Notas iniciais
Deeeeesculpe a demora, mais de um mas. Mas ta ai, o maior capitulo que já fiz :)

– Estou interrompendo algo? — Perguntou Lucas, olhando furiosamente, para Kaique, em seguida para mim.

– Não, estamos só conversando. — Respondi o ameaçando com o olhar. Me voltei para Kaique. — Esse é Lucas, meu... Amigo, e Lucas esse Kaique, nos conhecemos ontem no shopping, quando sem querer, quase o derrubei. — Sorri com a última parte e vi pelo canto do olho Kaique fazendo o mesmo. O que, pelo que percebi, não deixou Lucas muito feliz.

– Prazer em conhecê-lo cara — Disse Kaique estendendo a mão e olhando firme para Lucas. Que a apertou e por segundos desconfortáveis os dois ficaram se fuzilando.

– Ahn... Vou pegar o meu horário e... A senha... — Disse gaguejando, porém, quebrando o clima tenso.

– Vou com você — Disse Kaique, com o tom de voz um pouco diferente que o normal. Não queria ficar nem mais um segundo ali, estava... Muito horripilante, acho que é essa a palavra que descreve bem a situação. Então agarrei sua mão e o puxei para dentro da recepção, deixando Lucas com uma expressão nada legal.

– Não fui com a cara dele. — Kaique foi bem sincero. Para falar a verdade, Lucas está diferente, não é o mesmo de antes. Sempre era um garoto alegre, praticamente não se zangava ou ficava nervoso, era sempre disposto a ajudar todos que precisavam, principalmente a mim, e era carinhoso. O Lucas de agora quase não sorri, não me faz rir como antes. Está sempre nervoso, como se algo fosse acontecer, se aborrece mais facilmente.

– Deixa para lá, ele geralmente, eu acho, não é assim. — Disse tranquilamente, e ele me olhou sem entender.

– Como assim, "eu acho"? — Perguntou.

– Fiquei sem vê-lo por um ano. — Respondi. — Ele está... Um pouco diferente. Realmente... — Não consegui terminar, Nicolas apareceu ao meu lado com Guto e May.

– Quem é esse ai? — Perguntou ele balançando a cabeça na direção de Kaique. Olhou mais para baixo e um sorriso malicioso apareceu em seu rosto. — Ai sim em, Annie.

Só entendi o que ele estava falando, quando acompanhei seu olhar. Estava de mão dada com Kaique, e nem tinha reparado. Sua mão era quente diferente da minha, nossos dedos estavam entrelaçados, e pareciam... Não sei, se completarem. Os três começaram a rir, provavelmente por nós estarmos corados, e olhando para o chão como se fosse uma coisa muito interessante.

Tentei soltar a mão de Kaique, mas a sua mão apertou a minha. Olhei para elas, em seguida para o moreno, que me olhou nós olhos e deu um sorriso. Inconscientemente sorri também.

Voltei o olhar para os zoeiros que estavam na minha frente, e contra a minha vontade soltei a mão quente dele, que dessa vez acabou permitindo.

– Tá parem de olhar assim. — Eu estava totalmente constrangida. — Não é nada demais.

– Aham, nada demais ficar andando com um cara de mãos dadas. — Murmurou Guto, porém alto suficiente para escutarmos. Eu não aguentei dessa vez e comecei a rir também. Kaique estava corado, mas rindo.

– Então, qual o nome do novo partido Annie? — Perguntou May, segurando o riso. Eu sabia que iam zoar.

– Sou Kaique. — Respondeu tímido. — E... Ahn... Prazer.

Senti falta de uma pessoa, que geralmente chega super cedo. Estava distraída com esses assuntos, e o garoto de olhos azuis, que hoje estava com o uniforme preto da escola, os seus óculos de grau e o cabelo em um estilo espetado.

– Hey, onde está Jack? — Perguntei, olhando em volta o procurando.

– Aé, a família dele teve algum problema e tiveram que ir para o Canadá. — Disse Guto. Achei muito estranho, Jack geralmente avisa para mim. Mas sei que tem uns tios lá, se fosse sério ficaria sabendo. Então não liguei muito.

(...)

Pegamos as informações, e nos dirigimos para a sala de aula. Hoje teria a primeira aula de Física com Duda e Nicolas. Indo para lá, vi que muitos colegas do ano passado que continuaram na escola.

Nicolas e Duda estavam conversando animadamente sobre as férias que tiveram, escutava tudo que falavam. Nicolas disse que havia ido a praia todos os dias com seus amigos, jogado muito vídeo game com Guto, mas isso não é uma novidade.

Já Duda, passou todo o tempo em casa se dedicando a leitura ou colocando o papo em dia com sua prima que mora longe e veio visitar a família.

Tinha uma distância de dois metros deles, e os olhando, na aparência, parecia um casal até bonitinho. Oh meu Deus nenhum dos dois (ou Guto... Sabem o por quê?) Podem descobrir que pensei algo tão improvável.

Chegamos na sala de aula, não haviam muitos alunos, porém os que ali estavam, tocavam o terror.

Como sempre sentei na carteira ao lado da parede, onde da para encostar, quando tem a aula chata, e de algum jeito, dá para ficar olhando para o celular.

Duda sentou atrás de mim, e Nicolas ao nosso lado. Obviamente vamos ficar conversando, já que não entendemos coisa nenhuma dessa matéria.

Coloquei a minha mochila ao lado da mesa, me sentei e comecei a conversar com Duda.

–Mas é sério, quero Agosto logo, não aguento mais esperar esse filme. — Disse Duda empolgadamente

–Se você não aguenta, imagine eu. — Rebati. Se não entender sobre o que estamos falando, ok, eu explico.

Eu e Duda, somos "viciadas" em literatura, ou viciadas em Percy Jackson. Isso não vem ao caso agora, nós estamos falando sobre o segundo filme de Percy Jackson, ou seja, O Mar de Monstros. As esperanças estão gigantes, de que esse filme será mil vezes melhor que o primeiro.

– Vocês duas são malucas, não entendo porra nenhuma do que estão falando. — Disse Nicolas revoltado, por estar com cara de paisagem, enquanto nós duas conversávamos.

– Agora você sabe como nos sentimos, quando esta tendo o papo de joguinhos com Guto. — Disse eu e Duda ao mesmo tempo, em meio das risadas.

Infelizmente fomos interrompidos por uma voz, digamos que ridícula.

– Olha quem está aqui, — Alguém me da um tapa, acho que estou tendo um pesadelo sem fim. — Annie, Duda e Nico. — Gabi estava ao nosso lado, nos observando. Olhei para Duda, praticamente dizendo: "Tira essa biscate daqui? Ou eu vou ter que tirar?" Ou, algo como: "Sério que ela o chamou de Nico?" Pensando bem... Nico é bem mais fácil de falar.

– Oi, Gabriela. — Respondeu Duda, sem qual quer ânimo. Provavelmente, ela estaria pensando em quais as maneiras que eu usaria para tirar aquela... Coisa da nossa frente. Uma certeza: Ela me ajudaria com todo prazer.

– Oi. — Cumprimentei ríspida.

– Nossa! Cadê a animação das demigods? — Gabi disse DEMIGODS (semideuses) como se fosse uma doença, ou uma crise de retardados (O que na verdade, pode ser, se juntamos muitos, efeito flor de lótus). Olhou para Nicolas, quer dizer, Nico.

– E você não me cumprimenta, nerd? – Nico nerd? Nem em outra vida, Gabi deve achar isso de todos que tem capacidade (coisa que ela não tem) de se jogar um vídeo game.

– Porque perderia meu tempo a cumprimentando? — Cara, já disse que adoro quando Nico da essas... Patadas?

Duda olhou para mim segurando o riso. Continuei olhando Gabi e me segurando para não rir de sua expressão raivosa.

Sem dizer nada ela foi para o canto junto com as amiguinhas. E nós três começamos a gargalhar.

– Nico, só você. — Disse em meio do riso. Parou de rir na hora em que o chamei de Nico e perguntou:

– Sério? Por que vai me chamar de Nico igual ela?

– É mais prático — Respondeu Duda por mim -, gostei também.

(...)

A aula passou rápido, ficamos conversando o tempo inteiro. Quer dizer, inteiro não porque o professor chamava sempre a nossa atenção, viramos pra frente, mas dois minutos se passaram e voltamos a conversar, foi assim até o final da aula.

Nico, que não aprovou o novo apelido, foi um dos primeiros a sair da sala, disse que precisava tomar dar uma refrescada. Com a desculpa que estava com falta de ar. Estranho, mas ok.

– Tem aula do que agora? — Perguntou-me Duda, enquanto terminava de organizar algumas folhas no caderno.

– História, e você?

– Matemática. — Respondeu com cara de nojo. — Viu quem vai ser a professora esse ano?

– Quem? — Pela sua reação já tinha um palpite. — Ingride. "Com E no final".

Duda assentiu

– Essa mesma. — Ah, não. Ingride é a professora de matemática mais estranha. A sua frase mais famosa é: "Com E no final" sempre que perguntam o seu nome , ela diz isso. Ninguém pergunta por causa disso.

– Tenho que ir. — Disse Duda olhando no relógio, na parede branca da sala de aula. — Você sabe... Atrasos não são permitidos na aula daquela mulher.

(...)

No corredor do meu armário, se encontrava várias pessoas. Todas conversando, esperando o sinal para o começo da segunda aula.

Um garoto nerd estava cercado de valentões, querendo pegar o seu dinheiro. Odeio esses idiotas. Se tivesse coragem o suficiente enfrentaria esses caras, para ajudar o menino.

Sabe aquele tipo de pessoa que fala sobre não ter medo de algumas coisas, que vai enfrentar idiotas, como esses valentões. Que gosta de parecer forte em algumas horas, mas na verdade não é? Então. Essa sou eu.

Desvio a atenção para o meu armário, coloco os meus livros da aula passada dentro e pego os que vou usar agora.

– Aula de História? — Perguntou alguém atrás da portinha do armário.

– Sim. — Fecho, e vejo Lucas encostado me olhando. — Tem aula do que?

– História, — Disse com um sorriso no rosto. — também.

Lucas é mais alto que eu, provavelmente uns cinco centímetros. (N/A: nunca os descrevi, pois não tinha criatividade, então, agora vou começar).

Têm cabelos castanhos, grandes e bagunçados, seus olhos são castanhos também. É magro, não exageradamente magro, mas não é gordo, e é branco, muito branco.

– Então, — Disse olhando em seus olhos. — Como foi viver no Brasil?

– Foi muito bom. — Disse ele, com os olhos brilhando. — O Brasil é maneiro, na primeira semana, estava no Rio de Janeiro. É incrível o calor, as praias, você tem que conhecer um dia.

– Quem sabe um dia. Fico feliz que tenha gostado.

– Só tinha um problema. — Fiquei surpresa, ele estava tão animado falando.

– Qual?

– Você não estava lá. — Deu um silêncio entre nós, que só foi quebrado pelo som do sinal tocando.

– Ahn... Acho que, temos que ir. — Disse corada. Mudando o peso do pé para outro. Lucas ainda tinha o sorriso sacana no rosto.

– Tem certeza que quer ir? — Espera, para tudo, ele quer fugir da aula? — Primeiro dia, o professor não irá passar nada.

A ideia era de tentar qual quer um, odeio essa matéria, e não estou com vontade alguma de ter aula. Porém, tenho que começar bem o ano. Mas quem eu quero enganar? Quero mesmo é dar o fora.

– Fechado. — Recebi uma risada como resposta.

– Vem, — Me puxou pela mão, para o corredor da porta de entrada, que geralmente não tem vigias, pelo menos, não que eu saiba. — antes que alguém acabe nos vendo.

O sinal tocou, aproveitamos a multidão perto da porta, para sairmos. Assim como pensei não tinha vigias, nem dentro, nem fora.

Um pensamento me ocorreu, o que pensaria o pessoal, quando perceberem, que Lucas e eu não estamos na aula? Acho melhor nem pensar nisso.

– Mas então, vamos aonde? – Perguntei. Não poderíamos ficar nos arredores da escola, muito menos perto de nossas casas ou do local de trabalho de nossos pais.

– Parque, a essa hora da manhã, lá é demais. – Disse Lucas com animação. – E não é muito longe, conseguimos voltar rapidinho para a escola.

– Então tá.

– Que tal uma corrida até lá? – Propôs ele.

– Você vai perder. – Disse sorrindo.

– É o que vamos ver. – Saiu em disparada, me deixando para trás, com uma expressão de: Mas já começou?

Notas finais
Espero que tenham gostado. Dessa vez não fico muito tempo mas sem postar, prometo.

Beijos.