Quando cheguei no meu quarto sentei na cadeira da escrivaninha e comecei a pensar sobre o possível sobrenome do meu pai. Eram muitas perguntas pra nenhuma resposta.

Ouvi alguém bater na porta, e nem me importei em saber quem era. Eu reconheci Lizzie pelo perfume inconfundível de flores que ela usa.

– Samantha, sinto muito mesmo. Me desculpe por falar tudo aquilo, eu tava com a cabeça quente, não tinha intenção.. — E sua voz foi falhando a medida que ela foi falando.

– Não, tudo bem tia. Tudo bem mesmo. — E forcei um sorriso, não queria ver minha tia se lamentando pelo o que ela falou.

– Sério? Sam você sabe que você é como uma filha pra mim, não sabe? — Ela começou a sorrir, e continuou a falar. — Então, eu queria falar que sua tia, Elenna vai vir amanhã, vai até passar uns dias em casa, ela quer muito te conhecer.. — Ela estava muito entusiasmada, como se eu fosse a única que queria conhecer Elenna.

– Elenna? A irmã do Auguste? Ah que legal, pena que eu vou dormir na casa da Luiza amanhã. — Fingi uma decepção. — Mas, de qualquer modo, divirta-se.

– Sam, para de ser boba. Ela vai passar alguns dias aqui, acho que uns onze. E você não vai dormir na casa da Luiza, você tem que conhecer sua tia. — Ela semi-serrou aqueles olhos azuis, os quais eu lembrava da minha mãe.

– Ok tia, mas que fique registrado que eu não sou obrigada a gostar de ninguém. — Sorri com desdém.

– A velha Sam voltou.. Vê se dorme menina, boa noite. — E assim ela me deu um beijo na testa e saiu do meu quarto deixando a porta encostada.

Voltei a pensar de como minha vida poderia ter sido com minha mãe, meu pai.. Até que sou interrompida por batidas na porta. Eu comecei a fingir um sorriso, e disse:

– Tia não precisa se preocupar, eu não vou ser grossa nem nada.. — Quando vi quem era meu sorriso se foi, e no lugar dele, um maxilar tenso.

– Sua mãe deveria ter lhe avisado que eu não sou confiável, não é? Não importa aonde você for Samantha, eu vou caçar você. — E começou a olhar no fundo dos meus olhos.

– Eu não gostei de você desde o começo. Você não pode me caçar, não sou um animal.. — Minha voz foi falhando e não consegui terminar a frase, aquele olhar dele mostrava toda a raiva e determinação que ele sentia.

– Eu aposto que sua mãe lhe deixou uma herança, uma carta. Somente á você. E você não sabe nada sobre sua descendência, não é? — O olhar dele era insistente.

Eu não sabia o que falar, e lágrimas começaram a brotar do meu rosto. E assim ele continuou:

– Você é um tesouro, uma herança de família. Pela qual eu estou desposto a lutar. E se você não quiser.. Que pena, como eu disse antes, você não vai fugir de mim, e se fugir, eu caço você.

– O que você quer de mim? Fique com esse sobrenome, fique com tudo. Mas, por favor, me deixe em paz. — Ele parou de me olhar e começou a olhar a janela do meu quarto.

– Sabe o que eu quero, minha doce criança? Quero a pesquisa que seus pais fizeram. Quero tudo. E como você é filha única deles, você deve já ter descoberto pelo menos seu sobrenome.. — Ele voltou a fitar meu rosto, que diabos ele queria dizer?

– O que você quer? Eu não sei nada dessa pesquisa, nem sei do que se trata. Meu sobrenome? Você quis dizer o seu né? Krueger. Tá feliz? — Comecei a olhar pra ele como nunca tinha olhado, com um pouco de esperança que ele saiba da pesquisa que meus pais deram a vida pra escondê-la.

– A pesquisa do seus pais era muito valiosa, e é por isso que eu quero te caçar até você ser completamente minha. — Ele me olhou com tanta malícia, que me senti enjoada.

– O que você quer dizer? — Comecei a enxugar minhas lágrimas.

– Desconfio que você seja uma Tolomei, a última da família. A única descendente viva. A mais pura da raça.