o-nome. Ele tinha um porte atlético, esbanjava juventude; tinha o cabelo bem negro, dentes bem brancos. Percebi que algumas de minhas colegas de classe, olhavam pra ele derretidas de amor, acho que devia ser seus olhos verdes vibrantes ou seus lábios carnudos, dava até vontade de beijá-los, como seria o gosto de...
– Creio que temos um aluno novo nessa classe... – disse o professor olhndo para mim. Seu rosto espelhava duvida e curiosidade.
– Tem mesmo professor Eros... – disse Summer alto o suficiente para me tirar do esquisito transe quase sexual pelo professor, qual era o nome? Eros? O garoto me deu uma cotovelada de leve. – Levanta Luidge, apresente-se. – disse sussurrando.
Revirei os olhos, suspirei e criei coragem para me levantar e falar pelo menos meu nome.
– Meu nome é Luidge Cavallete Heatsun, aluno de intercâmbio. – nem doeu, pensei comigo mesmo. Geralmente eu não gosto de falar em publico, mas eu tinha que me introduzir no grupo. Pude ouvir uns murmurinhos sobre eu ser de outro lugar do planeta. Como se eu fosse uma espécie de extraterrestre ou algo assim.
– Muito prazer Luidge. Meu nome é Eros Sweetlovie e vou lecionar Literatura, não só pra você, mas para o resto da turma também. – assenti e me sentei. – Mais uma coisa senhor Luidge. De onde você é?
– Brasil... – Fiquei meio vermelho de vergonha, pensei que ele fosse perguntar algo sobre literatura; não que eu não gostasse de ler. Eu geralmente lia o que me interessava como livros de mitologia, ou livros escritos em primeira pessoa e, bom, eu tenho uma queda por Romeu e Julieta.
Pude ouvir uns comentários sobre samba e futebol, como se todo brasileiro gostasse de carnaval e soubesse driblar. O professor ficou animado e começou sua aula. O assunto? J.R.R. Tolkien, o autor do Senhor dos Anéis.
O professor começou a falar, falar e falar sobre assuntos que eu nem sabia sobre o que se tratavam.
– Ele é bonito né? – suspirou uma garota que sentava do meu lado.
– Eu quero pra mim amiga. – respondeu a outra.
Deu o sinal da aula dele e eu dei um grito mudo de alegria, não aguentava mais aquela aula e aquelas meninas com hormônios explodindo de um lado pro outro. Summer me pegou pelo braço e me arrastou até a próxima aula.
– A gente não tem uns minutinhos até a próxima aula? – perguntei.
– Tem, mas não agora, a próxima aula é longe dessa sala, temos que nos apressar.
Corremos sem parar, demos a volta por não sei aonde e por um milagre chegamos até o destino da grade horária. O bom é que Summer já sabia onde se encontrava os lugares, havia muito tempo que ele estudava aqui, não era de se estranhar.
Chegamos a tempo. Desta vez eu não sentei perto do menino ensolarado. Sentei-me perto de uma garota de cabelos castanhos, pois não havia outro lugar na sala. Acomodei-me, tirei o caderno da mala e ajeitei o estojo sobre a carteira.
– Oi... – Assustei com a voz de uma garota a me cumprimentar, com os olhos excitados, esperando que eu respondesse alguma coisa pra ela.
– Hum... Oi?!
– Me chamo Coraline...
– Aposto que não é só Coraline – interrompi bruscamente sua apresentação. Senti-me um ogro.
– Como você é grosso, eu ia chegar lá. – disse-me ela num tom mais alto.
– Perdão não queria parecer rude... – Já parecendo.
– É Coraline Krausterflies senhor Luidge-grosso.
– Já pedi desculpa... – fiz um beicinho que não gostaria de ter feito.
– Está perdoado seu bobo – afirmou ela – então... – continuou, sabia que ia ser sobre minha nacionalidade – você é mesmo do Brasil né?
– Sim... – viu, acertei na mosca.
– Hum... E como é lá?
– É um lugar bem bonito, você deveria conhecer – incentivei-a com minha “sabias” palavras.
– É, deveria... Você não está sendo o guia de viajem adequado.
– Depois eu sou grosso né?!
Ela me fez uma careta e voltou suas atenções para a aula de biologia que rolava.
Reparando melhor na minha colega de sala, além de ter um cabelo castanho como chocolate ao leite, possuía também incríveis olhos expressivos de uma coloração impar, violetas como o daquela atriz, Elizabeth Taylor. Sua pele é clara como a neve, lábios rubros e uma voz inimaginável, parecia passarinhos cantado na aurora do dia.
– Luidge?! – gritou o professor chamando minha atenção. Logo parei de olhá-la e voltei aparentemente minhas atenções ao mestre. Minha mente estava deixando-se levar pelo sentimento de paixão de meu coração. É isso o que acontece depois e uma aula de literatura com um professor que se chamava exatamente paixão, o senhor Eros. Deu o sinal.
Summer me chamou para irmos até a próxima aula. Quando estava para sair da sala, num passo acelerado, a garota me agarrou e cutucou o peito do ensolarado.
– Deixa que eu o levo Summer, vai dar tudo certo! – gritou Coraline para meu irmão substituto.
– Mas... – ele tremeu em suas palavras – meu pai pediu que...
– Calma, vai dar tudo certo, prometo. Ele vai chegar a tempo. – Coraline conseguiu acalmá-lo e ele saiu pela porta correndo – ele é sempre assim... – concluiu ela.
Enquanto caminhávamos até a próxima sala de aula, íamos conversando. Sobre assuntos diversos, por exemplo: se eu estava gostando da família Watson, o que eu gostava de fazer nas horas vagas, se eu tinha namorada ou algum tipo de romance, se eu já havia visitado Londres alguma vez na vida e por ai vai...
– Está gostando de Londres?
– Estamos em Londres? – perguntei surpreso, pois pensei que era uma cidadezinha chique de interior que eu não recordava o nome.
– Pois é meu amigo estamos. Bem vindo a capital.
– Obrigado. – parecia um burro perto dela, acho que meu rosto dizia que eu estava envergonhado com a minha estupidez.
– Mudando de assunto... – propôs Coraline com um ar de duvida. – Como é morar com Summer?
Era isso então, a menina mais bonita da escola, até agora, gostava de meu companheiro de quarto que cheirava como um dia de verão. Não sabia o que dizer a ela, eu mal o conhecia.
– Eu só estou lá há dois dias e meio – a garota baixou a cabeça meio decepcionada – mas pelo que vi, ele é muito ansioso, agitado, um pouco curioso, emana simpatia...
– É lindo, forte, inteligente, tem um cabelo loiro muito especial – continuou ela euforicamente completando minha lista com diversas outras coisas aleatórias. Olhei perplexo pra ela tentando entender seus motivos – Desculpa. É que eu gosto dele já faz muito tempo. Desde que tínhamos apenas 10 anos. Eu faço de tudo e ele não percebe.
– Hum...
– Sei que você é novo e tudo mais, mas... – ela fez uma carinha tão gentil que não pude recusar a qualquer pergunta que ela faria naquele momento.
– Tá eu ajudo com o que você quer. — disse descaradamente e bem espontâneo querendo ajudar, fazer algo de bom para Summer afinal de contas. – vamos fazer o seguinte – comecei o plano – Hoje depois da aula você deve falar com ele sobre o que você sente, está bem?
Coraline demorou a responder, parecia que estava pensando em como falar isso a ele ou, pensando algo como: “nem pensar que vou fazer isso!”.
– O.k. Hoje mesmo eu falo com ele. Obrigada por me encorajar.
– Não há de que.
Fomos até a próxima sala de aula. Chegamos um pouco atrasados, mas ainda no horário certo. Summer nos olhou com uma cara de quem dizia “eu te disse, essa menina é encrenca”, mas nada muito preocupante.
Após as aulas, Summer me pegou pelo braço e começou a me arrastar para fora da escola; foi quando Coraline Krausterflies apareceu diante de Summer. A garota cutucou seu peito novamente.
– Onde você pensa que vai com tanta pressa, Watson? – disse cruzando os baços.
– Pra casa, onde mais? – Retrucou meu novo irmão.
– Não vai mesmo. – Afirmou a menina de olhos violeta – temos que conversar.
– Não pode ser amanhã? – propôs, com um olhar que dizia claramente: não tenho tempo pra você agora.
– Não. Tem que ser hoje.
– É que eu estou com Luidge, e...
– Ele pode esperar um pouco, não é Luidge? – interrompeu Coraline. Eu assenti devagar como se eu estivesse assustado com tudo aquilo, já sabia o que ia acontecer, só não sabia o resultado.
– O.K. Então... – concordou Summer – mas tem que ser rápido Flies. – era como um apelido carinhoso.
– Não vai demorar nem um minuto.
Coraline agarrou o braço dele e saíram andando até um lugar onde eu não podia escutar, mas podia ver, e como eu era de certa forma, bom de dedução, não era problema assisti-los.
Bom, ela colocou Summer contra uma coluna perto dos armários escolares. E começou a falar algo como uma história de muito, muito tempo atrás, como uma dissertação antes da pergunta ou declaração final a respeito de seu “True Love”. Summer estava fazendo uma cara de senta-que-lá-vem-história que me deixou muito entediado também, não sabia ao certo sobre o que ela falava, mas pela cara dele não era um assunto muito bom.
Coraline, logo que acabou de falar sua longa história de vida, virou-se de costas para Summer, estendeu as suas mãos pra trás e perguntou alguma coisa como “eu gosto de você” ou algo bem próximo dessa realidade. Ela permaneceu de costas para ele. Summer pegou nas mãos dela, abaixou-se até posicionar sua boca próxima à orelha da garota de cabelos castanhos e, falou algumas verdades. Ele a deixou ali e veio em minha direção. Sua expressão não estava como de costume, alegre e ansioso como eu o vira sempre (Apenas dois dias e meio); estava sério, parecia bem mais velho que de costume.
Ele passou por mim secamente e disse:
– Vem. Vamos perder o ônibus.
Assenti devagar e o segui sem muito esforço de minha parte. Entrei no transporte escolar e sentei-me do lado dele. Desta vez o ambiente não estava tão quente e abafado como antes, estava fresquinho e confortável. Olhei pela janela e vi que já estava anoitecendo.
Chegamos a casa. Jacoh estava sentado na sala de jantar ouvindo musica e aparentemente fazendo seu dever de casa, e claro nem me notou chagar. Olly sorriu pra mim enquanto eu subia as escadas para guardar meu material escolar no quarto e trocar de roupa. Summer fez o mesmo.
Ele jogou seu material ao lado de sua cama, sentou-se na beirada e começou a desabotoar sua camisa branca lentamente, cabisbaixo e meio triste. O garoto loiro suspirou pesadamente e eu senti uma vontade louca de tentar confortá-lo.
– Você está bem Summer? – perguntei tentando não parecer tão preocupado e sim rotineiro. Quando se pergunta as coisas sem muito interesse e sim por educação. Ele acabou de desabotoar a camisa, tirou-a devagar e seus músculos surgiram como um soco no meu olho. Coraline tinha razão ele era fortinho, diferente de mim que era um magricela sem muitos músculos acumulados. Ele olhou pela janela escura num olhar bem vago e me disse:
– Eu disse não. – Parecia que o Sol havia sumido da face da Terra naquele instante.
– Disse não para...? – rotineiro novamente.
– Deixa de ser tonto! Flies me contou tudo. – Summer desabafou de forma fervorosa e tranqüila. Fiquei surpreso, pois pensei que ia ficar fora da declaração de amor da garota.
– Desculpa... — abaixei minha cabeça e olhei para meu uniforme que estava dobrando e colocando sobre a cama. – hum... Não deveria me intrometer.
– Não. Tudo bem...
Esperei um pouco até a poeira abaixar. Coloquei meu uniforme no armário, tirei as meias e coloquei minhas havaianas que brilham no escuro, presente de mamãe. Passei desodorante, ficar cheiroso em casa também é bom, e não custa nada. Sentei em minha cama.
– Porque você recusou? – arrisquei perguntar. Ele demorou um instante para me responder. Vacilando entre olhar para a janela e tirar a calça do complexo uniforme.
– Eu gosto dela desde a primeira vez que a vi – confessou – mas não posso fazer nada...
– Qual é o problema? – tentei me intrometer. Ele voltou-se para mim e seus olhos por um instante, em vez de azuis profundos, brilharam numa coloração alaranjada cheio de sentimentos tristes pela escolha feita naquela hora do dia, parecia que ele carregava um fardo sobre suas costas.
– Não posso te dizer também, é muito pessoal. – disse ele diretamente pra mim e voltou a olhar a escuridão da noite pela janela. Eu não queria forçá-lo a dizer nada a respeito de sua drástica escolha, mesmo porque eu também tinha algo a esconder, pelo menos eu achava que era preciso. Peguei meu caderno na mochila, tinha um monte de coisa pra estudar apesar de ser o meu primeiro dia de aula, tinha que tirar o atraso.
Ao sair do quarto encostei a porta e lá estava Ollivia a me olhar. Estava começando a me irritar. Toda hora essa menina ficava atrás de mim e me dava um grande susto.
– O que foi agora Olly? – perguntei um pouco rude.
– Nada não...
– Fala Ollivia, o que você quer? – perguntei de uma forma mais suave dessa vez.
– Hum... – ela pensou, enrolou uma mecha dourada de seu cabelo em seu dedo, olhou pra mim e disse – quer pintar comigo?
– Seu irmão Jacoh não pode brincar com você? – perguntei de cara sem muita enrrolação.
– Ele ta ocupado. Papai e mamãe também e Summer está triste... Só sobrou você.
Ela fez aquela carinha triste de criança, igual ao que meu irmãozinho fazia e não pude resistir. Acho que os estudos teriam que esperar mais alguns dias.
– Está bem.
Ollivia soltou uma risadinha de alegria, pegou minha mão, me levou até a sala de T.V. e começamos a desenhar e pintar. Enquanto pintava Olly cantarolava uma melodia muito infantil e ao mesmo tempo gostosa de ouvir. Alegrei-me pintando com ela, era como um anjo em minha vida; dava-me paz e me enchia de alegria. Por um momento senti que não havia problemas ou dificuldades em minha vida. De repente comecei a sentir uma dor de cabeça não muito forte, mas que me incomodava.
– O senhor está bem? — perguntou a menina num tom bem preocupada.
– Estou sim. – menti, mas não era totalmente uma mentira, realmente estava bem, nada muito preocupante. – o que você fez ai Olly?
– Um castelo nas nuvens. – novamente a menina de cabelos dourados como o Sol riu, me deixando em paz – E você Lu? – também ganhei um apelido.
– Eu estou fazendo um cavalo de fogo.
– Nossa que lindo! – exclamou a menina. Eu realmente era muito bom em desenho também – faz um pra mim depois?!
– Faço sim. Faço tudo o que você desejar mocinha. – fiz cócegas nela e ela soltou uma gargalhada tipicamente de princesa, muito inocente.
Dez minutos depois, a dor de cabeça dobrou. Eu larguei o lápis no chão e massageei as têmporas devagar. A dor foi aumentando gradativamente, me deixando com muita tontura e ânsia, eu estava prestes a vomitar.
Soltei um gemido aterrorizante. Olly saiu correndo chamando os pais. A dor de cabeça continuou a latejar e massacrar meu cérebro, como se uma bomba tivesse explodido dentro do meu crânio e a população dela gritasse por socorro imediato. Eu fechei os olhos com força tentando esquecer a dor, mas ela crescia cada vez mais e mais, não sabia se ia aguentar por muito tempo. Lembrei-me de meu sonho e entrei em desespero. Coloquei a cabeça entre os joelhos e comecei a gemer. O senhor Watson desceu as escadas correndo.
– O que foi Luidge? Fala comigo! – exclamava. Eu respondia com gemidos fortes. Enrolei minhas mãos na cabeça apertando com força para ver se a dor se continha.
– Luidge! Filho! – a senhora Anna também estava lá perto de mim tentando me chamar de volta, mas a dor que eu sentia era tamanha que pude ver os lápis de cor da Ollivia rodarem a minha volta literalmente. Estava muito tonto e cheio de dor que não liguei para o que meu cérebro me fizesse perceber para tentar lutar contra essa força que emanava dentro de mim. As luzes começaram a piscar. Os móveis da sala de T.V. começaram a se afastar ou simplesmente tremerem. A pressão interna aumentava exponencialmente; eu não sabia se iria resistir por muito tempo. Talvez eu morresse ali mesmo. Comecei a pensar na minha família que estava longe de mim, pensei na dor que estava lhes causando, como eles ficariam quando soubessem que eu havia fugido e morrido. A dor me nocauteava aos poucos, e a cada pontada que massacrava meus neurônios, eu lentamente ia perdendo a consciência do que realmente estava acontecendo.
O senhor Watson me sacudiu. Pude ouvir Summer gritando meu nome e os olhos verdes de Jacoh na escada. A pequena Ollivia chorava no canto da sala.
Eu apaguei.
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