The Story Of Us
7 Meu vizinho tarado.
Notas iniciais
Nem sei porque eu ainda posto essa merda.
Mas tá ai.
A janela do vizinho.
Ah, como eu odiava ficar em casa!
Eu estava embalando presentes, amarrando fitas, e então repetindo o processe dez mil vezes. Á cada minuto. Sim, eu estou exagerando, mas eu odiava ter de embrulhar aquelas lembrancinhas de casamento.
Não é como se elas não fossem importantes para uma festa perfeita, mas aquilo era cansativo, e eu me irritava vendo as pessoas jogarem os papéis e as fitas fora, sem nenhuma dó, somente atrás do doce embalado. O conteúdo é sim importante, mas o que há de mal em apreciar uma bela decoração?
A campainha soou, e eu estava tão distraída pensando em como seria linda a cerimônia de casamento da minha irmã Silena –que se casaria com Charles, no domingo-, que eu quase não a ouvi. Alice gritou para mim abrir a porta, e eu me lembrei que ela sairia mais cedo somente para me ajudar com as decorações.
Corri até a porta, e a abri, sorrindo para Alice.
_Qual é o problema?_ Perguntei, notando a expressão emburrada, ou mesmo birrenta dela. Ela fez bico, e saiu marchando até a sala de estar, se sentando no meio da minha bagunça de fitas e papéis de embrulho –e doces, é claro-, e começou a embrulhar os doces de uma maneira horrenda.
Nada “Alice”.
Ela desistiu de tentar embrulhar o doce antes que estragasse o papel, e me encarou.
_Rosalie. _Choramingou. _Ela morreu.
_O QUÊ?!_ Eu gritei. Comecei a suar frio instantaneamente, mas ela revirou os olhos, e eu me acalmei. Alice pegou um rolo de fitas, e começou a brincar com ele.
_Não nesse sentido, Eduarda. _Riu sem humor, e suspirou. _Ela não está agindo como Rosalie. E isso é horrível, porque é tudo culpa de Renesmee, e Emmett.
_Me conte mais sobre isso. _Disse curiosa, me sentando ao seu lado, evitando os doces. Eu precisava manter a forma, senão não caberia no vestido de dama de honra.
Alice me contou sobre o sms, o flagra, Luh –aquela maluca, que eu nunca conseguia encontrar em casa- comentando sobre o que ela havia dito quanto á “mudar”, Bella preocupada, e Carlisle confuso. Ela me contou sobre Rosalie a ignorando, trocando ela por suas novas amigas metidas. Eu ouvi tudo atentamente, tentando não roer minhas unhas.
_Ela fingiu que eu não existia. E se, como nos filmes, ela se tornar uma megera?_ Alice choramingou, e eu franzi o cenho, sem ter certeza sobre o que dizer.
_Ahn, a Rose é melhor do que isso, Ali. Você vai ver, assim que vocês menos esperarem, ela está de volta. _Sorri de uma maneira gentil, e ela me lançou um pequeno sorriso de volta. O toque do meu celular soou do andar de cima, e eu a encarei.
_Pode ir atender. _Ela revirou os olhos e eu ri, correndo até as escadas, e as subindo as pressas, tentando chegar ao meu celular antes que ele parasse de tocar.
Mas eu não fui tão rápida. Eu o havia deixado na escrivaninha, de frente para á janela, mas aquele foi o último lugar que eu procurei por ele. Suspirei irritada ao notar que era uma ligação de Silena, e tentei retorná-la, encarando a vista de minha janela.
Ela mostrava exatamente a fachada da casa dos Di Ângelo, e a minha janela estava virada para o quarto de Nico, ao que Alice havia me dito. Eu fiquei encarando a janela dele, enquanto esperava Silena atender. Eu não esperava vê-lo com um binóculo, na direção da minha janela, e aparentemente, sem notar que eu o estava vendo. Eu abri minha boca num ‘o’, e desliguei o telefone ás pressas, me jogando no chão, enquanto ofegava.
Ele me observava? Era isso? E desde quando ele fazia isso?
A ideia me causou uma onda de tontura. Eu me trocava, eu saia de toalha, eu fazia coisas comuns que pessoas fazem num quarto, porque eu pensava estar sozinha, e ter privacidade. Eu nunca faria isso se soubesse que havia um garoto me observando! E ainda mais o meu vizinho!
Que tipo de psicopata ele seria?E se ele me sequestrasse? E se ele me levasse para o Alaska, e me obrigasse á usar aqueles casacos que me deixam gorda, e que não combinam com nada? E se ele me obrigasse á adotar bebês pinguins, e a viver num iglu o resto da minha longa vida, comendo gelo, com limões, e quem sabe, no natal, peixe congelado? Certo, quando eu fico paranoica, eu penso muitas besteiras.
Eu estava suando frio quando arrisquei uma espiada pela janela. Ele havia saído da janela, e eu não o via em canto nenhum. Suspirei aliviada, apesar de minhas palmas ainda estarem escorregadias, e tentei me recompor, para não preocupar ainda mais Alice. Quando decidi que estava quase bem, desci as escadas, com o meu celular.
Alice me observou por um momento, e deu de ombros.
_Quem era?_ Perguntou, distraída com o seu embrulho.
_Minha irmã. _Tentei soar despreocupada, mas saiu como uma indiferença forçada, que eu geralmente costumo odiar.
Alice arqueou uma sobrancelha, e me encarou por um minuto._Você está bem?_ Ela perguntou, ligeiramente preocupada._O que ela disse?
_Sim. _Assegurei, e soltei um sorriso quase sincero. _Eu sou muito lerda, não cheguei ao telefone á tempo. Vou esperar ela ligar novamente.
Joguei meu celular numa almofada, e me sentei junto á Alice, pegando um doce, e o embalando rapidamente, passando a fita de uma maneira boa até demais. Eu não sabia como eu havia feito aquilo, mas tentei repetir o processo, e saiu completamente ruim.
Alice suspirou, e eu percebi que não era Rosalie a incomodando. Eu resolvi esquecer o psicopata Di Ângelo, e me foquei nela.
_Tem mais alguma coisa te incomodando, Alice?_ Perguntei.
Ela me encarou por um minuto, e então assentiu, pegando minhas mãos, e me encarando de uma maneira quase desesperada. Eu franzi o cenho, e ela suspirou.
_Eu acho que eu preciso desabafar. Sobre mim, sobre o que eu sou, e sobre... Algumas outras coisas. Pode me ouvir? Eu prometo que podemos embrulhar isso depois. _Ela pediu, e eu sorri gentilmente.
Minha melhor amiga, me perguntando se eu podia ouvi-la, que cômico._Mas é claro que sim, fadinha boba.
_ Ela sorriu, e então suspirou._Não quero que conte isso á ninguém. É pessoal. _Ela ordenou, e então começou.
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