The Story
30 Capítulo 30- O casamento Rizzles
Notas iniciais
( Maura)
As últimas semanas foram uma loucura, recebi vários súditos no necrotério, acertávamos detalhes da cerimônia com a Cailin, contratamos um cerimonialista e visitamos a Eleonor no orfanato pelo menos uma vez por semana, a madre superiora foi informada que estamos adotando a Ellen, mas a menina ainda não sabia, no entanto meu advogado me ligou aquela tarde e informou que após o nosso casamento Ellen já poderia ir para casa com a gente, eu nunca me senti tão feliz, ele também me disse que eu receberia a visita de uma assistente social sem data marcada para averiguar se a menina estava bem e nos preparou para essa visita, pois alguns pais adotivos perdem a guarda das criança já nessa fase final, apesar de ter ficado nervosa com essa informação, agradeci a ele e combinei com a Jane de visitarmos a Ellen para conta-la a novidade.
Nunca demoramos tanto para chegar em algum lugar, eu estava bastante agitada, queria abraça-la logo e dizê-la que eu sou sua nova mamãe, eu e a Jane, mas o trânsito estava péssimo aquela manhã.
— Por Darwin! Já tentou buzinar?
— Maur, não resolve nada buzinar em um trânsito parado_ ela tocou minha coxa_ Calma, daqui alguns minutos chegaremos no orfanato e você poderá abraçar a Ellen o quanto quiser.
— Será que ela vai gostar da notícia Jane? As vezes acho que foi um erro não ter contado a ela desde o primeiro momento, nunca perguntamos se ela nos quer como mães.
— Maura aquela menina é louca por você, além disso, acha que ela iria preferir estar em um orfanato do que com duas pessoas que a amam?
É sempre bom ouvir a Jane demonstrando carinho pela Ellen, confesso que as vezes me pergunto se ela caiu de paraquedas nesse meu desejo de ser mãe, mas ouvindo-a falar que ama a nossa filha essas dúvidas somem completamente. Me inclino até ela e lhe beijo. O celular dela faz um bip e ela olha uma mensagem.
— Cailin me dizendo que amanhã é a prova do meu terno.
— Eu nem acredito que dentro de duas semanas nós iremos nos casar meu amor_ Jane tocou o meu rosto e eu me permiti sentir seu toque.
— Eu te amo muito Maura Isles_ Seus lábios tocaram os meus e sua língua duelou com a minha, eu não queria que aquele beijo acabasse nunca e choraminguei quando ela se afastou de mim.
— Acho que agora vai_ ela deu a partida no carro.
***

A madre nos informou que a Ellen estava na biblioteca, então fomos até lá, era curioso como ela preferia estar ali cercada por livros do que brincando com as outras crianças e eu me identifiquei com essa sua atitude, nós duas nos parecemos muito. Ficamos olhando-a da porta e por estar bastante concentrada ela não nos viu, Jane sorriu ao ver o livro que a menina estava lendo “Sherlock Holmes adaptado para Crianças: O Carbúnculo Azul”. Bati na porta e a menina loirinha olhou para porta assustada, mas ao nos ver sua expressão mudou, ela fechou o livro e meio correndo nos abraçar.
— Não sabia que viriam me ver hoje, a madre sempre avisa.
— Quisemos fazer surpresa.
— Venham, sentem aqui.
Ela pegou na mão das duas e nos levou até duas cadeiras pequenas de madeira, sentamos e eu me senti uma gigante naquela cadeira , ao que parece a Jane também, já que, cruzou os braços e ficou se remexendo na cadeira, mas era melhor ficar da altura da Ellen para conversar com ela olhando-a nos olhos.
— Ellen nós duas temos algo a te dizer, mas antes quero te perguntar algo_ estava bastante nervosa, mas busquei controlar o nervosismo e continuar_ você gostaria de ter duas mães?
Seus olhinhos brilharam.
— Sim! Seria perfeito! Sabe eu nunca tive uma mãe, eu seria muito feliz apenas com uma, mas duas...Não sei de nenhuma palavra que eu possa usar para dizer como iria me sentir.
Eu olhei para Jane que agora estava bastante emocionada.
— Há algumas semanas eu e a Jane_ Entrelacei meus dedos aos da minha namorada_ entramos com um pedido de adoção, nós estamos adotando você_ ela parecia estar pensando sobre o que eu acabara de falar, pois não disse nada e eu já estava apreensiva, talvez ela quisesse mães, mas talvez outras mães e não nós, eu estava quase surtando e tudo piorou quando ela começou a chorar_ Porque está chorando pequena?
— Porque eu estou muito feliz_ ela veio até mim_ eu amo você mamãe Maura_ abracei a pequena e coloquei no colo, ela não parava de chorar, Jane passou a mão pelos seus cabelos_ eu também amo você mamãe Jane.
— E a gente ama muito você Ellen.
— Quando poderei ir para casa com vocês?
— Pode demorar um pouco, nós duas ainda temos que nos casar_ respondi_ E você está convidada é claro.
— Eu vou adorar ir no casamento das minhas mamães, mas eu não tenho roupa.
— Eu imaginei e vamos te levar para comprar um vestido bem bonito.
— A madre nos deu permissão para leva-la para um passeio_ Jane completou minha fala_ vamos ao shopping, compramos o seu vestido e temos a tarde toda para brincarmos e comermos besteira.
— Não muita, é claro.
— Muita sim, a gente tapeia a Maura_ Jane disse baixinho.
— Eu ouvi isso Rizzoli_ Eleonor riu.
Passamos a tarde com a Ellen, escolhemos um vestido rosa lindo para ela e eu tive que cuidar de duas crianças, porque a Jane quando quer consegue ser mais infantil do que uma criança de cinco anos. Foi um dos melhores dias e teria sido perfeito se ao chegarmos em casa eu não tivesse encontrado a Constance parada na porta.
— Pelo visto você trocou a fechadura_ ela disse, cínica!
Andei até ela sem soltar a mão da Jane.
— Constance o que faz aqui? _ perguntei já sem paciência.
— Não posso sentir saudade da minha filha? Você se mudou para Boston e nem ao menos se despediu.
— Eu estou há meses em Boston e você só sentiu saudade agora? _ Disse com meu tom de voz já alterado_ quer saber, eu não me importo se você sente falta de mim ou não, diga apenas o que veio fazer aqui.
— Vejo que você e a Jane estão juntas de novo_ Ela olhou nossas mãos entrelaçadas e deve ter visto a minha aliança também pois arqueou uma sobrancelha_ não adiantou de nada ter te levado para Paris, você sempre foi teimosa como o seu pai, bom, ao menos eu tentei.
A fúria dentro de mim, a angústia por tudo o que eu e a Jane passamos veio à tona, Jane percebeu e segurou a minha mão mais forte.
— Tentou o que? Destruir a minha vida?! Me controlar? Você sempre quis decidir tudo na minha vida, que profissão eu deveria seguir a quem devo amar, você me privou de anos com a Jane, anos!!
— Engraçado, vocês diziam que o seu amor era tão forte, mas bastou o primeiro empecilho e acabou o relacionamento_ Constance afastou as mãos que mantinha juntas em um gesto de separação.
— O nosso amor é forte_ Dessa vez foi a Jane quem se pronunciou_ em nenhum momento eu e a Maura deixamos de nos amar, mesmo com a sua intervenção, mesmo após a mentira do ex- namorado dela, nós estamos mais juntas do que nunca e se você deu uma boa olhada nós iremos nos casar. Como pôde ser tão baixa e me acusar de roubo por uma pulseira que você me deu?
— Olha senhorita, ou senhor, eu sei lá o que você é, eu não te devo explicações.
— Já chega Constance, você não vai constranger a minha namorada na nossa casa, diga logo o que veio fazer aqui!
— Vim para que me dê o que é meu! Atrasou a pensão desse mês, passei o cartão na minha loja preferida e não tinha saldo, isso é uma grande humilhação! Além disso quero que aumente o valor da pensão.
— Quanto a primeira reclamação não se preocupe, hoje mesmo faço a transferência, já aumentar o valor nem pense nisso, meu pai não queria você com a fortuna da família por um bom motivo.
— Não quer dar dinheiro a sua própria mãe, mas com certeza deve estar bancando esse travestis!
— Eu acho que você está confundindo Constance, o parasita aqui é você, eu trabalho, eu nunca me deixaria ser sustentada pela Maura, ou por ninguém, quanto ao termo que você usou, eu não me importo se você não sabe o que eu sou, pois eu sei e isso basta, agora saia da nossa casa antes que eu chame a polícia.
— E onde devo passar a noite Maura? _ Ela me perguntou com um tom de indignação na voz.
— Boston tem hotéis.
Disse isso e entrei com a Jane em casa, fechando a porta logo em seguida e desabando nos braços dela. Eu sei que ódio é o pior sentimento que se deve sentir por alguém, mas é isso, eu odeio a minha mãe, odeio que ela desperte tantos sentimentos ruins em mim e chego a me odiar por permitir que ela me deixe em pedaços a cada vez que nos encontramos e ela destila seu veneno através de palavras hostis.
—Desculpa Jane, eu não deveria deixar a Constance me afetar tanto.
— Hey Maur_ ela disse segurando meu rosto_ ela pode ser o demônio encarnado, mas ela é sua mãe e é perfeitamente natural que se sinta mal com essas palavras duras e com esse ódio que ela disfere contra nós, mas não importa nada do que ela diga, não importa mais pois em poucos dias vamos nos casar e começar a nossa família e você vai ser uma mãe maravilhosa, diferente da Constance.
— Eu não quero que ela apareça na cerimônia.
— Não se preocupe, se for preciso contratamos seguranças, mas a Constance não vai estragar nosso dia meu amor.
A beijei e o beijo que começou lento ganhou uma fúria, em pouco tempo eu já estava com as pernas em volta da cintura da Jane, que tentava nos levar para o quarto sem cairmos das escadas, derrubamos alguns objetos nos caminhos e eu gargalhei com isso e quando chegamos no quarto ela me pôs na cama e cobriu meu corpo com o seu.
***
(Alexandra Monte)
Jane, Maura e Cailin corriam contra o tempo na última semana para organizar tudo para o casamento que seria no sábado e então chegou o grande dia.
Os convidados estavam sentados em cadeiras de madeira de um lado e de outro, enfeitado por um pequeno buquê de rosas mistas presas em algumas cadeiras enfeitando o caminho da noiva , o caminho que Maura faria até chegar a Jane, havia também um arco das mesmas rosas no inicio do caminho e o celebrante já se encontrava no altar.
As madrinhas e o padrinho fizeram o caminho da noiva, primeiro Nina e Cailin, depois Tommy e Lydia, cada um dos casais se posicionou de um lado do altar, então Jane entrou acompanhada do Frankie. A morena vestia um terno branco feminino bastante justo e um salto alto preto, seus cachos estavam controlados e ela não poderia estar mais linda, Jane beijou o rosto do seu irmão que saiu por trás das cadeiras para buscar a próxima noiva.
Maura parou embaixo do arco e todos se levantaram, ela estava linda em um vestido branco, longo, de mangas curtas, onde na parte de cima era todo feito de renda e uma coroa de flores no cabelo que estava solto, Maura estampava um enorme sorriso no rosto, então Frankie e ela começaram a ir até a Jane, enquanto uma música de fundo tocava e essa não poderia ser mais perfeita para o momento.
Liniker e os Caramelows — Sem nome, mas com endereço
Você tem flores na cabeça
E pétalas no coração
Tem raízes nos olhos, excitação
Acalanta o meu coração
Me sinto um peixe
Fora do aquário, dá pra ver
Tô indo pro imaginário do teu peito
No compasso do que faço
Aperto o passo, encontro o teu jardim
No paraíso das manhãs
Pétalas brancas caem em mim
Eu vejo você vindo
Jane se controlava para não chorar vendo a mulher da sua vida vindo em sua direção, e só agora sua ficha caia de vez, sim elas estavam casando!
Me pega pela mão
Te dou meu coração
Deixo você entrar
Me pega pela mão
Te dou meu coração
Deixo você entrar
Você tem flores na cabeça
E pétalas no coração
Tem raízes nos olhos, excitação
Acalanta o meu coração
Elas pararam uma de frente para outra e Frankie “entregou” Maura a Jane, que entrelaçou sua mão com a da outra e foi inevitável para a morena não sorrir ao ver que ela iria casar com a mulher mais linda do mundo e que finalmente algo desejado há anos estava acontecendo e mil vezes melhor do elas imaginaram.
Celebrante: _ estamos aqui hoje reunidos para unir Jane Clementine Rizzoli e Maura Dorthea Isles para toda a vida. Eu sempre procuro saber sobre a Histórias dos casais os quais eu celebro o casamento e devo dizer que a história dessas duas mulheres é de longe uma das mais bonitas que já conheci. Maura e Jane passaram por vários percalços nos seus caminhos, elas passaram anos distantes, se reencontraram e novamente o destino quase as afasta, mas amor vincit omnia, o amor tudo vence. Façam seus votos.
Jane estava bastante emocionada, assim como a loira a sua frente e ambas lutavam para não borrar as maquiagens.
— Maura, quando você foi embora de Boston foi como se o meu coração tivesse parado naquele momento, eu não sabia como viveria sem você, e eu pensei que houvesse minimamente superado, mas eu estava enganada, pois o meu coração só voltou a bater quando eu te vi ali naquela cena de crime em Nova York. Só te ver, ter contato com você era o que eu mais queria, mas isso_ Jane fez um gesto com a mão mostrando aquele espaço, os convidados, o casamento de ambas_ eu não poderia prever isso nem nos meus sonhos mais loucos, você me deu a minha vida de volta e está me dando uma família e eu te amo muito por isso Maura Isles.
Maura secava as lágrimas com um lencinho entregue por Cailin que também chorava com a cabeça deitada no ombro de Nina.
— Jane Rizzoli é a mulher mais teimosa que eu já conheci _ os convidados riram_ mas também é determinada e gentil. Jane sempre soube como me tirar da minha bolha, eu não sou uma pessoa sociável, eu nunca soube como interagir com as pessoas, mas com ela tudo sempre é tão fácil... Eu nunca poderei dizer que não sei o tamanho do amor da Jane por mim, pois ela me prova isso todo dia sem precisar dizer uma única palavra, se a frase “eu te amo” não existisse não nos faria falta, pois conseguimos externar o que sentimos em cada gesto de cuidado e afeto que temos uma com a outra. Eu te amo muito Jane Rizzoli e quero passar a minha vida toda com você.
Celebrante: _ as alianças.
Uma menina de cabelo loiro como o da Maura e incríveis olhos azuis entraram trazendo as alianças em uma pequena almofada. As duas noivas abaixaram para que a menina pudesse abraça-las e depois ela sentou ao lado de uma freira.
Jane pegou uma das alianças e colocou no dedo de Maura que logo em seguida fez o mesmo.
Celebrante: _ pelo poder em mim investido pelo estado de Massachusetts e um curso de seis meses online, eu as declaro casadas. Acho que não preciso dizer o quem a seguir não é mesmo.
As duas mulheres se beijavam enquanto os convidados aplaudiam. Quando elas refizeram o caminho da noiva uma chuva de pétalas foi jogada sobre elas que sorriam a todo momento.
***
As duas optaram por uma cerimônia pequena com alguns familiares e colegas de trabalho, mesas de madeira e uma mesa para as noivas. As duas seguiram cumprimentando os convidados e tirando fotos até que alguém que Jane não espera encontrar apareceu.
— Parabéns ao casal.
— Ana?!_ Jane disse surpresa.
A mulher se aproximou de Maura e a abraçou.
— Felicidades Dra. Isles.
— Só Maura Ana_ a mulher sorriu.
— Sabe, eu tive um crush grande em você quando apareceu em Nova York_ Ana confessou_ mas eu sempre percebi uma troca de olhares diferente entre as duas e quando soube que a Dra. Isles viria pra Boston eu sabia que vocês acabariam juntas_ Uma mulher se aproximou da Ana_ Baby, essas são as noivas, Jane e a Maura.
A mulher abraçou as duas.
— Está tudo lindo, quem é a cerimonialista?
— Na verdade tudo foi organizado pela minha irmã _ Maura avistou Cailin e Nina e chamou a irmã.
— Ana! Que bom que você veio_ A mulher sorriu.
— Soube que você organizou isso tudo!
Enquanto elas conversavam Jane e Maura foram falar com outros convidados e dançar um pouco. As duas dançaram uma música lenta e depois uma mais agitada, trocavam olhares a todo momento, a felicidade parecia escapar por seus poros e encantava quem as olhasse. De repente uma figurinha que escapou da vigilância da freira pediu para dançar com as duas e Jane a colocou no braço e as três dançavam lindamente. Jane dançou com Frankie, Maura dançou com Tommy, ambas dançaram com a Lydia, Ellen conheceu o TJ e Angela parabenizou as noivas.
Em um dado ponto da festa as noivas sumiram, Maura trocou de roupa e as duas entraram no carro da loira e foram até o aeroporto, de lá pegaram um voo para Itália, há muito tempo Jane sonhava em conhecer a origem da sua família e Maura adorava aquele país, antes de voltar para os Estados Unidos passou uns meses na Itália, seria a Lua de Mel das duas e quando voltassem iriam até o orfanato levar a sua filha para morar as três juntas.
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