E no meu sonho eu vi minha mãe, ela estava junto com meu pai. Eu sorri ao ver aquilo, era tão bom ver o cabelo loiro dela ao vento e os olhos verdes cheios de admiração perante ao meu pai. Até que ela sussurrou:
– Tome cuidado, Cassandra.
– Quem diabos é Cassandra? Mãe, meu nome é Samantha, ta lembrada?
E tudo foi ficando preto.. E no minuto seguinte eu acordei, olhei pra minha escrivaninha aonde eu tinha deixado o livro, e ele estava lá ainda.
Olhei no relógio: eram 3 e 23 da madrugada, decidi por o livro aonde eu achei. Fiz tudo no maior cuidado, acho que minha mãe gostaria que fosse assim.
Assim que eu disfarcei o local aonde estava o livro, desci as escadas e fui na cozinha.
– Você me lembra sua mãe, sabia? — Alguém sussurrou no meu ouvido.
Na hora que reconheci aquela voz, me senti enjoada, era Auguste.
– O que você quer? — Respirei fundo e olhei no fundo daqueles olhos castanhos; quanto mais eu olhava pra ele, mais eu ficava com nojo.
– Quero conversar princesa, não posso? — No momento em que ele falou "não posso", ele segurou a minha cintura.
Dei um tapa na mão dele, e senti uma raiva que jamais tinha sentido na vida.
– Tire suas mãos imundas de mim. Não é por que você é casado com minha tia que você pode fazer o que bem entender. Eu não tenho o mínimo respeito por você, eu só tenho um sentimento por você, nojo. — Na medida que fui falando ele começou a rir, e quando terminei de falar, ele soltou uma gargalhada da qual eu jamais tinha visto na vida.
– Pobre criança ingênua, a casa é minha e eu faço o que eu bem entender. Até o seu sobrenome é meu. Você não faz ideia do quanto eu amava a sua mãe... Mais nem sempre temos aquilo que desejamos, não é? — Naqueles olhos castanhos eu vi malícia, raiva e desprezo.
– Ainda bem que ela não foi burra o suficiente pra casar com voc.. — Eu ia falando, até alguém aparecer na porta da cozinha.
– O que está acontecendo aqui? Samantha, você me deve uma explicação. — Naquele tom que Elizabeth Krueger falou me senti uma menininha indefesa.
– Ela não fez nada além de me xingar, nunca entendi essa sua implicação por mim. Mas enfim, boa noite. — Ele me olhou de cima a baixo, e depois deu um beijo em minha tia e foi na sala.
– Sam! O que há com você? Você tem que parar com essa implicação com ele, você nada mais é do que uma ingrata. Ele lhe deu roupas, casa, comida e até seu sobrenome. Você tem algo a mais a dizer? — Ela me olhou torto, como se eu fosse uma aberração.
– Nada tia, você está certa. Me desculpe. — E a expressão dela começou a se suavizar quando eu finalmente disse. — Agora vou dormir antes que eu mate alguém, boa noite tia.
E assim, fui direto pro meu quarto.
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