The Story
26 Capítulo 26
Notas iniciais
(Jane)
Depois do momento constrangedor na porta, Ma saiu sem falar nada e foi servir o jantar, não deu muito tempo de conversar com os rapazes e sondar a situação, quando dei por mim estávamos todos sentados à mesa. Estávamos todos calados, Tommy e Frankie trocavam olhares comigo, como se dissessem “fala algo cara” e depois de pensar muito no que dizer eu estava pronta para falar, mas Lydia se adiantou.
— O silêncio aqui tá tão denso que dá pra cortar com a minha faca.
Ma olhou para ela de um jeito que fez Lydia se encolher.
— A França não foi o bastante para você? O que faz novamente em Boston?
— Ma... _Intervi, mas Maura tocou minha mão como quem diz “Tudo bem Jane”.
— Eu voltei aos Estados Unidos faz uns anos Angela.
— E porque não procurou a Jane? Você sabe o que essa menina passou?
— Ma... _Frankie tentou intervir.
— Não, eu vou falar, porque vocês estão todos felizes como se ignorassem que a sua irmã tentou..._Ma deixou uma lágrima escapar_ você sabe que ela tentou se matar?
Maura fechou os olhos sentindo novamente a dor de saber que eu quase morri.
— Angela eu te entendo, eu sei que você viu a Jane sofrer todos esses anos, eu sei sobre o coma alcoólico, mas acredite na minha cabeça eu estava fazendo o certo, a minha mãe...A Constance ameaçou a Jane, ela deu uma pulseira a Jane, uma pulseira cara e ameaçou ir na delegacia dizer que a pulseira foi roubada, eu era uma adolescente na época o que eu poderia fazer?
Maura alcançou a mão da minha mãe e segurou firme, ambas estavam emocionadas, ambas me amam e nenhuma gostaria de me ver sofrer.
— Perdão, perdão por fazer a sua filha achar que eu havia abandonado ela todos esses anos, e perdão por não ter me mantido longe, mas eu não posso, não posso perder essa chance, eu amo muito a sua filha e...eu entendo se você nunca conseguir gostar de mim novamente ou se eu tiver que me
redimir pra o resto da vida, só quero que saiba que eu amo muito a Jane e nem mil Constances me fariam deixa-la novamente.
Toquei o ombro da Maura emocionada pelas suas palavras, Ma não disse nada, apenas nos olhava.
—Eu tô desidratada, nunca chorei tanto, chorei mais que na morte do O’Malley em Grey’s Anatomy_ Lydia disse roubando a atenção de todos e fungando.
— Eu espero que você realmente faça a Jane feliz dessa vez Maura e o posto da pior nora já está ocupado então esse você não ganha.
Todos nós rimos, menos a Lydia.
— Devia era me agradecer pela coragem de casar com o Tommy.
—Com essa eu concordo_ Falei dando de ombros para a cara feia que o Tommy fez.
Disse rindo, e o resto do jantar foi tranquilo, trocamos brincadeiras e não mais tocamos em coisas passadas, Lydia e Tommy voltaram cedo para casa pois o TJ havia dormido, Frankie também. Ma estava lavando os pratos, me aproximei e comecei a secar.
— Por mais que me custe admitir esse sorriso bobo no seu rosto, esse sorriso que eu tanto senti falta só aparece com a Maura por perto.
—Eu a amo Ma.
—Eu sei querida, eu só quero que saiba que se Maura Isles magoar minha menina novamente ela terá que se mudar para um lugar bem mais longe do que a França.
Abracei a minha mãe e ficamos assim até ouvirmos a voz da Maura na porta.
—Jane, desculpe interromper, você vai pra casa comigo?
—Sim, me dá dez minutos.
Já estávamos no carro da Maura, eu decidi dormir lá essa noite, estava pensando em morar junto com ela, mas precisava de um tempo para vender meu apartamento, seria o melhor, eu já dormia lá quase todas as noites, seria mais cômodo e eu vou adorar dormir e acordar com a Maura todos os dias. Estava perdida em pensamentos quando do nada a loira me faz uma pergunta.
—Acha que é caro um iglu?
—O que?
— Eu ouvi a conversa com a sua mãe, acho que poderia me mudar para um iglu.
— Não se preocupe ela só vai te caçar se você me magoar de novo e acredito que você não fará mais isso.
—Nunca mais meu amor_ ela entrelaçou nossos dedos e beijou a minha mão.
***
(Maura)
O jantar na casa da mãe da Jane foi bem melhor do que eu esperava, apesar da ameaça da Angela que pela cara dela parece ser verdade, acredito que correu tudo bem. A Jane dormiu novamente na minha casa e eu adoro acordar pela manhã e ver ela toda espalhada na cama, adoro mexer no seu rosto e no seu cabelo revolto pela manhã, adoro o cheiro dela nos meus lençóis, eu não entendo porque ela não fica de vez, mas prometi pra mim mesma não pressionar a minha Jane, “minha”, pode até parecer possessivo da minha parte dizer isso, mas eu estou repetindo várias vezes para mim mesma pois durante anos na França foi isso que eu quis, ter a Jane novamente para mim e eu não acredito em sorte, como uma mulher da ciência eu acredito mais em probabilidade, mas nesse momento eu me sentia a mulher mais sortuda desse mundo por poder ter essa segunda... digamos terceira chance com a Jane.
— Eu nunca vi alguém tão feliz ao retirar um intestino de um cadáver Dra. Isles_ Susie disse dando uma risadinha logo em seguida_ me perdoe a intromissão, mas é por alguém especial?
— Sim Susie, alguém muito especial, é uma história de anos e agora estamos juntas novamente. Eu posso te contar, mas você terá que manter segredo porque ela trabalha do departamento, é a...
—Jane!_ Antes que eu pudesse terminar Susie sem saber completou a frase.
A Jane entrou aflita no necrotério. Ela estava afastando as macas, caixas com evidências, parecia procurar algo.
Terminei com o intestino do corpo na maca e virei com as luvas sujas de sangue.
—Ok Rizzoli você está fazendo uma bagunça na sala, o que você está procurando?
— Eu perdi uma Maura! Vão me demitir, me matar e depois pedir pra você fazer a autopsia.
— Você perdeu uma o que?
—Uma das crianças_ ela disse entrando em desespero.
Tirei as luvas, lavei bem as mãos e segurei o rosto dela para que a Jane se acalmasse e pudesse me explicar melhor.
— Jane, me conta tudo do começo.
— Eu estava com essas crianças, eles vieram de um orfanato...ai meu Deus, eu perdi logo as órfãs, vão me cortar toda e colocar em malas e espalhar por Boston.
—Jane, Jane calma!
—Quando você percebeu que essa criança sumiu?
— A gente estava aqui por perto, quando saímos da sala de objetos apreendidos eu contei e tinha dez, ai quando chegamos ao café só tinha nove, eu deixei eles com a Ma e vim procurar a outra, mas eu não posso perguntar a ninguém se viu a menina porque vão saber que eu perdi ela Maura, eu tô ferrada!
— Calma, eu e a Susie vamos te ajudar a procurar a garotinha_ Susie, foi nesse momento que eu lembrei da minha assistente, ela deveria estar chocada olhando a forma como eu fazia carinho no rosto de uma Jane aflita, quando virei para encara-la tenho certeza que corei.
—Não precisa me explicar nada agora Maura, vamos procurar essa criança, depois você me conta sobre você e a Jane, nem posso acreditar nisso Rizzoli sossegando o facho.
—Hahaha_ Jane disse implicando com a Susie.
Acabou que não precisamos procurar muito, a garotinha dormia no sofá da sala de reuniões, ela segurava um livro de Biologia que alguém deve ter dado a ela e que me parecia bastante avançado para aquela criança, devo admitir que passei um tempo olhando para aquela menina loirinha e sua expressão relaxada dormindo coberta com um dos meus casacos.
—Jane, acho que encontrei a menina_ falei baixo para não a acordar.
Jane e Susie entraram na sala e imediatamente sorriram ao ver a menina dormindo.
—Eu tenho que leva-la de volta.
Jane estava prestes a pegar a menina no colo quando eu interrompi.
— Jane, eu a levo, levo ela quando a menina acordar, você pode pegar o endereço com alguém?
—Tem certeza Maura?
—Tenho, o dia está calmo, estamos quase concluindo aquela autopsia, eu posso leva-la.
—Então tudo bem, eu vou lá salvar a minha mãe dos nove monstrinhos que sobraram.
Quando a morena saiu eu e Susie retomamos a autopsia.
— Dá pra ver que vocês se gostam muito. Ei, Jane sempre falava por alto de alguém que ela teve no passado, parecia ser muito doloroso porque ela nunca explicou direito, por acaso...
—Sim Susie.
— Que bom que vocês se acertaram Dra Isles, eu gosto muito da Jane e é bom vê-la feliz, também estou gostando de trabalhar com a Dra.
— Obrigada Susie e... pode me chamar de Maura, nós duas já abrimos um intestino juntas, nada mais íntimo do que isso_ ambas demos uma risadinha.
***
Terminei o trabalho e deixei Susie responsável por atualizar o próximo legista do turno, fui até a sala de reuniões e encontrei uma garotinha acordada e parecendo bastante assustada.
— Eu já estou indo moça, não precisa chamar ninguém tá.
—Ei, espera, o tour já acabou, todos já foram para o orfanato.
—Ah não! A madre vai brigar comigo.
—Se você quiser eu posso falar com ela, citarei bons argumentos para você ter si perdido dos outros.
— Obigada_ ela disse e abraçou as minhas pernas, eu não sabia o que fazer com aquela criança demonstrando afeto por tão pouco.
_ Eu vou só pegar a minha bolsa e o meu casaco e então podemos ir.
Fomos andando até a recepção, entramos no elevador, foi quando ouvi um grito, alguém pedindo para segurar o elevador, era a Jane.
—Ei_ela falou recuperando o ar_ eu irei com vocês, terminei meu turno, além disso esse pedaço de gente é minha responsabilidade.
—Eu me chamo Eleonor.
— Eleonor é minha responsabilidade. Ei esse não é um nome muito forte pra uma criança? Jane perguntou.
—Eu sou forte tá.
—Ela é abusada.
—Jane! _repreendi a morena.
Entramos no carro e seguimos até o orfanato. No caminho eu e a Eleonor conversamos sobre o livro que ela estava segurando enquanto dormia e que não soltava.
—Você gosta de ciência?
Olhei para a pequena através do retrovisor.
—Sim! Eu adoro, adoro saber sobre as plantas, os animais, o corpo humano.
— Espera, quantos anos você tem?_Jane perguntou.
—Cinco e meio.
—Você só tem cinco anos e se interessa por tudo isso? Eu acho que eu ainda comia terra nessa idade_ A morena confessou e eu não contive o riso.
—Não pode comer terra tá, tem bactérias e não são das boas, bactérias que podem te deixar doente.
— Maura, essa menina é uma mini você e eu não sei lidar com isso.
Jane cruzou os braços e ficou com um bico.
—Somos mulheres da ciência não é Eleonor.
—Somos! Ah, como a detetive zangada disse Eleonor é muito grande, pode me chamar de Ellen.
—Muito bem Ellen, eu sou a Maura e a detetive fingindo essa cara de mal é a Jane, não se engane que ela é um amor_ Vi a Jane sorrir através do retrovisor_ Bom chegamos.
—Ah..._Ela pareceu chateada.
Entramos no orfanato e uma freira nos esperava.
—Obrigada por trazerem a Ellen, era esperado que ela aprontasse uma, essa menina é muito curiosa e levada.
A freira pegou a mão da menina.
—Er...Como podemos fazer pra doar algo para as crianças? Não sei, brinquedos talvez ...
—Oh, isso seria maravilhoso! Temos uma carência por brinquedos aqui no orfanato.
—Eu prefiro livros_ Ellen falou deixando a freira envergonhada.
—Então eu prometo que quando vier te ver trarei livros para você e os seus amigos.
—Oba!_Ela se soltou da freira para me dar outro abraço, dessa vez eu me abaixei_ Você vem mesmo me ver?
—Claro que sim.
— E você também? _ Ela perguntou a Jane.
—Você quer?
—Sim, a Maura disse que você é legal, então deve ser.
Nos despedimos da Ellen e já estávamos indo para o carro quando ouvimos ela gritar.
—Ei você dos cachos! Não coma mais terra ok, lembre do que conversamos.
Eu não contive a gargalhada e Jane foi para o carro resmungando.
— Vai mesmo vir vê-la ?
—Sim Jane, eu não sei...essa menina parece tão inteligente, ela só precisa de mais incentivo.
— Ela é uma fofura, apesar de implicar comigo e ser mandona.
Fui até a Jane e lhe enchi de beijos no rosto até beijar a sua boca.
—Jane você não pode se chatear com uma criança, agora coloca o cinto!
—Meu Deus ela é mesmo uma mini você parece até sua filha!
— Seria bom ter filhos um dia não é..._Falei receosa pela resposta da Jane.
—Maur, com você eu quero tudo_ acariciei a mão dela_ mas antes precisamos primeiro abrir um espaço para mim no seu guarda roupa, sério tem uns trezentos pares de sapatos...
—Jane, você vem morar comigo?
— Sim, eu estava pensando em vender meu apartamento antes, mas eu não quero ficar longe de você mais nem um dia sequer Maura Isles_ olhei a morena do meu lado e seus olhos brilhavam, eu não sabia como poderia amar tanto alguém assim.
—Eu amo você Jane Rizzoli_ trocamos mais outro beijo demorado, até que uma freira bateu na janela do carro, então rimos sem graça e saímos de lá.
“E eu estou perdida novamente em um mar de amantes sem navios e amantes sem sinais, você é o único caminho para sair desse mar de amantes perdendo tempo e amantes perdendo a esperança você vai me deixar te seguir para onde quer que você vá? Me leve para casa.”
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