The Story
28 Capítulo 28
Notas iniciais
(Maura)
Os últimos dias com a Jane tem sido incríveis, é claro que nem tudo são flores, porque para ela, que era uma solteira convicta, morar com alguém é diferente, então por vezes eu tenho que chama-la atenção sobre sapatos jogados pela casa ou uma ou outra garrafa de cerveja sobre a mesinha de centro, mas tirando essas pequenas coisas é maravilhoso ter alguém para dividir a enorme casa que moramos. Cailin se mudou de vez para a casa da Nina e eu não poderia estar mais feliz por ela, mas confesso que eu gostaria de uma casa cheia, sempre invejei isso na Jane, eu sou filha única e ela foi criada com mais dois irmãos e ainda tinha maluquinha da Lydia, então mesmo com tudo perfeito eu sinto que falta algo.
Avistei a Jane vindo com uma caixa cheia de livros que ela tirou do porta-malas.
— Meu Deus Maura você comprou toda uma biblioteca? _ ela passou a mão pelos cabelos e respirou cansada.
— Desculpe Jane, eu acho que exagerei, mas é que eu quero que essas crianças tenham mais livros aqui, Ellen disse que são tão poucos.
— Tudo bem, eu vou pegar mais uma caixa.
— Espera eu te ajudo.
Tiramos três caixas do porta-malas do meu carro, duas com livros e mais uma com brinquedos e de dentro do carro pegamos mais uma com cobertores, eu sei que o inverno estava se aproximando e me dava medo pensar nessas crianças passando frio.
Logo que tocamos a campainha do orfanato Ellen abriu a porta e veio correndo até mim, ela abraçou as minhas pernas com força, seus olhos estavam fechados e eu pude sentir todo o carinho que aquela menina tem por mim. Me abaixei e coloquei ela no braço.
— Você veio!
— Mas é claro! Duvidou que eu viesse te ver? – levantei uma sobrancelha.
— Bom... – ela disse receosa _ muita gente vem aqui sabe, eles dizem gostar da gente, passam um dia todo brincando as vezes, mas depois não voltam, ou se voltam é só pra adotar os bebês.
Senti um incômodo no peito, como alguém poderia cativar essas crianças e simplesmente ir embora? Como alguém poderia não voltar lá após conhecer essa menina loirinha super inteligente!? Olhei nos seus olhos e percebi a urgência daquela criança em se sentir querida, em pertencer à algum lugar.
— Eu não sou assim Ellen, eu voltarei mais e mais vezes _ coloquei ela no chão _ E hoje eu trouxe os livros e os brinquedos que prometi_ ela abriu a boca maravilhada com as caixas no chão, depois desceu do meu colo já correndo para as caixas, mas parou abruptamente.
— Eu posso?
— Claro! Dê uma boa olhada, isso tudo é seu e das outras crianças.
Ela começou a mexer nas caixas, dando uma espiada em cada livro da caixa, querendo segurar todos de uma vez nos braços e eu ri com a cena. Jane veio até mim e passou um braço pelos meus ombros.
— Ela é linda, não é? _ perguntei
— Muito, ela me lembra você.
Antes que eu pudesse responder a madre apareceu.
— Bom dia Dra. Isles, a que devo a visita?
Apertei a mão dela _ eu prometi a essa pequena trazer alguns livros e brinquedos para as crianças.
— Mais que maravilha! Eu vou pedir para alguém ajudar com as caixas e Ellen _ a menina voltou-se para a feira _ não se preocupe, você não precisa explorar tudo agora, terá muito tempo, porque não vai mostrar o jardim a elas?
A menina pegou na minha mão e na de Jane e nos guiou até um espaço do orfanato onde haviam muitas flores e alguns brinquedos, como balanços, um escorregador e uma gangorra. Ela correu para o balanço e eu me posicionei atrás dela.
— Sabe _ ela disse quando voltou da primeira balançada_ eu... adoro... brincar... aqui. Tem... muitas ...coisas... para... analisar.
— Qual a criança que fala a palavra analisar Maura? _ Jane me perguntou baixinho e eu ri.
Maura parou o balanço _ você gosta muito de Biologia, não é?
— Muuito! _ a pequena respondeu empolgada.
— Trouxe alguns livros de biologia para você, mais condizentes com a sua idade, eles também têm alguns questionários no final dos capítulos para testar suas habilidades.
— Oba! _ ela fitou Jane fazer carinho no meu cabelo _ ei, vocês namoram?
Eu não sabia o que responder para aquela garotinha, meu rosto esquentou e eu só sabia abrir a boca e fechar.
— Somos sim _ Jane respondeu sorrindo.
— Que legal! Você fica muito feliz quando está perto dela dona Maura, eu percebi da última vez que vocês me trouxeram pra cá.
— Não precisa me chamar de dona, Ellen. Eu e a Jane nos reencontramos há pouco tempo, mas a gente já se ama há muitos anos _ olhei para a morena do meu lado, seus cachos revoltos, seus lábios finos que demonstravam um pequeno sorriso e seus olhos que me olhavam com paixão. Havia tanto amor em mim por aquela mulher que algumas vezes meu peito doía.
— Vocês são muito fofas! _ ela disse dando um pequeno gritinho e ambas rimos da reação da menina _ vocês têm filhos? – ela perguntou e me olhou ávida por uma resposta.
— Não, não temos filhos.
— Mas vocês querem?
— É, bom...
— Eleonor! _ Ouvimos a madre chamar a menina _ venha, iremos mostrar as outras crianças as doações. Venham vocês duas também.
Acompanhamos aquela mulher até o quarto das crianças. É um lugar bem simples, com várias beliches e desenhos colados nas paredes, paredes essas pintadas de um tom neutro. Nós entramos e as crianças fizeram uma fila, como se já estivessem acostumados aquela formação ao receberem visitas.
— Crianças, vocês lembram da Dra. Maura Isles e da detetive Jane Rizzoli? _ eles balançaram a cabeça concordando _ pois bem, elas trouxeram alguns brinquedos e livros para vocês, ah, e também alguns cobertores. Tudo está nessas caixas vão com calma_ e como se ignorassem a última palavra dita pela madre as várias crianças se lançaram nas caixas explorando tudo extasiadas_ muito obrigada vocês duas_ ela disse nos olhando _ espero que suas visitas ao orfanato sejam constantes. Ellen não parou de falar de vocês para todos.
Então eu percebi que o encantamento que aquela garotinha me causou também foi sentido por ela e isso fez o meu coração aquecer. Passamos mais algum tempo no orfanato e depois nos despedimos da Ellen, pois iremos trabalhar a noite e precisávamos descansar antes do novo turno.
Jane dirigia e eu simplesmente me deixei perder em pensamentos olhando os vários prédios que deixávamos para trás, somente sai dessa bolha quando a morena tocou minha perna, o sinal estava fechado.
— Faz algum tempo que te percebo pensativa, achei que eu pudesse ter feito algo, porque te vejo triste pela casa, pensei estar associado a mudança da Cailin, mas hoje percebi que tem algo mais _ eu não disse nada, mas me senti culpada pela Jane achar que eu estava triste por algo que ela fez, contudo também me surpreendi pela forma como ela conseguia me ler tão bem_ Eu lembro que você sempre quis uma casa cheia, isso porque é filha única e eu vejo como você olha para Ellen.
— Jane eu... _ ela colocou dois dedos sobre os meus lábios me pedindo para não falar e assim eu fiz.
— Não tem nada errado em querer uma família Maura, ainda mais no seu caso_ eu sabia o que ela queria dizer, meu pai me abandonou, minha mãe tramou para que ambas nos afastássemos, eu não tinha um bom modelo de família. Ela tirou os dedos dos meus lábios e tocou meu rosto _ se você realmente se sentir pronta eu adoraria ser mãe junto com você_ uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Eu não sabia o que dizer, eu só chorei baixinho o que deixou a Jane preocupada.
— Maura eu disse algo errado? Ei não chora.
— Estou chorando de felicidade Jane _ me inclinei até ela e a beijei, então ouvimos o som de buzinas desesperadas, o sinal estava aberto e estávamos atrapalhando o trânsito. Jane riu e deu a partida.
***
— Bom, eu posso fazer melhor que isso, só me dê algum tempo para que eu... Não sei planeje algo, você tem preferência de algum restaurante..._ ela disparou a falar gesticulando de forma nervosa.
— Hey Maura.
—Oi.
— Eu não preciso de um pedido de casamento clichê, saber que você quer casar comigo já me deixa extremamente feliz.
— É claro que eu quero casar com você Jane e não só porque precisamos para adotar a Ellen, eu quero casar com você porque eu te amo. Eu te amo muito, mais ainda do que quando éramos adolescentes.
Ergui a Maura que rodeou minha cintura com as pernas e dei vários beijos nela, na boca, pescoço e no rosto enquanto ela gargalhava sem parar.
— O que estamos comemorando?
Cailin disse já largando a bolsa no balcão.
— Eu e a Jane vamos nos casar_ Coloquei Maura no chão.
Cailin veio até ela gritando.
— Eu não acredito! Mas quando? Quem pediu quem? Quando vai ser o casamento?
— Calma ai mocinha, uma pergunta por vez. O fato é que eu e a Jane estamos analisando o processo de adoção e...
— Uol! Calma ai Maura! Adoção? Eu dormi por quanto tempo que vocês vão casar e já formar uma família? As coisas estão rápidas por aqui.
— Cailin eu já amei aquela garotinha assim que a vi.
— Ela é uma cópia da Maura, sério fala coisas que eu nem sei do que se trata.
— E quando irei conhecer a minha sobrinha?
— Calma Cailin, precisamos cuidar da adoção, ainda nem dissemos a ela que pretendemos adotá-la, eu nem sei se é uma boa ideia dizer isso agora, melhor dizer quando tivermos pelos menos sessenta por cento de certeza.
— Bom, como vocês ficarão bastante ocupadas com essa parte burocrática eu posso organizar o casamento.
— Jane o que você acha? _ Maura me perguntou.
— Por mim tudo bem, mas sem muitos exageros Cailin, por favor.
— Não se preocupem, sempre serão consultadas em decisões importantes. O que quero que cada uma faça o mais rápido possível é uma lista de convidados.
Passamos o dia todo conversando as três sobre o casamento e a Cailin estava bastante empolgada, por vezes eu tinha que diminuir os planos dela, pois se não teríamos uma festa muito grande, o que nem eu e nem a Maura queremos.
Cailin foi para casa prometendo voltar mais vezes para combinarmos mais detalhes, a noite chegou e eu e a Maura decidimos beber um vinho na varanda. Sentamos em uma poltrona que cabe as duas bem juntinhas, ela tinha a cabeça encostada no meu peito e meu braço estava sobre o ombro dela.
— Jane, o que você está achando de tudo isso? De verdade?
— Eu amo a ideia de casar com você Maura.
— E sobre adotar a Elleonor? Sinto que você está fazendo isso por minha causa.
Me mexi na poltrona desconfortável.
— Maura eu tenho que admitir que eu tenho receio, faz muito tempo que eu não penso em ser mãe, acredito que desde aquele dia antes de você ir embora quando planejamos nossa vida juntas. Eu me tornei uma bagunça e eu tenho medo de não ser o que aquela garotinha quer, quer dizer ela adora você e vocês se deram muito bem, mas eu não sei se ela vai me querer como mãe. E se ela me odiar?
Maura segurou meu queixo com uma mão e virou meu rosto para ela.
— Como alguém poderia odiar você Jane? _ ela colou nossas testas e me olhou nos olhos de um jeito que pareceu que ela poderia enxergar a minha alma e cada receio meu, receios que eu matinha escondidos bem fundo_ Eu tenho certeza que a Ellen vai adorar te conhecer_ Desviei o olhar_ Olha pra mim_ Ela disse com um misto de ordem e pedido_ Você não estará só, nós duas vamos aprender a cuidar dela, nós duas juntas, nós estamos juntas agora, não tem mais Constance ou Jack para nos separar. Eu nunca mais vou te deixar Jane, você nunca mais estará só.
Deixei todos meus medos transbordarem e me permiti chorar com as palavras da Maura, então ela me beijou, senti o sal das minhas lágrimas no beijo, não era um beijo erótico, era um beijo de entrega, e então eu soube, mais que nunca, que ela estaria ali pra mim.
“Mas você nunca ficará sozinha
Eu estarei com você do crepúsculo ao amanhecer
Eu estarei com você do crepúsculo ao amanhecer
Amor, eu estou bem aqui
Eu vou te apoiar quando as coisas derem errado
Eu estarei com você do crepúsculo ao amanhecer
Eu estarei com você do crepúsculo ao amanhecer
Amor, eu estou bem aqui” -Dusk Till Dawn — ZAYN ft. Sia
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