The Story
29 Capítulo 29
Notas iniciais
(Maura)
A última semana foi bastante agitada, eu e a Jane demos entrada no pedido de adoção, levamos nossos documentos para o juizado de menores e meu advogado afirmou que essa foi a parte fácil, posteriormente viriam visitas de uma assistente social, um estudo aprofundado do nosso caso e avaliações socioeconômicas e psicológicas, ele me disse também que após tudo isso o processo podia demorar um pouco mais pois apesar da Ellen não ser uma recém-nascida, que são os mais procurados, ela é branca, ele me disse que o processo com crianças negras é mais rápido, pois não estão entre os preferidos e aquilo realmente me deu raiva, me dá raiva que as pessoas coloquem tantas exigências e padrões em uma criança, o amor não tem rosto, cor ou sexo, ou pelo menos não deveria ter.
Enquanto isso Cailin organizava nosso casamento, ela já havia escolhido um lugar onde seria realizada a cerimônia, as flores, a música e já havia nos mostrado sete tipos diferentes de convites, mas enquanto tudo estava encaminhado faltava contar para a família da Jane e principalmente para a Lydia. Jane pediu ao seu irmão para cuidar do TJ uma noite, ela não entrou em detalhes, mas disse que precisávamos conversar com a Lydia e que era importante, então o clube Alone iria se reunir novamente.
— Já sabe aonde vamos? _ Perguntei a Jane enquanto colocava meus brincos.
— Eu não vou dizer, é uma surpresa.
— Porque eu sinto que devo ter medo? _ Jane riu.
— Não precisa_ ela veio até mim e me agarrou por trás, ambas nos olhamos assim juntinhas no espelho_ tenho certeza que você irá gostar da noite_ Jane me deu um beijo que logo evoluiu quando ela sugou a minha língua e eu já sentia meu corpo aquecer quando a Lydia invadiu o quarto.
— Chamam a amiga pra sair e ficam de putaria, quase morro de tocar a campainha, sorte que eu sei que Jane guarda a chave embaixo do carpete.
— Jane! Não se pode colocar a chave de casa em um lugar tão óbvio_ A repreendi.
— Você me paga_ Jane deu um soco de leve no braço da Lydia.
— Agressão, agressão policial, vou prestar queixa_ Lydia realmente não muda.
— Se vocês já pararam de brincar, será que podemos ir?
— Espera Maura_ ela me deu a mão e me fez girar_ você tá muito linda, olha Rizzoli eu pegava_ Ri sem graça do jeito Lydia de elogiar_ onde a gente tá indo mesmo?
— Jane não quer me dizer_ respondi e ambas encaramos ela.
— Jane Rizzoli, eu tenho poucos momentos pra aproveitar a noitada sem o meu filhote, você não me invente de nos levar pra um risca faca que serve churrasco de gato.
— Meu Deus tem bares servindo carne de gato em Boston?!
— Tá vendo, Maura nem sabe o que é isso.
— Vocês podem confiar em mim? Vai ser legal.
Demos um voto de confiança a Jane e um tempo depois chegamos à frente de um prédio com uma placa enorme de neon escrito “karaokê do Jimmy”. Confesso que achei desafiadora a ideia da Jane. Entramos no lugar que estava bastante cheio, ainda assim encontramos uma mesa e depois de um tempo um garçom veio anotar nossos pedidos, dessa vez eu concordei em beber cerveja junto com elas. Um cara estava no palco cantando I Swear do All-4-one para uma mulher há duas mesas de nós, mas ele mal terminou de cantar, ela levantou e foi embora.
— Ih, deu ruim pra o amigo ali. Vamos bater palma gente que o cara merece! _ Lydia gritou alto fazendo todos aplaudirem o homem. Ele também decidiu ir embora do lugar_ ela vai voltar amigo, pode confiar! — ela gritou pra ele_ nunca mais essa mulher aparece_ Lydia baixo só para nós ouvirmos.
— Meu Deus Lydia_ Jane repreendeu-a.
— Que foi? Ah, vou logo colocar o meu nome num papelzinho ali pra uma música solo e também pra uma em trio.
—Trio?!_ falei alarmada
— Claro que sim, hoje você vai cantar Isles_ ela disse já se afastando sem me dar tempo de discordar.
— Ela não mudou nada_ comentei com a morena ao meu lado.
— Não mesmo, mas quer saber? Que bom que ela não mudou _ ambas rimos.
Lydia precisou esperar mais algumas pessoas cantarem até chegar a sua vez e quando seu nome foi anunciado ela tomou todo o conteúdo do seu copo e se dirigiu ao palco com pedidos de “me desejem sorte”. Quando ouvimos os primeiros acordes instrumentais da música escolhida por ela, não poderíamos acha-la mais adequada para a Lydia. Ela pegou o microfone em mãos e começou seu show de uma forma nada tímida.
[ https://www.youtube.com/watch?v=pFJc3Amf84I]
There was something so pleasant about that place
Havia algo tão agradável naquele lugar
Even your emotions had an echo
Até mesmo suas emoções tinham um eco
In so much space
Em tanto espaço
And when you're out there, without care
E quando você estava lá fora, sem tomar cuidado
Yeah, I was out of touch
Sim, eu estava fora de alcance
But it wasn't because I didn't know enough
Mas não foi porque eu não sabia o suficiente
I just knew too much
Eu apenas sabia demais
Does that make me crazy?
Isso me faz louco?
Does that make me crazy?
Isso me faz louco?
Does that make me crazy?
Isso me faz louco?
Possibly
Possivelmente
Lydia fazia uma performance completa, com gestos de mão e expressões. Jane bebeu mais um gole de cerveja.
— Ela escolheu a música perfeita pra ela.
— Jane! _ Reprendi ela.
— Que foi? Aposto que você também acha.
Me permiti rir e voltar minha atenção novamente para o palco. Quando a Lydia terminou o intermediador pegou o microfone.
— Temos aqui entre nós uma estrela_ Ele aplaudiu a Lydia assim como todos no lugar_ E agora a próxima música será cantada pelo trio Lydia, essa moça que já está no palco, Jane Rizzoli e Maura Isles!
Eu fiquei tão nervosa que tomei a cerveja do meu copo e o da Jane também, não dava mais tempo fugir, então eu e a Jane nos dirigimos ao palco, um garçom trouxe mais um microfone.
— Maura, eu sei que você não aceita menos que a perfeição, mas estamos aqui pra nos divertirmos, é uma reunião do Clube Alone e tem mais, não tem como você cantar pior que a Jane_ Ela disse fazendo a Jane mostrar a língua pra Lydia.
— Não tô impressionada querida, guarda isso pra Maura_ Lydia sorriu de lado o que me deixou constrangida e só piorou meu nervosismo.
Quando o instrumental começou a tocar percebi que era uma música da Cyndi Lauper e novamente a Lydia acertava na trilha sonoro. Eu e a Jane dividimos o microfone.
[ https://www.youtube.com/watch?v=fRLNTmRvy50&feature=youtu.be ]
All through the night
Durante a noite inteira
I'll be awake
Estarei acordada
And I'll be with you
E estarei com você
Lydia começou e nos deu a deixa, Jane continuou e eu agradeci, pois ainda estava tentando acreditar que eu estava realmente em um palco e que teria que cantar para toda aquela gente.
All through the night
Durante a noite inteira
This precious time
Este momento precioso
When time is new
Quando o tempo é novo
Jane parou e eu comecei a cantar uma frase, ainda sem segurança.
Oh, all through the night today
Oh, durante a noite inteira de hoje
Knowing that we feel the same without saying
Sabendo que sentimos o mesmo sem precisar dizer
Olhei para Jane e cantei aquela frase para ela. Um garçom trouxe outro microfone e então nós duas cantamos uma para a outra.
We have no past, we won't reach back
Não temos passado, não vamos voltar atrás
Keep with me forward all through the night
Vamos aguentar juntos a noite inteira
And once we start the meter clicks
E assim que começarmos o cronômetro vai disparar
And it goes running all through the night
E continuar a noite inteira
Until it ends, there is no end
Não vai terminar até chegar ao fim
— É maravilhoso estar com vocês assim novamente, saindo pra nos divertir como antes, parece que eu sou adolescente de novo.
— Eu mesma continuo com o mesmo rostinho de quando tinha quinze/ dezesseis anos_ Lydia disse colocando as mãos embaixo do queixo e fazendo uma cara fofa.
— Precisamos te dar uma notícia_ segurei na mão dela.
— Ai Maura fala logo que eu já tô nervosa. Que foi descobriram que o Tommy tem uma amante? Se for eu corto as bolas dele.
— Se ele tivesse uma amante eu mesma cortava as bolas dele por você_ Jane disse séria.
— Mas então o que é?
— Eu e Jane...Nós vamos nos casar_ Lydia deu um grito enorme atraindo toda a atenção das pessoas no bar para a nossa mesa.
— Puta que pariu! Sério eu esperei anos por isso! Eu sempre soube, eu sabia que a única que iria acabar com os dias de galinha da Jane era essa gata que é Maura Isles.
Tentava não encarar as pessoas nos olhando.
— Isso, anuncia para toda a Boston, quer ficar calada? Minha família ainda não sabe e você vai ter que guardar segredo até marcarmos um jantar para anunciar nosso casamento.
— A Jane tem razão Lydia, só estamos te dizendo antes porque além de uma Alone nós também queremos te fazer um convite_ olhei para a Jane e novamente para Lydia_ quer ser uma das nossas madrinhas?
— Sério, agora eu vou chorar. É claro que eu quero! De qual das duas?
— Pensamos em você para ser a madrinha da Jane e a Cailin será a minha. Inclusive ela que está organizando tudo, porque estamos ocupadas com a adoção da...
— Adoção?! Eita que quando vocês surgem com novidades é um caminhão cheio delas. TJ terá um primo ou uma prima?
— Uma prima, ela se chama Eleonor.
— Mas gente Eleonor não é nome de adulta?
— Foi o que eu disse a ela_ Jane riu_ mas ela nos disse pra chama-la de Ellen.
— Vocês têm fotos dela?
— Espera_ peguei meu celular na bolsa e mostrei a Lydia uma foto minha com a Ellen no colo no jardim do orfanato e a Jane do nosso lado de braços cruzados, na foto seguinte Ellen beijou o rosto da morena que desfez a carranca e sorriu.
— Tá ferrada Jane, já imagino o que essas duas vão aprontar juntas, fora que você será o voto vencido e quando ela tiver idade para namorar..._ Lydia assobiou_ Inclusive eu vou ser a tia legal que leva pra balada e fala sobre sexo.
— Maura temos que mudar o sistema de segurança de casa e impedir a entrada da Lydia.
Acabei caindo na risada e passamos uma noite bastante agradável. Eu definitivamente amo essa duas.
(Cailin)
Maura me ligou ontem e me pediu para ser a sua madrinha junto com a Nina e nós duas prontamente aceitamos, eu nunca vi a minha irmã tão feliz. Quando ela estava com o Jack mesmo sorrindo eu percebia uma sombra sobre o seu olhar, como se algo não estivesse certo e de fato não estava, ali com ele não era o lugar dela.
Faz uns dias que ligo para os fornecedores de bebida e para um buffet, está sendo maravilhoso planejar o casamento da Maura, eu sempre tive ideias para o meu próprio casamento, acredito que como toda mulher, mesmo que isso nunca aconteça ou que o desejo vá embora depois, um dia todas sonhamos em casar com a pessoa que amamos.
— Qual será a cor dos vestidos das madrinhas? _ Nina me perguntou trazendo uma caneca de café para mim.
— Obrigada_ agradeci e lhe dei um selinho_ bordô_ coloquei a caneca na mesinha de centro e me aproximei da Nina_ você vai ficar linda em um vestido bordô_ Nina me deu o sorriso mais lindo do mundo e envolveu minha cintura com as mãos.
— E você então...Ei, não vá usar todas as suas melhores ideias no casamento da Jane e da Maura ouviu? Se não no nosso você não terá mais nenhuma.
— Nina é claro que..._ estagnei para assimilar o que ela tinha falado_ no nosso? _ Outro lindo sorriso dela.
—Sim, um dia eu quero ser uma mulher casada você não? Espera ai senhorita Martin, quais suas intenções comigo? _ Ela fez um bico.
— As melhores possíveis_ Eu respondi abusada, as mãos dela saíram da minha cintura e foram parar atrás da minha nuca_ Eu vou adorar ser a senhora Martin Holiday um dia_ Nos beijamos, aqueles beijos que ninguém tem pressa de terminar, um beijo que além do erótico era carregado de significados.
— Bom, eu vou te deixar planejar esse casamento, também tenho que ir trabalhar_ ela me beijou mais uma vez e saiu do apartamento soltando beijos até fechar a porta.
***
(Jane)
Marcamos um jantar com a minha família, também convidamos a Nina e a Cailin. Os convidados sabiam que havia uma notícia a ser dada, mas acredito que não faziam ideia do que era. Eu também havia preparado uma surpresa para a Maura com a ajuda da Calin e da Lydia, me esforcei ao máximo para esconder essa informação da minha namora... Noiva, é tão bom dizer isso. Eu quase não acredito que eu vou realmente casar com a Maura, um frio na minha barriga se fez presente, mas decido ignorar porque não é o momento de surtar, deixo o surto para a minha família, minha mãe principalmente.
O jantar é na casa da Maura...Nossa casa, confesso que ainda não me acostumei com isso, mas ela faz de tudo para me deixar a vontade aqui e faz questão de me corrigir sempre que eu me refiro a casa apenas como sua. Ela aproveitou o dia de folga para cozinhar, sempre me perguntando o que a minha família gostaria e preocupada de cozinhar algo muito requintado, mas que ninguém gostasse de comer. Tratei de tranquiliza-la, comida grátis, é disso que os Rizzoli gostam.
Estava tudo pronto, faltava os convidados chegarem, enquanto isso nós duas nos arrumávamos. Eu vestia um terno feminino preto, com uma gravata borboleta da mesma cor, uma blusa social branca por baixo e jeans preto pra quebrar a formalidade e apesar de não gostar, salto alto, consegui domar meus cachos e passei até uma maquiagem leve, mas fiquei de boca aberta mesmo foi com a roupa da Maura, ela estava de vestido roxo, colado na parte de baixo e mais folgadinho na parte de cima, o cabelo estava preso em um coque e a franja solta, simplesmente linda, nos pés usava um salto modesto.
— Você está linda! _ Dissemos ao mesmo tempo e ela sorriu tímida.
— Eu não me importaria de esquecer toda a festa planejada pela Cailin e casar hoje com você_ falei me aproximando dela.
— Ela te mataria.
— Eu morreria feliz_ Maura sorriu.
— Como acha que eles vão reagir Jane? _ Senti um pouco de receio no seu tom de voz, quando ia responder a campainha tocou.
— Iremos descobrir daqui alguns minutos_ segurei a sua mão e descemos as escadas para abrir a porta juntas.
***
Estávamos todos sentados a mesa. Eu e a Maura juntas, Tommy e Frankie e Lydia perto da gente, minha mãe de frente, Cailin e Nina que chegaram pouco depois da minha família estavam do lado da minha mãe e o e TJ em uma cadeirinha para bebês próxima a Lydia.
Todos jantavam em silêncio, exceto a Lydia com suas piadas bobas, mas que acaba descontraindo o ambiente. Quando terminamos de comer eu ajudei a Maura a levar os pratos para a cozinha e dei uma desculpa para ficar mais um pouco por lá, pedi a ela para voltar a sala, um tempo depois eu cheguei também, mas não sentei a mesa.
— Eu e a Maura chamamos vocês aqui para darmos não uma, mas duas notícias, mas antes disso eu preciso fazer isso direito.
— Jane o que...
Me ajoelhei próximo a cadeira dela e abri uma caixinha que carregava comigo há dias.
— Maura Isles, você aceita casar comigo? _ Juro que apesar de já saber a resposta eu fiquei nervosa esperando-a me responder, senti um frio no estômago como se estivesse em uma descida de montanha russa.
— Claro que sim sua boba!
Ela abaixou e me deu um beijo, coloquei o anel no seu dedo e dei o outro anel para ela fazer o mesmo. Me sentei do lado da Maura e pude ver Lydia chorando, Tommy e Frankie de queixo caído e minha mãe séria.
— Bom, essa era uma das notícias dessa noite, nós duas vamos nos casar.
— E a segunda? _ Minha mãe perguntou ainda sem esboçar nenhuma reação o que já estava me preocupando. Dessa vez foi a Maura quem respondeu.
— Nós vamos adotar uma menina. Na verdade, esse é um dos motivos para nos casarmos o quanto antes, já demos entrada nos papeis de adoção e uma relação estável facilita o processo.
— Eu já sabia_ Lydia disse se sentindo super importante. Tommy lhe deu uma encarada e ela respondeu_ fui chamada para ser madrinha, o que faz de você o padrinho.
Ele virou-se para mim_ Jane, eu espero que você seja muito feliz, apesar de implicarmos um com o outro, eu sempre soube que se você seria feliz um dia com a Maura.
— Eu digo o mesmo Jane_ Frankie completou_ e já quero conhecer a minha sobrinha.
Sorri para os dois, mas agora todos os olhares focaram na minha mãe, pois a dona Angela não havia dito nada até o momento.
— Mom_ comecei, mas ela não me deixou terminar.
— A minha filha vai casar, minha única filha e conta primeiro para cunhada?! _ Relaxei e pude perceber que a Maura também pois ela segurava minha mão bastante apertado e folgou a ouvir minha mãe falar_ Jane eu só quero que você seja feliz e você também Maura, por muito tempo eu te odiei..._ Eu, Tommy e Frankie protestamos dizendo um “Mom!” ao mesmo tempo_ Me deixem falar. Eu te odiei por saber que você era o motivo da Jane estar sofrendo, mas você também é quem a faz bem e no momento é isso que você vem fazendo, então eu te recebo na família Rizzoli e vou adorar conhecer essa garotinha que vocês irão adotar.
— Obrigada Angela_ Maura agradeceu_ Pra mim é muito importante que vocês me recebam na sua família, a Jane e a Lydia sabem que eu sempre quis uma família grande, encontrar a Cailin foi maravilhoso, mas eu sinto que preciso de mais membros na minha família e hoje eu ganhei muitos, espero em breve ter mais uma_ Ela me olhou e sorriu, levantei sua mão e beijei.
— Eu proponho um brinde_ Lydia disse trazendo o champanhe e enchendo nossas taças_ A família Rizzoli- Isles-Martin.
Após o brinde eu e a Maura nos beijamos.
Fale com o autor