The Time Machine
5 Namora Comigo?
Notas iniciais

Rose sentiu a água quente cair sobre os ombros aliviando as tensões do dia passado. A ruiva secou-se, vestiu o uniforme, penteou os cabelos com os dedos e fez um coque alto.
–Você vai mesmo seguir aquele plano louco? –Hermione arqueou a sobrancelha ao ver a ruiva sair do banheiro.
–Eu preciso. Você vem? –Chamou.
–Acho que não vai precisar. –Hermione encarou-a. — Boa sorte. –Abraçou-a.
Rose saiu. A ruiva ia caminhando pelos corredores procurando por apenas uma pessoa e ela logo achou.
–Al. — Pulou nas costas do primo.
–Quando você fala nesse tom, precisa de algo. O que você quer? –Virou-se e encarou-a.
–Namora comigo? –O garoto assustou-se e deu um passo para trás. –De mentirinha. –Esclareceu.
–É claro que não. –Recusou-se.
–Albus Severus Potter eu nunca te neguei nada. –Fez cara de choro.
–Não faz essa cara. –Albus tentou fugir, mas Rose o puxou pela blusa.
–Por favor, eu prometo que é só por um tempo. –Pediu novamente.
–E os nossos pais? –O rapaz estava em pânico.
–Depois eu vejo os detalhes. –Segurou-lhe a mão.
–Duas semanas. –Mostrou dois dedos.
–Tudo bem. Como você quiser. –Abraçou-o. –Então vamos comer, namorado. –Selou-o rapidamente.
–Você tá louca? –Arregalou os olhos.
–Somos namoradinhos e não vai passar de selinho. –Saiu arrastando-o.
Rose entrou com Albus no salão comunal, os dois estavam de mãos dadas. Scorpius estava em pé conversando com Draco que estava sentado.
–Não faça aquilo. –Albus pediu.
–O que eu fiz? –Fez-se de desentendida.
–Você fez aquela coisa. –Corou.
Rose sorriu de lado e olhou para Scorpius que assistia a ruiva e o melhor amigo conversarem sobre algo, a ruiva viu ali a chance perfeita. Rose deu um passo à frente e selou o primo. Scorpius estava chocado, assim como todos,Rose encarou Albus que estava estático. Scorpius estava possesso, o loiro trombou no ombro de Albus e saiu do salão.
–Tá vendo o que você fez?! Eu sou um cara morto. –Albus reclamou e saiu com passos largos atrás do amigo.
Scorpius não sabia direito o porquê de estar se sentindo daquela maneira, estava tudo bagunçado. Ele sentia raiva de Rose por ter beijado Albus na frente de todo mundo, sentia ódio de Albus por ter sido beijado por Rose e se sentia contrariado por estar sentindo todas essas coisas juntas.
Albus sabia que ceder ao pedido de Rose e ser beijado por ela o fazia ser condenado á morte, Scorpius e Daniel o matariam. O filho de Harry chamava o amigo que estava totalmente enfurecido.
–Qual é Scorpius?! Espera aí. –Pediu e o loiro virou-se e sem pensar, ao menos uma vez, acertou um soco na boca do amigo.
Albus cambaleou para trás, o líquido vermelho escorreu pelo canto da boca e o rapaz levou a mão até o local, ele estava assustado, mas não culparia Scorpius por isso. O loiro por sua vez estava ainda mais confuso e cada vez mais irado.
–Eu sinto muito, nem sei o motivo de ter feito isso. –O loiro passou os dedos pelos fios loiros.
–Eu sei por que você fez isso e eu que te peço desculpas. Mas ela... –Limpou o sangue, todos que estavam no corredor assistiam a cena paralisados.
–Ela é a grande Rose Weasley, é claro que você se apaixonaria por ela. –O loiro não esperou por resposta, apenas começou a andar.
–Scorpius... –Albus começou.
–Não fale comigo e nem me siga. –Cortou e saiu andando.
Albus voltou para o salão, todos o olhavam, na verdade olhavam para a boca machucada, todos ali já deviam saber do soco que levou de Scorpius. Rose correu até o primo, começou a olhar o machucado, mas Albus a afastou.
–O que aconteceu Al? –Ela não esperava ser afastada por ele.
–Eu não posso mais continuar com essa história de namoro de mentirinha. –Encarou-a.
–Não Al... Por favor. –Os olhos da ruiva tornaram-se grandes e pidões.
–Não faz esses olhos. –Pediu.
–Al... –Rose segurou a mão do rapaz.
–Duas semanas e isso acaba. Estamos entendidos? –Arqueou a sobrancelha e a ruiva assentiu contrariada.
–Estamos. –Cruzou os braços.
–É por ele que você está fazendo isso? Você sabe que Scorpius gosta de você e está me usando para afasta-lo, mas por quê? –Queria uma explicação.
–Não, é claro que não. Por que eu faria isso? E ele não gosta de mim. –Rose estava com lágrimas nos olhos.
–Rose. –Encarou-a.
–Me deixa em paz. –Rose saiu correndo do salão, ela chorava.
Hermione levantou-se rapidamente e correu atrás dela. Draco por sua vez caminhou até Albus.
–Que exemplo de amigo você é. –Acusou-o.
–Do que você está falando? –Albus deu um passo a frente.
–Você sabe o que ele sente, namora a garota dele e agora a faz sair chorando. Não sei quem é pior, você ou ela. –Draco estava se segurando para não bater no rapaz.
–Vá em frente, me julgue. –Albus estava desesperado.
–Você está apaixonado pela garota que não podia estar. –Draco então sentiu como se estivesse falando de si próprio.
–Você não me entenderia. –Albus saiu do local.
Eles com certeza seriam o assunto da semana, todos falariam do grande fura olho, da ruiva causadora da confusão e do loiro furioso.
Scorpius sentiu os olhos coçarem, havia um bolo em sua garganta, os punhos cerrados. Ele então decidiu se sentar em um degrau da escada. Ficou olhando para o nada e pensando em tudo. Mas logo algo lhe chamou atenção. A loira que caminhava sozinha lhe chamou atenção. Loira, alta, olhos tão azuis quanto o céu do dia de hoje, cabelos longos e cheios, a maioria dos fios com grandes cachos naturais e a minoria ondulada, uniforme Ravenclaw compridos, mochila jogada de lado, óculos de grau enormes. E um nome veio á sua mente: Bianca Lovegood.
–Bianca Lovegood. –Pulou na frente da loira que cambaleou para trás assustada.
–O mundo está de ponta cabeças ou estou tendo um grande e tenebroso pesadelo? –A loira disse arisca como um cavalo selvagem.
–Acho que o mundo está de ponta cabeças. –Respondeu rindo.
–Está rindo de que? –Perguntou brava.
–Entendi o motivo de você e a Weasley se darem tão bem. –Cruzou os braços.
–O que você quer de mim Malfoy? –Arqueou a sobrancelha.
–Vamos começar assim. –Pigarreou. –Sei que você gosta do Potter, sei que a sua amiga está pegando o cara que você ama, sei que você quer se vingar e sei como. –Sorriu de lado, ele viu a confusão e raiva que a loira estava sentindo na imensidão azul celeste de seus olhos. Era jogo vencido.
–Como? –Engoliu a seco.
–Namora comigo? –Pediu.
–Você enlouqueceu de vez. –Fez careta.
–É de mentirinha. –Esclareceu.
–O que eu ganho com isso? O que você ganha com isso? –Questionou.
–Você se vinga da ruiva e eu do Potter. –Sorriu maleficamente. –Ele sabe o que eu sinto por ela e mesmo assim está namorando ela, ela sabe o que você sente por ele e mesmo assim está namorando ele. –Ficou sério.
–Tenho algumas regras. Primeiro: Não tente me mudar. –Scorpius fez careta. –Segundo: Não tente me fazer ficar apaixonadinha por você, porque não vai acontecer. –Continuou.
–É impossível não se apaixonar por mim, se esforce. –Gabou-se e a loira revirou os olhos.
–Terceiro: Nada de piadinhas idiotas e egocêntricas. Quarta e última: Esse namorinho só vai durar três semanas no máximo. –Disse decidida.
–Eu aceito suas condições. –O loiro abraçou-a de lado.
–Você não tem nenhuma condição? –Perguntou desconfiada e se afastando do abraço do loiro.
–Tenho. Nunca mais se afaste de um abraço meu e quando eu te beijar aceite. –A loira revirou os olhos.
–Aceito suas condições idiotas. –Disse satisfeita.
–Eu tenho que te dar um apelido. –Começou a pensar. –Bia? –Encarou-a.
–Nada original. –Respondeu.
–Bibi? –A garota negou com a cabeça. –Anca? –A loira fez cara de indignada. –Amor? –O loiro sugeriu.
–Soa falso saindo de você. –Deu de ombros.
–Qual é loirinha? –Bufou contrariado. –Espera aí. –Começou. –Loirinha. Vou te chamar assim. –Bianca assentiu.
–Não vamos sair por aí do nada namorando. Me dá uns três dias para me acostumar com a ideia e preparar um pouco as pessoas ao nosso redor. –Pediu um tempo.
–Iria ser estranho se nós dois apenas começássemos a nos agarrar no salão na frente de todo mundo. –Admitiu. –Mas eu tive uma pequena ideia. –Sorriu com certa dose de maldade.
–Você me deu medo agora. –Fingiu estar com medo.
–Vamos assumir o nosso namoro no final de semana. –Sorriu de lado.
–O final de semana é daqui a dois dias. –Sentou-se no degrau.
–Por favor, loirinha. –Pediu, quase implorou.
–Tá certo. –Revirou os olhos e levantou.
–Vai embora sem me dar um beijinho? –Perguntou sarcástico.
–Não tem ninguém por aqui para fazermos o nosso teatrinho. –Respondeu.
A loira ficou em frente a ele, Scorpius deu dois passos a frente e tirou alguns fios loiros do rosto da menina que sorriu de canto como agradecimento.
Albus assistiu a cena de longe e ficou pasmo ao vê-los juntos, o que falavam não dava para ouvir, mas pareciam ser muito íntimos. Desde quando aquilo estava acontecendo? Desde quando o filho de Draco Malfoy estava se envolvendo com a filha de Luna Lovegood? O garoto virou as costas e saiu andando.
–Aquele era o... –Scorpius começou a falar.
–Potter. –Bianca interrompeu.
–Será que ele vai contar para a Rose? –Perguntou entusiasmado.
–É claro que sim. –A loira arrumou a mochila no ombro esquerdo e ameaçou andar.
–Você vai me deixar te beijar mesmo? –Scorpius ergueu a sobrancelha esquerda.
–Não é o beijo dos meus sonhos, mas fazer o que. –Deu de ombros e saiu andando.
A loirinha ia andando pelos corredores e Scorpius vinha correndo atrás dela chamando a atenção das pessoas que estavam ao redor deles.
–Loirinha espera aí. –Scorpius chamou e a loira continuou andando sem dar importância ao loiro que a chamava.
Bianca entrou na sala e logo Rose entrou atrás dela e caminhou até a amiga. A garota estava mais vermelha que o próprio cabelo.
–O que está havendo entre você e o Malfoy, Bia? –A ruiva estava brava, mas tentava não transparecer na voz.
–Coisas que eu não posso contar ainda. –A loira garantiu e a ruiva saiu andando.
O resto do dia passara tenso, todos falavam da briga entre Scorpius e Albus, de Rose sair chorando depois de discutir com Albus e depois Scorpius correndo atrás de Bianca.
O jantar estava com um clima de guerra. Scorpius sentado com Draco, Rose com Albus e Hermione. Bianca estava sentada na mesa de Revenclaw, mas de acordo com o plano, estava trocando olhares com certo loiro que sorria de lado. Rose estava morrendo por dentro.
–Quer sair daqui? –Hermione perguntou.
–E dar mais motivos para falarem de mim?! –A ruiva bufou contrariada.
Albus se levantou e caminhou até a mesa de Slytherin e ficou em pé atrás de Scorpius que logo se virou.
–Nós podemos conversar? –O filho de Harry realmente não queria perder o amigo.
–Depois Potter. –Scorpius levantou e saiu andando, deixando o amigo para trás.
O loiro entreolhou para Rose, era inevitável, mas continuou andando. Bianca logo saiu despertando suspeitas de que havia ido atrás do loiro, mas ao invés disso ela foi para a biblioteca. Albus também se foi. Rose não aguentava mais o circo, sussurrou para Hermione que iria dormir e saiu quase correndo. Hermione saiu do salão e se sentou na escada e abaixou a cabeça, ver a filha naquela situação difícil estava acabando com ela. Ela se permitiu chorar. Enterrou a cabeça entre as pernas e soluçou cada vez mais alto.
–Não chora. –Ela ouviu alguém falar com ela e abraça-la de lado e se virou para ver quem era.
–Tá difícil Malfoy. Muito. –Soluçou novamente.
–Eu sei. –Ela estava tão frágil, ele precisava protegê-la, então a abraçou.
–Ela está fazendo escolhas estúpidas e isso vai ser cobrado dela mais tarde. –Hermione encostou a cabeça no peito de Draco e agarrou a blusa do sonserino.
–Eu não tenho bons conselhos, então só estou aqui para te ouvir chorar. –Deixou claro.
–Está tudo bem. Não sei por qual motivo, mas você estar aqui comigo me fez sentir segura. –Afastou-se um pouco dos braços dele, mas ainda estava perigosamente perto.
Draco olhou dentro dos olhos de chocolate da morena, sentiu-se extremamente atraído pela boca rosada dela. Hermione mergulhou no mar azul acinzentado dos olhos de Draco e sentiu ele se aproximar dela vagarosamente. Nada precipitado, nenhum movimento poderia ser errado, por mais que estar ali com ela soasse errado demais pra ele, era preciso. Draco sentiu a respiração de Hermione, ele segurou o rosto dela entre as mãos, encarou-a.
–Eu não posso. –Afastou-se dele.
–Eu não sei o que deu na minha cabeça. –Draco levantou-se.
–Esse lugar não está fazendo muito bem para minha sanidade. –Hermione subiu três degraus.
–Granger. –Draco chamou e ela se virou.
–Diga. –Ela esperou que ele subisse correndo e a beijasse.
–Nada. –Virou-se de costas para ela e saiu andando para longe dela.
Hermione entrou no quarto e se deitou na cama com os olhos paralisados, as pernas tremendo, as mãos suadas, e a boca seca.
–Hellen? –Rose sentou-se na cama.
–Oi. –Sentou-se também.
–Você está bem? –Encarou-a com a sobrancelha arqueada.
–Só estou precisando dormir. –Afirmou.
Hermione trocou rapidamente de roupa, deitou-se e puxou o edredom para cima de si e logo pegou no sono.
Ela estava encarando o loiro em sua frente, ele sorriu para ela e então a beijou.
–Eu amo você Hermione. –Sussurrou ao pé do ouvido.
–Eu também amo você Draco. –Então ela o beijou.
Quando se separaram do beijo e se encararam o chão começou a tremer e abriu-se uma fenda entre os dois e ele caiu.
–Draco! –A garota gritou de joelhos vendo seu amado mergulhar na escuridão.
–Fica comigo. –Hermione sentou-se na cama gritando.
–Hellen! –Rose correu até a amiga e abraçou-a. — Foi só um pesadelo. –Garantiu-a.
–Não Rose. Não foi. –As lágrimas tomaram seu rosto.
–Com quem você sonhou? –Rose perguntou ao sentir Hermione mais calma.
–Mitchell. –Respondeu forçando-se a chamar Draco assim.
–É melhor você voltar a dormir. –Rose levantou-se da cama, embrulhou Hermione e voltou para sua cama.
–Boa noite. –Hermione disse.
–Boa noite. –Rose respondeu.
Hermione fechou os olhos e viu o rosto de Draco Malfoy pairando em sua mente. Rose fechou os olhos e reviveu a cena de seu beijo com Scorpius Malfoy.
Elas estavam perdidas.

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