Notas iniciais
Demorei né? Falta de tempo mesmo gente, estou a semanas escrevendo esse capítulo e devo dizer que ele só saiu mais rápido... rápido como assim?,kkk, é rápido por causa de incentivos, a gente pode até estar sem tempo, mas quando alguém comenta a fic com um lindo comentário e muitas pessoas favoritam isso faz a gente querer postar logo um capítulo. Tenho que agradecer em especial a xandoca, que começou a acompanhar a fic e já se fez bem presente e a Addamsdevil, fiz print do seu comentário de tão lindo ♥ , também a todos que favoritam e sempre comentam a fic. Desculpe qualquer erro, o capítulo tá bem grande e é fácil erros passarem despercebidos. *** Amor o pijama de gatinhos da Maura é uma referência, quem tem um assim hein?hehe

( Jane)
Passei o dia comprando presentes para a minha família, eu não precisava mais ir ao departamento, fechei o caso e retornaria para Boston depois do natal, estava no shopping com várias sacolas na mão quando meu celular começou a tocar, consegui atender, coloquei o celular entre a orelha e o ombro e continuei andando com a cabeça inclinada.
— “Oi”
— “ Bom dia Jane” _ Era a Maura e eu sorri apenas ouvindo a sua voz.
— “ Bom dia doutora Isles”.
— Estamos formais hoje detetive?_ Ela disse no mesmo tom que eu, depois mudou para algo mais íntimo_ Onde você está? Não te vi no departamento hoje”.
— “ Ah, e que...Eu estou fazendo compras...”_ Antes que eu terminasse de falar Maura interrompeu.
— “ Jane Rizzoli fazendo compras!? New York está mesmo te mudando”.
“_ Haha_ Disse irônica_ Estou comprando presentes para os Rizzoli, Lydia me pediu muitas coisas, estou com as mãos cheias de sacolas”.
— “ Jane, eu liguei porque queria saber se você quer me fazer companhia hoje a noite”.
— “ Claro Maura_ Falei sorrindo_ Algo especial?”
— “ Fiquei sabendo que uma certa detetive só tem mais uns dias aqui, então quero aproveitar um tempo com ela, ver um filme, comer algo...”
— “ Eu posso escolher a pizza?”

— “ E quem disse que será pizza? Jane nós vamos comer algo saudável”.
— “ Comida saudável não combina com uma noite de sexo e filmes, pizza e vinho sim”.
Maura riu e disse em tom de provocação_ “ Sobre o sexo, concluiu errado de novo Jane, preciso ir agora, tem um cadáver com um salto alto em um lugar que ninguém gostaria que estivesse, nos vemos a noite ”.
— “ Tomara que a noite não demore a chegar, boa sorte ai com esse salto alto”_ Ambas rimos e a Maura desligou alguns segundos depois.
Dei um jeito de guardar o celular e fiquei pensativa, na verdade estava com cara de boba e um sorrisinho safado no rosto.
***
( Cailin)
Acordei com a Nina me dando beijinhos, ela fez um carinho gostoso com o nariz no meu pescoço e me trouxe mais pra si, eu apertei os olhos me permitindo sentir a deliciosa sensação de ser amada, virei-me para ela e nos beijamos, algo mais calmo no início e depois mais intenso, ela colocou a mão por baixo da minha blusa para fazer caricias na minha barriga e eu tentei fazer sua mão descer para onde eu precisava que ela me tocasse, mas a Nina me parou.

— Ei, agora não, vai acontecer não precisa ter pressa_ Soltei o ar frustrada e Nina passou a mão pelo meu rosto me beijando logo em seguida_ Quero que tenha certeza que é isso que quer.
— Mas eu tenho, eu quero muito Nina!
— Então me deixa preparar algo romântico, me deixa fazer esse momento ser especial pra você.
Ela me beijou novamente e eu concordei, sempre pensei na primeira transa como algo que só serviria para se livrar da virgindade, então tudo bem que fosse horrível, eu nunca mais veria o cara e ponto final, mas com a Nina é diferente e ela quer fazer o momento ser bom, então terei um pouco mais de calma.
— Eu vou esperar, é que às vezes...ai, ás vezes!
Nina ri_ Eu sei como é ser jovem, os hormônios são quase que incontroláveis_ Nina me deu um beijo erótico gostoso que fez nossas respirações ficarem alteradas_ Ainda tenho muito disso_ Ela deu um sorriso de lado safado e levou a mão até o meu braço fazendo caricias_ Temos que levantar agora.
— Mas já!?_ Choraminguei.
Nina levantou primeiro_ Sim, vamos, precisamos comer, tenho muita coisa pra resolver da mudança.
— Tudo bem, vai você, quero ficar mais tempo namorando a sua cama_ Beijei a cama, provocando Nina.
— Anda levanta daí antes que eu tenha que ver você transando com um travesseiro.
— Acha que ele faz gostoso?_ Disse provocando e só parei de rir quando Nina jogou minha calça na minha cara_ Tá eu levanto, me rendo_ Ambas rimos.
***

Estávamos tomando café, eu estava distante e a Nina percebeu, ela tocou meu queixo e virou meu rosto para olhar o seu.
— Em que está pensando? Está tão distraída_ Trocamos um selinho.
— Que eu vou sentir muito a sua falta e tenho medo que me esqueça_ Uma pequena lágrima escorreu pelo meu rosto, Nina limpou ela com o dedo.
— Não diz isso, não pensa assim, eu irei sempre te ver e você poderá ficar comigo uns dias em Boston, Cailin eu te amo_ No maior clichê possível, que me fez revirar os olhos e sorrir ao mesmo tempo Nina levou minha mão até o seu peito_ Tá sentindo? Ele bate mais rápido quando penso em você, ou quando estou contigo.
— Nina, repete...
— Ele bate mais rá ...
— Não, a parte do “eu te amo”_ Ela riu toda boba.
— Eu te amo Cailin!
Me aproximei da Nina, passei a mão por dentro do seu cabelo, encaixei ela na sua nuca e a puxei para um beijo tão intenso, que ficamos ofegantes quando ele terminou.
— Eu te amo Nina.

( Maura)
Estava arrumando a casa, tornando tudo mais despojado ao estilo da Jane, esse ano até coloquei enfeites, já que o natal será daqui a três dias e depois disso Jane volta para Boston, além do jantar, eu não tenho essa tradição de por um pinheiro em casa e espalhar luzes, Cailin nunca se importou e eu perdi a empolgação com essas tradições em família depois que a minha desmoronou, mas quero deixar tudo aconchegante para ela.
Espalhei almofadas pela sala, comprei alguns filmes de terror e claro escolhi também umas comédias românticas, comprei a cerveja que ela gosta, apesar de que tentarei convencer ela a tomar vinho e sim, pedi pizza.
Tomei um banho relaxante sentindo a água quente cair sobre o meu corpo, passei um hidratante com um cheiro gostoso pelo corpo e vesti uma lingerie vinho rendada, já o pijama foi um feio e confortável que eu tive que comprar, quase desisto de vestir algo assim, mas lembrei de algo que a Jane me disse anos atrás “ Maura você sempre está impecável, o dia que você se vestir mal tem que ter um bom motivo”, o bom motivo era ter uma noite linda com ela, fiz um coque e deixei alguns fios soltos, sentei no sofá e esperei ela chegar, atrasada como sempre.

Quando ouvi o som de uma chave mexendo na fechadura coloquei um dos filmes que escolhi para ela, A órfã, só pelo título já dá para saber que terá muito sangue falso, sustos repentinos e trilha sonora alta, saber todos esses truques deveria me deixar confortável para assistir, mas na verdade não deixa.
Jane ainda estava de costas fechando a porta e quando vira vê a casa toda enfeitada com luzinhas de natal, ela olha pra tudo maravilhada como uma criança.
— Maura você fez tudo isso?
Levantei e fui até ela que me beijou e passou os braços envolta da minha cintura me erguendo um pouco do chão. Depois que ela me pôs no chão me afastei um pouco para olhar a Jane, parece que trocamos os papeis, porque ela que estava impecável, com um terninho feminino que lhe caiu tão bem,calça jeans, salto alto, cabelo solto em cachos comportados e uma maquiagem leve, segurei nas duas pontas do terninho e a puxei para outro beijo, Jane deu mais alguns no meu pescoço e sussurrou no meu ouvido.
— Você está linda com esse pijama de gatinhos Maura.
— Jane Rizzoli não ria de mim!_ Repreendi mais brincando do que falando sério.
Dei as costas para ela, que me abraçou por trás, um abraço forte e acolhedor, em seguida beijou meu rosto.
— Estou falando sério, o que te fez se vestir assim? Eu sempre quis que você relaxasse só um pouquinho como nós meros mortais_ Disse irônica.
— Não sei...Dentro de alguns dias você voltará para Boston, acho que saber disso me fez querer fazer algo diferente_ Jane me deu vários beijinhos os quais eu respondi sorrindo_ Vamos comer, depois podemos fazer outras coisas_ Disse com um tom de voz malicioso, me soltei da Jane e andei até a cozinha de forma sensual, quase podia vez ela babando bem atrás de mim.

— Espere por mim!_ Ri disfarçadamente com a empolgação da minha Jane.
Tenho certeza que ela esperava “alguma comida chic”_ Como ela mesmo diz_ Feita por mim, em pratos e talheres finos, velas na mesa. Jane olhou a mesa vazia e ficou encarando com uma expressão de dúvida, quando eu a encarei ela mudou a expressão.
— A sua cerveja está na geladeira, e eu acho que a pizza não vai demorar muito a chegar, gostaria de te convencer a comer com um prato e talheres, mas já que eu não vou conseguir pode usar ao menos um guardanapo?
Jane me olhou estranho, ela ainda estava parada ao lado da porta confusa.
— Rizzoli não vai se mexer ou andar ou falar?_ Ri dela, me aproximei de repente e lhe dei um beijo casto.
— É que eu estou me preparando para você se ajoelhar e me pedir em casamento, sério Maura tá muito estranho...A roupa, a cerveja, a pizza, estou esperando a parte assustadora disso tudo.
Dei um soco no seu braço em um lugar que eu sabia que iria doer bastante.
— Ai!_ Ela disse com uma expressão de dor e começou a massagear o braço.
— Como assim casar comigo seria assustador?
— Eu disse assustador? Quis dizer q seria surpreendente foi isso..._ Jane sorriu para mim, ela sabe que sou louca pelo jeito como ela sorri, diferente do sorriso das outras pessoas o dela me conquista, me amolece.
— Só queria fazer algo que você gosta, sabe o quão é difícil pra mim não estar usando um dos meus vestidos de alta costura ou comer algo decente?_ Fiz um beicinho, cruzei os braços e virei de costas, um tempo depois senti os braços fortes da morena me envolverem e sua voz rouca bem perto do meu ouvido.
— Me desculpe Maura você tem razão, você preparou tudo isso para nós e eu estou estragando a noite com idiotices...
— Sabemos que você é assim mesmo_ Interrompi a sua fala e ri, só parei quando senti suas mãos apertando a minha cintura de um jeito sexy, fiquei quietinha e a deixei terminar.
— Ninguém nunca me tocou assim tão fundo, não estive só todos esses anos, na verdade fiquei com muitas mulheres, mas nunca foi como é com você, nunca foi algo que me completasse, eu me senti tão vazia todo esse tempo...Custo a acreditar que estou vivendo isso, aqui com você.
Virei-me de frente para ela e coloquei meus dedos pelo seu cabelo chegando até a nuca fiz um carinho por lá arranhando de leve com as unhas, beijei o canto da sua boca, passei meus lábios de leve pelos seus e a beijei, senti as mãos de Jane apertarem novamente a minha cintura enquanto aprofundávamos o beijo, a sua língua brigando com a minha por dominância, era um beijo que eu não queria jamais terminar, infelizmente seres vivos precisam respirar e quando o beijo terminou nossas respirações estavam descompassadas. Jane fez uma cara safadinha, mas eu não soube o que ela pretendia fazer porque tocaram a campainha.
— Ah não! Quem poderia ser?
— A nossa pizza talvez?_ Ri da cara de desgosto dela, me soltei dos seus braços e fui abrir a porta.

***

A órfã realmente não foi uma boa escolha para mim, a cada cena mais forte eu gritava e me agarrava a Jane, aquela garotinha do filme é insana, mas para a morena o filme foi muito bom, toda vez que eu me encolhia com medo ela pelo contrário gritava um “ Nossa!” ou “ Não acredito nisso!” .
Quando finalmente acabou esse filme eu levantei do sofá ainda assustada e coloquei um filme da minha preferência, Jane assistiu calada e não fez nenhuma piada sobre, eu deitei minha cabeça no seu colo e senti sua mão mexendo no meu cabelo, ela também me beijava vez ou outra, logo que o filme acabou eu enxuguei as lágrimas que insistiam em descer molhando meu rosto e sorri feito boba, já a Jane balançava a cabeça em negativa.
— Não gostou do filme?
— Não mesmo.
— Mas porque? Foi tão bonitinho e eles ficaram juntos no final.
— Por isso mesmo, nunca mostram a relação em si, apenas começos_ Passei a olhar fixamente para Jane, interessada no que ela estava falando_ Não se trata de começos, se houveram ou não momentos românticos no início, se trata dos meios. De fazer coisas incríveis todos os dias, mesmo que sejam simples, tentar ser o melhor para a sua pessoa, porque sem isso os começos se tornam só boas memórias e ninguém vive só de memórias. Por isso eu quero que todos os dias com você sejam incríveis Maura Isles.
Passei meus dedos sobre os seus lábios contornando eles para depois beijar a Jane de forma desesperada, era um beijo intenso, erótico, quando ele acabou eu levantei e estendi a mão para ela, Jane segurou a minha mão e eu a conduzi para o meu quarto, entramos nos beijando e eu mal tive tempo de fechar a porta, fui agarrada pela morena que me beijava e chupava o meu pescoço, ela mordeu a minha orelha de leve e passou a língua pelo lóbulo me deixando excitada por se tratar de uma área sensível, depois me beijou novamente, percebi que ela também estava bastante excitada quando senti o volume do seu pênis pressionando o meu sexo.
Abri os botões da blusa do pijama que estava usando um por um enquanto a Jane me observava, quando abri tudo senti seu olhar sobre os meus seios, já que eu não estava usando sutiã, me livrei da blusa e logo que o fiz senti as mãos dela massageando os meus seios, os seus dedos fazendo caricias envolta do meus mamilos que logo ficaram durinhos e não demorou para que o seio esquerdo fosse chupado por ela, Jane colocou o mamilo na boca, mordeu de leve causando um incômodo gostoso e depois passou a língua, beijou todo o meu seio e me levou a loucura, depois fez o mesmo no outro. Jane tirou o terninho e a blusa, e eu fiz questão de ajudá-la a se livrar do sutiã preto de renda que a morena estava usando, tirei minha calça do pijama e observei Jane retirar a dela, fiquei alguns segundos encarando o volume na sua calcinha Box, passei a mão pela região e me deliciei ao ouvir um gemido gostoso que ela deixou escapar, cheguei bem perto do seu ouvido e falei com a voz sensual.
— O que acha de irmos para a cama agora?
Jane me conduziu andando de costas, sentou na ponta da cama e eu sentei em seu colo com as minhas pernas envolta da sua cintura, continuamos nos beijando e eu estava muito molhada, fiz um gesto de que levantaria para tirar a calcinha, mas não foi preciso porque num gesto bruto e que me deixou louca ela rasgou a minha calcinha com a mão, passei a mão pela sua nuca e a beijei de forma intensa, mordi seu lábio ao final do beijo.
— Isso é por ter rasgado a minha calcinha_ Disse como se estivesse chateada.
— Está melhor assim não acha? Dessa forma eu posso saber se você está pronta para mim_ Nesse momento senti seus dedos explorando meu sexo, mas o toque não durou muito, Jane logo retirou os dedos_ Sim, está encharcada.

Comecei a esfregar meu sexo na sua barriga e a morena gemia, eu sentia que seu pênis ficava cada vez mais duro, pretendia torturá-la até que ela me desse o que eu queria e não demorou muito para a Jane se livrar da sua calcinha, ela me ajudou a me erguer e eu sentei lentamente por toda a extensão do seu pênis, comecei a descer e subir, com as mãos apoiadas no seu ombro, ela deitou na cama e eu fiquei por cima, Jane acariciava as minhas coxas, depois colocou suas mãos na minha bunda enquanto nós duas nos entregávamos ao prazer gemendo alto, em um movimento inesperado ela ficou sobre mim, coloquei minhas pernas envolta do seu corpo e senti suas estocadas fundas e firmes, eu estava perto e ela também, na verdade ela estava se segurando para não gozar antes de mim e não demorou muito para que eu fosse atingida por uma onda de espasmos e sentisse o liquido da Jane me preenchendo, ela caiu sobre mim e ficamos assim por um tempo, então Jane me beijou.
— Eu te amo Maura Isles e não estou dizendo isso pelo que acabou de acontecer, que aliás foi muito bom, ainda estou sem fôlego_ Nós duas rimos_ E sim porque é verdade, eu te amo e quero construir uma vida com você.
Jane me olhava de cima, a carinha fofa dela me dizia que ela estava esperando uma resposta, qualquer sinal da minha parte de reciprocidade, algo que a fizesse saber que eu queria o mesmo.
— Jane eu te amo_ A morena se mexeu inquieta e o seu pênis que ainda estava dentro de mim me fez gemer e morder os lábios_ Ai...Se você ficar se mexendo eu vou querer sexo de novo e antes de terminar o que tenho pra dizer_ Ela me encarou quieta_ Eu também quero uma vida com você, retomar todos os nossos planos que ficaram perdidos na adolescência meu amor_ Ela me beijou, um beijo intenso e demorado.
— Agora doutora Isles, eu vou te dar um orgasmo maravilhoso, como você não tem há anos.
— Jane...não prometa coisas que não pode cumprir_ Provoquei rindo, logo em seguida arranhei ela quando senti uma estocada forte_ Assim Jane, vai assim tá gostoso...
Fizemos sexo mais algumas vezes até nos entregarmos ao sono, senti seus braços me envolverem e dormi feliz.
***
( Jane)
Acordei com o barulho insistente de um celular, tentei ignorar até ele parar de tocar, mas a pessoa era insistente, tateei com a mão até encontrar o celular em cima de um móvel do lado da cama, ainda com os olhos abrindo e fechando vi a foto do Jack, logo em seguida Maura acordou.
— Quem é?
Tentei evitar não ser ríspida, mas não saiu como o planejado.
— É o seu namorado, acho que é melhor eu ficar quieta para que ele não escute a minha voz e saiba que você está com uma amante.
Puxei o lençol da cama e cobri o meu corpo, levantei e fui em direção ao banheiro, dei alguns poucos passos quando senti a mão da Maura segurar meu braço, virei e encarei ela, seu olhar era um pedido de desculpas ou talvez pedisse “ fica”, mas eu não poderia ouvi-la falar com ele, talvez até chamá-lo de amor, mesmo que ela estivesse fingindo eu não poderia suportar, sussurrei um “está tudo bem”, os dedos da Maura foram soltando aos poucos e eu pude seguir meu caminho, entrei no banheiro e me controlei para fechar a porta sem fazer barulho, apoiei as duas mãos na pia e me olhei no espelho, juro que nesse momento tudo que eu queria era quebrar ele todo com socos, mas mantive a calma, coloquei o lençol pendurado em um gancho e abri o chuveiro deixando a água fria cair sobre a minha pele.
Quando terminei o meu banho, que foi um pouco demorado, a Maura não estava mais no quarto, sai enxugando meus cabelos com uma toalha, procurei algo no guarda roupa dela que fizesse meu estilo, demorou mais encontrei algo que serviu, procurei a Maura pela casa e encontrei ela na cozinha preparando o nosso café da manhã, entrei sem fazer barulho e observei ela preparar o café, não conseguia parar de me perguntar como um momento tão bom entre nós foi estragado tão facilmente, o problema sou eu? Ela não teve culpa não é? Ou teve, ela já deveria ter terminado...
Por não ter percebido a minha presença ela acabou se assustando quando virou de frente.
— Jane! Nossa você me assustou_ Ela riu nervosa_ Vem, senta e come algo.
Eu não conseguia entender como ela estava agindo de forma tão normal, sentei na mesa, mas fiquei em silêncio e também não me servi. Ficamos algum tempo assim nos olhando, eu tentando ler seus pensamentos e ela vendo tudo através do meu rosto, ela era ótima em ler expressões faciais, mesmo que não soubesse identificar ironia ou gírias, ela podia ver até a sua alma só de analisar a postura do corpo e isso algumas vezes me incomoda.
— Jane..._ Maura parou um pouco e deu um longo suspiro_ Eu sinto muito, eu tive que falar com ele, querendo ou não o Jack ainda é o meu namorado.
— Tem razão, porque eu devo ficar brava se eu sou só um caso?
— Não Jane, não diga isso_ Maura levantou da sua cadeira e veio até mim, ajoelhou do meu lado e pegou minhas mãos junto das suas_ Você não é só um caso, é a mulher da minha vida... Eu também não gosto dessa situação, mas não posso ligar para ele e terminar tudo, tenho que fazer as coisas do jeito certo, o Jack é uma boa pessoa, ele merece um termino onde eu o olhe nos olhos.
Virei o rosto e passei um tempo encarando o papel de parede da cozinha, enquanto sentia a Maura fazer carinho na minha mão, depois olhei-a nos olhos.
— Você tem razão, mas não significa que seja fácil pra mim, não quero te dividir com ninguém, quero que seja minha assim como eu sou sua e sempre fui Maura Isles.
— Eu sou sua Jane.
Me demorei a apreciar a mulher a minha frente, a cor da sua pele recebendo o sol da janela aberta, seu olhos verdes ansiosos esperando que eu dissesse algo, e eu queria dizer de uma só vez tudo que sinto por ela, mas existem momentos que as palavras não bastam então coloquei minhas mãos no seu rosto e a beijei, um beijo intenso, cheio de querer, daqueles que podiam durar horas se as duas não precisassem respirar , quando ele acabou, eu colei minha testa na dela e ela me deu o sorriso mias lindo de todos.
***
Três dias se passaram e já era natal, minha mãe não ficou muito contente quando eu disse que não estaria em casa, ela me pediu uma foto com o suéter da família e que eu mostrasse a foto da minha ceia, para saber se eu estava comendo bem, coisas de mãe.
Eu, a Cailin e a Maura decidimos arrumar tudo no dia anterior, a Maura preparou o peru para assar no dia seguinte e nós redecoramos a casa, precisava de mais coisas, Cailin e eu trabalhamos bem espalhando meias e luzes, a Maura já havia feito isso, mas ela deixou tudo bonitinho, nosso trabalho foi exagerar e conseguimos.
A Maura quis que eu dormisse lá, mas eu tinha muita coisa pra arrumar e prometi que logo cedo estaria na casa dela, mas acabei sabotando o despertador e quando cheguei lá já era por volta de meio dia, não precisei bater, ela me disse onde escondia a chave reserva, mas eu preferia ter batido porque para minha surpresa acabei encontrando a Maura e o Jack conversando na cozinha, ela estava com as mãos na cintura e ele dizia algo, a Maura acabou desviando os olhos dele e me viu.
— Jane!
Fiquei parada onde estava sem saber o que fazer, apenas presa no olhar da Maura assim como ela também estava, nosso momento foi quebrando pelo Jack.
— Maura, quem é ela?
Esperei a Maura me apresentar, esperei ela dizer que estávamos juntas, conversar com o Jack de uma vez e terminar tudo, mas ai está o problema, algumas vezes esperamos muito das pessoas e então ficamos chateados quando elas não correspondem as nossas expectativas, então tente não esperar nada, tente se abrir pra qualquer que seja a reação da pessoa, mas não é assim, nunca é assim acabamos esperando. Ela simplesmente ficou calada, não conseguiu formular uma frase e quando finalmente algo saiu da sua boca não foi o que eu queria ouvir.
— Jane é uma ami...
— Ninguém_ Interrompi ela_ Eu realmente não sou ninguém, inclusive já estava de saída_ Disse dando as costas para os dois.
— Espera!_ Virei de frente novamente e percebi que para minha surpresa quem havia chamado minha atenção havia sido o Jack_ Vocês parecem se conhecer, você deve estar chateada com a Maura, eu não sei o motivo, mas poxa é natal_ Ele sorriu e passou um braço envolta dela_ Porque não vem para a nossa ceia hoje a noite? Sei que qualquer que seja o motivo para estarem assim vai passar.

Olhei dele para a Maura que permanecia calada e aquele silêncio dela estava me corroendo, eu sentia vontade de gritar, vontade de puxá-la pelo braço para longe dele, mas como eu deveria fazer algo se ela não dava sinais de querer sair dos braços dele?


“ Sinto muito não posso comparecer a sua festa estarei ocupada queimando. E receio que...Eu mataria seu amado, enquanto você estivesse de costas. Então é ai que você queria estar, e é uma vergonha desgraçada que você não está aqui comigo.E eu não posso ver seu rosto mais, mas se eu pudesse não seria como antes, seria como...O pensamento das suas mãos no peito dele fez meu estômago coçar. E eu vejo fotos agora de vocês dois e isso me deixa doente. Droga eu te amo, droga eu te amo, droga eu te amo”.

Keaton Henson — Party Song

Fechei meu punho com toda a raiva que estava sentindo e poderia ter deformado a cara dele com meus socos, mas percebi o medo no rosto da Maura, ela nunca me viu assim, e não seria por causa daquele cara que ela veria esse meu lado mais violento.
— Gostaria de aceitar o convite, mas tenho que voltar pra Boston ainda hoje, minha mãe gosta de ter a família reunida no natal.
— Mas Jane..._ Maura tentou argumentar, mas eu a impedi.
— Era isso que eu vim te dizer, estou voltando hoje... Bem... melhor eu ir, tenho uma mala para arrumar ainda_ Sorri falso e sai da casa dela com uma dor enorme no peito.
Sai de lá, deixei a chave dela no vaso da terceira orquídea roxa, porcaria eu deveria ter jogado isso na cara dele isso sim. Fui para um hotel e comecei a arrumar a minha mala, fiz tudo caber nela mesmo de forma desorganizada, essa seria outra data que Maura Isles estragava para mim, peguei um táxi pedi ao detetive Martinez pra devolver o carro que aluguei e segui para o aeroporto, consegui uma passagem de última hora apenas porque alguém havia desistido de viajar, mas com a sorte que tenho o vôo estava atrasado por causa do clima. Primeiro disseram ser apenas uma hora, mas depois o tempo foi passando e eu já estava bastante irritada de estar naquele lugar com pessoas a toda hora me contando as suas histórias, principalmente os casais felizes...Recebi mais uma mensagem da Maura.
— “Jane, por favor, onde você está? Eu estou preocupada, eu não consigo achar meus instrumentos médicos para esterilizar Jane! Você sabe que faço isso quando estou nervosa... Jane eu perdi meu bisturi! ... Por favor vamos conversar, eu não sabia que o Jack ia voltar hoje...me liga ok?
Ela parecia realmente triste e preocupada, mas eu não poderia voltar assim como um cachorrinho , se ela me quiser mesmo que vá para Boston... “ Boa noite, senhores passageiros informamos que os vôos para Boston foram cancelados devido ao mal tempo, pedimos a compreensão de todos e...”...Ou no meu quarto no hotel.
— Droga eu fiz check out!
Decidi sair de lá e entrei em um barzinho que tinha por perto, sei que não posso exagerar na bebida, ainda mais estando tão confusa,mas um drink não faria mal, pedi algo leve ao barman, ele colocou o copo diante de mim e eu fiquei encarando a bebida, eu sabia que se tomasse o primeiro não iria demorar para secar algumas garrafas.
— Então é ai que você está.
Disse uma voz de uma mulher que sentou do meu lado, virei e encarei a irmã da Maura.
— Cailin o que faz aqui!?
— Vim te buscar.
Eu balancei a cabeça e ri.
— Você vem comigo Jane!_ Ela disse com um tom de voz firme.
— Pra onde?
— Pra minha casa, a casa minha e da Maura.
— Eu não quero incomodar o casal Cailin...A Maura nem foi atrás de mim sabia?
— Do que está falando? A Maura te ligou várias vezes, ela foi no hotel onde você estava hospedada, me mandou vir no aeroporto...Ela está bastante preocupada com você Jane e ela não ta nem ligando para as perguntas do Jack, ela só quer esclarecer tudo.
— Ela teve uma oportunidade hoje, quando eu fui lá e fiz papel de idiota.
— Eu não acredito nisso, como eu posso ficar do seu lado desse jeito Rizzoli? A Maura te ama!O jeito como ela te olha, como fala com você... Nunca foi assim com aquele cara e você vai desistir assim tão fácil?Então você realmente merece perdê-la_ Cailin levantou_ Vou dizer a Maura que cheguei atrasada e você já tinha voltado para Boston, tenha um bom natal bebendo sozinha Jane.
Ela deu alguns passos lentos, talvez me esperando fazer algo antes que ela saísse, eu virei o copo todo de uma vez, deixei dinheiro no balcão e acompanhei ela.
— Cailin espera...Eu vou com você, aquela loira é minha e eu vou fazer aquele cara entender isso.
— É isso ai cunhada!

***

—Eu encontrei essa mulher faminta, usando esse suéter horrendo em um bar.
—Ei! Mais respeito,é o suéter da família.
Como assim? Maura pense bem se você se tornar uma Rizzoli Isles vai ter que usar isso_ Cailin puxou uma ponta do suéter da Jane_ Todo natal.
Nós duas rimos da cara emburrada da Jane,quando parei de rir eu e ela nos encaramos,percebi que a Jane ia falar algo, mas eu só queria abraçá-la e foi o que fiz, me joguei nos braços dela e quase caímos *.
—É melhor eu entrar, não quero ver sexo na neve, não com a minha irmã como protagonista.
Cailin falou passando por nós se esquivando. Um tempo depois ouvi ela gritando.
—Maura Isles cadê a comida!?
Escondi meu rosto na curva do pescoço da Jane, depois ficamos com as testas coladas.
—Como assim não tem comida hein?
—Eu não terminei o jantar porque...Sem você não tinha sentido.
Jane me beijou várias vezes, e em cada beijo eu pude sentir a sua ânsia de me amar, quando terminamos com selinhos olhei-a nos olhos e pude perceber q ela iria chorar, mas estava se segurando pra não fazer.
—Me desculpa Jane, eu não soube como agir,me vi pega de surpresa, se fosse um problema lógico eu daria a resposta mesmo sob pressão, mas o que fazer quando se ama uma pessoa e não quer magoar a outra?
— Eu não sei Maura, só...não chora.
—Eu não tó chorando, caiu um cisco no meu olho é isso.
Ela riu e eu decidi mudar de assunto_ Vem, preciso terminar a ceia...
Jane entrou em casa e foi se encaminhando até a cozinha e eu fui atrás, ainda precisava esclarecer algumas coisas.
—Jane espera _Ela parou e ficou me olhando_ Jack ainda está aqui...então ele vai jantar conosco _Jane fez um bico_ Desfaça essa cara já!Eu irei falar com ele hoje à noite, porque pretendo ter uma noite incrível com você_ Dei um sorriso malicioso.
Rapidamente ela acabou com a distância entre nós, levou suas mãos até o meu rosto e me beijou.
— Agora vamos encher tudo de passas_ Disse provocando ela.
— Maura não se atreva!
— Dá para colocar no arroz, na farofa, na salada_ Eu disse rindo e correndo para chegar antes que ela na cozinha, mas não consegui, senti mãos na minha cintura e uma voz no meu ouvido.
— Se você fizer isso terei que te castigar.
Deixei escapar um gemido depois do que a Jane falou e apenas isso fez ela ter uma ereção.
— Fala novamente sobre passas talvez ajude aqui.
Eu ri, me virei de frente pra ela e passei a mão na sua calça acariciando o volume.
— Maura para, não podemos fazer isso aqui, a sua irmã está logo ali e...como vou entrar na cozinha assim?
Cailin apareceu de supetão e eu colei novamente na Jane.
— Vocês ainda estão ai? Vamos temos um jantar para fazer_ Não saímos do lugar, Cailin não sabia sobre a Jane e eu não queria que ela descobrisse dessa forma_ Se for porque a Jane está “animada”, não se preocupem eu já sei.
— Sabe?! _ Eu e a Jane dissemos ao mesmo tempo.
— Eu vi aquela vez quando vocês estavam se pegando na cozinha.
Jane olhou para mim com um sorriso irônico no rosto.
— Maura a Lydia vai amar a sua irmã.
Fomos nós três para a cozinha e em pouco tempo o jantar já estava bastante adiantado, com uma certa relutância deixei a Jane e a minha irmã olhando as panelas, porque eu precisava me arrumar, apesar delas insistirem que eu estava linda, eu não me sentia assim. Cruzei com o Jack no caminho para o quarto e andei rápido para desviar de qualquer tentativa dele de me tocar, tranquei a porta e fui pro banho.
Quando terminei desci as escadas, Jane, Cailin e Jack estavam na sala, ele contando histórias sobre a sua viagem, rindo animado e elas revirando os olhos. Logo que eu apareci vi o olhar de desejo do Jack e da Jane, não é nada inadequado eu dizer que gostei de me sentir nada inadequado eu dizer que gostei de me sentir tão desejada, mas quem eu encarava era a minha detetive.
— Maura você está linda!_ Cailin veio até mim e me girou para “ Olhar o todo” como ela costuma dizer.
— E o jantar?_ Eu disse um pouco envergonhada.
— Eu e a Jane terminamos, acho que já podemos por a mesa.
— Ainda não, eu convidei a Ana a minha assistente, quero me despedir dela, me ajuda a preparar uns drinks?
— Claro! Vamos lá que a festa comece...
Cailin foi na frente e eu ia segui-la quando a campainha tocou novamente, abri a porta e encontrei a Ana toda sorridente com uma travessa na mão e um presente embaixo do braço.
— Feliz natal Maura! Eu te abraçaria sabe, mas estou com essa travessa na mão.
— Vem, vamos colocar na mesa e o presente embaixo da árvore.
Um tempo depois estávamos todos tomando drink e conversando sobre os seus natais em família quando eram crianças, todos tinham histórias maravilhosas, a única história boa que eu tinha sobre o natal foi com a Lydia e a Jane.
— Bem...Eu não sei vocês, mas eu estou faminto e preciso dizer que pra vocês Anna e Jane que a Maura é uma ótima cozinheira, se os mostos não lhe fossem mais interessantes ela poderia ter o seu próprio restaurante cinco estrelas.
— Jack, não é pra tanto.
Me senti envergonhada com os exageros dele e percebi que a Jane estava irritada até bebeu todo o conteúdo do seu copo.
— Espero que também gostem da minha lasanha.
— Sério que você fez lasanha?!_ Acho que não sobrará nada, eu adoro lasanha!_ Jane falou empolgada.
— Se soubesse que gostava tanto de lasanha e que estaria aqui teria caprichado mais_ Ana sorri e coloca uma mexa do cabelo atrás da orelha.
Eu já estava enojada com esse flerte barato.
— Bem, então vamos comer.
Enquanto todos iam até a mesa eu lancei um olhar acusatório para a Jane. Ela parecia não ter percebido que a Ana estava interessada nela, Jane é ótima em descobrir coisas, mas não quando se trata de sentimentos. Quando sentei percebi que Cailin deu um jeito de me afastar do Jack,ficando assim perto da Jane,eu de um lado e Anna do outro.
—Cailin você poderia trocar de lugar com a Maura?_O Jack falou sorrindo.
—Não, estou gostando de sentar aqui_ Ela se acomodou melhor na cadeira e sorriu irônica.
Chamei a atenção de todos antes que aquilo se tornasse algo maior.
—Boa noite, eu não sou de fazer orações antes das refeições, minha família não acreditava em muitas coisas a não ser na ciência, e não fica bem rezarmos para Darwin ou Da Vince, ou tantos outros gênios. Bem, só quero agradecer pela presença de vocês e dizer que a noite de hoje é muito importante,quando o novo ano começar estarei em outro lugar,com algumas pessoas novas e tornarei outras decisões, porque estamos sempre mudando nossas opiniões, mesmo que algumas permaneçam. Não sei se o que disse faz algum sentido, mas o que tenho certeza é que todos nessa mesa hoje são muito importantes pra mim de alguma forma, obrigada por fazerem parte da minha vida.
Levantei minha taça com vinho branco e todos fizeram o mesmo com a sua.
—Agora vamos finalmente provar desse peru!
Eu e a Jane acabamos lembrando-se da Lydia atacando o peru no primeiro natal que passarmos juntas.
—Você poderia tirar uma foto comendo uma coxa!_Eu disse.
—Você lembra?!_Jane disse com um sorriso que chegava aos olhos.
—Claro!Como esquecer de um dos poucos natais em que fui feliz.
—Então vocês se conhecem há muito tempo?Como se conheceram?_Jack perguntou bastante interessado na minha narrativa.
—Eu e a Jane nos conhecemos quando morei em Boston, ela ainda vive lá,nos conhecemos na escola,eu e ela e a Lydia éramos inseparáveis elas eram minhas únicas amigas.
—É difícil fazer amizades quando se é muito inteligente e tem gostos peculiares eu entendo_ Ana falou com um olhar perdido,
Como se estivesse lembrando de coisas ruins sobre a sua adolescência.
Jack:_E porque nunca ouvi falar dela?
—Porque...Jack eu tenho algo importante pra te dizer,mas não agora, vamos jantar primeiro,prometo que no final da noite saberá algo importante sobre mim.
Um clima de silêncio tomou conta do ambiente e por muito tempo o único som que poderia ser ouvido era o dos talheres batendo nos pratos. Então Cailin puxou conversa com a Ana, que perguntou sobre a Nina,Jane entrelaçou seus dedos nos meus e também entrou na conversa, eu me dividi entre olhar para elas e para o Jack,tentando prever o que ele diria,como iria reagir,com certeza muito mal, afinal eu o trai,não queria que as coisas tivessem acontecido assim,meu desejo de não magoar o Jack acabou magoando a Jane,Eu só queria que pudesse ser mais fácil contar isso para ele. Terminamos o jantar,Jane e a Ana se ofereceram para lavar e secar os pratos,eu e Cailin e Jack fomos para sala, meu corpo estava na sala e a mente estava imaginando o que a Ana estava tentando fazer com a Jane na cozinha.
Fui tirada dos meus pensamentos quando ouvi a voz do Jack
—É muito importante?_Fiz uma cara de dúvida_ O que você tem para me dizer...Porque eu também tenho algo para te falar.
—Então me deixa pegar um vinho pra nós e iremos esclarecer tudo.
—Se quiserem eu saio para vocês conversarem melhor.
—Não será necessário Cailin_ Jack explicou_ O que tenho para dizer é algo que você, que será da família, pode ouvir.
—Você é linda, é uma pessoa interessante, mas eu já estou com alguém e eu nunca amei como a amo, eu não percebi que estava gostando de mim, se não teria deixado mais claro.
—Hey Jane, tudo bem, você está sendo sincera...que pena que as melhores já estão namorando,posso saber quem é ela?
—Vocês querem mais vinho? Já vamos abrir os presentes.
—Não obrigada, melhor ir para sala.
—Ana está mesmo tudo bem?_Jane perguntou preocupada.
—Sim, vai ficar_ Ana disse mostrando um sorriso sem graça.
Quando ela saiu eu puxei Jane para um lugar reservado e a beijei, foi um beijo delicado.
— Vamos para a sala, vou dizer ao Jack que estamos juntas, só preciso ouvir antes o que ele tem para contar, provavelmente mais histórias sobre a viagem_ Jane revirou os olhos e eu ri.
Eu estava feliz, estava sorrindo e a Jane vinha logo atrás, sentamos e eu esperei ele falar, Jack limpou a garganta e eu percebi que era algo sério, fiquei nervosa e comecei a tomar grandes goles de vinho. Será que ele vai me pedir em casamento? Por favor, que não seja isso.
— Durante um passeio com um amigo no Canadá eu desmaie e bati a cabeça.
— Jack você está bem?!_ Perguntei preocupada.
Ele juntou minha mão com as suas.
— Na verdade não Maura, eu precisei ir no hospital e com os resultados dos exames os médicos descobriram que eu tenho câncer.
Deixei a taça cair da minha mão e se quebrar.
— Nós iremos passar por isso juntos, eu vou ligar para um amigo oncologista e você irá fazer todo tratamento necessário para...
— Maura respira, eu sabia que não deveria te contar logo hoje, ma eu preciso começar a quimioterapia o quanto antes e você teria que saber de qualquer jeito..._ Ele suspirou_ O que você tem pra me contar?
Abracei ele bem forte.
— Não era nada, o mais importante agora é focar no seu tratamento.
Jane: _ Bem, acho que já está tarde, preciso ir.
— Maura a Jane está indo embora!_ Cailin me avisou.
Soltei o Jack e corri atrás da Jane, consegui alcançá-la já fora de casa, como ela anda rápido!
— Droga! Eu estou sem carro.
— Eu posso te levar Jane_ Ana falou_ Acho que ta na minha hora também, vou ligar o carro_ Ela passou por mim e falou baixinho_ Vou demorar um pouco assim vocês tem tempo de conversar.
Sussurrei um “obrigada” e me concentrei na mulher que estava a minha frente.
— Tomara que a Ana venha logo com esse carro.
— Porque? Não quer conversar comigo?
— Doutora Isles_ A Jane disse com um tom de voz cheio de raiva que me fez dar um passo involuntário para trás_ Eu nem sei o que você está fazendo aqui, porque não volta para o seu homem? Aquele cujo a vida e o bem estar são mais importante do que tudo?
— Jane, você tem que entender que...
— Que você nunca vai me colocar em primeiro lugar, que nunca vai lutar para estar comigo, porque toda vez que tentamos você desiste.
— Não é verdade.
— E como é então? Eu devo esperar ele morrer? E se o Jack não estiver mais doente eu devo esperar ele fazer novos exames e descobrir se o câncer voltou? Ou se o cachorro dele for atropelado você também usará Isso como desculpa pra não terminar o namoro?
— Está sendo injusta.
— É melhor do que ser uma amante idiota que sempre acredita na mesma conversa de “ vou terminar com ele e ficar com você”, pra mim já chega Maura Isles, pode ficar com o Jack e o maldito câncer dele e sejam felizes os três!
Ela entrou no carro da Ana e foi embora, eu só sabia chorar, Cailin apareceu e me abraçou.
— Ela foi embora.
— Eu sei.
— A mulher que eu amo foi embora e agora ela me odeia Cailin...Eu nem tive tempo de dizer que a carta chegou e eu irei trabalhar em Boston...


" Tenho cem milhões de razões para me afastar, mas amor, preciso apenas de uma boa razão, uma boa razão, me diga que você será essa boa razão, boa razão, amor, eu preciso apenas de uma boa razão para ficar”.
Million Reasons- Lady Gaga

Notas finais
O surto e a raiva da autora é livre...Até o próximo.