Notas iniciais
Aproveitem cerejas. Quero ler seus comentários ok? :) . Música do capítulo: Keaton Henson - You Don't Know How Lucky You Are.

( Jane)

Á noite eu falei com a minha mãe, respondi uma série de perguntas e tive que aguentar o desapontamento dela por não me ter lá no natal, prometi a famosa foto com o suéter da família e desliguei, tomei um banho relaxante enquanto lembrava do meu encontro com a Maura no parque, não foi bem um encontro, mas o acaso parecia gostar de nos aproximar, pena que ele é lento. Eu até tento me manter longe, ela tem namorado e parece feliz com ele, ela tem uma estrutura em Nova York, uma irmã um bom trabalho, bem ao menos algo que ela gosta, eu acho que não teria dado certo os nossos planos, éramos duas adolescentes descobrindo a vida, o mundo e os outros, mas ainda assim eu gostaria de ter tentado.

Desligo o chuveiro e saio coberta por uma toalha, me seco e escolho uma roupa, visto uma cueca, uma calça jeans preta, um sutiã preto e pego uma blusa cinza de mangas curtas e um jaqueta, estava frio então pensei em pegar meu cachecol, mas quando o segurei e apertei em minhas mãos eu lembrei da pessoa que me deu e acabei deixando ele lá, o que foi uma burrice.

Andei pelas ruas de Nova York sem um destino certo, talvez eu só quisesse observar as pessoas, tentar me encaixar de alguma forma, ou ser mais uma na multidão.

Minha cabeça estava uma mistura de pensamentos, eu lembrei do pequeno momento que tive com a Maura no parque e tenho certeza de que sorri, mas só teríamos isso? Só pequenos momentos? E isso será suficiente para mim? Eu acho que não, já tenho memórias suficientes todas do passado, quero outras do agora. Mas será que ela ainda sente algo por mim?

Alguém esbarra em mim e grita um insulto pelo fato de que eu simplesmente parei na calçada, perdida nesses questionamentos, volto a me mexer, á noite está bastante fria e o cachecol começa a fazer falta, decido voltar para o hotel. Entro no meu quarto, tiro minhas roupas e entro em baixo das cobertas, fecho os olhos e tento dormir, mas então espirro, que droga!

***

Cheguei até o departamento o mais agasalhada possível, eu acabei pegando um resfriado. A primeira a pessoa a vir até mim foi o Casey.

— Meu Deus Rizzoli você está horrível, o que aconteceu?

— Obrigada pelo elogio_ Sentei na minha cadeira_ Eu estou resfriada.

— Acontece quase sempre com os visitantes, ainda mais nessa época do ano, porque não ficou no hotel, eu posso lidar com tudo por aqui_ Ele disse se achando o máximo.

Levantei rapidamente ficando bem próxima dele_ Casey eu sei que você pensa ser o melhor investigador desse departamento, mas você tem muitos casos, o que acha do Martinez e eu ficarmos com o cara encontrado no galpão?

— Eu não acho que...

— Não estou pedindo_ Falei firme_ Estou dizendo que eu resolverei esse caso antes de voltar para Boston.

Casey deu uma risada sonora_ É tão boa assim? Tudo bem fique com o caso quero ver como irá se sair.

Ele deu as costas e saiu. Depois de ler vários detalhes do relatório escrito pela Maura comecei a sentir dor de cabeça, decidi pedir um comprimido para a Ana, ela me parecia ser legal. Bati no vidro da porta do escritório e ela sorriu, entrei no lugar e andei até ela.

— Você teria algo para dor de cabeça? Estou resfriada.

Ana levantou da cadeira em que estava sentada e colocou a mão na minha testa.

— Não acho que esteja com febre, mas quer que eu teste sua temperatura, eu posso...

— Ana, não precisa tudo isso, então você tem um comprimido?

Ela ri sem jeito e pega o comprimido na bolsa, depois me trás um copo com água, eu deito no sofá e estava quase adormecendo quando Maura entrou na sala, eu não sei se ela me viu logo que entrou, provavelmente não, fingi que estava dormindo.

— Há quanto tempo ela está aqui?_ Maura perguntou a Ana.

— Alguns minutos, a detetive Rizzoli está doente.

— Doente!?_ Esse tom de voz foi de preocupação?_ O que ela tem?

— Está resfriada, tomou um comprimido para dor de cabeça e acho que adormeceu.

— Essa é a Jane, toma algo e acha que vai ficar bem, nunca vai ao médico.

— Como sabe?

— O que?

— Como sabe que ela é assim?

— Porque...Porque_ Maura gagueja, decido ajuda-la.

— Acho que está passando_ Digo olhando para Ana, depois encaro a Maura_ Bom dia doutora Isles_ Maura não responde, eu sento em uma cadeira da mesa, Maura permanecia de pé, depois sentou do outro lado da mesa, pegou algumas pastas e começou a ler, olhei para ela avaliando as suas expressões, ela também não estava em um bom dia, algo parecia irrita-la, Maura tem isso, quando está brava seus lábios tremem, não é algo que qualquer um perceba, na verdade é bem sútil.

— Eu, você e o Martinez iremos trabalhar juntos no caso do cara da tatuagem_ Disse, ela levantou a cabeça e me encarou.

— Pensei que o detetive Jones estivesse trabalhando nesse caso.

— Nesse e em alguns, mas eu falei com ele e esse caso é meu, preciso resolver enquanto estou aqui e preciso da sua ajuda, além de ser a legista, você é a única pessoa que eu conheço que fala francês.

Ana colocou uma caneca a minha frente e sentou novamente ao meu lado.

— Você fala francês doutora Isles?_ Pelo visto Maura não dividia muito a vida delas com as outras pessoas.

— Sim eu...Morei alguns anos em Paris_ Ela disse me encarando, depois baixou a cabeça.

Fiquei alguns minutos olhando-a e levantei_ Obrigada Ana_ Disse e fui andando até a porta.

— Espera Jane_ Ouvi Maura dizer, parei e olhei para ela_ Você pode vir aqui á tarde para falarmos sobre o caso?_ Balancei a cabeça concordando e sai de lá.

***

À tarde quando já estava melhor , fui até o necrotério com algumas pastas, Martinez deveria nos encontrar algum tempo depois, entrei sem fazer muito barulho quando percebi que Maura falava com alguém pelo celular, ela estava fazendo uma autopsia, então deixou o celular no viva voz.

Você poderia ter vindo, eu gostaria de te dar um abraço e alguns beijos antes de ir para o Canadá— Disse a voz masculina.

Jack, eu tenho muito trabalho, além disso, não gosto de despedidas.

Ah, desculpe, eu esqueci... É por causa do seu pai não é?

Fiquei brava com ele, eu não acredito que esse cara citou o pai dela, quer dizer ele não sabe que não pode falar sobre o pai da Maura? Ela não respondeu, limitou-se a suspirar e continuar o trabalho.

Afinal, você nunca me falou muito sobre ele, o que ele fez de tão horrível?

Jack... Boa viagem, nos vemos no natal, eu vou sentir a sua falta.

Tudo bem, também vou sentir a sua, trarei presentes... Maura, eu te amo muito.

— Eu sei— Ela disse isso e permaneceu com as mãos levantadas sem poder desligar, me aproximei e fiz por ela, nos olhamos por algum tempo, meus olhos presos nos seus olhos claros, sua boca entre aberta.

— Não se responde um “Eu te amo” com “eu sei” Isles_ Disse e segui para o escritório, quando dei as costas me permiti sorrir, esse cara não sabe muito sobre ela, ele não sabe qual é a sua flor preferida, ele não sabe sobre o que não deve falar com ela, ele não sabe que ela é incrível, mas ás vezes duvida de si mesma e é necessário que alguém lembre-a o quão incrível ela é, eu passei quinze anos sem ver a Maura e ainda sim sei mais sobre ela do que o Jack, ou até a própria Maura, sim eu estou apaixonada, mas isso me dá o direito de bagunçar a vida dela?

Sentei em uma cadeira e abri as pastas com as informações sobre o caso, mas me permitia vez ou outra observar a Maura trabalhando, Ana estava ajudando ela, já que Paul não estava lá, Maura estava gravando a autopsia e quando finalmente terminou ela fez um movimento com o pescoço, eu só queria poder chegar por trás e fazer uma massagem em seus ombros, perdida em pensamentos não percebi quando Martinez entrou e sentou ao meu lado.

— Ela é muito bonita não é?

Virei para ele o encarando_ Quem?

Martinez riu_ Quem? A doutora Isles, você está babando por ela, Casey disse que você é lésbica_ Ele deve ter percebido que eu não gostei dessa intromissão_ Desculpe, eu só... É que você olha pra ela diferente.

— Tudo bem Martinez, só não comente com ninguém principalmente com o Casey_ Ele balançou a cabeça concordando.

— O que temos sobre caso?_ Ele perguntou mudando de assunto.

Maura se juntou a nós depois de um tempo, discutimos algumas coisas que não estavam esclarecidas e depois eu recolhi tudo, ainda estava confusa com o caso, mas tinha uma linha para seguir.

Vesti meu casaco e prendi o cabelo em um coque, Martinez me fez um convite.

— Quer sair pra beber Rizzoli? Os caras vão para um barzinho aqui perto.

— Não obrigada, estou acabada. Bebam por mim_ Disse e sorri, logo após Martinez sair foi à vez da Maura, sai junto com ela e entramos juntas no elevador, o desconforto para Maura foi evidente, eu permaneci olhando para frente e vez ou outra percebia ela me observando.

— Então seu namorado está no Canadá_ Falei para quebrar o silêncio.

— Jane... Estamos trabalhando juntas, isso não significa que eu vou esquecer de tudo e ter um bom relacionamento com você, não precisamos disso, só precisamos nos aturar por esse tempo, depois você vai embora e eu serei transferida para outra cidade.

— Porque você vai ser transferida?_ Perguntei alarmada, o medo de perde-la de não saber onde ela estaria novamente me atingiu como um soco no estômago.

— Quero um horário de trabalho mais acessível e mais autonomia, aqui em Nova York eu não conseguirei isso e quanto para onde eu vou...Também não sei, estou esperando que eles me digam.

Olhei novamente para frente_ É uma pena que eu vá perdê-la novamente logo após ter encontrado_ Suspirei fundo e sai logo que o elevador abriu.

Quando cheguei ao meu quarto no hotel, tomei um banho, pedi o jantar e depois de comer liguei para casa, depois de falar com a minha mãe troquei algumas mensagens com a Lydia.

“ Como está a minha idiota preferida?”- J

“ Vai te catar Rizzoli, pra sua informação eu estaria melhor se a minha amiga não jogasse uma bomba do tipo ‘ Encontrei a Maura’ e depois não me desse mais nenhuma notícia”- L

“ Desculpa, minha cabeça está girando Lydia, eu quero me aproximar dela, quero saber mais e mais sobre ela, mas Maura ergueu um muro a sua volta”-J

“ Muros sempre tem um buraquinho, um tijolo em falso que você pode usar para ver através dele, Jane... Se você ainda gosta dela, se ama a loira como diz amar não desista dela, eu vi a Jane divertida dar lugar a alguém quebrada e eu não quero mais isso”-L

“ Pode deixar, vou usar esse tempo que estou aqui para resolver tudo”-J

“ Ah, esqueci de dizer, sua mãe ficou com o TJ e eu e o Tommy fizemos um sexo louco...”-L

“ Pode parar, eu não quero saber. Boa noite Lydia”-J.

Lydia sempre me fazendo sorrir, coloquei o celular na mesinha ao lado da cama e encarei o teto por algum tempo antes de dormir, ou tentar dormir, já que, minha garganta estava incomodando, antes de fechar os olhos um pensamento veio a minha cabeça, eu quero a Maura, sempre quis e sempre vou querer, não vou perder essa oportunidade, não quero estar longe dela nunca mais.

“Ele sabe quem você é? Ele ri, só de saber o que ele tem?

Ele sabe que não deve falar sobre o seu pai? Ele sabe quando você está triste? Ele sabe onde seus lábios começam?

Você sabe quem você é? Você ri, só de pensar o que me falta? Você sabe que seu lábio treme quando você está brava? E você percebe quando está triste?

Você não gosta de ser tocada, muito menos ser beijada. O amor dele faz sua cabeça girar?”

Keaton Henson — You Don't Know How Lucky You Are