The Story Of Us
6 A futilidade em pessoa, e o senhor “moral”.
Notas iniciais
Nem vou comentar nada.
Leiam.
Como aquelas duas poderiam ter feito isso comigo?
Sim, é verdade que eu sai com o cara que Rosalie era apaixonada desde... Desde muito tempo. Mas eu não fui totalmente culpada, afinal ela teve todo o tempo do mundo para investir nele, e uma hora ou outra a fila iria andar. Não era um motivo para me deixar calva.
Eu ajeitei a boina, para que ela cobrisse o estrago que aquela maluca havia causado. Eu estava na aula de ciências humanas, uma das últimas do dia, e eu era eternamente agradecida por isso. Eu não suportava mais ouvir os comentários sobre como a vadia da Luma havia me dado um banho no refeitório por eu simplesmente dizer que “Rosalie ainda se parecia com uma covarde desclassificada”, mesmo naquelas roupas incríveis, com aquela maquiagem perfeita, e que merdas eu estou falando? Balancei a cabeça, tentando afastar os pensamentos.
O cheiro de coca cola que eu exalava estava me irritando, então eu virei para Princy, na carteira atrás de mim, e apontei para a sua roupa. Ela franziu o cenho, e eu revirei os olhos.
_Eu quero a sua roupa. Preciso me livrar desta, está cheirando a... Argh. Refrigerante. _Fiz uma careta de nojo, e ela me olhou, confusa.
_Você quer que eu a tire, aqui, no meio da sala de aula?_ Ela disse, corada, e eu sorri acidamente.
_Do jeito que você é vadia, não há nada que ninguém não tenha visto ainda. _Disse, e ela fechou a cara, ficando de pé num pulo. Ela não poderia me negar um favor, de qualquer forma, afinal eu sabia mais sobre os segredos dela que qualquer um. Eu vasculhei minha mochila, e encontrei uma blusa velha, e uma saia, que ficaria curta demais nela, mas não me importei. Joguei as roupas para ela. _O que é? Elas não ficam bem em mim mais.
Ela revirou os olhos, respirou fundo, e começou a se livrar das roupas. Eu puxei uma lixa de unha de meu estojo, e comecei a lixar a unha, enquanto esperava. Você podia ouvir os sussurros por toda a sala, mesmo o professor parou de escrever para “admirar” Princy, enquanto ela corava profundamente. Jogou as roupas para mim de uma maneira quase agressiva, e eu sorri numa doçura fingida.
_Obrigada, minha princesinha vadia. É por isso que eu te amo. _Fingi tentar apertar suas bochechas, e sai da sala, arrumando os meus cachos. Eu ouvi alguns assovios para mim, mas talvez fossem para Princy... Não, sem chance. Ela era uma prostituta gorda e feia.
Eu caminhei lentamente até o banheiro, e parei na porta. Havia duas plaquinhas, que não estavam ali antes, uma rosa e uma azul, com símbolos estranhos. Em uma, na azul, havia um círculo com uma setinha virada para direita, ou esquerda, eu não sabia diferenciar. E na outra, rosa, havia um círculo com uma cruz embaixo. Eu franzi o cenho.
Acabei por decidir que era na porta com a plaquinha azul que eu deveria entrar, afinal azul estava na moda, e ultimamente muitos garotos estavam usando rosa. E eu prefiro setas á cruzes, porque cruzes me fazem lembrar igrejas, e aqueles trajes abaixo do joelho que somos obrigadas á usar. Argh.
Eu fechei a porta atrás de mim, e tapei o nariz assim que entrei. Caminhei na pontinha dos pés, enquanto observava o estado do lugar. Havia mais papel no teto que nas lixeiras, e parecia que alguém estava distribuindo arminhas de água com urina, para começar uma rebelião no banheiro. Aquelas garotas haviam perdido os modos, a cabeça, e a essência, ultimamente.
Por sorte, o espelho estava limpo o suficiente para eu ver meu reflexo nele.
Arranquei minha blusa, e a joguei num canto qualquer do banheiro imundo. Havia algo no meu salto –um pedaço de papel higiênico-, e eu me virei, para tentar vê-lo melhor, e comecei a balançar meu pé, tentando me livrar do infeliz.
_O que você faz aqui, Renesmee?_ Uma voz soou, rouca e talvez um pouco irritada.
Eu me virei num pulo, e lá estava ele –alguém que eu, com toda a certeza, conhecia, mas não sabia o nome-, e então eu gritei tão alto que meu grito poderia ter sido ouvido por todo o estacionamento. Ele correu até mim, e tapou minha boca com as mãos, esperando que eu me calasse. Foi automático: ele me encarou de uma maneira tão autoritária que eu fiz obrigada á engolir o outro grito que eu estava preparando.
Ele afastou sua mão com cuidado, e me avaliou por um minuto, antes de fazer uma careta.
_Por que gritou daquela maneira?_ Ele arqueou uma sobrancelha, e eu o encarei, incrédula.
_Me diga você, o que está fazendo no banheiro feminino! _ Rebati, e ele franziu o cenho, e riu, sem humor. Eu tinha que lembrar o nome dele... Mas eu não conseguia. _E você, como sabe quem eu sou? É alguma pegadinha, é isso?
_Primeiro, _Ele sorriu. _Esse não é o banheiro feminino. Segundo, eu sei quem você é porque eu estudo com você, obviamente, e terceiro, coloque sua blusa, por favor.
Eu o encarei por um minuto, e sorri maliciosamente. _Você é do time de futebol? Porque é bem forte... E hm, não gosta do que vê? _Me insinuei. Eu pensei que ele poderia, não sei, me agarrar ou qualquer coisa típica, mas o que ele fez foi revirar os olhos, e me jogar a minha blusa, que ele havia pegado em algum momento.
_Não sou do time de futebol, sou do clube de informática. E não, eu não gosto. _Ele disse, e revirou os olhos. _Isso porque, garotas como você, eu encontro em qualquer esquina. Menos oferecidas, é claro.
Minha boca se abriu num perfeito ‘o’, e eu tentei processar o que eu havia acabado de ouvir. Ele havia me chamado de prostituta? Porque eu tinha certeza que ele havia feito isso. Trinquei os dentes, e coloquei a blusa rapidamente, dividida entre a vergonha e a ira.
_Por acaso sabe com quem está falando, garoto?_ Cruzei os braços, e ele me analisou com os olhos.
_Uma patricinha fútil, mimada, sem cérebro, e metida. _Ele chutou, e eu soltei o ar, pasma. O encarei por um minuto, e neguei com a cabeça. Agora eu me lembrava o seu nome.
Jacob. O garoto da informática, que um dia fora popular e até legal, mas graças á perda de sua mãe, se tornou um idiota, que só sabia encontrar a felicidade numa tela de computador. Ele destruiu sua vida social num piscar de olhos, e agora era mais desprezado do que quase todos daquela escola, perdendo apenas para os “nerds metidos”, que se recusavam á fazer o nosso dever, e sempre acabavam apanhando.
_Oh, você é o rejeitado Black? Perdão, eu pensei que você era algo realmente significante. _Soltei um sorriso sarcástico, e ele deu de ombros, cruzando os braços no peito.
_Você costuma se insinuar dessa maneiras para qualquer um? Porque, dessa maneira, você vai ficar grávida antes que possa terminar o colegial. _Ele disse, e eu arregalei os olhos. E então, Jacob sorriu divertido. _Ou você pode dar o golpe do baú, em algum milionário... É esse o seu plano?
Eu peguei o que eu encontrei em cima da pia –um rolo de papel higiênico- e atirei contra ele, fingindo espanto. Mas que droga, era exatamente isso o que eu pretendia fazer. Como ele adivinhou? Droga, ugh.
_Como ousa pensar isso sobre mim? Escute aqui Black, não sabe nada sobre a minha vida, então fique calado. _Rosnei. Sobre a parte de “não sabe nada sobre a minha vida”, eu estava sendo sincera. Poucas pessoas realmente me conheciam, como eu era.
_Eu não encontro nenhum motivo que faça algum sentido, para você se tornar uma vadia oferecida. _Ele deu de ombros, e eu fechei a cara. Ele havia me chamado de vadia?
Eu sorri friamente. _Olhe quem está falando. O garoto que perdeu a mamãe, e então cometeu “suicídio” social, porque ficou sem suas historinhas antes de dormir. Que meigo.
Ele trincou os dentes, e antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele entrou num dos banheiros, e voltou com uma mangueira. Eu a encarei, e então ele, e arregalei os olhos. Ele sorriu maldosamente.
_Hm, um zelador estava lavando o banheiro, hoje de manhã... Vamos ver se isso aqui funciona. _Acionou a mangueira, por uma pequena alavanca na ponta, e então, um jato de água me atingiu em cheio.
A pressão me obrigou a me ajoelhar para não me machucar, e eu me protegi da água como pode. Ele desligou a mangueira alguns segundos depois, e eu me sentia completa e totalmente encharcada. O encarei, dividida entre todas as emoções ruins que eu poderia sentir por uma pessoa, incluindo ódio, e uma pontada de incredulidade.
_Você acaba de assinar sua sentença de morte, Black!_ Eu gritei, e ele jogou a mangueira ao meu lado, sorrindo que nem um idiota. Eu tentei pegá-la, e molhá-lo, mas a alavanca era muito dura, e eu mal consegui movê-la.
_Vou chorar de medo de você, ruivinha. _Piscou para mim, e se dirigiu até a saída. Mas antes, se virou para mim, e riu. _E você deveria me agradecer. Piranhas costumam gostar de água.
Eu mostrei o dedo do meio para ele, e ele saiu rindo, enquanto eu ficava ali, sentada no chão, encharcada, com uma mangueira nas mãos. A porta se abriu novamente, e eu deduzi ser Jacob. O que eu fiz foi, com toda a minha força, pressionar a alavanca da mangueira, e ela lançou um jato de água poderoso na pessoa á porte. Eu sorri, vitoriosa, pensando que Jacob agora estaria ensopado, assim como eu.
Mas, não. Não era Jacob na porta.
Era o diretor.
Fale com o autor