Notas iniciais
Se preparem... Música do capítulo, Tiê- Á noite.

Ouvi a chamada para o meu voo e comecei a me despedir de todos, porque todos fizeram questão de ir, minha mãe chorava como se eu fosse morar em Nova York, ou do outro lado do mundo, viajar de avião não me parecia nada agradável e não foi agradável porque toda hora eu imaginava o avião caindo.

Cheguei a tarde e tudo o que eu queria era me registrar no hotel e ir para o meu quarto, e foi o que eu fiz, tomei um banho, vesti um short curto uma camiseta e deitei na cama, é tão bom pisar em um chão firme. Dormi como há um bom tempo eu não fazia, quando acordei pedi o meu jantar no quarto, eu deveria sair por ai, conhecer a cidade, Lydia com certeza brigaria comigo por não fazer isso, mas eu estava considerando seriamente ficar no quarto. Mudei de ideia e decidi sair, vesti uma roupa e sai por ai, estava tão frio que vapor saia da minha boca, mesmo com cachecol, touca, casaco... Não adiantava, eu precisava de uma bebida, entrei em um pub, pedi um Bourbon.

— Noite difícil?_ A mulher que me serviu perguntou, essa eu já usei essa, melhore o discurso.

— Não, acabei de chegar à cidade, só vim tomar algo para me livrar do frio.

— Eu sei de outra coisa melhor para se livrar do frio_ Ela disse passando a língua pelos lábios, ela é uma caçadora, sorri e isso a incentivou_ Mas de onde você é?

— Boston.

— Boston legal, eu já fui em Boston, as mulheres de lá são lindas_ Essa foi barata, mas vou deixar passar_ Alicia_ Ela disse e me estendeu a mão, apertei a mão dela.

— Jane Rizzoli.

— Espera... Detetive Jane Rizzoli, foi você que pegou aquele cara, aquele assassino do beco! _ Ela anotou seu número em um papel_ Me liga, sério quero saber se você sabe mesmo usar as algemas.

Peguei o papel e sorri, mas quando sai de lá joguei em uma lixeira, ela estava indo bem até dar uma de fã maluca, bem...Essa é a minha primeira noite aqui, quem sabe o que NY está reservando para mim. Decidi voltar para o hotel e dormir, no dia seguinte, quer dizer hoje mesmo mais tarde eu iria conhecer o pessoal e trocar informações sobre o caso.

Acordei cedo e pedi o meu café da manhã no quarto, após comer parte do me trouxeram, porque foi muita coisa, eu me vesti, um casaco cinza com vários botões, blusa preta por baixo, uma calça jeans preta, meu cachecol azul e um tênis, deixei meus cabelo solto, me vesti diferente do que costumo fazer no trabalho, eu estava lá apenas para confirmar se o caso era o mesmo que está parado em nosso departamento, talvez prestar uma consultoria, então porque não mudar um pouco?

Logo que cheguei a o departamento percebi as diferenças em estrutura e tamanho, comparado ao nosso departamento em Boston esse lugar é enorme, fui recebida por uma cara chamado Casey Jones, o típico galã de novela, queixo quadrado, voz de “Bond, James Bond”, porte atlético o cara que faz todas as mulheres molharem a calcinha, não gostei dele, parecia bastante chato e me tratava como se eu fosse incapaz de abrir uma porta ou até mesmo ler.

— Jane Rizzoli, é um prazer tê-la aqui, fiquei sabendo sobre Tom White.

— Também é bom ver como vocês aqui em Nova York trabalham.

— Hoje pela manhã outro corpo foi encontrado, gostaria que me acompanhasse até o local_ Assenti com a cabeça_ Vamos eu dirijo.

Chegamos a um galpão abandonado, Casey entrou primeiro, as luzes do lugar funcionavam, ao menos isso, havia algumas pessoas lá dentro, uma mulher abaixada tocando o corpo, que eu identifiquei como a legista, mas não olhei muito para ela, Casey estava me dizendo algumas coisas e eu prestava atenção ao que ele falava, depois olhei novamente para a mulher, seus cabelos eram loiros, ela vestia um casaco que cobria toda a roupa, eu não vi seu rosto, mas pelo corpo notei que ela é muito gostosa.

Casey começou a me apresentar ao homens.

— Esse é os investigador Martinez e o policial Gregory, caras essa é... _ A legista interrompeu Casey.

— Silêncio para que eu possa ouvir.

— Ouvir o que se o cara tá morto?_ Martinez disse, ele ainda ria quando olhou para ela, eu não vi o modo como ela olhou o cara, mas ele parou de rir e se calou, gostei dela essa mulher é bastante intimidadora, mordi os lábios.

— Podem falar novamente.

— Essa é a investigadora que veio de Boston_ Nesse momento a mulher se levantou e nos encaramos. Você já sentiu medo? Um medo que te deixa branco, as mãos frias e ao mesmo tempo suando, uma rigidez no rosto e um frio na espinha, o maxilar trava e você não consegue se mexer? Foi assim que eu fiquei quando a loira virou e eu vi que era a Maura, Maura Isles, a minha Maura.

— Jane Rizzoli conheça a nossa legista Maura Isles, ela também é uma celebridade já foi capa de algumas revistas e teve seus trabalhos publicados.

Eu não sabia o que fazer, não sabia se apertava a sua mão e fingia para eles que não a conhecia, ou se a abraçava, se chorava, eu não sabia se devia gritar o que eu deveria fazer?

***

Os anos foram passando e eu, Lydia e Maura nos tornamos ainda mais amigas, eu continuava apaixonada pela Maura e sofria toda vez que a via beijando um cara, também ficava com algumas meninas, eu tentava esquecê-la, me apaixonar por outra pessoa, mas era impossível.

Uma noite eu fui dormir na casa da Maura, poderia ter entrado pela porta, mais achei divertido entrar como antes, subi na árvore e joguei pedrinhas na janela, a loira abriu a janela assustada e sorriu quando me viu, me ajudou a entrar.

— Sua louca! Porque você não usou a porta!

— Porque tem uma janela.

— Lydia não vem? _ Maura perguntou.

— Ela está resfriada_ Pelo menos foi o que Lydia usou como desculpa, percebi que ela estava me aproximar da Maura, o que era bom porque eu tinha mais momentos a sós com a loira e ruim porque esses momentos faziam com que eu me apaixonasse ainda mais por ela_ Eu trouxe o meu diário para que você possa escrever .

— Você já escreveu nele?

— Não.

— Jane, o diário é seu, como assim não vai escrever nele?

— Eu prefiro ler o que vocês escrevem_ Falei.

Maura apertou os olhos, ela estava tentando saber se o que eu disse era verdade, depois sorriu ao saber que era verdade.

— Vem, trouxe um pijama?_ Sentamos na cama, Maura com suas pantufas e um pijama calça e blusa e eu tirando minha calça e ficando de camiseta e uma cueca box preta_ Não, como sempre você não trouxe um pijama.

— Se...Você quiser, eu visto a minha calça.

— Não, tudo bem Jane_ Maura sorriu e começou a escrever no meu diário, eu quis ver o que ela estava escrevendo, mas Maura não deixou, comecei a olhar para os lados procurando o que fazer enquanto ela escrevia, vi que embaixo da sua cama havia algumas revistas, uma delas estava aberta em uma página comum cara pelado, forte, musculoso, exibindo o pênis, Lydia adorava dar essas coisas a Maura.

— Pronto, escrevi, mas você só pode ler quando chegar em casa, promete?

— Porque? O que você escreveu?

— Promete?

— Prometo, só lerei quando chegar em casa_ Como era um sábado no dia seguinte não teríamos aula, eu chegaria em casa e abriria aquele diário mais rápido do que tudo, só para saber o que Maura havia escrito e o porque daquele mistério todo.

Fizemos de tudo, dançamos, tiramos fotos fazendo careta, comemos besteira, vemos filmes, Maura falou sobre garotos e perguntou se eu estava ficando com alguém, respondi que sim e fiquei esperando alguma alteração na sua expressão ou na sua voz, eu percebi um certo incomodo, mas não sabia se era verdade ou eu vi porque queria ver. Alguém bocejou e decidimos dormir, Maura deitou de costas para mim e nos cobriu com a sua manta lilás, eu fiquei um pouco afastada dela, mas Maura puxou meu braço me fazendo deitar de conchinha com ela, eu sempre ficava envergonhada por dormir assim com ela, era muito bom sentir o seu cheiro, o cheiro dos seus cabelos, tocar aqueles fios loiros, mas eu temia que o meu pau encostasse nela.

— Ok Jane, o volume dentro da sua cueca aumentou, dá pra fasta só um pouquinho?_ Maura disse e eu fiquei corada, ela virou de frente para mim e viu meu rosto vermelho_ Jane, desculpa eu não sabia que você ia ficar assim_ Maura passou a mão pelo meu rosto.

— Não tem problema Maura.

— Mas já que estamos falando sobre isso, você sabe quantos centímetros tem?

— Não, Maura eu não me sinto bem falando sobre isso com você.

— Porque? A Lydia fala sobre isso sempre.

— Mas a Lydia é diferente.

— Porque Jane?_ Eu não sabia o que responder, ela chegou mais perto de mim, estávamos muito próximas, eu conseguia sentir a sua respiração, com o tempo Maura deixou de ser uma garotinha assustada, para se tornar uma adolescente com mais confiança, o que significava que ela sempre queria saber o porque das coisas e usava intimidação para isso, adivinha, ela estava conseguindo.

— Vamos dormir.

— Não mude de assunto, eu quero a minha resposta.

Virei de costas para ela, respirei fundo, tomei coragem e falei_ Porque a Lydia é só uma minha amiga, eu não gosto dela além disso, mas com você é diferente, eu gosto de você Maura, você é linda, inteligente, sabe sobre mim e não se importa... Você nunca disse nada que me fizesse sentir mal, por isso eu não posso falar sobre alguns assuntos com você, eu estou apaixonada por você Maura.

Tive vontade de vomitar, eu nem sei como consegui falar aquilo, acho que um espirito se apossou de mim e disse tudo aquilo depois deixou meu corpo, eu não conseguia me mexer, tinha medo de ir embora e a coisa ficar mais estranha, tinha medo de virar e ver a cara surpresa de Maura, tinha medo até de ouvi-la falar se o que saísse da sua boca não fosse o que eu queria ouvir.

— Então porque ficou com outras garotas?

— Porque eu pensei que se ficasse com outras eu esqueceria você, seria mais fácil assim, eu sei que você me aceitar como amiga é diferente de gostar de mim de outro jeito, eu sei que você não é lésbica, eu sei que somos bastante diferentes, eu sei de tudo isso, a minha cabeça concorda comigo, mas a porra do coração não desiste.

— Eu sei como é, quando tudo vai contra aquilo que você sente e mesmo assim você não deixa de sentir, quando a razão diz “ Você não sente atração por outras garotas, você gosta de rapazes”, mas ainda assim você sente atração por uma garota, só uma, só ela. E quando ela vem dormir sozinha com você é uma tortura, quando ela nunca traz um pijama e sempre fica apenas de cueca e você não deixa de olhar todo o corpo dela, quando ela sorri e você se pega olhando dos lábios para os olhos dela, quase com medo que ela te veja olhando tanto e dormir de conchinha..._ Maura riu, um riso triste_ Pode virar e me encarar sua covarde?

Virei e olhei Maura nos olhos, ela empurrou meu ombro com força.

— Porque não me disse antes? Eu ficava super mal quando te via beijando outra.

— Você também ficava com outras pessoas.

— Eu achei que você não gostasse de mim, duas idiotas_ Acabamos rindo e o peso que esmagava meu coração se tornou leve. Maura me deu um selinho ainda sem jeito e eu a puxei e beijei sua boca, um beijo de verdade que deixou ambas sem ar, quando o beijo acabou, ficamos com os rostos colados.

— Acho que você vai ter que vestir uma calça, antes éramos só amigas, mas depois desse beijo você vai ter que vestir uma calça_ Sorri e levantei da cama para me vestir.

Eu e Maura começamos a ficar, eu sempre sentia ciúmes quando via os garotos olhando para ela, mas Maura me dizia que não tinha porque eu ter ciúmes. Não dissemos a Lydia sobre nós, não no começo, até que fomos dormir na casa dela e enquanto Lydia saiu para pegar a pizza, Maura sentou no meu colo.

— Ei, a Lydia pode voltar.

— Mas eu quero beijar você_ Ela enlaçou o meu pescoço com os braços e nos beijamos, Maura estava de frente para mim com as pernas em volta da minha cintura, não consegui evitar e apertei as coxas dela, a loira gemeu e isso fez com que eu ficasse excitada, Maura me beijou mais uma vez, eu beijei o seu pescoço e mordi.

— Jane, cuidado com as marcas.

— Você pode cobrir com maquiagem_ Eu disse rindo da cara de brava dela, coloquei minhas mãos na cintura de Maura e desci mais um pouco, apertando a sua bunda.

— Olha a mão Rizzoli_ Coloquei minhas mãos novamente em sua cintura_ Bem, eu já estou sentindo um volume.

— Então é bom pararmos, até porque a Lydia...

— A Lydia já chegou e tá de boca aberta_ Lydia fechou a porta e nos encarou, eu pensei que ela ficaria chateada por não contarmos nada para ela, mas me enganei_ Eu não acredito nisso! Toda a tensão sexual, todo o desejo, Maura e Jane em um pré sexo no meu quarto! _ Maura levantou e eu puxei-a para sentar novamente no meu colo, se Lydia visse como eu estava ela não iria parar com as provocações_ Loira você me surpreendeu, agora quem sabe você duas deixem de ser virgens.

— Você não está chateada por não contarmos antes?_ Maura perguntou.

— Nada disso_ Ela olhou para mim e sorriu de forma maliciosa e eu sabia o que Lydia iria dizer_ Como vai o amiguinho Jane? Você sabe onde fica o banheiro se quiser ir, você sabe para se aliviar.

— Lydia!

Começamos a namorar, em segredo claro, apesar de que eu achava que o pai dela sabia, mas Constance não podia saber, além disso, as pessoas eram preconceituosas, mas do que hoje, eu não queria ver a Maura sofrer, não me importava que as pessoas não soubessem sobre nós desde que a gente estivesse juntas.

***

— Maura Isles_ Ela disse e me estendeu a mão, eu apertei e o toque fez com que eu me arrepiasse mais ainda, mas Maura não ficou indiferente, os lábios dela estavam tremendo, havia um brilho em seus olhos que eu não sabia dizer o que era.

— Qual a causa da morte?_ Perguntei.

— Eu não posso dizer com certeza, mas a causa aparente é uma pancada na cabeça causada por um objeto cilíndrico.

— Como um cano?

— Possivelmente_ Pra que tanta formalidade?

— Bem, Jane vai ficar conosco durante duas semanas_ Casey disse e eu o encarei contrariada.

— Como disse? Duas semanas? Não, eu ficarei aqui até comprovar ou descartar se o caso que vocês tem é o mesmo que...

— Estou confuso Jane, meu chefe disse que você ficaria aqui duas semanas, nos ajudaria no departamento, soubemos que você trabalha de um jeito diferente, além disso, isso faz parte de um acordo assim forneceremos informações sobre casos importantes para o seu departamento.

Fechei meus punhos e tentei controlar minha raiva, que história é essa?

— Parece que só eu não sabia de nada_ Sorri um riso irônico.

— Ouvi falar também que você trabalha diretamente com o legista, nós não vamos muito no necrotério, só para ver algumas autopsias, mas me disseram que você vai lá para pensar.

— Pelo visto vocês sabem muito sobre mim_ Ele sorriu e eu odiei esse sorriso.

— Tenho certeza que irá adorar trabalhar com a doutora Isles e que ela não irá se incomodar de tê-la no necrotério.

Maura me olhou e eu retribui o olhar, se Casey tinha certeza que íamos nos dar bem, eu tinha certeza que não. Ai está o que Nova York reservou para mim.

Te contei tantos segredos que já não eram só meus, rimas de um velho diário que nunca me pertenceu, entre palavras não ditas, tantas palavras de amor, essa paixão é antiga e o tempo nunca passou, e quando chega a noite e eu não consigo dormir, meu coração acelera e eu sozinha aqui...”

Tiê -A Noite

Notas finais
Como será essas duas trabalhando juntas? Como a Maura está? Ela gosta da Jane ou odeia?