Notas iniciais
Voltei cerejas. Gente eu estou adorando os comentários de vocês, me fazem questionar alguns pontos, pensar sobre outros e ter ideias e alguns me fazem sorrir, sorrir muito. Obrigada por comentar, obrigada a quem favoritou e quem não fez sinta-se a vontade para fazer.

( Maura)

Hoje é meu dia de folga, prometi fazer algo com a Cailin durante o dia e sair com o Jack á noite, acordei, prendi o cabelo em um coque deixando alguns fios soltos, fiz minha higiene e sai do quarto, continuei com uma camiseta cinza e minha calça folgada, adorava ficar assim, gosto de me vestir bem, mas vestidos justo e salto alto não são confortáveis. Fui até a cozinha e preparei o meu café da manhã e da Cailin, não que eu soubesse cozinhar, mas sei fazer o básico.

Um tempo depois ela desce as escadas correndo.

— Que cheiro é esse? Ai, Maura eu estou morrendo de fome! Adoro quando você fica em casa_ Ela diz me dando um beijo no rosto.

— Cailin, o que falamos sobre correr e escadas? Parece criança! _ Falei séria, mas depois sorri do biquinho que ela fez_ Não adianta eu não consigo brigar com você.

Cailin sentou em uma cadeira e eu a servi, panquecas, suco, frutas, chocolate quente...

— O que vamos fazer hoje?_ Cailin perguntou.

— Eu posso me arrepender por dizer isso, mas você escolhe o que iremos fazer_ Sorri, não havia contado ainda a Cailin sobre Jane, acho que ela percebeu que algo estava errado.

— Maura... O que é?

— Nada_ Enchi minha boca com comida.

— Maura, eu estou convivendo com você há pouco tempo, mas eu sei quando tem algo errado, pode dividir comigo, você me diz que eu sou uma criança, mas eu posso entender qualquer coisa que você me disser_ Ela tomou um gole de suco_ Eu entendo, ainda não confia em mim o suficiente.

Tudo que eu menos queria era magoar a Cailin e que mal tinha eu contar sobre a Jane? Não era algo importante.

— Lembra da Jane?

— Sim, sua namorada das fotos que você me mostrou_ Cailin comeu uma panqueca sem interesse.

— Eu encontrei com ela_ Ouvi o barulho de talheres sendo largados no prato.

— Como assim?

— Ela é a detetive que veio de Boston.

— O que você fez? Quer dizer...Como reagiu a esse encontro?

— Morri de medo, depois toda a raiva que eu sinto dela voltou.

— Só isso, medo e raiva? Nenhum outro sentimento?_ Cailin perguntou com uma sobrancelha arqueada.

— Não Cailin... Temos vidas diferentes agora, nos machucamos demais, eu estou namorando e amo o Jack, qual sentimento eu poderia sentir por ela além desses? Talvez ressentimento.

— Tudo bem. Nós vamos ao parque, uma banda de uns amigos meus vai tocar lá, o som deles é legal, depois podemos almoçar fora e ver alguns filmes e séries_ Cailin mudou de assunto e eu agradeci mentalmente por isso.

— Adorei, mas só veremos filmes até as cinco, tenho que me arrumar depois, vou jantar com o Jack_ Cailin fez uma carinha, ela não gosta do Jack e eu não sei porque, preferia não perguntar.

Aquele dia estava frio, mas não como os outros, vesti apenas uma calça jeans, uma camiseta cinza e um blazer branco, coloquei um cachecol de uma cor neutra, deixei meus cabelos soltos, fiz uma leve maquiagem e peguei minha bolsa, Cailin já estava me esperando lá em baixo.

— É por isso que ninguém me olha quando estou com você, olha essa bunda nessa calça_ Cailin diz.

— Ei, não é assim, eu sempre percebo vários rapazes te olhando_ Pensei na nova descoberta dela_ E garotas também_ Cailin sorriu.

Chegamos ao local onde os seus amigos estavam cantando, havia um homem tocando bateria, outro violão e um terceiro tocando violoncelo, por último uma mulher ruiva no vocal, muito bonita, eu e Cailin ficamos de frente para eles, conseguimos um bom lugar, apesar da quantidade de pessoas que estavam envolta deles ajudando com doações e aplaudindo, a ruiva começou a sorrir quando me viu, parecia cantar para mim.

— Ela se chama Natasha_ Cailin disse_ Ela é russa.

A mulher começou a introduzir na música um trecho de uma ópera em russo, ela cantava muito bem, normalmente quando Cailin dizia que o “som era bom”, era um rock pesado quase sem letra, Natasha olhava em outra direção com sorrisos, sorrisos mais galanteadores que os que ela me dirigiu, não que isso me incomodou, me senti elogiada claro, mas agora estava curiosa para saber quem havia roubado a atenção dela, era uma morena, seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo, ela tinha lindos cachos, não vi seu rosto direito porque havia alguém no meu campo de visão, continuei vendo Natasha cantar, alguns minutos depois virei novamente para tentar ver a morena e consegui, era a Jane, me escondi atrás da Cailin.

— Ei, o que está acontecendo?

— A Jane está aqui_ Falei baixo e ela não ouviu por causa da música.

— O que?

— A Jane está aqui_ Disse uma segunda vez.

— Eu não estou ouvindo.

— Cailin mais que droga! A Jane Rizzoli está aqui!_ Gritei, acontece que a música havia parado e muita gente pôde me ouvir, inclusive Jane, ótimo Maura, parabéns Cailin, Jane estava olhando para nós duas.

— Ela está mais linda ainda, nossa!_ Cailin disse_ Ela é muito gostosa Maura.

— Quer parar?

—Vamos falar com ela_ Antes que eu pudesse negar Cailin saiu puxando meu braço por entre as pessoas até chegarmos onde Jane estava.

— Oi_ Falei com a voz baixa, ela sorriu em resposta, minha respiração ficou ofegante, meu coração também batia mais do que o normal, ignorei essas reações do meu corpo, Jane estava linda, sua roupa era um estilo despojado e ao mesmo tempo cuidadoso, estava bem mais feminina do que eu me lembro, ficamos paradas nos olhando, eu nem percebi mais meus olhos fizeram todo o contorno das curvas do seu corpo, depois se concentraram nos olhos e na boca.

— Vejo que está aproveitando o dia de folga assim como eu.

— Sim_ Cailin respondeu_ Eu sou a irmã da Maura, Cailin estendeu a mão, que Jane levou aos lábios e beijou_ Estamos indo comer algo, quer vir junto?

Jane olhou por sobre Cailin, ela estava pedindo uma permissão silenciosa, pensei em arranjar uma desculpa, mas isso só deixaria evidente para a Jane que eu me intimido com ela e isso não é verdade, balancei a cabeça concordando.

— Onde você quer ir?_ Cailin perguntou a Jane.

— Eu pensei em algo menos sofisticado e mais gostoso como cachorro quente.

— Nada disso_ Protestei_ Não como em barraquinhas de cachorro quente.

— Maura você não vai morrer se experimentar algo novo_ Jane disse, porque essa frase pareceu ter dúbio sentido?

— É Maura, vamos por favor.

Acabei concordando, paramos em uma barraquinha e compramos nossos cachorros quentes, sentamos em um banco na praça.

— Quer dizer que você é detetive.

— Sim_ Jane respondeu e deu uma mordida no cachorro quente.

— É difícil exercer um cargo que é geralmente ocupado por homens?

— Você nem imagina o quanto, eu não tenho esse problema em Boston, consegui o meu espaço, mas vir para cá me lembrou que muitos homens são uns babacas, tem um detetive Casey Jones... É um exemplo, ele acha que eu não consigo fazer nada sozinha, me passou papelada desde quando cheguei_ Jane subiu as mangas da blusa azul de algodão que estava usando.

— Maura já me falou sobre ele_ Cailin me deu uma cotovelada de leve.

— Casey...Sempre cobrando resultados da minha parte e mesmo quando eu e minha equipe conseguimos provas incontestáveis ele dá um jeito de fazer merda!_ Disse de forma espontânea, eu não era o tipo de pessoa que me expressava assim, mas saiu.

Olhei para Jane e vi seus lábios sujos de molho, me perdi ali. Maura eu não estou te reconhecendo, para de olhar para a boca dela! Jane passou a língua pelos lábios limpando o molho, ela sorriu com algo que Cailin disse. Tentei pensar em Jack com quem iria me encontrar dentro de algumas horas.

— Ei Maura, eu vou falar com a Natasha e volto logo_ Cailin levantou e me deixou sozinha com a Jane.

— Então...

— Isso não vai se repetir_ Não deixei ela terminar a frase.

— Isso o que?_ Perguntou.

— Nós duas conversando assim fora do ambiente de trabalho.

— Eu sei_ Ela disse e olhou para os pés_ Porque nos afastamos?_ Perguntou dessa vez me olhando.

Eu quis responder como ela merecia, dizer que esperei uma carta por um longo tempo, contar como estava decepcionada, como eu demorei a me deixar conquistar por alguém novamente, mas respondi de forma simples.

— Acho que não era pra ser_ Pensei que Jane ficaria triste com a minha resposta, mas ela riu, será que ela ficou louca? Era possível, muita coisa aconteceu conosco nesses anos.

— Seu blazer está sujo de molho.

Olhei para meu blazer e havia uma mancha.

— Não pode ser, eu gosto muito dele_ Choraminguei, Jane levantou do banco e saiu por alguns minutos, voltou com um lenço e uma garrafa de água, umedeceu o lenço e passou no meu blazer, acontece que a mancha era próximo ao meu seio, o movimento que ela fez esfregando o lenço fizeram meu mamilo enrijecer, que droga, porque ainda fico excitada com o toque dela? Ainda mais porque ela nem chegou a me tocar direito e...Nem vai Maura, tire esses pensamentos da cabeça!

— Pronto, não resolveu, mas deu um jeito, assim não vai ficar mancha, é só mandar lavar.

Balancei a cabeça concordando. Cailin voltou e Jane se despediu.

— Foi muito bom encontra-las aqui, mas eu tenho que ir.

— Jane, quanto tempo vai ficar aqui?_ Cailin perguntou.

— Irei depois do natal_ Jane respondeu.

— Ótimo, assim terei tempo de te apresentar a cidade, se você quiser claro.

— Sim, será legal.

Jane colocou as mãos nos bolsos e saiu andando, acompanhei ela com o olhar até não a ver mais.

— O que está fazendo?_ Perguntei a Cailin.

— Nada_ Ela disse com um sorriso de criança que está aprontando.

— “ Nada”_ Repeti_ Vamos.

Após vermos episódio aleatórios de séries, eu fui tomar um longo banho, escolhi minha roupa, vesti uma lingerie roxa e por cima um vestido preto de alças com um decote generoso, peguei uma das minha sandálias, eu tenho muitas, foi difícil escolher, porque cada uma é única, estava me vestindo como se a noite fosse se prolongar para além do jantar e talvez fosse, eu queria isso, eu e o Jack não tínhamos algo mais íntimo há alguns meses, tudo bem que nunca foi algo incrível, mas era bom e bom é melhor do que nada. Coloquei meus brincos, fiz uma maquiagem mais forte que hoje cedo e depois de fazer várias coisas com o meu cabelo optei por deixa-lo solto. Cheguei ao restaurante e ele já estava lá, Jack levantou ao me ver, beijei ele de forma rápida.

— Desculpa a demora.

— Eu entendo, você só queria ficar mais linda para mim_ Sorri, ele é incrível.

Olhei em volta, nossa mesa era afastada das demais, a iluminação do lugar era linda, Jack sempre me traz aqui e eu adoro o espaço, a comida... Mas queria algo novo ás vezes.

— Como foi o seu dia?

— Sai com a Cailin, fomos ao parque_ Lembrei de Jane, afastei ela dos meus pensamentos e continuei_ Depois voltamos para casa e vimos algumas séries. Como foi o seu dia?_ Devolvi a pergunta sorrindo.

— Um amigo estava vendo a minha aula hoje, ele me convidou para dar algumas palestras na universidade em que ele é Reitor, o dinheiro é bom, mas a experiência foi o que me atraiu, o que acha?

— Que você deve ir, a proposito, onde fica essa universidade?

— Toronto_ Ele falou naturalmente, antes que eu pudesse dizer algo o garçom se aproximou.

— Estão prontos para pedir?

— Eu quero um bife mal passado com legumes_ Jack disse.

Eu quero a faca mais afiada que o chefe tiver, pensei e sorri com isso_ Um filé de peixe com ervas finas e vinho para acompanhar_ Quando o garçom se afastou encarei o meu namorado_ Toronto, no Canadá!

— Eu sei, mas eu volto antes do natal, prometo, sei que sentirá a minha falta, mas isso é importante para mim.

— E quando você vai?

— Amanhã á tarde.

— Tão rápido?_ Ele tocou o meu rosto e me puxou para um beijo.

— Tem que ser assim.

Jantamos normalmente, eu aceitei a viagem do Jack, nos beijamos várias vezes, nossa noite não se prolongou como eu pensei, Jack precisou voltar cedo, teria que dar uma aula ainda e arrumar a mala, ele perguntou se eu queria que ele me deixasse em casa, disse que não e peguei um táxi.

Paguei ao taxista, desci do taxi e entrei em casa, fechei a porta frustrada, vi algumas mensagens no meu celular, uma era da Cailin dizendo que havia saído com alguns amigos, mandei outra mensagem dizendo “Juízo”, fui até o quarto, retirei o salto, massageei o pé e passei a mão na nuca, troquei a minha roupa, retirei os brincos e retirei a maquiagem, estava vestida agora com uma camisola transparente preta, deitei na cama e soquei o colchão.

Me perdi em pensamentos e acabei lembrando da Jane no parque, o quão fiquei excitada com a ameaça de um toque, seus olhos, Jane... O sexo com ela no começo foi sem jeito, eu ri ao lembrar, mas depois nos tornamos mais confiantes, não tínhamos vergonha uma da outra, Jane sabia muito bem o que fazer com o pênis, e não só com ele, algumas vezes ela nem precisava me penetrar para que eu chegasse lá... Seus seios, sua boca...

— Como ela deve ser agora?_ Maura para.

Decidi que aquela noite eu teria um orgasmo, deixei minha mão escorregar entre as minhas pernas e acariciei meu clitóris, depois coloquei dois dedos, enquanto me penetrava, a outra mão estava no seio, fechei os olhos e vi o sorriso da Jane, imaginei que ela que estava me penetrando, imaginei seus beijos, suas caricias, acabei chegando ao orgasmo, meu líquido escorria, retirei meu dedos e após minha respiração voltar ao normal fui lavar as mãos. Lavei também o rosto e me olhei no espelho.

— Maura você está perdendo o controle da situação, agora mais que nunca devo evitar a Jane.

Notas finais
A ideia da banda e da cantora Natasha foi extraída de um vídeo de um ep de Cold Case. Aqui está o link:https://www.youtube.com/watch?v=HooTVsmUHw8